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  • Caminhando entre espinhos - Capitulo 19


    Quando vi Agatha, o mundo ruiu sobre minha cabeça. Como era de se  esperar, ela tirou conclusões erradas. Por que as pessoas não viam os sinais? Meu choro não era de saudade, era de desespero. No entanto, nada poderia dizer a ela.
    — Você me parece abatida — disse Agatha quando nos separamos do abraço — Mas também, viajando tanto. Está feliz?
    Shane parou às costas de Agatha e levantou o blazer, mostrando o revólver a mim.
    — Estou... — minha resposta saiu junto com um soluço, e as lágrimas saltaram dos meus olhos — Estou com saudade. 
    — Minha querida...

    Agatha prosseguiu dizendo que era natural, afinal, fazia um longo tempo que não nos víamos e mais algumas palavras de incentivo. Fui monossilábica, respondendo sim ou não, sempre com o olhar de Shane a me ameaçar, além de saber que Klaus também me vigiava em algum lugar dali.
    — Sei que tem a agenda muito cheia — ela sorriu, secando meu rosto — Tive que implorar ao seu agente que tirasse um horário para mim — ela abaixou o tom de voz em um tom confidente — Na verdade, o ameacei, espero que isso não a prejudique. Podemos nos encontrar nesse sábado.
    — Seria maravilhoso, eu... — respondi, sorrindo de verdade, agora.
    Agatha nunca iria me trair como Konrad.
    Na verdade, ele não tinha me traído, fazia parte desse esquema sórdido e sujo.
    — Fabiana, você é realmente muito sortuda.
    Falando no demônio. Konrad se aproximou com o telefone na mão, nos interrompendo.
    — Acabei de saber que recebeu um telefonema da Itália. A Chanel adorou as últimas fotos suas que enviamos para eles, querem um photoshoot com você. Teremos que ir para Milão amanhã ou depois de amanhã, no máximo.
    — Sério? — O sorriso de Agatha falhou.
    Mentiras e mais mentiras. A minha vida era feita de um amontoado de mentiras sujas.
    — Senhora...?
    — Jones.
    — Senhora Jones, é uma grande oportunidade para essa moça aqui. Já pensou? Pode ser a nova cara da Chanel.
    Agatha me abraçou, acreditando que aquela era uma boa notícia. Konrad me olhou friamente e apontou Shane, parado no outro lado do estúdio.
    Não precisei de mais nenhum sinal.
    — Estou tão feliz por você, querida — disse Agatha ao se afastar — Sempre acreditei em você.
    — Obrigada — disse em uma voz rouca, foi o máximo que consegui dizer.
    — É melhor voltarmos para as fotos — Konrad olhou para Agatha com um falso pedido de desculpa — A senhora pode esperar para falarem um pouco mais, mas aviso que vai demorar muito. As pessoas têm aquela ilusão que vida de modelo é fácil, mas horas e horas posando para um bonitão como eu é bem difícil. 
    Agatha riu, mas disse que precisava ir embora, encontrar outros amigos.
    — Este é o endereço do hotel que estamos — ela entregou um cartão — Só ficaremos na cidade até o fim de semana. Então, seria ótimo se pudéssemos jantar hoje e termos um momento só nosso. Fabio e eu estamos indo para a África, trabalhar, com uma ONG, ficaremos uns meses quase incomunicáveis. 
    — Eu adoraria jantar com vocês — respondi, sentindo minhas esperanças se renovarem.
    Se eu convencesse a todos que jantar com Agatha era importante para manter o plano, ainda teria alguma chance.
    A abracei fortemente quando nos despedimos. Cobri meu rosto com as mãos para esconder as lágrimas e também me impedir de olhá-la indo embora.
    — Eu ouvi bem o que você disse, Konrad — uma loira, magra e estonteante, chamou nossa atenção — Essa mulher será o novo rosto da Chanel? Isso é um absurdo.
    A pergunta veio acompanhada de um tom de desprezo, como se ela visse uma barata na frente dela e tivesse nojo de matar.
    — Agora não, Nicole — murmurou ele, pegando meu braço e me levando para longe dela, que me encarava com raiva e despeito — Depois conversamos.

    Tão bonita quanto fria, concluí. Mas eu tinha coisas mais importantes para me preocupar, pessoas preconceituosas eram o último dos meus problemas. Além disso, apesar de aquilo ter sido apenas uma mentira para enganar minha amiga, Nicole não precisava saber. Que ela morresse de inveja e veneno. 

    2 comentários :

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