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  • O Agente - Capítulo 5





    Leonardo Ventura

    Despertei procurando o corpo macio ao lado do meu, mas o colchão ao meu lado estava vazio. Passei a mão pelo rosto e apurei os ouvidos tentando ouvir algum barulho vindo sala, como a TV ligada, por exemplo. Nenhum som além do habitual vindo da rua. Também não ouvi nenhum ruído vindo do banheiro. Apenas o som de Carro, buzinas e tudo mais que uma cidade grande presenteava.
    Sobre o lençol havia um bilhete escrito com uma letra delicada e cursiva.
    “Obrigada pela excelente noite”.
    Gisele.
    Obrigada pela excelente noite? Nada mais que isso? Nem um número de telefone? Quando eu conseguiria vê-la novamente e como?
    A filha da mãe traiçoeira tinha simplesmente escapado como se não tivéssemos mais nada a dizer um ao outro. Bom, conversar não era exatamente o que eu gostaria nesse momento. Ergui a coberta e olhei para o meu pau enrijecido. Não bastasse ter tido uma noite quente com a gata fujona, eu ainda consegui ter um maldito sonho erótico com ela.
    Acordei ansioso para deslizar meu pau pela boceta apertadinha e com o desejo de ter um incrível orgasmo matutino, mas agora a ideia estava descartada. Gisele tinha ido embora e literalmente deixado um problema em minhas mãos.
    E eu estava irritado demais para partir do cinco contra um. Então optei por um banho frio e tomar um café bem forte. A frustração com meu pau, eu consegui por hora controlar, o problema estava sendo o que acontecia em minha cabeça.
    As lembranças de cada momento da noite anterior vinham me atormentar. Tudo tinha fugido do meu habitual. Normalmente, eu só trazia ao meu apartamento mulheres com que tinha um relacionamento mais sério e isso não acontecia desde a faculdade. No meu trabalho, eu colecionava um ou dois inimigos pelo caminho. Algumas pessoas não gostavam do sorriso satisfeito que eu tinha ao colocar as algemas em seu pulso. E apesar de nunca ter recebido realmente uma ameaça, nunca estava descartada a hipótese de alguém querer revidar.
    Então eu evitava levar fodas de uma noite para casa. Qualquer uma delas poderia ser uma armadilha para me encurralar ou pesquisar informações, principalmente em meio a um caso. Eu só tinha quebrado essa regra duas vezes. Uma com Erica e estava aéreo o bastante para deixar baixar a minha guarda e a noite passada com Gisele.
    O tempo todo enquanto dirigia, sabia que deveria entrar em alguns dos motéis por onde passávamos, mas cada vez que olhava para a fachada de algum deles parecia errado. Quando dei por mim, arrancávamos a nossas roupas assim que fechei a porta do meu apartamento às minhas costas. Daquele momento em diante eu só queria foder Gisele até minhas pernas fraquejar e tinha sido uma noite intensa.
    Ainda conseguia lembrar o gosto dela, o cheiro dela, e o sorriso atrevido e às vezes inocente havia fixado em minha memória. E acima de tudo, não conseguia deixar de pensar em como ela se tornava um mistério para mim. Às vezes, entregue e atrevida, outras vezes, tímida e reservada. Uma mistura de menina e mulher. Um pequeno arco-íris após a tempestade.
    Droga!
    Eu não era fadado a pensamentos românticos. Uma boa foda de uma noite geralmente era suficiente. E eu deveria fazer o mesmo que Gisele. Ficar agradecido pela noite divertida e seguir meu rumo.
    Eu podia tirá-la do meu sistema como já tinha feito com muitas outras. Sim, era exatamente isso que eu faria.
    ***
    Determinado a tirar Gisele da minha cabeça e sem ter muito sucesso com isso, decidi viajar até Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo para visitar a minha mãe. Ela tinha optado por uma cidade mais tranquila desde que meu pai tinha morrido em uma missão.
    Assim que cheguei ao portão pintado de um vermelho berrante fui recepcionado por dois Chihuahuas. Acho que essa deve ser a raça de cachorro mais barulhenta do mundo, mas minha mãe os adorava. Enquanto Lolla fazia a linha mais carinhosa, Pluto tendia, em um primeiro momento, bancar o desconfiado e irritadiço com as visitas indesejadas, exibindo os dentes e soltando latinos doloridos aos ouvidos.
    — Leo! — ouvi o grito de minha prima sobressair aos latinos dos cachorros a minha volta quando ela surgiu na porta.
    Iris pulou os degraus da entrada e percorreu o caminho de pedra que levava ao portão correndo até mim. Eu amava minha prima como uma irmã. Ela morava com a gente desde que tinha oito anos, que foi quando sua mãe decidiu mandá-la de Manari, uma pequena cidade no Pernambuco à São Paulo, onde ela teria mais oportunidades de estudos e crescimento. Era a grande companhia da minha mãe agora que eu já não podia estar por perto.
    — Você não avisou que vinha, Leo — ela agarrou minha cintura e eu passei meu braço pelos ombros dela — Eu teria feito o bolo de cenoura que você gosta. Uma receita bem light que aprendi.
    Depois de ter trocado de curso na faculdade por duas vezes, Iris chegou à conclusão que gostava mesmo de cozinhar. Tinha recentemente terminado o curso de Gastronomia e ela e noivo, que conheceu no mesmo curso, estavam levantando capital para abrir um restaurante na cidade.
    — Eu só vou embora segunda... — digo a ela, eu jamais recusaria qualquer coisa que Iris decidisse cozinhar — então você ainda pode fazer se você quiser.
    Ainda com os cachorros zunindo a nossa volta vamos em direção ao quintal nos fundos da casa que é onde Iris disse que minha mãe estava. Cuidar do jardim e algumas atividades no clube de idosos da cidade (além dos cachorros) eram o que preenchiam boa parte do tempo livre da Dona Madalena.
    — Filho! — mamãe abriu um enorme sorriso quando me viu, mas rapidamente mudou para preocupado quando se ergueu — Não avisou que viria. Aconteceu alguma coisa?
    Era um sofrimento e motivo de grande tensão para minha mãe que eu tivesse entrado para polícia. Então, eu sempre ligava e dava notícias de que estava bem. Eram raras as vezes que eu aparecia sem avisar. Dei a mesma explicação vazia que dei a Iris, estava com tempo e decidi passar o fim de semana na pacata cidade. Eu não poderia dizer que tive uma noite de sexo inesquecível com uma garota que agora se recusava a sair da minha cabeça. Minha mãe, assim como a maioria das mães, deseja ver os filhos sossegados e se possível com uma meia dúzia de netos que elas pudessem paparicar.
    Mas não era isso que passava na minha cabeça. Minha mãe quase tinha sucumbido à dor ao perder o meu pai. Eu não queria e não achava certo causar a mesma a dor em outra pessoa.
    — Leo, você sabia que sua mãe tem um admirador, nada secreto? — perguntou Iris.
    Nós estávamos na cozinha conversando, bom, eu mais ouvia as novidades e acontecimentos da vida delas do que falava alguma coisa. Iris desenformava o bolo de cenoura que tinha me prometido enquanto minha mãe finalizava a cobertura de chocolate.
    — Ora, deixa disso garota — mamãe quase derrubou a panela com a provocação da minha prima.
    — Tem sim. Ele se chama Arnaldo — continuou Iris fugindo da colherada que minha mãe tentou lhe dar — Eles se conheceram lá no bingo do clube.
    Olhei atentamente para a minha mãe e observei-a ficar vermelha e depois se virar para o fogão na tentativa de fugir de meu olhar inquisidor. Eu fiquei surpreendido com a revelação, não posso negar. Minha mãe nunca deu sinais de que desejava voltar a ter um relacionamento afetivo. Sempre acreditei que fosse como uma dessas pessoas que amam apenas uma vez. Contudo, entendia que minha mãe tinha o direito reconstruir sua vida.
    Era difícil ver que a vida seguia seu rumo sem o meu pai, mas ela tinha o direito e merecia ser feliz outra vez. Meu pai partiu há um bom tempo. Ficar sozinha deveria ser uma questão de escolha, como eu fazia, e não algo que deveria ser enfrentado como penitência. Se esse Alberto pudesse fazer minha mãe feliz novamente, então só me restava aceitar. Eu a amava incondicionalmente e só deseja a felicidade dela.
    — Eu acho que quero conhecer esse tal de Alberto — murmurei e pisquei um olho para Iris — Ter uma conversinha com ele.
    Minha mãe se virou em uma velocidade admirável. Não que ela fosse uma idosa quase incapaz de se movimentar, mas os anos de sofrimento e de luto tinha dado certa fragilidade a ela. Mas apesar das rugas precoces criadas no canto do olho e dos cabelos brancos que cobria com tinta uma vez por mês, tinha que reconhecer que minha mãe aos quase cinquenta anos era uma tremenda gata.
    — Você não tem nada que falar com ele — disse ela zangada, o rosado em seu rosto aumentando — Só somos parceiros no bingo. Nada mais do que isso.
    Havia alguma coisa ali. Ela não ficaria tão incomodada se as insinuações de Iris fossem apenas provocação.
    — Hoje é dia de bingo né, Iris... — sondei, já me levantando, pronto a fugir da cozinha se fosse preciso — Você podia chamar o Eduardo e nós poderíamos dar uma passadinha. Ver se tenho sorte no jogo.
    — Você não se atreva, Leonardo! — mamãe colocou a panela na pia de mármore para que esfriasse e já caminhava em minha direção — É uma coisa para a terceira idade.
    — Na verdade, é aberto ao público titia — provocou Iris — Eu vou ligar para o Edu.
    Como Iris não era nada tola saiu correndo da cozinha e deixou a mais que zangada Dona Madalena para que eu lidasse. Eu voltei a ser um garoto de dez anos encapetando, tendo minha mãe e os cachorros dela me perseguindo pela casa. Depois de muitas risadas e alguns tabefes bem ardidos caí com ela no sofá.
    — Eu só quero que você seja feliz, Dona Madalena.
    Ela me encarou com seus olhos castanhos emocionados.
    — Ah, Leonardo — afundou o rosto no meu pescoço e deixou que as emoções se manifestassem — Você é um bom filho, meu amor.
    Sim, eu era, mas isso porque ela era uma grande mulher e tinha sido uma excelente mãe para mim. Os valores que me passava enquanto crescia estavam enraizados em mim.
    ***
    Nós acabamos sim, indo ao bingo para que eu descobrisse quem poderia ser meu futuro padrasto. Eu não encurralei o cara em um canto e o crivei de perguntas como acho que minha mãe temesse que eu fizesse. Mas eu o sondei através de perguntas que pareciam evasivas, mas não eram. Com isso descobri que ele era contador. Viúvo também e tinha dois filhos quase da minha idade. Eu observei como Alberto se portava ao lado de minha mãe e tive que dar o braço a torcer, pois ele parecia ser um cara legal e parecia mesmo se importar com ela.
    Na metade da noite, Iris e Eduardo decidiram ir a um churrasco na casa de um amigo dele. Eu declinei o convite, decidindo voltar para casa de minha mãe. Não tinha clima para festas, nem para as mulheres bonitas que me garantiram que teria na festa. Não quando minha cabeça estava em outro lugar. Em outra pessoa para ser mais exato.
    Acho que o que me mantinha tão ligado em Gisele é que eu não sabia quem ela era. O seu sobrenome, onde morava ou número de telefone. Eu simplesmente não tinha como voltar a vê-la. Bom, aparentemente ela conhecia Erica, mas eu arrancaria um dos meus dedos antes de pedir qualquer informação à víbora.
    Mas não havia nada que eu pudesse fazer. Só o tempo e mergulhar no trabalho faria com que eu esquecesse Gisele. Isso me fez pensar em Henrique, a missão que ele tinha ido cumprir em Curitiba, prender mais um político corrupto. Quem tinha acompanhado Henrique nessa missão?
    Mandei uma mensagem para ele perguntando como tinha sido as coisas. Soube que quem o acompanhou foi o Miguel.
    Vocês não assiste TV?
     Ele enviou uma mensagem com uma carinha aborrecida.
    Para alguém cuja profissão exigia ficar ligado às notícias, eu não assistia muito. Preferia os sites seguros de noticias. A internet tinha mais flexibilidade e liberdade do que a TV aberta. Zapeei rapidamente os sites em busca de atualizações. A operação tinha sido bem-sucedida e diferente do que tinha acontecido comigo, os agentes designados no caso conseguiram manter-se incógnitas. O foco estava sendo todo no deputado investigado por concessões de licenciamentos ilícitos e outras formas de desvio de dinheiro.
    √√ Eu tenho novidades. Mas falo com você no domingo à noite. Lá em casa?
    Eu não tinha avisado que passaria o fim de semana na casa de minha mãe. Isso me obrigaria a voltar para a minha no final do domingo à tarde e não na segunda de manhã como pretendia.
    √√ Compra as cervejas que eu providencio as pizzas – respondi.
    ***
    Depois de uma rápida passada em meu apartamento, liguei para o restaurante-pizzaria que costuma frequentar com Henrique e encomendei três caixas de pizzas com bordas recheadas. Ele morava em um flat, não que não pudesse pagar por algo melhor, mas ele achava mais cômodo.
    Eu me espalhei pelo único sofá de dois lugares e Henrique foi para cama com suas latinhas de cerveja e uma caixa de pizza, depois ele fez uma atualização mais detalhes sobre a operação em Curitiba.
    — A boa notícia disso tudo... — disse de boca cheia, tomando um longo gole para ajudar engolir o enorme pedaço de pizza que tinha enfiado na boca — É que Dias conseguiu reintegrar você a equipe. Irá trabalhar no caso Alencar comigo.
    Essa era uma distração que no momento eu precisava.
    — O que aconteceu com o Ferreira?
    Henrique tomou outro gole para disfarçar a tensão, mas eu notei seu pescoço enrijecer.
    — Ainda temos que trabalhar juntos, mas não acredito que será por um longo tempo, principalmente depois do nosso último papo.
    Joguei o pedaço de pizza em minha mão de volta a caixa e coloquei minha cerveja no chão.
    — O que você fez Henrique?
    Eu não gostava nem um pouco de Miguel Ferreira, mas Henrique tinha total antipatia por ele. O delegado errou em feio ao colocar os dois para trabalharem justo.
    — Nada, mas acho que ele terá que usar um saco de gelo no olho por alguns dias — dessa vez, ele sorriu ao recordar da cena.
    Eu bufei e se tivesse um pouco mais próximo dele teria dado um belo tabefe naquela cabeça grande.
    — Você não deveria ter feito isso, embora eu tenha certeza que ele mereceu.
    Henrique poderia ter amargado uma suspensão ou ser enviado para trabalhar em serviços burocráticos como tinha acontecido comigo. E eke detestava ficar enfiado em sala administrativa de repartição além do necessário, mais do que eu.
    — Ele que não deveria abrir a boca para falar merda! — Ele praticamente cuspiu a bebida ao retrucar — Até eu tenho limites.
    Ferreira era uma pessoa desagradável que sabia buscar o que mais incomodava nas pessoas para usar contra elas. Henrique era esquentadinho, mas geralmente em missões, sabia controlar o temperamento bem melhor do que eu. Miguel deveria ter falado algo de muito grave para ele ter reagido com uma agressão física.
    — O que ele disse a você?
    Ele desviou o olhar de mim amassou a latinha e pegou outra no chão.
    — Deixa para lá, Leonardo — ele resmungou, mas não ergueu o olhar para me encarar — O importante é que com isso, o chefe deseja que você volte a trabalhar comigo.
    Henrique não iria me dobrar com essa conversa. Ele era o tipo que encara as pessoas nos olhos e se recusava a olhar para mim, era porque o motivo que o aborreceu e fez cair na porrada com Miguel tinha a ver comigo.
    — O que ele disse, Henrique? — insisti com um tom mais enfático dessa vez.
    — Já disse que não é dada.
    — Henrique!
    Nem que eu tivesse que sair aos murros com ele descobriria a verdade.
    — Se não me contar posso falar com Miguel — sorri perversamente — Conhecendo-o bem tenho certeza que terá o prazer de me contar nos mínimos detalhes.
    Henrique bateu a latinha na mesa de cabeceira e caminhou nervoso até a janela. Segurou o parapeito e olhou a cidade brilhando lá fora. Ele precisava de alguns segundos para se acalmar, então esperei pacientemente. Quando a respiração ficou mais calma virou para mim e cruzou os braços no peito.
    — Certo. Só me promete que não irá enlouquecer.
    Eu não estava gostando nada desse pedido do Henrique, mas decidi concordar, pelo menos por enquanto.
    — É sobre o seu pai.
    Meu pai?
    O que Miguel poderia saber sobre o meu pai que iria me aborrecer?
    Fiquei de pé e apertei os olhos ao olhar para ele.
    — Você prometeu não surtar.
    — Eu estou legal, Henrique, desembucha.
    Mentira. Por dentro, eu era uma potente bomba relógio.
    — O que ele disse sobre o meu pai? Aliás, o que ele poderia saber sobre o meu pai? Ele trabalhava na Polícia Civil. Não tinha nada a ver com a Polícia Federal.
    — Ele disse que por acaso... — Henrique bufou, desacreditando do que o outro havia dito — Teve acesso a uma investigação que estavam fazendo sobre o seu pai. Que ele não era o herói injustiçado que você sempre pensou que ele fosse. E que havia indícios de que ele estava fazendo jogo duplo.
    Eu respirei fundo e senti minhas narinas se dilatarem enquanto abria e fechava meus punhos.
    — Jogo duplo?
    — É. Corroborando e passando informações para chefões do tráfico. Então, eles sabiam como a polícia iria agir e dividiam a carga. Assim, o que a polícia apreendia, não chegava nem perto do que realmente transportavam.
    Isso acontecia muito. Aquelas notícias que as pessoas viam no jornal que a polícia havia aprendido toneladas de drogas, na verdade era para mascarar que outra grande quantidade estava chegando ao destino certo, aos chefões dos carteis.
    Senti uma pontada no estômago como se alguém tivesse me socado com força. Eu via Henrique desfocado a minha frente. Falar sobre o meu pai é um assunto delicado. Meu pai tinha sido um profissional impecável. Tinha perdido a vida pelo trabalho e pelo seu país. Ele era e sempre seria um herói para mim e não admitiria que ninguém viesse sujar a memória dele.
    — Ele é um mentiroso! — avancei para Henrique e quando cheguei perto dele lembrei que o foco da minha raiva não era ele — Vou fazê-lo retirar tudo o que disse.
    — Olha, Leo... — ele colocou a mão em meu ombro — O objetivo do Miguel era me irritar porque você voltaria a ser meu parceiro. Mas não custa nada a gente dar uma investigada até mesmo para esclarecer qualquer dúvida que tiver em relação ao seu pai.
    Era duro demais ouvir qualquer insinuação de má conduta sobre o meu pai. Eu tinha entrado na polícia devido orgulho que sentia dele. Eu queria de alguma forma continuar o legado que ele tinha deixado. Proteger o país e as pessoas que precisavam de ajuda. Agora, servir a lei estava no meu sangue, mas se ele não tivesse morrido em serviço, eu provavelmente estaria seguindo minha formação universitária. Não conseguia se quer imaginar que meu pai fosse um policial corrupto. Isso me destruiria por dentro.
    — Leonardo, eu tenho certeza que é tudo invenção do Miguel. Eu estou com você nessa cara. Vamos esfregar a verdade na cara dele.
    Agora eu tinha muito do que pensar. O caso do senador Alencar. As suspeitas jogadas sobre o meu pai. Se isso não fosse suficiente para tirar Gisele da minha cabeça, nada mais faria.
    — Preciso ir para casa — procurei minha jaqueta no sofá e a vesti — A gente conversa sobre o senador amanhã. Preciso pensar como vou chegar às informações que Miguel disse ter visto.
    Se havia mesmo alguma suspeita sobre a conduta do meu pai, provavelmente tinha sido arquivado pela corregedoria. Eu teria acesso a essas informações custe o que custasse.
    — Preciso fazer algumas ligações.
    Henrique me acompanhou até a porta, mas segurou meu braço antes que atravessasse.
    — Mantenha a cabeça fria cara.
    Assenti. Embora me sentisse corroendo por dentro, Henrique estava certo. Eu precisava manter a cabeça no lugar e tratar o assunto com frieza.
    — Sabe o que eu começo a pensar, Henrique? E se a morte do meu pai não foi uma fatalidade? Se não foi mais uma operação que deu errado?
    Todo policial, não importava a área, sabia que o risco de morte era alto. Antes de meu pai falecer, todas às vezes que ele saia de casa, fardado, sabíamos que havia possibilidade de ele não retornar, como realmente tinha acontecido há alguns anos. Mas eu nunca consegui aceitar a forma que ele tinha morrido, embora nunca tivessem surgido indícios de que ele tenha sido executado.
    — Nós vamos descobrir isso — afirmou Henrique.
    Eu estava abalado e confuso. Estava tenso e precisava de um tempo para pensar. Mas de uma coisa tinha completa convicção agora, iria atrás da verdade, custe o que custasse.

    2 comentários :

    1. 😨😨😨 e a história só melhora! Perco até meu sono imaginando o próximo capítulo 🙈🙊

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    2. E segura ansiedade até o próximo capítulo😓....amando esse livro 💙

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