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  • O Agente - Capitulo 9




    Leonardo Ventura

    Eu tinha muitas coisas para pensar. As dúvidas sobre a carreira do meu pai e voltar à ativa investigando casos com Henrique. Na manhã seguinte ele me colocaria a par de todas as sujeiras que ele tinha descoberto com ajuda de Miguel, em volta do senador Luís Alencar. Sim, eu tinha muito que ocupar a minha mente. Mas assim que deixei Gisele no carro, boa parte da minha concentração e atenção estavam voltados para ela. A garota misteriosa que tinha passado o fim de semana comigo e que se fixava em minha cabeça como nenhuma outra tinha conseguido.
    Talvez fosse essa onda de mistério em torno dela que me mantivesse atraído. Afinal, tudo o que eu sabia sobre ela era primeiro nome, que me deixava louco na cama, que curtia coisas orientais e os pais passavam por uma crise.
    Não é verdade. Eu sabia que gostava do som da risada dela, do seu atrevimento, de como sabia dosar sensualidade e um sorriso doce. Eu gostava de conversar coisas sem importância. Sem dúvida alguma eu gostava muito de transar com ela, mas também gostava de ficar apenas na cama passando o tempo.
    Ou seja. Eu estava ferrado.
    Porque é impossível aceitar que esse poderia ter sido nosso último encontro. Nosso último momento juntos. Precisava ter um pouco mais. Descobrir cada segredo que tentava esconder de mim.
    Será que era casada ou tinha algum relacionamento?
    Porque era óbvio que Gisele estava ocultando alguma coisa.
    E eu já estava indo para a terceira tentativa de ligação para ela quando meu telefone tocou.
    — Leonardo?
    — Oi, Henrique.
    — Preciso que você fique pronto e uniformizado em meia hora — ele disse apressadamente — Recebemos uma ligação anônima de que Alencar pretende fugir do país. Vamos encurralar ele com o que temos. Deve ser suficiente. 


    — Me dê vinte minutos — respondi, buscando meu uniforme.
    Henrique desligou e comecei a trocar de roupa. Era incomum eu receber chamadas como aquelas, principalmente em dias de folga. Normalmente as apreensões eram bem analisadas e programadas. Mas também não era incomum, ainda mais se o suspeito pudesse ter oportunidade de escapar entre os nossos dedos a qualquer momento.
    O problema era que estive a semana toda em busca de contatos e informações que me ajudassem a ter algum rumo sobre o meu pai que tinha deixado para estudar o caso Alencar quando retornasse as investigações. Eu gostava de olhar na cara do bandido sabendo exatamente o tipo de pessoa que eu estava prendendo.
    As 21h20 da noite, eu, Henrique e mais alguns agentes da equipe tática, seguimos para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde iriamos impedir que o empresário e senador, Luís Morais Alencar, entrasse em um avião com destino a algum lugar em torno das Ilhas Cayman.
    — Quem deu o alerta, Henrique? — pergunto, assim que me acomodo ao lado dele no carro oficial.
    — A Sra. Alencar.
    Não era muito comum que as mulheres denunciassem os seus cônjuges, ex-mulheres sim, esposas quase nunca.
    — E acha que pode acreditar nela? — agarro o apoio na porta quando ele faz uma curva mais acentuada — Pode ser uma armadilha.
     — O Alencar está tendo problemas no casamento — esclareceu Henrique.
    Mas isso era um fato público já que alguns meios se preocupavam mais com o escândalo no casamento do senador, do que com milhões que ele e membros de seu partido tinham desviado em propinas, fora a empresa que estavam sob investigação.
    — Uma mulher traída... — ele não precisou concluir.
    Não acho que uma mulher traída seja capaz de qualquer coisa, mas uma mulher ferida daria um tiro em si mesmo para fazer a outra parte sofrer. Mas de um homem que não valorizava a própria família, não havia muito o que esperar.
    — Ok, pessoal, nós iremos fazer uma ação limpa — o subdelegado alertou quando nos reunimos no aeroporto — Pegamos o Alencar, saímos pela saída privativa e o levamos. Com o mínimo de alarde possível. Deixaremos que a bomba estoure quando ele já estiver em nossa custódia.
    Assentimos e cada um tomou sua posição. Segui com Henrique e infelizmente Miguel, do qual nós não tínhamos conseguido nos livrar.
    Fui o primeiro a avistar o senador Alencar, caminhando tranquilamente, o rosto parecia tão inocente como de um bebê recém-nascido, mas sua ficha criminal era mais suja que uma fralda cheia de merda.
    Fiz um sinal para que Henrique e Miguel me seguissem silenciosamente.
    — Senador Alencar?
    Ele estava ao lado de uma jovem loira, voluptuosa. No início das investigações, quando o nome do senador começou a surgir em alguns casos, eu tinha visto algumas fotos da esposa dele em eventos políticos e apenas uma da filha. A jovem pendurada no braço dele com certeza não era a Sra. Alencar. E mesmo que na foto antiga que tinha visto filha dele, ela estivesse com metade do rosto oculto, os cabelos da jovem eram castanhos.
    — Sim — ele abriu um presunçoso sorriso — Acredito que devam ter resolvido o problema com meu voo.
    Eu sempre sentia um grande desprezo por pessoas como ele. Que tiveram todas as oportunidades na vida. Uma boa casa, família, estudos, viagens. Uma vida que muitas pessoas tem que batalhar muito para conseguir e outras apenas sonham. Uma vida que manchavam, porque simplesmente queriam mais dinheiro e mais poder. Não importava que estivessem fodendo com o país. Com um povo sofrido que mesmo sendo maltratado anos e anos por governos corruptos, continuavam a acreditar que um dias as coisas poderiam ficar melhores.
    Eu desprezava homens como o senador Alencar. Contudo, nesse momento, sentia algo mais. Uma espécie de familiaridade com ele. Alguma ligação que eu não conseguia explicar.
    — O senhor está preso senador — Henrique começou a dizer, quando meu silêncio se prolongou — Responde inicialmente por quatro crimes na Justiça Federal...
    Ouvi Henrique enunciar os delitos e direitos do senador, enquanto Miguel, sob os protestos dele e olhar assustado da amante do senador, passava as algemas em seus pulsos. Rompi o transe em que eu estava e segui meus companheiros até a saída.
    Usamos uma saída particular para escoltar Alencar até a delegacia. Chegando lá o deixamos aos cuidados dos nossos superiores. O senador não estava nada contente por termos recusado cada tentativa de suborno que nos ofereceu e bufando, ameaçou destruir a carreira de todos nós.
    — O que aconteceu com você, Leonardo?
    Feito o trabalho, solicitei que Henrique me desse uma carona de volta para casa. A bomba logo iria explodir e não queria que nenhuma equipe da imprensa me visualizasse no local. O burburinho em volta de mim estava começando a arrefecer e não deseja  ser destaque nos principais jornais mais uma vez.
    — Do que você está falando? — tentei me fazer de desentendido.
    — Você paralisou lá.
    — Eu não paralisei — retruquei, mas precisava admitir que Henrique estivesse certo.
    — Leonardo!
    Eu tinha meio que congelado no lugar quando me vi frente a frente com Alencar. A grande merda de tudo isso é que não havia nenhuma explicação plausível para minha reação. Foi como um pressentimento que algo bem ruim estivesse para acontecer. O que mais uma vez não fazia sentido. Minha única ligação com o senador era as investigações sobre ele.
     — Certo. Não sei explicar, está bem. Algo parecia errado. Fora do lugar. Como uma peça que não sei onde devo encaixar.
    — É porque você meio que caiu as cegas nisso. Logo se familiariza com o caso.
    Balancei a cabeça negando. Eu já participei de operações que não tive nada a ver com as investigações do caso. Às vezes você é escalado apenas para dar suporte.
    —Não é só isso — refuto sua sugestão — É como se tivesse algum fio solto. Alguma coisa que eu estou deixando passar. Senti como se conhecesse o senador, embora, pessoalmente seja a primeira vez que eu tenha visto. É algo mais... eu não sei.
    — Bem, você esteve afastado. E você gosta de estudar cada caso minuciosamente. Talvez seja isso que esteja te incomodando — diz ele tentando encontrar uma explicação lógica para o meu breve momento de blackout — E também tem esse lance em relação ao seu pai.
    Talvez Henrique tivesse razão. Entre voltar ao que realmente gosto de fazer no trabalho e as mentiras contadas sobre meu pai, tinha Gisele que tinha surgido em minha vida, balançando um pouco mais o mundo.
    — Mas não se preocupe, teremos tempo de estudar cada sujeira que o senador tentou colocar debaixo do tapete. O importante foi que impedimos que ele fugisse — continuou Henrique — E sobre o seu pai, vamos descobrir o que houve.
    Continuamos o restante da viagem em silêncio. Henrique sabia quando eu precisava do meu tempo para meditar. Em outra ocasião eu teria chegado e esquadrinhado cada informação que conseguisse do senador, mas dessa vez fui direto para o quarto, em direção ao guarda-roupa pegar o envelope que Silvio havia me dado. Dos dezoito anos do meu pai na polícia, Silvio tinha sido seu parceiro por oito. E ainda era até alguns meses antes dele falecer.
    O dossiê continha os últimos trabalhos do meu pai. E que ele vinha a quatro meses investigando um novo quartel de tráfico, no qual parecia estar envolvido antes de morrer. Como ele tinha falecido antes que a corregedoria averiguasse isso, arquivaram a abertura do processo em prol dos 18 anos de trabalho limpo que ele prestou.
    Isso que não entrava em minha cabeça, não se encaixava. Foram 18 anos trabalhando impecavelmente. Por que somente naqueles meses, eles colocaram em dúvida a probidade de meu pai?
    Li pela centésima vez cada folha de relatório. Roberto Torres era o investigador que meu pai começara a trabalhar. Lembrava vagamente dele. Tinha participado do velório e prestado uma linda homenagem ao meu pai, destacando como ele era honesto, eficiente e que a policia perdia um grande homem. Também tinha feito algumas ligações para minha mãe e feito uma ou duas visitas antes dela decidir se mudar para o interior de São Paulo. Pensando bem, foi quando as visitas começaram que ela sugeriu isso. Na época, acreditei que as lembranças que meu pai deixou em nossa antiga casa eram duras demais para que ela suportasse.
    E se não fosse apenas isso? Acho que preciso fazer uma nova visita a minha mãe e iniciar minhas investigações a partir de Roberto Torres.

    ***
    Estava muito tarde para falar com minha mãe na noite anterior, então, a primeira coisa que fiz após ter me arrumado para o trabalho no dia seguinte foi ligar para ela. Como era uma pessoa matutina, sabia que às 7h já estava de pé iniciando as tarefas de casa.
    — Oi filho — A voz animada soou assim que atendeu — Está tudo bem? 
    Não era a conversa que deveríamos ter por telefone, mas eu só conseguiria visitá-la com ela no próximo fim de semana, talvez nem isso.
    — Estou bem, mamãe — não tenho tempo e nem vontade de ruminar o assunto então vou direto ao ponto — O que você sabe sobre o Roberto Torres?
    Pelo silêncio que seguiu, devo tê-la pegado de surpresa. Ouvi um longo suspiro e o som de um móvel sendo arrastado no chão.
    — Trabalhava com seu pai na polícia.
    — Mas o papai estava trabalhou ao lado do Silvio por mais de oito anos — digo a ela — Por que de repente mudou?
    — Para que você quer mexer nessa história Leonardo?
    Não podia afirmar sem estar olhando para ela, mas mamãe parecia levemente alterada.
    — Por que havia uma investigação sobre o meu pai e eu quero tirar isso a limpo.
    Minha mãe tinha amado ou ainda amava o meu pai. Eu tinha certeza que assim como eu ela iria desejar que qualquer mancha na reputação dele, fosse tirada a limpo. Deveria estar indignada.
    — Ele disse que seria arquivado.
    — Você sabia disso? — senti como se ela tivesse me dado um tapa no rosto — Por que escondeu isso de mim?
    Mais um longo silêncio que estava começando a fazer o meu sangue ferver.
    — Está arquivado, não está? Por que jogar essa merda na sua cabeça? Sabemos que seu pai era um homem honrado. Isso é o que importa.
    — Não! Não é mamãe! — esbravejei perdendo o controle.
    “Às vezes os nossos pais não são quem imaginamos.” As palavras de Gisele me vieram à cabeça.
    Minha mãe escondeu algo importante de mim e havia uma probabilidade que meu pai não ser quem eu sempre imaginei que ele fosse. Meu herói de farda.
    — O que Roberto Torres queria com você quando papai morreu?
    Eu tinha acabado de me formar e prestes a abrir uma empresa de engenharia com alguns amigos da faculdade quando meu pai faleceu. Minha vida virou de cabeça para baixo e perdi o meu rumo. Entre ajudar minha mãe com a venda da casa, mudança para outra cidade e tentar superar minha dor, prestei concurso para PF. Em nenhum momento enxerguei que o policial bonzinho, parceiro do meu pai, pudesse querer algo mais do que dar conforto a viúva de seu amigo.
    — Ele queria prestar condolências...
    — Mentira, mãe — a interrompi — Eu sei que é mentira. Vai me dizer ou vou precisar descobrir sozinho?
    Ao invés de obter uma resposta, ouvi seu pranto do outro lado da linha. Partia meu coração ser o causador de suas lágrimas, mas eu não podia mais recuar.
    — Por favor, meu filho... — os soluços a impediram de continuar por um momento — Não remexe nisso... eu já perdi o seu pai. Não vou suportar perder você.
    — O que você sabe mãe?
    — Eu não sei de nada Leonardo! — ela berrou e perder o controle era algo muito atípico de minha mãe — Proíbo você de remexer essa história. Está ouvindo? Eu te proibido Leonardo.
    Havia muita merda escondida e pela reação de minha mãe, estava indo no caminho certo. Era Roberto Torres que eu deveria começar a investigar.
    — Nós nos falamos depois — disse a ela antes de desligar.
    Ouvi alguns de seus chamados quando tirei o telefone do ouvido. Não adiantaria pedir que minha mãe falasse alguma coisa por telefone, precisava falar com ela olhando olho no olho. Ela podia ter escondido a informação sobre a possível investigação sobre o meu pai, mas não conseguiria mentir olhando para mim. Por enquanto o que eu tinha era suficiente.
    Olhei para a hora no celular. Eu tinha que sair imediatamente para não chegar ao trabalho atrasado. Isso me impedia de conseguir ligar para Gisele. De qualquer forma era sedo demais e eu também não queria bancar o desesperado grudento.
    Enviei uma mensagem explicando que precisei resolver um problema ontem a noite.  Minha preocupação é que ela tivesse voltado como tinha prometido e não ter me encontrado no apartamento.
    — Mais um safado na cadeia — José, o porteiro do meu prédio ergueu o jornal para mim quando sai do elevador — Agora duvido que ele fique. Gente rica nunca fica presa, né?
    O que eu poderia dizer a ele? Era a vergonhosa realidade do nosso país. Nós os prendemos e as brecha nas leis deixava-os novamente livres. Cadeia mesmo era para pobre. Os presídios estavam cheios deles.
    — Esperamos que a justiça continue a fazer isso, seu José — digo a ele antes de seguir meu caminho — Justiça.
    Dessa vez nossa ação foi rápida e limpa. Nossas identidades mantidas em sigilo, então não tive olhares ou risinhos enquanto me dirigia ao cubículo de sala que dividia com meu parceiro.
    Destranquei a gaveta para pegar a cópia do dossiê sobre Alencar que Henrique tinha me entregado, não tinha passado da primeira folha quando ele entrou.
    — O delegado esta chamando a gente — disse ele da porta.
    Miguel já estava na sala do Dias contando sua versão de como ele tinha passado as algemas no senador Alencar. Claro que ele não deve ter dito que perguntou ao senador de quanto era o valor que estava disposto a nos oferecer para facilitar sua fuga.
    “Foi só uma brincadeira.” Dissera a mim e a Henrique depois, mas eu tinha certeza que se não fossemos nós dois naquele carro, Miguel teria ponderado na proposta milionária e suja. Eu não confiava em Miguel e apesar de não ter nenhuma prova contra ele, cada dia mais ao seu lado fazia minhas desconfianças crescerem.
    — Que bom que já chegou Leonardo — disse Dias quando me avistou parado atrás de Henrique — Eu quero que façam uma varredura na casa do Alencar.
    Ele apagou a bituca de cigarro jogando no cinzeiro e acendeu outro.
    — Quero que seja minucioso Henrique — fez uma pausa para soltar uma baforada e continuou a dar suas instruções — Peguem documentos, computadores e tudo que vocês acharem importante. Estamos apenas aguardando a ordem do juiz.
    Ele me encarou e já soube pelo seu olhar que minha missão era outra.
    — O Alencar está tentando fugir disso. Jogando muitas coisas na esposa e boa parte delas na filha — disse ele para mim — Quero que me traga Flavia Alencar e Gisele Alencar para darem depoimento. Uma delas terá que abrir o bico.
    Foi como se eu atravessasse a rua distraidamente e um caminhão tivesse se chocado contra mim. Ele tinha mesmo dito Gisele Alencar?
    — Como senhor? — perguntei atordoado.
    Ele me olhou com surpresa. Puxou um longo trago depois olhou sem paciência entre mim e Miguel. O filho da puta deve ter tentando falar algo de mim antes que entrasse na sala do Dias.
    — Que você traga as esposa do senador e a filha...
    — Não. Digo o nome dela — pigarrei e me obriguei a manter a mente limpa — Da filha.
    — Gisele Morais de Alencar — repetiu ele e com muito esforço continuei em pé no mesmo lugar.
    Por dentro eu me revirava inteiro.
    Certo. Gisele era um nome bastante comum. Isso era uma fodida, mas apenas uma coincidência. Gisele Alencar não tinha nada ver com Gisele... Eu não sabia o caralho do sobrenome dela.
    Cacete, eu tinha passado o fim de semana todo com a garota e não sabia a porra do nome dela.
    É só uma coincidência. Dizia a mim mesmo tentando controlar meu estômago embrulhado.
    — Leonardo?
    Encarei o meu chefe.
    — Acha que pode fazer isso? — indagou dele antes de indicar Miguel com o olhar — O Ferreira...
    — Eu to bem — afirmo a ele — Vou cuidar disso delegado.
    Eu não estava nada bem. Queria retornar a minha sala e vasculhar as fotos entre os documentos na pasta.
    — Miguel vai te auxiliar.
    Rangi os dentes, mas não estava em uma situação que pudesse recusar. Eu já tinha dado motivos suficientes para que meu chefe quisesse ter comigo uma conversa particular. E tinha acabado de ser reintegrado ao caso, não queria que ele sentisse que tinha agido precipitadamente em me ter de volta a ação.
    — Delegado? — uma agente feminina bateu e entrou na sala — O juiz expeliu o mandado de busca.
    Ela entregou o documento a ele, que por sua vez, após examinar entregou a Henrique.
    — Ao trabalho rapazes.
    Droga. Eu não teria tempo de ir até minha sala. Uma equipe já deveria estar a caminho para fazer a varredura na casa de Alencar e em breve ele e os advogados ficariam sabendo, se é que já não fizeram uma limpa na casa.
    Eu também não queria puxar assunto com Henrique com Miguel dentro do carro. Detestava o Ferreira, mas era obrigado a admitir que ele era esperto. Qualquer informação que ele pudesse sondar sobre mim, ele usaria contra mim. Sendo do trabalho ou não. Afinal foi ele que abriu meus olhos em relação ao meu pai. E não foi porque ele era um grande amigo. O que Miguel queria era me aborrecer.
    Com o transito infernal de São Paulo, mesmo tendo acesso rápido, levaríamos no mínimo quase duas horas para chegar à casa dos Alencar. Ouvi muito pouco do que Henrique e Miguel conversavam. Meus pensamentos estavam em cada momento que tive com Gisele.
    Tinha que ser a merda de uma coincidência, meu coração gritava.


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