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  • Louco por você - Capítulo 27 e 28



    Troquei o uniforme do Let’s por um vestido de malha, cor vinho. Era acinturado, as alças cruzavam no meu pescoço, deixando parte de minhas costas nuas. A saia era soltinha, o que facilitaria meus movimentos ao dançar com Liam.
    — Uau! — Ellen rodou em torno de mim, me examinando atentamente — É um ensaio ou plano B?
    Eu tinha acabado de distribuir as mesas para ganhar mais espaço, quando ela surgiu da cozinha.
    Preferia já deixar o ambiente pronto para quando Liam chegasse, embora ele insistisse para que fizéssemos isso juntos.
    — Pode ser as duas coisas?
    — Me diz você. Depois de uma semana, como anda a questão romance?
    Isso era algo que eu não sabia dizer. Nós ríamos um do outro e falávamos banalidades. A única vez que realmente falamos sério foi em relação ao meu desejo em cursar medicina. Ele me ouviu por longos minutos, atento e pacientemente.

    — Quando estamos dançando juntos, parece que não quer estar em lugar nenhum que não seja comigo — suspirei e desabei na primeira cadeira livre que encontrei — E quando tudo acaba, acho que mal pode esperar para dar o fora.
    — O amor é mesmo confuso — Ela colocou a sacola de papel com a marca do Let’s em cima da mesa, depois vestiu seu casaco e luvas — Acho que você está indo bem. Lembra do olhar de cachorro pidão que ele fazia quando olhava para você?
    Balancei a cabeça.
    — Multiplica isso agora por dez.
    — Por que ele foge, ao invés de partir para cima?
    Ellen verificou o embrulho mais uma vez antes de responder.
    — Acho que está na fase de aceitação.
    — Aceitação?
    — Primeiro Liam estava na fase de negação. Não conseguia admitir que se sentia atraído por você. Então, ele era rude. Como um leão assustado.
    Parecia fazer sentido.
    — Sabe que gosta de você, mas não sabe como lidar com isso. Você deveria ser mais ativa. Vai para cima, garota.
    — Literalmente para cima?
    —  Lembra dos passos daquelas revistas? Crie momentos de sensualidade —  ela fez uma dancinha sensual ao dizer, mas mais pareceu uma cobra se contorcendo — Mulher, deixe o homem maluco.
    — O único homem que tenho conseguido deixar maluco é o meu irmão, Austin — sorri ao lembrar da nossa última discussão — E de raiva.
    Carpe Diem, quam minimum credula postero — aconselhou, animada — Colha o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã.
    Viver um dia de cada vez. Parecia fácil quando se olha de fora. O grande problema é que não tinha apenas sentimentos confusos. Liam mexia completamente comigo. Eu o desejava como nunca desejei ninguém.
    — Bom, eu vou indo.
    — Vai ver o Noah outra vez?
    Desde que ele tinha caído no depósito, Ellen passou a visitá-lo com mais frequência. Acredito que, enquanto ele não ficar curado, o sentimento de culpa não a deixará em paz.
    — É, estou levando donuts — ela ergueu a sacola — Para um médico, ele é bem exigente.
    Como eu não conseguia sequer unir Liam e eu como um casal, fui logo tirando as ideias românticas da minha cabeça. Até porque, Ellen e Noah não combinavam em nada. Ela era um espírito livre, enquanto ele fazia o tipo homem fofo.
    — Vejo você na segunda?
    Sábado era o dia de folga dela, e domingo, o meu.
    — Claro, quero saber tudo o que rolou no fim de semana.
    Ela jogou um beijo em minha direção. Liam entrava no momento que Ellen saía, e os dois praticamente esbarraram um no outro.
    Diferente do decorrer da semana, em que me pareceu mais tenso, ele exibia um sorriso animado. Quis correr os dedos pelos cabelos bagunçados pelo vento e afastar a neve em seu casaco, como tinha feito a primeira vez.
    — Fiz uma pesquisa na internet — ele tirou o casaco, e só agora vi que carregava um iPad — Dois casais finalistas do concurso voltam esse ano. Eles são muito bons, mas ano passado era tango.
    Liam me mostrou o primeiro vídeo. A dupla era realmente muito boa.
    — Caramba, mas eles parecem profissionais — murmurei, quando ele passou para o vídeo seguinte — Não é algo voltado à caridade?
    Haveria outros tipos de concurso, como culinária e moda.  Todas as categorias envolviam prêmios bem significativos, de acordo com o interesse do púbico e a venda de ingressos. Música e dança estavam no topo da lista. Os patrocinadores faziam boas doações em dinheiro, parte disso era oferecido aos competidores, que davam o melhor de si para fazer a noite muito divertida.
       — São dez mil dólares, Julienne. Não é uma competição de tirar maçã do barril. As pessoas entram para ganhar.
    — E o que acha que devemos fazer?
    Minha coreografia era boa, para um iniciante.
    — Acrescentar uns passos mais elaborados e de nível de dificuldade maior. Podemos olhar alguns vídeos e pensar em algumas coisas.
    — Doutor, você não entra para perder.
    — É importante para você ganhar?
    Era importante por inúmeras coisas, não apenas pelo dinheiro. Éramos sintonizados na dança. Ganhando ou não, tinha certeza que daríamos um show e, o mais importante, cada minuto ao lado dele era inesquecível e especial.
    — Sim, eu quero.
    — Então, você vai ganhar.
    — Nós.
    Nas horas seguintes, vimos vários concursos de dança no Youtube. Salvamos alguns vídeos. A maioria dos passos que Liam escolhia era complicado e exigia força. Tinha um em que ele me girava no ar e eu deslizava por suas costas, saindo por debaixo de suas pernas.
    — Nós não vamos conseguir isso! — disse, ao me levantar — É praticamente impossível.
    Estava entre chateada e nervosa. Vimos dezenas de vídeos, e embora tenha passado tanto tempo sentada com Liam, mais próximos do que nos últimos quatro dias, não fizemos nada mais do que olhar para a tela do iPad e trocar algumas palavras.
    Como eu conseguiria ser sexy?
    A resposta veio quando olhei para a máquina de refrigerante. Enchi dois copos de soda, colocando um deles sobre o balcão.
    — A prática leva à perfeição — disse ele, pegando seu copo — Um terço da coreografia está memorizada, precisamos apenas nos concentrar nos elementos mais elaborados.
    Liam tinha razão. Tínhamos afinidade e ainda oito semanas para ensaiar antes do grande dia.
    — Você está certo — saltei sobre o balcão ao lado dele — Só estou meio receosa.
    Os olhos de Liam voaram para minhas coxas expostas, e cruzei as pernas, certificando-me de que a saia do vestido subisse um pouco quando as cruzei.
    — Liam, só preciso ter certeza que irá me segurar — coloquei a mão em seu peito e usei minha melhor voz sedutora — Que suas mãos sempre estarão sobre mim.
    Ele remexeu no lugar e pigarreou algumas vezes. Já tinha admitido que eu o deixava nervoso, mas atribuía muito mais à forma em que às vezes o irritava do que com a minha capacidade de sedução.
    — Prometo que nunca vou deixá-la cair — ele disse, em um tom rouco e sexy demais para resistir.
    Ah, Liam. Eu já tinha caído. Caído no encantamento de seus olhos. No sorriso devastador. E nos beijos que mantinham minha mente ocupada.
    “Crie momentos de sensualidade”, recordei um dos conselhos de Ellen, novamente.
    Peguei meu copo com refrigerante, e no melhor estilo garota safada, fiz o canudo deslizar pelos meus lábios úmidos.
    Por cinco segundos, eu tive os olhos vorazes e carregados de Liam concentrados em mim. Os dez segundos seguintes vieram carregados de frustração e vergonha.
    Na minha pressa em parecer sexy, não notei que não tinha colocado a tampa no copo adequadamente. Todo o líquido no copo e as várias pedras de gelo escorregaram pelo meu queixo, pescoço e vestido.
    — Garota, você é incrível — Liam explodiu em uma gargalhada que fazia seu peito sacudir — Incrível.
    Eu queria esganar a Ellen. Não mais do que queria ter uma arma e atirar em minha própria cabeça. Ou na cabeça dele, por tirar chacota de mim.
    Claro que ele notou minha deplorável tentativa de sedução. Não dá para ser sexy quando não se é sexy. O tempo todo devo ter parecido uma boba.
    Completamente humilhada e irada, escorreguei do balcão.
    — Julienne? —  ele segurou o meu queixo e ergueu minha cabeça, forçando-me a encará-lo — Julienne, olha para mim. Foi só um acidente, minha linda.
    Ainda me recusava a encará-lo, indignada, quando senti seus lábios tocarem os meus. Abri meus olhos, surpresa.
    Eu não queria a compaixão que suas palavras tinham demonstrado, mas seu gesto não tinha nada de piedoso. O ardor que tinha visto em seus olhos, antes da tragédia com o refrigerante, estava de volta.
    Liam agarrou minha nuca, aprofundando o beijo. O vestido frio e ensopado grudava em meu corpo, mas as mãos de Liam, passeando por ele, pareciam maçaricos ateando fogo em mim.
    Não, de maneira alguma, aquele beijo poderia ser chamado de casto. Havia uma fúria na forma que introduzia sua língua em minha boca, arrancando de mim gemidos mais sensuais do que minha tola tentativa com o canudo.
    Ele me pressionou contra o balcão. Sua mão escorregou pelas minhas costas, abriu caminho por debaixo do vestido e agarrou fortemente minha bunda.
    Minha cabeça rodava, e precisei segurar em seus ombros para manter minhas pernas vacilantes no lugar. Sua pélvis esfregando na minha, e senti a intensidade de sua excitação. Gememos ao mesmo tempo, carregados por um desejo que parecia querer nos consumir.
    — Julienne?
    Liam enrijeceu, seus dedos suavizaram em minha bunda e ele rapidamente se afastou, colocando o vestido no lugar.
    Ainda meio desnorteada, demorei para entender que a voz chamando meu nome vinha da porta. A irmã de Ellen perguntava se ainda queria carona para casa.
    — Acho melhor eu ir — Liam se afastou e foi em busca de seu casaco — Até domingo, Julienne.
    — Domingo? — eu me perguntei se minha voz saiu tão trêmula como o resto do meu corpo.
    — Tenho que cancelar o ensaio de amanhã.
    Após jogar essa bomba sobre minha cabeça, ele cumprimentou Emily parada na porta e saiu rapidamente.
    Bati minha cabeça contra o mármore gelado, sentindo-me a mais miserável dos seres humanos.
    — Eu nem vou perguntar se interrompi alguma coisa, porque sei que sim — Emily murmurou, em um tom de desculpa — É que fiquei esperando lá fora, e como você sempre já está aguardando por mim... Desculpe, Julienne.
    Eu não podia culpar Emily por arruinar o que poderia ter sido minha primeira experiência sexual, porque eu não tinha dúvida alguma de que acabaríamos na cama ou, para ser mais exata, no chão. Ela vinha sendo gentil, levando-me para casa todos os dias.
    — Tudo bem, Emily, você não atrapalhou nada — sorri para dar mais credibilidade à minha mentira — Se puder esperar só mais alguns minutos, eu limpo essa bagunça e podemos ir embora.
    Por culpa ou solidariedade, ela me ajudou a limpar o balcão e o chão molhados de refrigerante.
    Duas horas depois, estava em minha cama, dominada pelo calor que nem o banho relaxante foi capaz de aplacar.

    Eu tive sonhos nada inocentes com um certo doutor. 


    Capítulo 28 


    “Jantar aqui em casa, você e sua nova amiga”?
    Pensei em como sairia daquela situação. Katty não era boba. Ela tinha percebido, aquele dia no hospital, o clima entre Julianne e eu. Tentar esconder isso dela só fez com que se interessasse muito mais. E desde que tinha mandado Nicole para o inferno, sua nova meta na vida era conseguir uma nova namorada para mim. Como se eu tivesse quinze anos, droga.
    Levar Julienne à casa de minha irmã, e dos pequenos demônios que eram suas filhas, seria o mesmo que conduzir uma donzela inocente ao sacrifício. Elas iriam testá-la de todas as formas, até terem certeza se era digna ou não de mim.
    “Vou olhar minha agenda”, enviei. O que significava nunca.
    Ou, pelo menos, até que as coisas ficassem mais claras. Eu já havia julgado Julienne precipitadamente uma vez. Ainda a achava jovem demais. Mas eu também não era nenhum velho decrépito atrás da Lolita. E não podia negar, existiam qualidades nela que me atraíam. E não falo apenas de desejo físico, embora isso fosse muito importante.
    Julienne era espontânea, gentil e carinhosa. Ela me fazia rir, mesmo quando a intenção não era essa. Não chorava por qualquer motivo, nem ficava manhosa quando eu a contrariava. E quando ficava brava, conseguia ficar ainda mais linda. Ela me fazia me sentir vivo, como nunca tinha sentido antes.
    Ansiava os momentos que passaríamos juntos e amargurava quando nos separávamos. Era apenas uma menina, mas a enxergava como mulher.
    Até tentei lutar contra a atração durante os ensaios, tentei resistir e ergui um muro de distanciamento entre nós. Acreditei que  caminharmos pelo campo da amizade era a melhor opção. Foi como atiçar uma onça irritadiça.
    Quanto mais negava, mais eu a queria. E a teria feito minha, no chão frio do Let’s, se não tivéssemos sido interrompidos.
    Joguei o casaco sobre uma cadeira. Estava disposto a ter uma noite tranquila de sono, algo raro desde que minha vida tinha cruzado com uma jovem perigosa, quando meu telefone começou a vibrar.
    Ajeitei os travesseiros, tirei os sapatos, arrumei as cobertas antes de resolver atender. Quanto mais Katty esperasse, mais ela ficaria irritadiça e, posso garantir, era mais fácil de lidar com ela.
    — Quando o doutor tão ocupado terá espaço na agenda para sua única irmãzinha e sobrinhas, que há semanas perguntam do tio?
    Ela era desavergonhadamente manipuladora.
    — Katty, eu vi as meninas ontem, aqui em casa — respondi calmamente —  Frank as trouxe depois da escola.
    Pude imaginar o “ah” saindo de sua boca, embora não tivesse falado nada.
    — Então venha apenas me ver e passar uma ótima noite comigo. Sua amiga é bem-vinda. Sabe que adoro receber visitas.
    — Eu realmente estou com a agenda ocupada.
    — Uma noite, Liam.
    — Não tenho uma noite livre.
    — Terça-feira? — ela insistiu.
    — Não posso.
    — Quinta?
    — Não.
    — Daqui a duas semanas?
    Houve uma pausa dramática, seguida de muitos suspiros.
    — Não me diga que voltou com aquela...
    Em algum momento ela teria que saber sobre o concurso, e contar para Katty era o mesmo que anunciar para toda a família.
    — Estou ocupado, até a festa beneficente em prol do hospital — pigarreei e me ajeitei melhor na cama — Vou participar do concurso.
    — Vai tocar gaita?
    — Não.
    — Então irá participar do desfile?
    — Katty, já parou para pensar que, se deixasse que as pessoas falassem, diriam o que você quer saber sem que precisasse ficar adivinhando?
    — E que graça teria isso?
    Sorri ao lembrar que sua filha, Lauren, tinha exatamente a quem puxar.
    — É um concurso de dança — respirei fundo antes de continuar: — Com a Julienne.
    Silêncio. Muito silêncio, tanto silêncio que achei que a ligação tinha sido interrompida.
    — Katty?
    — Vai dançar com a loirinha.
    — Julienne — corrigi.
    — Está ensaiando com ela, pelo visto?
    — Todos os dias.
    — Ah... —  pigarreia — Bem... —  mais um pigarreio — Uau! —  uma grande pausa estratégica ou dramática, acredito mais na primeira intuição — O concurso será em algumas semanas? Marcarei o jantar e te aviso. E, Liam?
    — Sim, Katty — disse, vencido.
    Ninguém conseguia parar Katty, ela era como um trem descarrilhado vindo em nossa direção.
    — Eu gostei dela — sussurrou, antes de desligar.
    Fiquei um tempo observando a tela do celular. Minha irmã dizer que gostava de Julienne era o mesmo que dar seu atestado de aprovação, seu selo de qualidade. Tendo em consideração que em todo meu relacionamento com minha ex-noiva as duas só dividiam o mesmo espaço por educação, Katty dizer que gostava de Julienne era algo muito significativo.
    Só restaria saber se as gêmeas pensariam o mesmo. Além do restante de minha família. Se com cinco minutos com ela, Katty já estava encantada, não duvidava que o restante sentiria o mesmo.
    Isso era um grande problema.

    ***

    Nosso ponto de encontro era o café, às treze horas. Confesso que sinto mais segurança em transitar por um território mais seguro e conhecido, por enquanto.
    Julienne esperava na porta, uma bandeja descartável contendo dois copos grandes de café estava em uma mão, na outra uma embalagem do Let’s, com o que eu imagino ser donut.
    Usava um vestido rosa pálido, com minúsculas bolinhas brancas, jaqueta marrom escuro, quase preto, e botas, diferentes das que costuma usar nos ensaios. Essas têm um cano mais longo e não há salto.
    —  Oi. —  disse, ao me aproximar dela.
    — Olá — ela sorriu, sacudindo a embalagem, isso fez com que seu cabelo, preso em um rabo de cavalo, balançasse levemente em seu ombro — Café para viagem e cupcake.
    Eu teria afastado as mechas que enroscaram em seu pescoço, se as minhas mãos não estivessem rígidas ao lado do corpo. Meus dedos literalmente perfurando a palma de minha mão.
    Como um 1,60cm de altura podia me assustar?
    — Pensei que fossem donuts — disse, ao indicar meu carro do outro lado da rua.
    — Sei que no Let’s fazem os melhores donuts do mundo, mas esse cupcake é especial, afinal, fui eu que fiz.
     — Você cozinha? — perguntei, ao abrir a porta para ela.
     — Não tão bem quanto a Emma, a mulher que praticamente me criou. Nem como a minha prima, mas consigo me virar — disse, estendendo o embrulho aberto, quando me sentei — Vamos, pare de rir e prove um.
    Inclinei para ver o que tinha dentro do saco antes de mergulhar naquela aventura gastronômica.
    Havia quatro bolinhos confeitados. Peguei um deles, o coloquei contra a claridade e fingi estudá-lo atentamente antes de dizer:
    — Essa não é uma tentativa de me matar, não é mesmo?
    — Não me dê ideias — gracejou comigo — Já tenho uma lista infinita.
    Mordi a língua antes de perguntar se morrer de amor constava em algum tópico. Não queria constrangê-la. Estava curtindo o clima descontraído entre nós e queria que o restante do dia fosse assim.
    Assim que mordi, senti o gosto de mirtilo explodir em minha boca. Ela poderia não ser tão boa na cozinha como Emma e a tal prima, mas, com toda certeza, Delia, nossa governanta, imploraria por aquela receita. 
    — Já que não morreu e pela forma que devora seus dedos — provoca ao me ver lamber as últimas migalhas em minhas mãos — Acho que pode ficar com o resto.
    Não titubeei ao pegar o pacote que ela colocou em meu colo. E só por garantia, deixei o embrulho o mais longe possível das mãos dela.
    — Liam, você não existe — Julienne riu ao colocar o cinto. 
    O primeiro apartamento já estava decorado. Era amplo e branco, muito branco. Desde os sofás e tapetes na sala à cozinha com armários brancos, balcões e porcelanas. Dava uma quebrada com a geladeira e fogão em inox, mas o branco era realmente predominante.
    — Quem morou aqui antes? — ela perguntou, quando entramos em uma das suítes — Um médico?
    — Médico? — não entendi a analogia dela. Eu, por exemplo, gostava de cor.
    Gostava do azul dos seus olhos, principalmente quando a claridade, vinda da janela, fazia-os parecer mais claros do que já eram. Também gostava quando ficava irritada ou com vergonha e suas bochechas ganhavam uma linda tonalidade de rosa.
    — É tudo tão limpo — passou o dedo por uma cômoda, para comprovar o que dizia — Parece um hospital, não tem vida. Eu não gostei daqui.
    Esse, sem dúvida, era um apartamento luxuoso. Qualquer mulher ficaria fascinada com ele. Nicole certamente teria feito com que eu comprasse, assim que colocasse os pés dentro dele.
    Pare com isso, Liam. Fazer comparações não era justo. Mas era intrigante.
    Observei a sala mais uma vez antes de encontrar Julienne no corredor. Eu tinha que concordar com ela. Apesar de esteticamente ser muito elegante, era frio e impessoal. Eu ficaria deprimido ali.
    O segundo apartamento tinha uma decoração mais moderna e futurista. Apesar de ter me atraído muito mais, as janelas da varanda davam de frente à parede de concreto de outro prédio, mal dava para observar o céu dali.
    — Interessante, se quiser se sentir preso dentro de uma caixa de papel — disse ela ao sairmos.
    Talvez eu tivesse comprado o lugar porque gostei um pouco mais da decoração dele. Jamais teria pensado que me privaria de sentar na varando com uma taça de vinho ou um bom livro para aproveitar a noite. Sequer poderia observar as pessoas caminharem na rua.
    Julienne via detalhes que minha mente pragmática não via. Ela enxergava pessoas vivendo em cada apartamento e como seriam seus dias. Eu gostava da simplicidade e alegria que ela enxergava a vida.
    Como prometi, levei-a para jantar em um restaurante italiano. Comemos pasta ao modo da casa e até arriscamos dançar a Tarantella, quando a atração da casa passou em nossa mesa.
    Chegamos em frente ao prédio dela e imediatamente reconheci o local. Apesar de ter estado ali apenas uma vez, as circunstâncias jamais me fariam esquecer. Era o mesmo prédio que Penelope morava.
    — Faz tempo que mora nesse prédio? — pergunto a ela, antes de descer.
    — Desde o começo do ano.
    — Eu tinha uma amiga que morou nesse prédio.
    Que havia ido embora e nem dissera adeus, concluí com pesar. Esperava que ela estivesse bem, onde quer que esteja agora.
    — Obrigada pelo jantar — ela se escorou na janela aberta — Foi uma noite maravilhosa.
    — Obrigado pelas últimas oito horas — respondi com um sorriso — Você foi uma companhia maravilhosa.
    Infelizmente, haveria muitas horas para que nos víssemos de novo. Era como véspera de Natal, parecia ter uma eternidade entre os dois dias. 

    5 comentários :

    1. Poxa sempre fico ansiosa por mais. Eles são tão fofos.

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    2. Você sempre consegue nos deixar loucas por mais, Elizabeth! 😍😍😍

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    3. Estou amando cada vez mais 😍😍😍

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