• Home
  • |
  • Sobre a Autora
  • |
  • Livros
  • |
  • Vídeos
  • |
  • Agenda
  • |
  • Parceiros
  • |
  • Contato
  • Louco por você - Capítulo 43



    Tinha passado mais de uma semana desde que Liam havia pedido “o tempo”.
    Eu já tinha enviado um monte de mensagens para ele e não recebia nenhuma de volta. Ele disse que o distanciamento seria apenas até o caso de Jennifer ser resolvido, e embora na época eu ter acreditado que aquilo nunca iria acontecer, um milagre tinha surgido.
    Então, por que o Liam não me ligava de volta? Eu tinha até decidido contar sobre Benjamin, a mãe dele querendo ou não.
    “Só me diz se você está bem”, enviei a mensagem.
    Provavelmente estava cansado da minha insistência. Estava ficando patética, me rastejando por alguém que visivelmente parecia querer distância de mim.
    — Tudo bem? — Ellen perguntou, quando entrou no vestiário — Ainda não teve notícias dele?
    Balancei negativamente a cabeça em resposta e joguei o celular na bolsa. Dei adeus a Ellen e fui para a estação de trem.
    Eu tinha um aperto no peito, uma sensação ruim, como um pressentimento. Talvez meu coração estivesse se preparando para uma ruptura definitiva.
    Quando cheguei em casa, não queria falar com ninguém, mas Penelope me esperava na sala. A expressão angustiada em seu rosto denunciava a tentativa de parecer calma.
    — O que aconteceu? — para a minha surpresa, minha voz saiu firme, embora por dentro eu estivesse tremendo — É o Liam?
    — Vamos para o sofá? — disse, em sua voz ainda mais doce que o normal.
    Meu coração batia forte no peito. Deixei a bolsa cair aos meus pés, mas não consegui dar um mísero passo. Foi Penelope a me conduzir. Agradeci intensamente por ter me ajudado a sentar, minhas pernas estavam como gelatina, e eu nem sabia ainda o que tinha acontecido. Mas eu pressentia que era algo muito grave.
    — Antes que eu fale — ela segurou minhas mãos; estavam frias — Quero que tente ficar o mais tranquila possível, tudo bem?
    Disse que sim, apenas para que tomasse coragem e me falasse o que tinha acontecido de uma vez.
    — Liam está no hospital — disse ela — Ele levou um tiro.
    Puxei minhas mãos e olhei com incredulidade para ela.
    Liam? Hospital? Tiro?
    Aquilo não era possível. Não o meu Liam. O homem que eu amava enlouquecidamente e que poderia ser tirado de mim.
    Explodi em um choro compulsivo e desenfreado. Sentia falta de ar e parecia que minhas lágrimas estavam me afogando.
    — Não é verdade! — tentei me levantar, mas meu corpo não respondia aos comandos do meu cérebro — Diz que não é verdade... Diz que ele está bem.
    Preferia mil vezes ter encontrado Liam aqui, dizendo que não me amava mais, embora fosse me ferir da mesma maneira. Eu o queria bem.
    — Só sei que o estado é muito grave — ela soluçou — Mas sei que ele ficará bem, meu amor.
    Ela me abraçava, e eu me agarrava a ela como um náufrago se segura a um colete salva-vidas. Estava presa à âncora que me empurrava nas profundezas de um oceano frio.
    Ar. Eu precisava de ar.
    — Vai ficar tudo bem — Penelope segurou meu rosto, eu mal conseguia enxergá-la — Respira, respira, minha querida. Liam vai ficar bem. Ele vai ficar bem.
    Ouvia suas palavras carinhosas bem de longe, vindas de algum lugar. Minha mente vagava no tempo e em memórias.
    Nosso primeiro encontro, quando me joguei em seus braços.
    Seu primeiro sorriso para mim, que foi, com certeza, quando me apaixonei. A primeira vez que brigamos. A primeira vez que subi em uma moto foi com Liam.   A primeira vez que dançamos. A primeira vez que disse que me amava. A primeira vez que eu fiz amor.
    Meu primeiro tudo.
    Eu te amo, Liam.
    Queria que essa voz, gritando dentro de mim, chegasse até ele. Eu precisava dizer isso a ele.
    — Preciso vê-lo.
    Dessa vez meu corpo respondeu ao meu desejo e fiquei em pé, embora quase não conseguisse me sustentar.
    — Espere, Julienne — ela tentou segurar o meu braço, mas a rechacei — Não sabemos onde ele está. Delia não soube dizer.
    — Não me importa! — praticamente gritei — Eu vou em todos os hospitais que tiver nessa maldita cidade.
    Não perguntei como ele levou o tiro, e se ela tinha falado, não prestei atenção. Mas com toda certeza foi por causa de um assalto ou algo parecido. Liam era a pessoa mais amorosa e pacífica que já conheci.
    — Julienne...
    — Preciso vê-lo — repeti, exaltada. O bebê no carrinho começou a chorar, e aproveitei o momento para sair correndo.
    Agora compreendia por que ele não respondeu a nenhuma das minhas mensagens. Enquanto ele estava ferido, eu estava sendo egoísta, pensando apenas em meu coração partido.
    Quando eu cheguei à calçada, me dei conta de que não fazia a menor ideia para onde ir. Estou na rua, chorando como uma maluca, e a única coisa que consigo são as pessoas me olhando como se eu fosse louca.
    Respiro fundo e tento me acalmar. Entro em contato com Noah, e ele também não tem nenhuma informação, mas me passa o telefone de Katty.
    Quem atende é Frank, o marido dela. Depois que ele me diz para qual hospital Liam foi encaminhado, chamo um táxi e vou diretamente para lá.
    Toda a família estava no hospital. Peter foi a primeira pessoa a me notar e falar comigo. Sentamos em um dos bancos, distante dos demais, e ele contou como tudo ocorreu. Liam tinha levado um tiro para proteger Neil.
    Tão Liam. Tão estúpido. Tão bonito. Eu não esperava nada menos dele. Embora quisesse esganá-lo por ter sido tão inconsequente, era esse coração enorme que fez com que me apaixonasse por ele. E se existisse um pouquinho de justiça no mundo, ele ficaria bem.
    A cirurgia terminou uma hora depois de eu ter chegado. Foi delicada, e os riscos de morte ainda estavam presentes.
    Conheci Nathan pelos breves relatos de Peter e já o odiava profundamente. Certo ou não, estava aliviada que ele teve o fim que merecia.
    Falei brevemente com Lindsay e Katty. Adam estava em um canto, amuado, arisco e completamente devastado. Preferi dar espaço a ele.
    Estava cochilando em um banco, quando senti tocarem meu braço.
    — Vou te levar para casa, Julienne — disse Peter, ajoelhado ao meu lado — Não há nada que possa fazer aqui. De manhã você volta.
    Queria protestar e dizer que iria ficar, mas o olhar firme dele indicava que me arrastaria para fora se tentasse contrariar. Implorei para que me deixasse ver Liam primeiro, e ele prometeu que conseguiria isso.
    Quando cheguei ao quarto e o vi tão indefeso na cama, com o aparelho que o ajudava a respirar e ligado por fios que o mantinham vivo, senti todo o meu mundo ruir. 
    — Você não pode me deixar, Liam — chorei baixinho, rente à cama dele — Eu te amo tanto. Eu preciso de você, está me ouvindo?
     Ao segurar suas mãos imóveis, uma nova avalanche de lágrimas turvou meus olhos. Sequei meu rosto rapidamente. Não queria deixar de vê-lo um único segundo.
    — Há tantas pessoas que te amam também —  um soluço escapou contra minha vontade —  E tem o bebê... Tem que ficar bem para conhecê-lo. Então fique bem, fica com a gente, por favor.
    Ah, quando ele conhecesse o sobrinho e visse como ele é lindo, tão parecido com Adam e ele, iria se apaixonar imediatamente por Ben.
    — Pense nele, querido... Agarre-se à imagem das pessoas que o amam e volte para nós. 
    Ouvi um baque, e quando olhei assustada para a porta, Adam tinha um olhar transtornado para mim.
    — Desculpe — murmurou apressadamente e saiu, praticamente correndo.
    Fiquei intrigada com sua reação, mas achei que senti os dedos de Liam apertando levemente os meus. Minha atenção voltou totalmente para ele. Alguns minutos depois, Peter e uma enfermeira avisaram que eu deveria sair.
    Lindsay e Katty também já tinham ido embora. Troquei algumas palavras com o Sr. Crighton, que continuava no hospital fazendo vigília.
    Peter me conduziu para fora. Quando chegamos ao meu prédio, garanti que poderia subir sozinha, mas ele insistiu em me acompanhar.
    Estava cansado e abalado, foram muitos dias em que ele esteve carregado de estresse e preocupação. Arrisco-me a dizer que desde que Neil e Jenny tentaram fugir do país.
    Quando chegamos à entrada, ele recebeu uma ligação. Era Adam, e eu disse que ele poderia ir. Na medida do possível, eu estava bem.   Agora, a nova preocupação era saber se Liam resistiria aos ferimentos e voltaria para nós.
    — Julienne, como Liam está?
    Pelo visto, ela não tinha pregado o olho.
    — A cirurgia acabou há algumas horas, mas o estado dele ainda é delicado — solucei, jogando-me em seus braços — Ele não pode morrer, Penelope. Eu nunca vou me perdoar se ele morrer sem saber o quanto o amo.
    Como antes, ela tenta me consolar. Mas minha dor é forte e desesperadora. Choramos juntas.
    — Ele ficará bem — diz ela — E ficará feliz em conhecer o Ben.
    — Eu preciso que ele fique bem — levei a mão ao meu peito, exatamente onde parecia sangrar — Dói tanto.
    A melhor parte de mim estava sangrando e não tinha nada que eu pudesse fazer para curar a ferida. Minha cura era Liam. Só ele poderia me tirar desse buraco assustador.

    ***
    Acordei muito cedo, na realidade, praticamente não dormi. Meu corpo teve o descanso que a minha alma não conseguia alcançar.
    Várias vezes, durante a madrugada, vi Penelope passar pelo meu quarto. Não sei o que teria feito sem a presença dela. Foi ela que me ajudou com o banho, me vestiu, forçou que eu comesse alguma coisa, embora nada passasse por minha garganta. Sem ela ao meu lado, teria desabado.
    Estou um pouco mais forte, pelo menos é o que digo a mim mesma. Esperançosa, seria a definição certa. Cheia de esperança, retorno ao hospital.
    Quis muito passar o tempo todo ao lado de Liam, mas precisava revezar com a família e pessoas que apareciam para vê-lo.
    Ellen e Noah vieram e me levaram até a cantina. Não fiquei surpresa quando anunciaram que estavam namorando. Era quase que meio óbvio que acabariam assim. Queria estar muito mais feliz e comemorar com eles.
    — Loretta disse que não tem com que se preocupar — disse ela — Leve o tempo que precisar.
    Sorri, agradecida, mas eu não podia continuar abusando da boa vontade de Ellen nem da tia dela. Além disso, quando Liam se recuperasse, e minha fé dizia que ele iria, pretendia passar todo o tempo que conseguisse ao lado dele. Como um grude mesmo. Eu tinha economias, e se as coisas apertassem, podia recorrer à ajuda do meu pai.
    — Assim que der, falarei com ela.
    Quando retornamos da cantina, Katty veio me abraçar. Seus pais estavam com Liam, e o médico tinha avisado que ele estava fora de perigo.
    Fiquei como um cão de guarda esperando o momento de vê-lo, mas, quando entrei, ele tinha caído no sono outra vez.
    Sinceramente, não me frustrei. Liam estava vivo, e eu moveria céus e terra, faria o impossível, para tê-lo de volta.
    De acordo com as enfermeiras, ele passaria o resto da tarde dormindo, então decidi passar em casa, tomar banho e dar as boas notícias a Penelope, e quando cheguei em casa, as surpresas não tinham acabado.
    — Austin?
    Corri para os braços do meu irmão. Nossa grande discussão, antes de sair da fazenda, estava completamente esquecida.
    — Sinto muito, Julienne — ele me abraçava forte e tinha a voz emocionada — Sinto muito mesmo.
    Acreditava fielmente em suas palavras. Austin poderia ser turrão e exageradamente protetor, mas, acima de tudo, ele me amava.
    — Está tudo bem — eu ria e chorava ao mesmo tempo — Ele vai ficar bem.
    Olhei para Penelope e vi que chorava, abraçada ao bebê. Liam sobreviveu e Austin estava aqui comigo. Só restava agora que ela se entendesse com Adam e todos terminássemos felizes.
    Conversei muito com Austin. Apresentei Liam através dos meus olhos. Embora tenha tentado disfarçar em alguns momentos, ele sentiu ciúmes. Mas acho que o amor brilhando em meus olhos era tão vivo, que logo ele se convenceu que Liam era a melhor pessoa do mundo.
    Andei flutuando pelas ruas quando retornei ao hospital, dessa vez de felicidade. Lindsay estava saindo do quarto, enquanto eu aguardava minha vez de entrar.
    — Ele perguntou por você — disse ela ao apertar minha mão.
    Meu coração parecia que tinha descido a maior montanha-russa do mundo. Entrei com passos mais curtos que uma gueixa. Era como se o mundo girasse para mim em câmera lenta. Eu gravitava em direção a ele.
    Liam parecia um pouco aéreo, piscou algumas vezes ao me ver e tentou remover a máscara de ar do seu rosto. O impedi, prendendo sua mão na minha.
    Vi que eu chorava quando a primeira gota caiu em minha mão e ele passou um dedo sobre minha pele.
    Eu queria tanto dizer a ele o quanto o amava, ensaiei tanto esse momento, que agora as palavras estavam presas em minha garganta. Mas, pelos meus olhos, eu dizia como profundos e sinceros eram meus sentimentos.
    Inclinei sobre ele e beijei sua testa. Ele fechou os olhos, sendo vencido pelo cansaço e medicação.
    — Amo você —  consegui sussurrar, finalmente. 

    8 comentários :

    1. 😍😍😍😍😍😍 como amo esses dois!!

      ResponderExcluir
    2. Aaaaaaah Senhor! Meu rosto é uma mistura horrenda agora de um emaranhado de vermelhidão e lágrimas, meu coração ta até voltando a bater normalmente. Elizabeth! Quantas emoções! Adoreeei. Ei? Eu percebi a escolha da musica, adorei que você tenha gostado e colocado. Beijos!

      ResponderExcluir
    3. Elisabeth, assim vc acaba com meu coração

      ResponderExcluir

    Obrigada por seu comentário. Volte sempre!

    O Preço de um amor

    Book trailer - Seduzida

    BookTrailer