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  • Louco por você - Capítulo 44



    Reconheço o quarto de hospital, afinal é meu ambiente de trabalho; o que momentaneamente eu não entendo é o que faço em um. Procuro lembrar das últimas vinte e quatro horas. Estive em uma casa com Adam, vigiando a casa do Neil.
    Vi Jenny e Nathan sair de lá e os segui com a moto de Richard; encontrei Peter e Neil no caminho e acabamos em um hangar. Houve brigas. Um som de tiro, depois tudo virou escuridão.
    — Olá, Sr. Crighton — a enfermeira me cumprimentou com um sorriso. Ela introduzia alguma medicação no soro ligado ao meu braço — Que bom que já acordou. Vou avisar ao doutor.
    Queria fazer algumas perguntas a ela, mas minha garganta estava seca e ainda estava meio desorientado. Flashes pipocavam em minha cabeça, meio embaralhados. Adam me trouxe ao hospital, lembro de ter aberto os olhos algumas vezes na ambulância e vê-lo inclinado sobre mim.
    Lembro da minha mãe, papai e Katty terem vindo ao meu quarto. E Julienne? Tinha sido um sonho ou realmente tinha segurado minha mão enquanto chorava?
    Ela tinha vindo antes. Falou sobre um bebê.
    Um bebê?
    Tentei me sentar. Nesse momento, o médico surgiu acompanhado da mesma enfermeira.
    — Calma, Dr. Crighton — disse ele, com humor — Aqui você é paciente.
    Voltaram a me deitar, mas ajustaram a cama.

    — Julienne? — consegui dizer.
    Eu era caos e confusão. Queria acreditar que os medicamentos estivessem mexendo comigo, mas eu tinha certeza, mesmo praticamente desacordado, que a ouvi falar de um bebê.
    Aquilo não era possível. Sempre fomos cuidadosos. Eu não poderia cometer o mesmo erro duas vezes, podia? E quando ela havia descoberto isso? Quando pedi que me deixasse?
    — Você teve sorte — disse o médico — Perdeu muito sangue, quase o perdemos.
    E teria perdido mais do que a minha vida.
    Julienne. O bebê. Meu filho.
    Estava tendo uma nova chance de viver e de ser... pai.
    — Acho que, mais tarde, podemos removê-lo para o outro quarto — disse o médico, embora eu não estivesse prestando muita atenção — As visitas serão menos restritas, desde que prometa se comportar.
    — Eu prometo — respondo apressadamente.
    — Um médico sempre é péssimo em enganar o outro —  ele ri.
    — Há quanto tempo estou aqui?
    — Hoje faz três dias.
    — Tenho a impressão que foram horas.
    Tive um banho incômodo e ridículo no leito e café da manhã pastoso. Isso me fez jurar que seria ainda mais compreensivo com meus pacientes no futuro.
    Como o doutor Forman tinha falado, após o almoço, fui removido de quarto e as visitas novamente liberadas um pouco depois.
    — Meu filho! — mamãe me abraçou e beijou repetidamente, assim que entrou no quarto — Meu anjinho.
    Revirei os olhos em direção ao meu pai, mas ele estava igualmente emocionado. Era a primeira vez que falava com eles totalmente consciente. Então deixei passar as emoções exageradas, embora, no fundo, estava feliz em receber tanta atenção e carinho.
    — Tivemos tanto medo de perdê-lo — disse Katty, se colocando ao lado de minha mãe — Eu te proíbo de fazer isso de novo.
    — Katty, só se é valente uma vez na vida — provoquei-a — Vou fugir até de arma de brinquedo.
    — Ah, meu querido — minha mãe lamentou — Vamos cuidar de você. Já falei para a Delia preparar tudo.
    — O Dr. Forman liberou as visitas, mas não quer tantas pessoas no quarto — disse uma das enfermeiras para o meu pai — Então vocês ainda vão ter que revezar com as pessoas lá fora.
    — O Dr. Forman não é o meu dono — resmunguei — Se meus amigos querem entrar, deixe que entrem.
    Além disso, acredito que Julienne esteja lá fora e pretendo ter uma séria conversa com ela.
    — Ele pode não ser o seu dono — disse mamãe — Mas eu sou sua mãe e digo que concordo com ele.
    Que maravilha. Por que ela não foi ser arquiteta?
    — Adam joga o carro no poste, vocês paparicam ele. Adam quer ter a cara mais feia que o Frankenstein, vocês paparicam ele — começo a dizer, contrariado —  Liam quase morre para salvar o mundo e só recebe ordens.
    —  Liam! —  minha mãe olha feio para mim — Você já deve estar muito bem.
    Ela sorri logo depois e volta a me beijar, inundando-me de palavras carinhosas. Eu já imagino o tipo de paciente que serei. Ironicamente chato e que não os deixará em paz.
    Ficar doente não me parece tão ruim assim.


    Depois que a procissão familiar termina, meus amigos começam a entrar. Richard e Paige, que me agarra assim que me vê, esquecendo ou ignorando que estou machucado. Ela é espontânea, então não reclamo de seu abraço dolorido.
    Neil e Jenny entram logo depois, de mãos dadas. O Dr. Forman saiu do quarto, resmungando algo sobre desistir de mim. Em seguida vejo Adam, me encarando com raiva. Não acredito que tenha escutado, quando fiz a brincadeira sobre ele ser paparicado quando fazia suas burradas e eu, perseguido. Então, não entendia o motivo de estar bravo comigo.
    Tentava atender a todo mundo que falava comigo, quando vi Penelope entrar. Sorri para ela e recebi seu costumeiro sorriso doce de volta.
    — Por que você fez isso, seu idiota? — Neil perguntou, dando um leve tapa em minha cabeça — Queria uma vaga como o Superman? Sinto informar, mas ele não faz parte dos Vingadores, terá que se empenhar mais se quiser se juntar à equipe.
    Ele indica Richard e Adam. É bom vê-lo tão descontraído depois de tudo o que ele passou, principalmente saber que nossa velha camaradagem estava de volta.
    — Há, hã —  reviro meus olhos —  Tony Stark e seu bom humor.
    — Nunca mais faça uma loucura como essa! — ele me olha sério, repreendendo-me, antes de completar: —  É importante demais para nós.
    Eu sabia que todos me amavam, mas naquele dia fiz o que achei o certo.
    — Você tem seus filhos, a Jenny... eu não tinha nada a perder.
    Bom, eu acreditei que não.
    — Não tem nada? — vociferou Adam, se fosse possível, ele faria o que a bala de Nathan não conseguiu: me mataria — E os nossos pais, nossa irmã, seu fil...
    Seu filho? Era isso que ele estava prestes a dizer? Ou ele tinha descoberto e Julienne pediu segredo, ou estava ficando maluco. Meus pais e minha irmã não falaram nada comigo e não acredito que minha mãe esconderia algo como isso.
    Antes que eu pudesse fazer qualquer questionamento a Adam, ele saiu e Penelope foi atrás dele.
    — Ele está bravo mesmo — sondei em seguida: — Alguém entendeu alguma coisa?
    Minha resposta veio em seguida, quando a porta foi escancarada bruscamente.
    Julienne, ainda mais linda do que achei que ela poderia ser.
    — Liam! Não me mande embora — implorou com fervor — Eu não vou.
    — Julienne...

    ***
    As outras pessoas no quarto foram perdendo o foco. Eu só tinha olhos para a minha baixinha. Queria colocá-la em meu colo e secar com meus beijos cada lágrima que ela vertia.
    — Vem aqui — estiquei a mão.
    Ouvi o clique da porta, não vi quem saía, mas estávamos sozinhos agora.
    — Eu te amo — balbucia ela, quase em lágrimas outra vez — Amo tanto que chega a doer. Eu sinto falta de ar, e quando não está comigo, a vida parece perder a cor. Eu te amo tanto, que o futuro sem você seria insuportável e o presente desolador. Então, por favor, me diz o que eu faço para ter você de volta?
    Nós andamos pelo mundo, seguros, donos de nós mesmos, nos sentindo infalíveis, poderosos. Até que encontramos a segunda metade de nós. Aquela parte que te completa e, sem ela, nos sentimos vazios.
    Julienne é a outra parte de mim.
    — Dois passos — disse a ela.
    — Como? — me encarou, confusa.
    — Dê dois passos, Julienne.
    Ela avançou e segurou minha mão. Puxei-a para mais perto de mim, onde deveria ficar para sempre.
    — Você já me tem de volta — respondi, antes de beijar a mão dela — Dois passos, era tudo o que precisava fazer.
    A intenção era um beijo apaixonado, mas senti tantas saudades dela, que degustei de seus lábios doces e seu corpo macio junto ao meu o máximo que consegui.
    Ela se afastou quando soltei um gemido de dor, e eu quase protestei, mas tínhamos assuntos muito importantes a tratar.
    Escorreguei um pouco para o outro lado da cama e fiz sinal para que se acomodasse ao meu lado. Ela sentou na ponta, tendo cuidado para não esbarrar em mim.
    — Julienne, eu também amo você — digo a ela, entrelaçando nossas mãos — Amo com a mesma intensidade e sinceridade. Eu nunca quis te afastar de mim, mas eu precisei. Tentei proteger você.
    Foi muito mais estúpido do que o tiro que levei. Mas eu sempre estaria pronto para protegê-la. O mundo sem ela também não tinha cor para mim.
    — Eu entendo — ela sorri, secando as lágrimas do rosto — Entendo, e já não tem mais importância.
    — Tem razão. Você tem algo muito mais importante para me dizer, não é?
    Ela desviou os olhos de mim e encarou o chão.
    — Ouvi o que disse, quando estava inconsciente — tentei encorajá-la — Já pode ser sincera comigo. Eu sei sobre o bebê. Além disso, o Adam...
    — Juro que quis contar quando soube quem você era — me interrompeu, angustiada — Eu não podia.
    As coisas ficaram mais confusas para mim. Quando Julienne descobriu “quem eu era”, foi logo depois de termos feito amor pela primeira vez. A menos que eu tivesse parentesco com aquele vampiro, seria impossível que ela estivesse grávida naquela época. Estávamos falando de duas coisas diferentes. 
    — Julienne?
    — Penelope não queria dizer. E como a gravidez dela era de risco, não quis aborrecê-la mais. Depois o parto foi complicado e as coisas foram se complicando. Não sabia mais como contar, e quando estava determinada a contar aquele dia, que fiz o jantar no apartamento, você me mandou embora.
    Eu começava a me perguntar se não tinha levado o tiro na cabeça, ao invés de nas costas.
    — O bebê que você fala é da Penelope?
    — Dela e do Adam.
    — Penelope está grávida?
    — Já nasceu — ela me olhou, confusa — É o Benjamin. Adam não te contou? Você ia dizer que...
    — Você estava grávida — apoiei a cabeça contra o travesseiro, vendo o teto rodar.
    — Eu? — ela levantou, com o olhar chocado — Da onde tirou isso?
    Respirei pausadamente até voltar a me sentir melhor.
    — Eu lembro de parte do que me disse. Aliás, todas as minhas lembranças ainda estão meio bagunçadas. Depois o Adam estava com tanta raiva de mim — expliquei — Que grande confusão.
    Eu não sabia se estava mais chateado por não existir um bebê meu e de Julienne ou de descobrir repentinamente que havia um de Adam e Penelope.
    — Você disse que já nasceu?
    — Prematuro. Como eu disse, foi uma gravidez de risco e complicada.
    — Você já sabia naquele dia, na casa dos meus pais, por isso ficou tão abalada. 
    — Aquele dia eu ia contar. Eu liguei para casa, mas meu irmão avisou que Penelope não podia passar por momentos estressantes. Adam não quer saber do filho...
    — Espera aí — a interrompi — Como assim, ele não quer saber do filho? Ele nem sabe!
    — Não sei o que ele te disse, Liam, mas ele não quer saber. Penelope ouviu Adam falando com o Neil e também nem respondeu a carta que ela deixou para ele.
    Meu irmão podia ser burro nas questões do amor, às vezes, muito idiota, mas ele amava a Penelope e jamais a teria abandonado grávida.
    — Ele não sabe — afirmei — Adam não sabe. Não sei o que Penelope acha que ouviu dele, mas eu acompanhei como meu irmão ficou quando ela foi embora, Julienne. Era um homem destruído.
    Ela me encarou, cética, mas a firmeza em meu olhar, aos poucos, a fez ceder.
    — Mas, e a carta? — indagou, ainda na dúvida — Eu mesma deixei na casa dele.
    — Não sei o que houve com essa carta, mas ele não recebeu.
    Que grande confusão todos nós tínhamos nos metido?
    — Então, se ele não sabe — murmurou ela, voltando a sentar do meu lado — Penelope também não sabe disso. Ela foi embora sentindo-se rejeitada.
    — Adam sentia o mesmo.
    — E o que a gente faz?
    — Bom, um bebê não é algo que se esconde por tanto tempo — digo a ela, sorrindo — Pelo jeito que eles se olharam hoje, não vão demorar muito para colocar a história a limpo. Deixe que resolvam da maneira deles.
    — Quer dizer que devemos mentir?
    Talvez estivesse errado em ficar quieto, mas acho que interferi demais, começando por ter dito a Adam, na época, que deveria sugerir a Penelope que fossem só amigos. Eu não duvido que isso tenha gerado toda aquela confusão.
    — Julienne, é algo deles. Quem deve dizer alguma coisa ao meu irmão é a sua prima.
    — Pois eu acho que deveríamos colocar um do lado do outro e Benjamin no meio.
    — Do jeito que são, irão se engalfinhar, esmagar o bebê — gracejei — Para fazer mais bebês.
    —  Liam!
    — Adam não sabe, ela não sabe. Deixe que se surpreendam.
    Julienne me encarou, desconfiada.
    — Você não está bravo comigo?
    Antes de Neil e Jenny terem fugido, de também ter mentido para ela, de Nathan surgir em nossas vidas e eu parar no hospital, provavelmente ficaria.
    — Segredos não são bons. Geralmente separam as pessoas. Mas eu consigo te entender — pego sua mão de volta — Também fiquei preso em um segredo que não pertencia a mim. Por isso, daqui em diante, sem mais mentiras, não importa a quem fira; a verdade sempre é a melhor saída.
    — Eu nunca mais vou mentir ou omitir nada de você — ela beijou minha mão — Mas você ainda parece chateado.
    — É que eu pensei que... — senti meu rosto incendiar — Achei que o bebê fosse nosso.
    Ela sorriu e beijou os meus lábios algumas vezes.
    — Pretende se casar comigo? — perguntou ela.
    — Está me pedindo em casamento? —  indaguei, divertido.
    — Estou perguntando se, um dia, pretende se casar comigo.
    — Um dia, eu pretendo.
    Na verdade, se tivesse um padre no quarto, me casaria agora.
    — Então, um dia eu te dou um bebê.
    — Você não pode me dar um bebê — sorrio da sua expressão confusa — Precisamos fazê-los.
    Agarrei uma de suas coxas e puxei-a para mais perto de mim.
    — Acho que essa é a melhor parte.
    Antes que pudéssemos nos beijar, uma enfermeira entrou, pigarreando.
    — Fim da visita, senhorita.
    Se olhar matasse, eu tinha feito aquela mulher se desintegrar na minha frente.
    Julienne saiu sorrindo, desenhando corações com a mão. Eu só conseguia pensar o que eu faria com uma parte específica em meu corpo, que não estava machucada, mas doía.



    10 comentários :

    1. kkkkkkk...já estava com saudades deles! Há uma semana vc não postava nenhum capítulo :( amei, amei, amei e continuo amando cada capítulo.

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    2. Nossa, vc sempre nos surpreende Elizabeth. Amei

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    3. Ai que fofo amo tudo isso🙏🙏😘😘😘

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    4. A cada capítulo mais apaixonada nessa história.

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    5. Hahaha olha a novidade, adorei! Haha Liam senti sua falta! Na verdade senti muita falta! Ju minha amiga, dê um filho à esse pobre homem, mulher!

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    6. Amei esse capítulo. O Liam é o Liam rsrsrs 😀

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    7. Uffa! Tudo se resolveu da melhor forma... ❤️

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