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  • Caminhando entre espinhos - Epilogo



    Epílogo



    Eu sempre acreditei que anjos tinham rostos suaves e adoráveis cabelos encaracolados, como nessas imagens que vemos em cartões de Natal. Por isso, acho que eu deveria estar em qualquer lugar, menos no céu. Porque o homem que me encarava, sob a cortina de fumaça que nos envolvia, poderia ser descrito de muitas formas, mas jamais como um anjo carregado de candura.
    A verdade é que já faz algum tempo que eu deixei de acreditar em paraíso e anjos. Eu só poderia estar no meu purgatório. Tenho vivido ali por muito tempo, conheço-o muito bem.
    — Eu vou te tirar daqui — a voz dele saiu firme e decidida.
    Uma voz forte, que tinha o poder de me intimidar. Na verdade, o homem inteiro tinha o poder de me intimidar. Mas não foi apenas a segurança que ele exalava, além do corpo assustadoramente musculoso e intimidador que me fez encolher por dentro, como uma garotinha perdida em uma floresta escura.
     Foi o seu olhar. Olhos castanhos caramelizados. Ardiam tanto quanto o fogo que já deveria ter devorado a casa inteira e que não demoraria muito até chegar ao porão.
    Eu sabia que tinha que fugir dali, mas aqueles olhos... aqueles olhos que só poderiam pertencer a mais um carrasco enviado do inferno daquela casa, pareciam me enxergar de um jeito muito, muito diferente dos outros homens que encontrei no cativeiro.
    Não via a pobre menina que, a qualquer momento, poderia ser subjugada, dominada e ferida. Aqueles olhos pareciam me ver de uma forma completamente diferente. Eles me acalentavam e assustavam muito ao mesmo tempo. Assustava mais do que qualquer malfeitor que tinha deixado em mim inúmeras marcas. 
    Eu tinha perdido a fé, a dignidade, a esperança, mas achava que ainda tinha intacta a minha alma. Tinha muito mais a perder agora. Havia uma ameaça nele que me alertava.
    Fique longe!
    Meu medo apenas intensificou quando o observei se afastar um pouco e tirar a camisa, mas ele apenas a amarrou em meu rosto antes de voltar a falar comigo.
    — Coloque as mãos em meu ombro e proteja o rosto em meu peito — ele se ajoelhou ao meu lado e me colocou em seu colo, onde literalmente eu me senti desaparecer — Segure firme. 

    Não faça isso! Não confie nele, não confie em ninguém. Não cometa o mesmo erro, Fabiana!, a voz gritava insistentemente em minha cabeça.
    Mas minhas mãos simplesmente tiveram vida própria, enroscando-se no pescoço largo. Talvez, depois de tantos tapas, gritos e xingamentos, eu finalmente tenha aprendido a obedecer. Como uma escrava acostumada a seguir ordens, encostei minha cabeça no peito musculoso e fechei os meus olhos. Estava desistindo. Estava cansada de lutar ou de continuar lutando. Eu só queria fechar os meus olhos e encontrar a paz.
    — Porra! — O silvo raivoso fez com que abrisse os olhos outra vez — Que droga!
    O fogo parecia controlado, pelo menos estava melhor do que eu tinha imaginado, mas havia um buraco no teto, em uma parte ainda em chamas, bem no local onde precisaríamos passar. Nós definitivamente estávamos indo em direção ao inferno ou tentando sair dele. Pouco conseguia ver com a fumaça espessa nos envolvendo, mas pude notar que o fogo não demoraria a chegar à escada onde tínhamos que passar para sair dali.
     — Olha, não se preocupe, vou tirar você daqui. Terá que confiar em mim, ok? — Ele me olhou firmemente, aguardando minha resposta — Você confia?
    Eu sabia que não deveria. Era um erro, como um dos muitos que havia cometido. Tinha confiado em Nathan e ele havia se provado o pior dos carrascos. Não conhecia mais o significado daquela palavra, confiança, mas balancei a cabeça positivamente antes de uma forte onda de tosse tomar conta de mim.
    Minha cabeça, olhos e nariz ardiam dolorosamente, e eu não tinha ideia de quanta fumaça já tinha ingerido.
    — Tudo bem — ouvi-o sussurrar baixinho — Quando eu disser três, nós vamos.
    No um, ele me apertou contra o seu peito. No dois, enrolei-me como uma bola de pelo naquela imensidão de massa e músculos. No três, prendi a respiração o máximo que pude e rezei para que ele conseguisse cumprir a promessa de nos tirar daquele tormento.
    A casa estava completamente destruída. Embora eu estivesse com medo, de certa forma, estava aliviada. Certamente, aquele homem estaria me levando para minha nova prisão, mas essa... essa casa em que vivi os piores momentos da minha vida, os momentos mais infelizes que poucas pessoas no mundo seriam capazes de suportar o que suportei, ficariam para trás.
    Enquanto avançávamos, observei o teto sendo consumido pelo fogo. Uma parte dele caiu a meio metro de nós, levantando uma parede incandescente que o fez recuar. Outra parte caiu ao nosso lado. Estávamos assustadoramente sendo cercados pelo fogo.
    Observei em pânico quando uma tora em chamas atingiu o braço do meu salvador era assim que quis acreditar que ele fosse naquela hora, precisava acreditar nisso. Aquela era uma sensação estranha. Por incontáveis dias e noites intermináveis eu desejei estar morta e que, assim, tivesse fim o meu sofrimento, mas agora que estávamos diante dela, da morte, queria e desejava muito viver.
    Uma segunda chance. Uma segunda chance de viver e recomeçar minha vida.
    “Droga, eu juro que vou tirar a gente daqui”, ouvi a promessa enquanto tentava fazer com que meus olhos e corpo cansados não perdessem a briga contra minha fraqueza.
    Vi quando alguns homens uniformizados entraram em nosso campo de visão. O homem que me carregava avançou para onde eles acenavam. Ele me protegia com seu corpo o máximo que podia, deixando que o corpo dele fosse beijado pelas chamas, agora um pouco mais tímidas em volta de nós.
    Bombeiros começaram a lidar com o fogo, e rapidamente saímos da casa. Permiti finalmente voltar a fechar os meus olhos. Não me entreguei à escuridão, ainda tinha medo. Mas também tinha medo de abrir os olhos e ver que tudo não tinha passado de minha imaginação e que, na verdade, ainda estava naquele porão esperando a morte.
    Senti a brisa fresca sobre minha pele. Acho que já estamos lá fora. Ainda me recusava a abrir os olhos. O homem que me segurava pareceu vacilar, mas me manteve equilibrada em seus braços.
    — Pode me dar a garota agora, senhor — alguém tocou em meu braço, e encolhi o meu corpo.
    Era estranho que eu me sentisse confortável com o homem que me carregava, mas tivesse aversão que outra pessoa me tocasse ou chegasse muito perto.
    — Não! — o ouvi grunhir.
    Ele realmente tinha grunhido como um cachorro de rua próximo ao ataque.
    — Ela está... — reconheci a voz de Neil.
    Uma espécie de alívio começou a tomar conta de mim. Se ele estava ali, significava que eu ficaria bem.
    Eu estava a salvo agora.
    — Viva — ouvi meu salvador responder a ele, enquanto me apertava ainda mais contra o seu peito.
    — Senhor, pode me entregar a moça — o outro homem voltou a insistir.
    Apertei os ombros dele, um pedido mudo para que ele não me abandonasse.
    Estava tão fraca que achava que ele sequer havia sentido meu toque.
    — E por que eu faria isso? — Ele rosnou outra vez, quase me fazendo sorrir em agradecimento — Não sei se podemos confiar em você.
    Acho que eu era uma pessoa muito difícil de entender mesmo. Há poucos minutos estava verdadeiramente assustada com aquele homem, e agora, tudo o que eu não queria era que ele me deixasse.
    — Porque ele é o paramédico, Peter? Porque ela inalou muita fumaça e precisa de cuidados?
    Eu quis dizer alguma coisa, mas então me dei conta de que não poderia. Precisava me comunicar com Neil de alguma forma e dizer que estava tudo bem. Não queria estar nas mãos de estranhos outra vez. Estava segura onde eu estava.
    Aquele homem. Peter. Ele tinha arriscado a própria vida e segurança para me salvar. Ele nem me conhecia, e tinha feito muito mais por mim do que outras pessoas que conheci a vida toda.
    Para me contradizer, uma tosse incontrolável tomou conta de mim antes que pudesse tentar fazer qualquer tipo de comunicação com eles.
    — Está tudo bem — ele murmurou, tentando me acalmar — Você vai ficar bem.
    — Senhor — o que se dizia ser o paramédico voltou a se manifestar, deixando-me muito irritada.
    — Peter! — insistiu Neil.
    E eu só queria que todos eles calassem a boca. Por que Peter não me tirava logo dali? Tudo o que queria era ir embora.
    — Está bem! — Ele esbravejou, vencido, mas em vez de me entregar ao homem com os braços entendidos para mim, me colocou em uma maca — Mas vou ficar de olho em você — disse ao paramédico, com um olhar que só poderia ser denominado como assustador.
    — Peter, eu adoraria discutir sobre isso. O que deu em você agora? — Neil tentava chamar a atenção dele, mas seus olhos estavam focados em mim. Dessa vez, eles não me assustavam. Havia muita ternura neles — Eu tenho um homem louco na minha casa! Com minha esposa e meus filhos. Depois você desconfia de tudo e todos à sua volta!
    O homem louco a quem Neil se referia só podia ser seu irmão gêmeo, Nathan. O pânico voltou a me dominar. Agarrarei a mão de Peter e fiz uma súplica muda para que não me deixasse.
    Neil estava voltando para proteger a esposa e seus filhos, mas quem iria me manter longe daquele louco do Nathan?
    — Ei, vai ficar tudo bem — ele se inclinou e acariciou meus cabelos — Nunca mais ele irá chegar perto de você. Nem que eu mesmo tenha que dar um fim nele com minhas próprias mãos. Aquele verme não pode mais tocar em você.
    Eu queria acreditar nele. Queria acreditar na promessa que ele me fazia, mas Peter não conhecia o Nathan, não como eu conhecia.
    — Prometo que vou voltar — ele sussurrou, antes de beijar minha testa — Acho melhor cuidar bem dela — disse ao paramédico.
    Senti as lágrimas rolarem pesadas em meu rosto, ao mesmo tempo que uma máscara de oxigênio cobria meu nariz e boca.
    Observei Peter se afastar de mim, enquanto minha maca era conduzida para dentro da ambulância. As portas foram se fechando, me privando da visão dele, e meus olhos finalmente cederam ao cansaço.
    Talvez ele fosse mesmo um anjo... Um anjo enviado para me resgatar.

    Eu caminhei entre espinhos, agora eu queria encontrar novamente o caminho entre as nuvens. 

    9 comentários :

    1. ela vai ser muito feliz com o Peter 💗

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    2. Será que acabou o sofrimento dela 😢😢😢😢😢😢
      Peter meu ❤❤❤❤

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    3. nw me diga q esse é o último capítulo? agora q está ficando bom...

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    4. Haaa meu deus.
      Perdi o inicio da historia toda 😢

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    5. oi linda porque sumiu estou com saudades seus livros me encanta beijos de uma admiradora que lhe quer bem

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      Respostas
      1. Oi amor. Estou voltando em breve com um livro novo <3 Obrigada pelo carinho. Um beijão!

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