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  • Caminhando entre espinhos 22 e 23



    Olá gente, desculpe eu ter sumido. Teve o lançamento do Peter, depois as festas de fim de ano, mas estou de volta.
    Vou finalizar o livro e antes de tirar colocarei os primeiros capítulos aqui de novo para quem perdeu, mas sera algo de um dia, então provavelmente farei isso no sábado, fiquem de olho.
    A voz do coração já está na Amazon. 

    Capítulo 22



    Eu queria ter morrido. Durante os dias que fiquei naquele porão, sendo consumida pela febre e dor insuportável, eu queria ter morrido.
    Não conseguia entender por que eles não me deixaram morrer.
    Por que Samira e Faiga insistiam em cuidar de mim, sempre sussurrando em meu ouvido que eu ficaria bem. Que tudo ficaria bem. Aquilo não era verdade.
    A primeira vez que saí do quarto, em semanas, foi porque me obrigaram. Não fui mais requerida como escrava sexual, pois, de acordo com o que Klaus me dissera, agora eu era incompleta, mas me manteriam ali como exemplo para as outras prisioneiras.
    Agora, eu entendia a aceitação de todas aquelas mulheres. Eu tinha finalmente parado de lutar. Tinha me afastado e evitado contato com Samira, Faiga e qualquer outra prisioneira na casa.
    Sentia que já não tinha mais capacidade de desenvolver uma relação afetiva com mais ninguém.
    Esperava que dissessem à minha mãe que eu estava morta. De certa forma, eu estava mesmo. Sei que ela sofreria, mas pelo menos teria um fim.
    — Ei, Klaus está te chamando — disse Shane, entrando em meu quarto.
    Eu o segui obedientemente. Como se fosse capaz de dizer alguma coisa, sorri amargamente.
    Shane abriu a porta do escritório, e parei no vão, esperando autorização para entrar.
    — Venha aqui, criança — era assim que me chamava agora, como se eu fosse seu mais novo bichinho de estimação para torturar — Chegou algo para você.
    Ele tinha um envelope pardo nas mãos e atirou na mesa em minha direção. Sinceramente, o que ele tinha a dizer não me importava, então não me mexi.
    — Não quer ver? — disse ele — Se eu fosse você também não ia querer, mas são notícias da sua mãe e daquela senhora, sua tia, né?
    Queria gritar com ele, queria cravar minhas unhas em seu rosto desprezível até deixá-lo desfigurado. Ao invés disso, me aproximei do envelope que quase caía da mesa.

    Tentei me preparar antes de tirar as fotos que existiam lá dentro. Klaus era asqueroso demais para ter me trazido uma boa notícia.
    Com as mãos trêmulas, tirei o maço de fotos. Algo como um gemido saiu de minha garganta enquanto via as imagens.
    — Parece que, em uma briga entre os chefes de uma favela e outra, saíram muitas pessoas feridas — disse ele, pouco se importando com a dor que as fotos causava em mim — A casa foi incendiada. As duas estavam dentro dela.
    Minhas pernas cederam e eu caí. As fotos amassadas contra meu peito, enquanto eu me curvava, chorando. As últimas pessoas que eu tinha no mundo e que amava tinham ido embora.
    — Antes que pense em alguma besteira, como tirar a própria vida — disse ele, como se lesse o que ia em meu coração — Saiba que ainda estamos de olho naquela senhora. Jones, não é? A vida dela depende da sua.
    A vida de Agatha estava em minhas mãos.
    Só que eu já não tinha uma vida...

    ***

    Quando você não se importa com mais nada, a passagem do tempo torna-se insignificante. Eu dormia, acordava, comia. O mesmo ciclo se repetia todos os dias.
    Era como um fantasma andando silenciosamente pela casa, sem me importar com nada. Samira ainda tentava se comunicar comigo. Não respondia, mesmo que pudesse tentar, de alguma forma, mas ela continuava insistindo.
    Talvez tenha sido isso que me impedia de mergulhar na loucura.
    Dizia a mim mesma que era melhor assim, o fim que minha mãe e tia tiveram. Outras vezes me desesperava ao lembrar que jamais as abraçaria outra vez. Muitas vezes desejava morrer, mas temia o que poderiam fazer com Agatha, então eu seguia levantando da cama todos os dias.
    — Tenho um serviço para você — disse Klaus, ao entrar em meu quarto.
    Fiquei rígida. Desde que fui considerada descartável para entreter os clientes, minha permanência aqui tinha ficado mais suportável. Passei de escrava sexual a prisioneira, apenas. Se voltassem a me obrigar a fazer aquelas coisas, não conseguia pensar qual reação teria. Cravaria meus dentes na jugular de algum cliente, com toda certeza.
    — Fica calma, garota — disse ele, sorrindo — É outra coisa.
    Ele me puxou para fora, e conforme íamos em direção à parte subterrânea, meu coração se contraía. Se Klaus não ia me oferecer a algum cliente, por que estava me levando até ali?
    Contorci-me nas mãos dele, mas ele não me soltou. Quando a alavanca foi girada e a porta foi aberta, o capanga narigudo, que circulava por ali, apareceu.
    — Leve-a — disse Klaus, me entregando a ele — Ela vai cuidar dele.
    Cuidar de quem? A quem aqueles desgraçados estavam se referindo?
    O narigudo, que nunca soube o nome, me arrastou pela escada e pelo corredor até chegarmos onde ele queria. Era o quarto do castigo. Estivera ali muitas vezes, e a última quando...
    — Entre — disse ele, abrindo a porta — Não tente nenhuma gracinha com o prisioneiro ou sofrerá as consequências.
    Fui jogada para dentro, e a porta fechou diante de mim. Massageei meu pulso machucado, e quando ouvi os passos se afastarem, virei em direção à cama, onde o homem provavelmente estaria.
    Fiquei em choque com o que vi. Minha primeira reação foi me afastar. Rastejei para o outro lado do quarto e me encolhi contra um canto da parede.
    Nathan estava ali. Preso. Acorrentado. A alguns metros de mim.
    Algo queimou dentro do meu peito.
    Ódio!
    Eu nunca odiei alguém como eu o odiava. Nem mesmo o Caveira, o maior responsável pelo destino trágico que tive.
    Observei-o começar a despertar. Perguntei-me o que ele havia feito para ter sido traído e colocado ali.
    — Quem é você? — a pergunta foi feita com um rugido exigente — Solte-me!
    O maldito não se lembrava de mim? Talvez a pancada que deram nele o fez ficar desorientado. Mas eu queria que ele olhasse em meus olhos e se lembrasse de quem daria fim à sua vida.
    Grunhi e corri até ele, atacando-o com toda raiva que existia em mim.
    — Pare com isso, sua maluca! — cravei minhas unhas em sua pele até ouvi-lo gritar — Pare!
    Eu arrancaria sua pele se fosse necessário, e não sentiria nenhum tipo de remorso por isso. Aquilo era culpa dele. Eu era o monstro que ele tinha criado.
    — Caralho! — a porta se abriu, e o narigudo entrou, jogando uma bandeja de comida no chão.
    O baque da bandeja contra o chão me fez recuar, assustada. O homem veio até mim e agarrou meus cabelos, me empurrando contra o colchão do outro lado do quarto.
    — O chefe disse para cuidar dele, retardada! — berrou ele — Além de muda, quer ficar sem braços também?
    Eu sorri. Não me importava nada do que fizessem comigo agora. Tudo o que eu queria era me vingar daquele homem maldito.
    — Pensei que tivesse morrido — O narigudo agora se dirigiu a Nathan — Está desmaiado desde ontem. Achei que tinha batido muito forte em sua cabeça. Mas qual a diferença? Vai morrer de qualquer jeito. Hoje, amanhã, tanto faz.
    — Quem é você? — Nathan diz a ele, balançando a corrente em seus pulsos e tornozelos — O que você quer?
    Ele ignora a pergunta e vem até mim.
    — Vai comer do chão, como merece! — chuta minhas pernas, e eu me encolho — Prostituta.
    — Solte-me! — Nathan volta a insistir, desesperado, quando o narigudo sai batendo a porta, e eu aprecio o desespero dele — Volta aqui! Maldito! Desgraçado!
    Eu poderia me aproximar dele e enforcá-lo com minhas próprias mãos, mas decidi que ele merecia sofrer um pouco mais. Acorrentado, sem saber o que aconteceria a ele.
    —  Ei... —  depois de um tempo lutando, ele me chamou —  Qual é o seu nome?
    Encarei-o, sentindo o ódio voltar com toda força. Como poderia ter esquecido de mim? Do que me fez? A forma que me marcou para sempre.
    — Eu não sou seu inimigo. Estamos no mesmo barco aqui.
     Ele queria a minha ajuda? Não sabia que eu mesma seria capaz de matá-lo?
    — Não posso fazer mal a você — ele murmurou suavemente — Não sou como eles.
    Solto um grunhido com o que ele falou e dou as costas, deitando no colchão em meio aos restos de comida. Não daria importância às suas mentiras mais uma vez.
    — Deus! — ouvi as argolas rangerem — Jennifer!
    “Você me lembra alguém que eu conheço.”
    Essa lembrança me vem à cabeça. Será que é essa a mulher que ele falava?
    A forma que falou o nome dela tinha sido mesmo angustiada. Mas pessoas tão cruéis, como Nathan, eram incapazes de amar.
    Não! Ele só estava tentando me enganar. Eu já tinha caído em muitas mentiras e não cairia em mais uma delas.
    — Inferno! Deus, por favor! Por favor, me ajude.
    Deus não pode te escutar aqui, e mesmo que pudesse, não ouviria alguém como você, gostaria de poder dizer a ele.
    Ele continuou implorando, falou sobre uma esposa, filhos, uma garotinha deficiente que precisava dele.
    Era tudo mentira. Tapei meus ouvidos.
    Mentiras sujas, como a promessa que tiraria nós dois desse inferno.
    Depois de perceber que sua história triste não me comoveu, ficou irritado e, em seguida, me ofereceu dinheiro.
    O que, com toda certeza, não me importava.
    Os dias seguiram assim. Ele pedindo ajuda e eu o observando sofrer. De certa forma, eu não gostava da pessoa que eu estava demonstrando ser. Mas eu não era mais aquela menina que acreditava em tudo e todos. Não acreditava mais em um mundo cor de rosa.
    Eu só conseguia pensar nas coisas ruins, nas pessoas que perdi por causa de outras cruéis como ele.
    Então, eu seguia ignorando todas as súplicas que me fazia. Ao invés de me compadecer por sua falsa história triste, sobre esposa e família, bebia água e comia na frente dele.
    Às vezes, eu era tirada do quarto para tomar banho e trocar de roupa. Klaus perguntava se eu estava tratando o convidado bem.
    — Nós vamos morrer aqui — disse ele, com a voz fraca — Vamos morrer aqui se não nos ajudarmos.
    Ele me olhou. Eu usava um short jeans e top. Observei que ele analisava as marcas em minhas pernas. Senti repulsa dele.
    — Por favor, moça — esticou as correntes no pulso inchado — Você tem filhos? Família? Alguém?
    Encolhi-me no lugar e dei as costas a ele.
    — Tenho sede. Por favor, só um pouco — gemeu ele, obviamente tinha a garganta dolorida de tanto gritar por ajuda — Olha, não quero ter que te denunciar àquele homem, mas minha família vem em primeiro lugar.
    Aquilo era algo que eu não conseguia entender. Eu não o tinha alimentado e nem dado água a ele. Por que não tinha reclamado ainda?
    Uma música começou a tocar, e sabia que as atividades nas outras salas iriam começar. Jogos. Uso de bebidas, drogas e muito sexo nojento.
    — Acorda! — O som do tapa e o grito me fizeram despertar também.
    Nathan agora estava em uma cadeira, e um homem de máscara rodava ao redor dele.
    Imagens pipocaram em minha cabeça. A forma que tratei o homem acorrentado na cama, as confissões que ele tinha feito, as vezes que me implorou que o ajudasse. Tudo veio como flashes em minha cabeça, enquanto os dois ficavam em uma discussão, meio provocação e adivinhação. Eu acompanhava tudo me sentindo confusa.
    Nathan e Neil.
    O que estava amarrado era Neil e o homem de máscaras, torturando o outro era seu...
    Irmão?
    Culpa se abateu sobre mim enquanto continuava a acompanhar a conversa. Aquele homem não tinha mentido. Era tão vítima como eu fui, e pior ainda. Vítima do próprio irmão. Uma pessoa horrível e cruel.
    — Maldito! — Neil gritou — Quando eu colocar as mãos em você...
    Nathan sussurrou algo no ouvido de Neil e colocou um pano sobre o rosto dele. Depois que o irmão apagou, olhou para mim.
    — Acho que não é preciso dizer que não deve falar nada, não é?
    Ele sorriu e foi em direção a saída. Impotente, o vir sair. Corri até a porta e bati dezenas de vezes contra ela.
    O maldito tinha ido embora, e eu tinha ficado paralisada pela surpresa de tudo o que ouvi.
    Nathan queria roubar a família do irmão dele. Não apenas a mulher e filhos, mas toda a sua vida.



    Capítulo 23



    Depois que descobri a verdade sobre Neil, tentei ajudá-lo, alimentando e dando água para que se hidratasse.
    Ele me pediu que conseguisse um telefone, o que não era uma tarefa muito fácil. Tive que pedir ajuda a Samira, escrevendo com pasta de dente, no espelho, o que eu queria.
    Sabia que ela teria que usar formas nada agradáveis para roubar um celular e que, se fosse descoberta, sofreria represálias. Mas Samira sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu não queria.
    Isso me fez ver que, mesmo que estejamos cercados de pessoas ruins, ainda encontrávamos pessoas boas.
    Talvez o destino, mesmo que cruel, queria que eu estivesse ali para ajudar Neil a impedir os planos de Nathan. Talvez eu estivesse ali para, no fim, conseguir ajudar todas aquelas garotas. E depois de tudo que eu passei, aquilo me fizesse voltar a acreditar na vida mais uma vez.
    Consegui o celular, mas o problema é que no porão ele não funcionava muito bem. Neil conseguiu trocar mensagens com seu amigo.
    Peter.
    Só que eu não sabia onde estávamos. Não porque tinha chegado vendada como Neil acreditou e deixei que ele pensasse assim, afinal, não tinha como explicar nada a ele.
    Não sabíamos onde estávamos porque não conhecia nada nesse país. Talvez tivesse gravado o caminho até a agência, mas não tinha certeza.
    Os dias seguintes não foram fáceis. O tempo ficava curto. Neil afirmava que Peter conseguiria descobrir onde estávamos, mas eu não conseguia acreditar nele.
    Recebemos mais uma visita de Nathan. Pensei que ele já tinha esgotado suas crueldades comigo, mas ele me tomou à força, para garantir ao irmão o quanto era cruel e que faria o mesmo com a esposa dele. Em meio ao desespero, Neil e eu confortamos um ao outro.
    As últimas palavras de Nathan, antes de sair, foi que tiraria todas as provas da casa, a esvaziaria e colocaria fogo. Claro, com nós dois lá dentro. A crueldade desse homem não tinha limite.
    As horas foram passando, e o primeiro sinal de que Nathan não tinha blefado foi o forte cheiro de gasolina e a fumaça que invadia o quarto.
    — Filho da puta... Porra! Desgraçado! — Neil gritou — Você tem que tentar fugir.
    Balancei a cabeça, tapando os ouvidos. A fumaça ficava cada vez mais espessa. Neil insistia que eu deveria fugir, mas eu sabia que não havia a menor possibilidade. Bati na porta, grunhindo. Ela estava trancada, iríamos morrer aqui dentro, consumidos pelo fogo.
    — Pegue a garrafa — ouço-o tossir e depois gritar para mim — Tire sua camisa e molhe-a com água, depois deite-se no chão, evite a fumaça o máximo que conseguir.  
    Via em seus olhos que ele acreditava que sairíamos dali. Que seu amigo ainda iria aparecer. Talvez a fé que ele tinha fosse forte o suficiente para isso realmente acontecer.
    Neil tinha uma esposa, filhos lindos, uma família a quem voltar. Ele tinha por que viver. Então, fiz o que ele falou, mas comecei a amarrar a camisa no rosto dele.
    — Não! — ele tentou afastar minhas mãos — Fique com ela e faça o que eu disse.
    Continuei a pressionar o tecido molhado contra o rosto dele. Meu peito já começava a arder, devido à fumaça que ingeria.
    — Fabiana! — Neil voltou a tossir — Droga! Não faça isso.
    Vou recuando dele.
    — Você não... pode desistir — continuou ele. Vi as lágrimas descendo pelo seu rosto, e não sabia dizer se era pela fumaça ou pela emoção do momento.
    Cambaleei até o colchão e pressionei meu nariz contra ele. Sinto minha cabeça rodar, e já não sabia o que era realidade ou alucinação.
    A porta foi aberta. Escutei vozes. Neil foi arrastado para fora e fechei meus olhos, aceitando meu destino.
    Consegui sorrir, apesar de tudo.
    Tinha acabado.



    Capítulo 23



    Depois que descobri a verdade sobre Neil, tentei ajudá-lo, alimentando e dando água para que se hidratasse.
    Ele me pediu que conseguisse um telefone, o que não era uma tarefa muito fácil. Tive que pedir ajuda a Samira, escrevendo com pasta de dente, no espelho, o que eu queria.
    Sabia que ela teria que usar formas nada agradáveis para roubar um celular e que, se fosse descoberta, sofreria represálias. Mas Samira sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu não queria.
    Isso me fez ver que, mesmo que estejamos cercados de pessoas ruins, ainda encontrávamos pessoas boas.
    Talvez o destino, mesmo que cruel, queria que eu estivesse ali para ajudar Neil a impedir os planos de Nathan. Talvez eu estivesse ali para, no fim, conseguir ajudar todas aquelas garotas. E depois de tudo que eu passei, aquilo me fizesse voltar a acreditar na vida mais uma vez.
    Consegui o celular, mas o problema é que no porão ele não funcionava muito bem. Neil conseguiu trocar mensagens com seu amigo.
    Peter.
    Só que eu não sabia onde estávamos. Não porque tinha chegado vendada como Neil acreditou e deixei que ele pensasse assim, afinal, não tinha como explicar nada a ele.
    Não sabíamos onde estávamos porque não conhecia nada nesse país. Talvez tivesse gravado o caminho até a agência, mas não tinha certeza.
    Os dias seguintes não foram fáceis. O tempo ficava curto. Neil afirmava que Peter conseguiria descobrir onde estávamos, mas eu não conseguia acreditar nele.
    Recebemos mais uma visita de Nathan. Pensei que ele já tinha esgotado suas crueldades comigo, mas ele me tomou à força, para garantir ao irmão o quanto era cruel e que faria o mesmo com a esposa dele. Em meio ao desespero, Neil e eu confortamos um ao outro.
    As últimas palavras de Nathan, antes de sair, foi que tiraria todas as provas da casa, a esvaziaria e colocaria fogo. Claro, com nós dois lá dentro. A crueldade desse homem não tinha limite.
    As horas foram passando, e o primeiro sinal de que Nathan não tinha blefado foi o forte cheiro de gasolina e a fumaça que invadia o quarto.
    — Filho da puta... Porra! Desgraçado! — Neil gritou — Você tem que tentar fugir.
    Balancei a cabeça, tapando os ouvidos. A fumaça ficava cada vez mais espessa. Neil insistia que eu deveria fugir, mas eu sabia que não havia a menor possibilidade. Bati na porta, grunhindo. Ela estava trancada, iríamos morrer aqui dentro, consumidos pelo fogo.
    — Pegue a garrafa — ouço-o tossir e depois gritar para mim — Tire sua camisa e molhe-a com água, depois deite-se no chão, evite a fumaça o máximo que conseguir.  
    Via em seus olhos que ele acreditava que sairíamos dali. Que seu amigo ainda iria aparecer. Talvez a fé que ele tinha fosse forte o suficiente para isso realmente acontecer.
    Neil tinha uma esposa, filhos lindos, uma família a quem voltar. Ele tinha por que viver. Então, fiz o que ele falou, mas comecei a amarrar a camisa no rosto dele.
    — Não! — ele tentou afastar minhas mãos — Fique com ela e faça o que eu disse.
    Continuei a pressionar o tecido molhado contra o rosto dele. Meu peito já começava a arder, devido à fumaça que ingeria.
    — Fabiana! — Neil voltou a tossir — Droga! Não faça isso.
    Vou recuando dele.
    — Você não... pode desistir — continuou ele. Vi as lágrimas descendo pelo seu rosto, e não sabia dizer se era pela fumaça ou pela emoção do momento.
    Cambaleei até o colchão e pressionei meu nariz contra ele. Sinto minha cabeça rodar, e já não sabia o que era realidade ou alucinação.
    A porta foi aberta. Escutei vozes. Neil foi arrastado para fora e fechei meus olhos, aceitando meu destino.
    Consegui sorrir, apesar de tudo.
    Tinha acabado. 

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