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  • O Agente - Capítulo 8



    Gisele Alencar



    Leonardo emprestou uma de suas camisas que mais parecia um vestido em mim, enquanto eu colocava as minhas roupas em sua lavadora. Eu saía da área de serviço quando ele surgiu vestindo apenas calça jeans, esfregando uma toalha nos cabelos. Como a área era pequena, ele teve que pressionar o quadril contra minha bunda para jogar a toalha molhada no cesto de roupas sujas.

    Eu recordei da nossa última hora no banheiro e meu corpo reagiu ao tê-lo tão perto. Esfreguei o pescoço e tentei regular a respiração. Senhor, eu estava me tornando uma mulher muito fácil e dada. Bastava que ele tocasse em mim e ficasse tão próximo, que minha mente se enchia de pensamentos sensuais. 

    Consegui passar por ele e fui em direção à cozinha. 

    — O que teremos para o café da manhã? 

    — Café — ele me mostrou às cápsulas e a cafeteira no balcão do armário como se apresentasse alguém — Mas se preferir tem suco e leite na geladeira, assim como manteiga, requeijão e geleia. Tem torradas e bolachas no armário. Sirva com o que quiser. 

    Foi exatamente o que ele fez, abrindo e fechando as portas do armário enquanto eu olhava tudo meio confusa. Em casa a mesa sempre está pronta, não importava a hora eu que levantasse. E até mesmo quando morei fora tinha uma empregada que me atendia em tudo o que precisasse. O que não parecia ser o caso de Leonardo. Embora o apartamento fosse aconchegante e limpo, não acreditava que ele tivesse uma empregada fixa, talvez uma diarista para fazer a limpeza. 

    Quando ele sentou e olhou para mim, estranhando que estivesse como uma estátua esquisita parada no meio da cozinha, ocupei uma cadeira ao lado da dele. Peguei a embalagem de suco que ele havia colocado em cima da mesa e um prato para colocar os frios, que ainda estavam na embalagem de mercado. Era tudo tão simples, mas eu descobri que gostava dessa simplicidade.

    — Você pode ao menos dizer o que você faz? — indagou Leonardo. 

    Peguei uma torrada e passei uma boa camada de geleia de uva antes de pensar no que responder. 

    — Eu me formei em administração de empresas.

    Ele lançou os olhos analíticos em cima de mim e fui impelida a desviar o olhar.

    — Eu me formei em engenharia, mas...

    Leonardo não terminou a frase e levantei o olhar para encará-lo.

    — Sem perguntas pessoais — disse ele em um tom defensivo — Certo?

    Assenti, embora a curiosidade em conhecê-lo um pouco mais fosse grande. A mensagem era clara, para saber um pouco mais dele eu precisava me abrir. E tudo o que eu queria era passar esse dia com ele sem a lama em volta da minha família em meus ombros. 
    Entre nós dois.

    — O que você gosta de fazer quando não está administrando empresas?

    O que eu gostava de fazer? Raramente as pessoas me perguntavam isso. Geralmente apenas diziam o que esperavam de mim.

    — Eu gosto de ler — respondi e bebi um gole do suco de laranja — Teve uma época que gostei de dançar.

    — É mesmo? O quê?

    — Não essas músicas de balada que só sacudimos o corpo, embora seja bom também — digo empolgada — Mas amava jazz, samba e um pouco de Tango.

    Nossa. Fazia tanto tempo que não dançava pelo simples prazer de dançar. 

    — Isso explica porque você é tão boa com as pernas — ele insinuou e deu uma generosa mordida em sua torrada. 

    Um pouco de requeijão manchou o canto de seus lábios onde passou a língua. O homem sabia ser sexy sem o menor esforço.

    — E você? O que gosta de fazer? 

    — Correr. Isso me ajuda a pensar. Coloco meus fones de ouvido e posso correr, sei lá, por horas — diz ele — Quando tenho tempo corro no Ibirapuera. 

    Imediatamente tenho a imagem dele correndo de peito nu, completamente suado...

    — E depois são os homens que só pensam em sexo — disse ele em um tom divertido ao flagrar meu olhar.

    Senti meu rosto queimar. Eu estava sendo uma boba. Primeiro por realmente estar pensando nele dessa forma, depois por me deixar cair em sua provocação. 

    — E o que mais você gosta de fazer? — perguntei de novo.

    — Sexo. 

    Puro e seco. 

    Mas eu tinha que admitir, o homem era uma maquina fazendo sexo, então ele realmente tinha que gostar.

    — E você? 

    — Sei lá — dou de ombros — Coisas normais. Ir ao teatro. Cinema. Coisas normais.

    Continuamos a conversar sobre as coisas que gostávamos para nos conhecermos melhor, sem entrar em assuntos mais íntimos.

    — E o que você gosta de ouvir? Não me diz que é uma dessas bandas asiáticas. 

     Essas bandas fazem sucesso pelo mundo e tinham chegado com muita força no Brasil.

    — Não sou uma fã alucinada, mas gosto de algumas músicas. 

    — Bom... — ele revirou os olhos — As sobrinhas do Henrique iriam adorar você.

    Diante do meu olhar interrogativo ele explicou que Henrique era o seu melhor amigo. E que os dois trabalhavam juntos, embora não tenha falado no que eles trabalhavam. Eu não era a única a manter segredos.

    — Eu aposto que você gosta de rock — terminei de tomar meu suco e começamos a tirar a mesa.

    — É tão evidente assim?

    — Você tem tatuagem, Leonardo — não resisti, e passei a mão nas tatuagens pelo braço dele — Não que seja uma regra. Mas as duas vezes que entrei no seu carro só ouvi isso.

    — Isso porque eu tenho um excelente gosto musical. 

    Enquanto ele cuidava da louça suja eu terminava de guardar as coisas nos seus devidos lugares. Trabalhávamos juntos e em uma sintonia que parecia tão natural. E eu por alguns segundos imaginei como se isso fosse real em nossas vidas. Como se essa fosse a minha vida e nunca me senti tão feliz. Apenas ouvindo Leonardo falar enquanto guardando a caixa de suco na geladeira.

    — Ah, mas Dorama é legal, vai — das bandas K-pop entramos no assunto de filmes e séries — Nós poderíamos assistir algum. Se você não gostar eu prometo parar de tentar converter você.

    Nós fomos para a sala e como eu era especialista no assunto, ele deixou que escolhesse. Então começamos com Descendents of the Sun, uma série que retratava soldados em uma operação militar com ajuda de uma equipe médica, também tinha uns toques de comédia e achei que ele iria gostar.

    Conseguimos assistir quatro episódios antes de pararmos para o almoço. O que foi um verdadeiro desafio para mim porque não sabia nem como se fritava um ovo.

    — Pensei que todas as mulheres nasciam com esse dom — disse ele ao colocar o frango empanado na mesa — Como gerar e criar os filhos.

    — Isso foi machista, Leonardo! — peguei um punhado de trigo em uma vasilha e arremessei no rosto dele, mas só o atingiu do pescoço para baixo.

    Ele deu um sorriso safado quando se aproximou de mim e agarrou minha cintura me colocando na mesa.

    — Deixe-me ver — disse ele passando as mãos em minhas pernas, erguendo a barra da camisa — Eu sou arrogante, debochado, convencido e agora machista. Tem algo positivo que você goste em mim? 

    — Hum... você sabe cozinhar — murmurei, minha respiração começando a ofegar. 

    Ele desviou o olhar para as minhas coxas nuas e as mãos subiram um pouco mais. 

    — Só isso? 

    Leonardo segurou meus joelhos e afastou as minhas pernas se colocando no meio delas. 

    — Você fode bem — me atrevi a dizer.

    Seus olhos afogueados encontram os meus. 

    — Bem?

    — Tá certo — respondi, sorrindo — Fode maravilhosamente bem. Um deus do sexo! 

    Ele me deitou contra o mármore da mesa e senti que minha pele queimava quando toquei a superfície fria.

    — Nunca pensei que diria isso... — murmurou ele, erguendo a camisa até minha cintura, analisando a cueca boxer dele que eu usava — mas minhas cuecas são sexy pra caralho.

    Não consegui segurar a risada. Eu me sentia tão bem com ele, tão feliz. Nunca me senti tão feliz e tão livre com alguém.

     — Tudo em você é sexy Leonardo — disse isso com toda sinceridade do meu coração — Até suas cuecas. 

    E nesse momento eu comecei a perceber que eu estava muito encrencada. Estava completamente seduzida por ele. Não apenas viciada no sexo. E talvez... talvez eu estivesse me apaixonando.

    Isso era muito, mas muito ruim. Eu não podia lidar com um coração partido agora. Então, precisava manter em mente que Leonardo era apenas uma distração e que eu não poderia entregar meu coração a ele. 

    — O que você está pesando? 

    Ele dever ter notado a expressão em meu rosto mudar. Desfranzi a testa e voltei a me concentrar no momento. 

    — Eu quero você — murmurei, passando minhas pernas em volta da cintura dele, puxando-o mais para mim com os pés.

    Leonardo abriu os botões da minha camisa e quando meu peito ficou exposto, sua boca imediatamente foi até os meus seios. Fechei os meus olhos, curvei a coluna me oferecendo mais a ele, enquanto meus dedos afundavam em seus cabelos. Depois de deixar os meus mamilos sensíveis, meus seios pesados, ele deixou uma trilha de beijos até chegar ao centro entre minhas pernas. 

    Nesse momento eu já gemia e me contorcia alucinadamente. Leonardo agarrou meus calcanhares e apoiou minhas pernas em seus ombros. Ele me chupava do jeito que sabia que me fazia perder o rumo. O homem era um mestre na arte de usar a boca. Chupando meu clitóris, enfiando a língua em minha boceta até que eu ficasse encharcada. Mordi minha mão evitando implorar que ele me levasse ao prazer. Eu descobri que eu era muito ansiosa em relação a isso e que Leonardo adorava me torturar. 

    Ele era um homem mau.

    Senti meu interior ficar quente enquanto Leonardo chupava seu picolé favorito e sacudia os dedos dentro de mim. Ficava cada vez mais molhada e o prazer vinha em ondas estremecendo meu corpo.

    — Goza para mim, linda. Deixe eu mamar nessa sua bocetinha gostosa.

    Foi o suficiente para que eu agarrasse na borda da mesa e me desfizesse na boca safado do Leonardo. Gozando tanto que toda energia que havia em mim parecia se derramar na boca dele. 

    — Acho que é minha vez agora — ele disse, ficando de pé. 

    Ainda estava trêmula quando ele me puxou para chão. Fiquei de joelhos enquanto ele abria os botões de sua calça, abaixava um pouco a cueca e colocava o seu pau para fora. Ele esfregou de cima para baixo diante de meu olhar ansioso. Lambi os lábios esperando o momento que ele o levasse a minha boca. Eu gostava de chupar o pau dele. De ver como o quadril dele remexia quando a cabeça de seu pau tocava em minha garganta e as obscenidades que grunhia quando ejaculava em mim.

    — Quer chupar meu pau, Gisele? — a rouquidão em sua voz surgiu — Porque eu quero essa boca gostosa fodendo ele.

    Assenti freneticamente. Mas Leonardo continuou a se masturbar na minha frente. Seu pau crescendo e enrijecendo, negando-me o que eu tanto desejava. 

    — Passa a língua — disse ele, esfregando a cabeça de seu pau em minha boca.

    Coloquei a ponta da língua para fora e lambi, chupei e voltei a lamber novamente. Fui fazendo isso por toda a extensão de seu pau, ouvindo a respiração dele mudar.

    — Agora chupa minhas bolas — ele ordenou. 

    Obedeci. Estava inteiramente submissa a ele. Tão sedenta por ter seu pau completamente em minha boca que parecia uma andarilha desesperada e faminta.

    Ele continuou a me ditar coisas. Que eu o masturbasse com a mão enquanto continuava a chupar suas bolas. 
    Mais firme. 
    Mais rápido. 
    Mais pressão.

    — Agora fode ele, Gisele.

    Praticamente agradeci por poder deixar livre umas das mãos quando enfiei o seu pau em minha boca. Eu comecei me tocar e enfiar o pau dele o mais fundo em minha garganta. A prática leva a perfeição e eu estava ficando boa nisso. Pelo menos eu sabia analisar melhor cada gemido e grunhido de Leonardo e dava tudo de mim. 

    Ele agarrou meus cabelos e impulsionou o quadril indo mais fundo: — Segura!

    Senti meus olhos arderem e as lágrimas descerem pelo meu rosto. Quando ficou quase impossível de respirar e meu rosto vermelho demais, ele se afastou. Alisou o seu pau todo babado por minha saliva enquanto eu tossia e recuperava a respiração. Ele repetiu isso mais algumas vezes. Cada vez eu sentia que iria desmaiar ou morrer sufocada. Mas ao invés de me sentir amedrontada ou ficar irritada com ele, senti exatamente o contrário. Eu me sentia poderosa. Era louco e estranho, mas era assim que Leonardo me fazia sentir.
    Uma mulher sexy e poderosa. 

    — Filha da puta, gostosa! — Ele me fez perder ar novamente antes de se afastar — Levanta!

    Eu não tinha forças nem para piscar, então ele me ajudou a ficar de pé. Ele me virou de costa bruscamente e meus peitos foram pressionados contra a mesa fria.

    — Abre as pernas!

    Depois que fui estudar fora, gostei de vestir a camisa de que era uma mulher independente e dona de mim. Mas pelo menos no sexo, e com Leonardo, gostava de ser submissa. E me enchia de tesão que ele não pedisse as coisas, mas ordenasse. Que me conduzisse e não me deixasse levar. E por mais livre que eu pudesse ser na cama, para mim o homem tinha que ser macho. Sim, do tipo primitivo e dominante. E Leonardo não era um cara que pedia, por favor. Ele seguia seus instintos e os instintos dele conduziam-me ao extremo prazer.

     Ouvi o barulho da embalagem sendo rasgada e espalmei as mãos na mesa. 

    — Ahh... — seu pau entrou rasgando em minha boceta, mas ao invés de repeli-lo, ela ficou mais molhada e sensação prazerosa fez os pelos em minha pele eriçarem.

    Fiquei nas pontas dos pés e cada vez que Leonardo arremetia em mim, meu corpo saltava para frente na mesa. 

    — Isso gostosa — ele agarrou bem firme minha cintura e continuou a meter forte — Empina essa bunda pra mim.

    Suas bolas batiam em mim e alguns momentos eu sentia como se ele fosse me partir em duas. As ondulações de prazer indo e voltando. 

    — Ahh, fode Leo... — gemia e pranteava por mais — Fode!

    Eu empinava em direção a ele e Leonardo me socava fundo. Bateu com as duas mãos em minha bunda, causando ardência e tesão ao mesmo tempo. Depois ele abriu as nádegas e senti um dos seus dedos passar em meu ânus, a pontinha fazendo pressão para entrar. Estremeci, pois eu não sabia que essa parte em mim pudesse ser tão sensível ao toque. Nunca tinha feito sexo anal. Tinha medo, mas com Leonardo eu acho que era capaz de qualquer coisa. Enfrentar qualquer desafio que ele quisesse. 

    — Aposto que aqui ainda é virgem — ele provocou e enfiou o dedo completamente em mim.

    Minha boceta agarrou ainda mais em seu pau e a sensação de prazer em mim se intensificou. Ele se inclinou sobre minhas costas e mordeu meu ombro. Alternava a atenção entre seu dedo no meu ânus e seu pau em minha boceta. Em poucos minutos eu estava gozando, alucinada. 
    Não demorou muito tempo para que ele me seguisse.  


    ***


    Passamos a tarde  vendo  filmes, dando algumas pausas entre eles para trocarmos carícias e fazer amor. 
    Às 20h saímos do apartamento dele e fomos a um bar onde Leonardo tinha um compromisso marcado. Eu quis ficar no apartamento dele esperando, mas ele insistiu que eu fosse junto. Acho que temia que eu voltasse a fugir. 

    Eu vesti a mesma roupa de quando cheguei ao apartamento dele, pelo menos estavam limpas e passadas, mas não tinha nada de maquiagem na bolsa, além de um batom vermelho e Leonardo afirmou que eu ficava ainda mais linda assim.

    O bar tinha um ambiente meio escuro e tinha um cara no fundo tocando violão. O garçom nos levou a uma mesa onde fizemos o pedido. Sentia que Leonardo parecia tenso, então o deixei quieto com seus pensamentos e passei a observar o lugar e as poucas pessoas que havia. 

    Quando comecei a ficar incomodada com o silêncio, vi o garçom conduzir um homem barrigudo e barbudo a nossa mesa. Ele era negro e tinha o cabelo raspado. Tinha um ar carrancudo, mas apesar disso, não senti mais nada de desagradável nele, apenas parecia ser um homem sério.

    — O que você me pediu — ele deslizou um pacote em direção a Leonardo, depois me cumprimentou com um olhar.

    Leonardo empurrou um pacote um pouco menor em direção ao homem que guardou no bolso da jaqueta antes de sentar. Eu comecei a ficar alarmada. 
    No que Leonardo poderia estar envolvido? O que o homem tinha entregado a ele naquele pacote?

    Senti meu coração afundar no peito. Se fosse alguma coisa ilegal seria mais uma decepção difícil de suportar. 

    Será que todos os homens em minha vida tinham desvios de caráter?

    Sentindo que eu havia mudado Leonardo alisou minha perna até achar minha mão debaixo da mesa.

    — Tem certeza que quer mexer nisso mesmo rapaz? — O homem perguntou.

    Leonardo assentiu e o maxilar ficou rijo. 

    — Preciso saber a verdade. 

    Ele estava investigando algo?

     Isso por ora me deixou um pouco mais relaxada, embora seja lá o que ele estivesse procurando parecia ser uma coisa perigosa. Eu não queria que ele se machucasse. 

    O homem tomou o copo de cerveja que o garçom colocou para ele em um único gole e se levantou se despedindo de nós. E eu nem sabia como ele se chamava. Tão rápido ele chegou, ele saiu. 

    — Isso foi estranho, né? — Leonardo sorriu, afastando um pouco a tensão que havia sido instalada em mim.

    — Para dizer a verdade, foi sim. 

    Tomei um pequeno gole da minha cerveja enquanto Leonardo parecia brincar com o lacre do envelope. 

    — Meu pai era policial — ele disse, pegando-me de surpresa — Faleceu em serviço.

    Estendi minha mão para tocar a dele: — Sinto muito.

    Um longo silêncio nos seguiu. Os únicos sons eram do violão e o murmúrio das pessoas em volta.

    — Soube há pouco tempo que ele esteve sendo investigado, mas acabaram arquivando o processo. 

    Eu sabia mais do que ninguém como nossos pais podiam nos decepcionar e magoar com isso.

    — Às vezes os nossos pais não são quem imaginamos — murmuro no intuito de confortá-lo.

    Leonardo me olhou rispidamente. Era a primeira vez que me encarava assim. 

    — Meu pai não era corrupto! — Ele praticamente cuspiu as palavras em mim — E eu vou provar isso.

    Estava claro que esse era um assunto delicado para ele. Da mesma forma que aceitar que meu pai era desonesto era um assunto dolorido para mim. Bom, pelo menos ele ainda tinha uma esperança que seu pai pudesse ter sido um homem de bem, eu já não tinha a mesma sorte.

    — Claro que vai — sussurrei. 

    Ficamos por quase uma hora tentando curtir o bar, até que decidimos retornar ao apartamento dele. Nós pedimos pizza e continuamos nossa maratona de DOTS. Perto da meia noite e meia voltamos para o quarto. 

    — Nossa! Não vou poder andar bem, nem falar — levei a mão a garganta irritada — Terá alguma coisa que poderei fazer quando eu for embora?

    Rolei de cima dele e deitei ao seu lado, sorrindo como uma boba.

    — Pensar em mim — disse ele — E lembrar que ninguém te fode tão gostoso.

    Eram dois fatos incontestáveis. Pensar em Leonardo seria algo inevitável e ninguém nunca tinha me fodido do jeito que ele fazia. De corpo, coração e mente. 

    Eu passei algumas partes da madrugada olhando para o teto e pensando. Dentro de algumas horas ou no mais tardar segunda de manhã teria que deixar o Leo e voltar para casa. Meu conto de fadas estava chegando ao fim, mas eu não queria que acabasse. Mas não dava para acreditar que qualquer relação entre nós pudesse ter algum futuro. 

    Ele parecia um justiceiro querendo limpar a imagem do pai dele. Como reagiria ao saber que meu pai era um empresário e político corrupto? E que poderia ter dezenas de provas contra mim.  Então eu só tinha mais algumas horas, um dia no máximo e iria aproveitar cada minuto. Guardando memórias para quando meu mundo desabasse. 


    ***


    Leonardo não estava brincando quando disse que adorava correr. Nós levantamos cedo (sob meus protestos, que fique claro) para correr no Ibirapuera. Claro que ter um dos seus calções amarrado a minha cintura com cadarço, uma camiseta gigante e o tênis que nadavam em meus pés, não contribuíam nada com o esporte. Eu estava e me sentia ridícula, mas ele dizia o contrário e até encarava feio alguns homens, afirmando que olhavam com segundas intenções para mim. 

     — Não Leo. Chega! — Avisei parando de correr, apoiando as mãos no joelho, tentando regular a respiração acelerada — Sou mais do tipo que frequenta a academia e caminha na esteira elétrica. 

    Sentei na grama de frente ao lago e olhei suplicante para ele, que não tinha uma única gota de suor escorrendo pelo rosto, apenas o peito estava levemente umedecido, quase não dava para notar. Tudo bem que ele estivesse correndo em um ritmo menos acelerado do que estava acostumado para me acompanhar, mas não era justo que eu parecesse suar como uma porca, e, ele continuasse seco e lindo. 

    — É assim que mantém esse corpo gostoso? — ele entregou a garrafa de água, que bebi avidamente.

    — Isso se chama genética — ou deveria ser o sangue ruim do meu pai — E acho que sorte.

    — Correr é uma questão de prática — disse ele, bebendo o restinho da água que deixei — Logo você acostuma. 

    Ele disse isso como se houvesse um futuro entre nós. Como se dias como esse pudessem se repetir. Isso fez abrir uma pequena ferida em meu peito. Cada momento com ele era maravilhoso, mas cada hora que passávamos juntos, também significava que estávamos mais perto do fim. Era uma felicidade agridoce.

    Eu espantei todos os pensamentos melancólicos e mudei de assunto dizendo a Leonardo que estava com fome. Nós achamos um lugar próximo para tomar café da manhã. Um Food Truck de comida natural. 

    Voltamos para o apartamento. Enquanto eu tomava banho, Leonardo começou a analisar os documentos que tinha no envelope. Ele era uma das pessoas que se desconectava do mundo quando estava trabalhando. Como eu não sabia cozinhar fui para a rua comprar comida. Eu tinha visto uma churrascaria ali perto e pedi duas refeições para a viagem. Quando retornei, ele já estava no banho e logo depois se juntou a mim à mesa. 

    Passava do fim da tarde quando acordei sobressaltada. Tínhamos dormido no sofá vendo TV. Estiquei a mão e peguei meu celular em cima da mesinha. Eu estava totalmente sem bateria. 

    — Que horas são? — Leonardo esfregou o rosto e acariciou minha cintura.

    — Não sei, estou sem bateria. Você tem um carregador?

    — Não para iPhone — ele se espreguiçou e saiu do sofá — Mas a gente pode sair para comprar. Tem um shopping aqui perto.

    Sorri, olhando cuidadosamente para ele.

    — E você não está contando os minutos para que eu vá embora?

    Ele enrugou a testa, depois sorriu do jeito safado que eu gostava.

    — Por que eu deveria? — estendeu as mãos para mim e quando as agarrei, ele me puxou para os seus braços — Tenho sexo bom à hora que eu quiser. Acho que vou te amarrar na cama e fazer de você minha escrava sexual. O que você acha?

    Ele afagou minha bunda e meu corpo reagiu como sempre reagia aos toques de Leonardo.

    — Acho uma excelente ideia, mas...

    Ele segurou meu rosto e afagou minha bochecha. 

    — É sério. Fica — murmurou ele — Até amanhã de manhã, pelo menos.

    Eu queria muito ficar. Na verdade, eu não queria nunca ter que ir embora. Se meses atrás uma cigana tivesse lido a minha mão, e dissesse que no meu caminho cruzaria um homem lindo e sedutor, que se infiltraria em meu coração. Que mesmo sabendo bem pouco sobre a vida dele ou praticamente nada, eu me veria tão apaixonada, diria que ela era completamente louca. Mas aqui estava eu. Em frente a esse quase estranho que mesmo também sabendo tão pouco de mim, parecia me entender e conhecer melhor do que qualquer pessoa que em minha vida.

    — Eu tenho mesmo que voltar para casa. Avisei a minha mãe que passaria a noite de ontem fora — tento explicar a ele sem revelar muito — Mas ela está com a cabeça cheia de problemas e o casamento dos meus pais não anda bem. Eu preciso voltar e ver como ela está.

    Leonardo não pareceu feliz, mas aceitou. 

    — Certo, mas dessa vez me deixa seu telefone — ele resmungou. 

    Não podia fazer isso, não podia mesmo.

    — E se eu for até lá e voltar? — indaguei tentando desviar o assunto.

    — Isso seria ótimo — ele pegou no colo e fomos assim em direção ao quarto — Mas ainda quero o seu telefone... 

    Abafei o que ele dizia quando cobri os seus lábios com os meus. Foi o suficiente para que ele esquecesse o assunto no momento. Não era apenas eu que se esquecia do resto do mundo quando estávamos nos braços do outro.


    ***


    Ele quis me levar em casa, mas insisti que me deixasse em um taxi. Acabei mesmo dando meu número a ele. Poderia ter inventado um, mas não queria mentir e esconder mais coisas dele. Se algo tinha a nos separar que fosse a verdade em relação a minha vida. 

     — Senhorita Gisele — a governanta veio ao meu encontro assim que abri a porta — Graças a Deus chegou. Tentei falar com a senhorita a tarde toda. 

    Senti que toda a cor fugia do meu rosto. Rosana não era o tipo que fazia dramas desnecessários. 

    Ainda não! 
    Eu só queria mais uma noite tranquila com Leonardo. Será que até isso o egoísmo do meu pai tiraria de mim? 

    — O que aconteceu, Rosana?

    — A sua mãe, senhorita — ela torceu as mãos, nervosa — Hoje uma moça apareceu aqui com um bebê, as duas discutiram muito. Depois sua mãe subiu para o quarto, disse que tinha dor de cabeça e não queria almoçar. No fim da tarde eu fui atrás para perguntar se queria um chá ou outro remédio e a encontrei na cama. 

    Fechei os meus olhos para tentar conter as lágrimas, mas elas foram inevitáveis.

    — O frasco de calmante estava vazios e tinha alguns sobre a cama, eu não sei dizer ao certo quantos ela tomou.

    — Onde ela está? — fui em direção à escada.

     — Eu chamei a ambulância. Como não consegui localizar a senhorita e nem o Sr. Alencar, pedi que uma das empregadas fosse com ela até o hospital — ela explicou — Achei melhor ficar aqui esperando ou tentando falar com um de vocês.

    Respirei fundo para tentar encontrar um pouco de calma. 

    — Você fez bem Rosana — digo a ela — Conseguiu falar com meu pai?

    Ela negou com a cabeça. Claro que não. Ele tinha coisas mais importantes do que se preocupar com a esposa e filha. Pedi que Rosana informasse o hospital que minha mãe estava e fui direto para lá.

    Continua...
    Ps: então amores, gostando do livro? Não esqueçam de dar as estrelinhas para o nosso agente ganhar mais visibilidade e comente. Eu realmente amo saber o que estão achando do livro. 
    Até terça-feira! 

    XOXO

    2 comentários :

    1. estou adorando, Beth.Completamente viciante como tudo que vc escreve. Aguardando por mais!!!

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    2. 😍Mal posso esperar pra ler os próximos capítulos ❤❤❤❤

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    Obrigada por seu comentário. Volte sempre!

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