• Home
  • |
  • Sobre a Autora
  • |
  • Livros
  • |
  • Vídeos
  • |
  • Agenda
  • |
  • Parceiros
  • |
  • Contato
  • Louco por você - Capitulo 24



    Saí do hospital e fui direto para a academia que meus pais mantinham em casa. Depois de quase uma hora de esteira, usei vários equipamentos de musculação, na vã tentativa de que meu corpo exausto fizesse minha mente se desligar.
    Nada do que eu planejava em relação a Julienne dava certo.
    Manter distância? Fracasso. Tentar ignorá-la de todas as formas? Fracasso. Sermos apenas amigos? Fracasso total.
    O único momento que parecíamos certos era quando nos beijávamos. Não parecia errado quando estávamos juntos. Talvez tenha sido por isso que fiquei tão furioso ao chegar no Let’s e vê-la nos braços de Noah. Era como se ele contaminasse aquilo que só eu tinha permissão de tocar. Esse foi um pensamento que me deixou desorientado, como se tivesse levado uma batida forte na cabeça.
    Nunca fiz o estilo possessivo e ciumento. Era um campo que pertencia a Neil, Richard e meu irmão Adam. Eu era o tipo que fazia piadas e tirava sarro dos infortúnios dos outros, e não o contrário.

    Agora eu estava desarmado. Katty não deixaria aquilo passar facilmente. As únicas ocasiões em que tinha sido pego em momentos tão íntimos e carinhosos com alguém, tinha sido no colegial. Não porque era romântico, mas porque, naquele tempo, tinha hormônios demais para liberar.
    Durante a faculdade tive casos esporádicos e durante meu noivado com Nicole, bem, não tínhamos tanto contato com minha família assim. Katty não vai deixar isso escapar. Vai abrir cada camada da minha pele com seu bisturi, e eu ainda tentava entender o que acontecia.
    Sabia que Julienne era errada para mim tanto quanto ela era para Noah. Mas isso não impedia que meus sentimentos por ela aflorassem cada vez mais.
    Havia química, muita química. E eu estava tempo demais sem sexo. Ou resolvia meu problema com ela, ou teria que encontrar alguma mulher que resolvesse.
    O problema era que não tinha desejo de procurar mais ninguém.

    ***

    Após dois dias amargando o assunto, precisava jogar a toalha. Era como uma dor de dente insuportável, só me livraria dela extraindo a raiz. Primeiro tinha que ser honesto com Noah, como finalmente estava sendo comigo, por esse motivo, logo que tive uma folga na agenda, decidi procurá-lo.
    Ele não estava sozinho quando entrei em seu quarto, no hospital. Havia um homem sentado ao seu lado, que se levantou assim que entrei. Era bem alto e musculoso. Acho que só perdia para Peter, no quesito rato de academia.
    — Liam, como vai? — ele se ajeitou melhor na cama e fez um sinal para que eu me aproximasse — Não consegui te agradecer devidamente aquele dia.
    — Você está bem?
    — Fisicamente, sim — disse em um tom pesaroso — Mas eu me sinto em dívida com Julienne. Não poderei ser o par dela.
    Parte de mim estava chateado, mas era uma parte tão mínima que logo desapareceu. Noah, passando tanto tempo ao lado de Julienne, significava uma coisa: competição. Eu prefiro ter o caminho livre. Além disso, eu tinha chegado primeiro, embora ele ainda não soubesse.
    — É mesmo uma pena.
    — Sim, principalmente porque ela quer usar o dinheiro do concurso para ajudar a entrar em uma universidade.
    Certo. A parte chateada em mim veio com força total dessa vez. Obviamente, por melhor que fosse o salário dela no café, não deveria ser o suficiente para mantê-la e bancar uma universidade.
    — Mas eu já dei um jeito nisso — disse Noah, olhando em direção ao seu visitante — O Jace aqui irá tomar meu lugar...
    Jace. Tomar. Meu...
    Foi tudo que registrei, depois que Noah jogou aquela bomba em minha cabeça. Uma bomba chamada Jace.
    — Ele é meu primo, e tenho certeza que irão se dar bem.
    Só se for por cima do meu cadáver. Não, nem assim. Se eu tivesse que me levantar dos mortos para impedir que aquilo acontecesse, pode apostar que faria isso.
    — É muito gentil e atencioso da sua parte, Noah — falei calmamente, nem parecia que, por dentro, eu era um vulcão em erupção — Já está tudo resolvido.
    — Tudo resolvido? — Noah me deu um olhar desconfiado.
    — Escuta... Jace, né? — abri minha carteira e tirei uma nota de dez dólares — Que tal você comprar um café, por minha conta, claro.
    Dando de ombros, eu vi o grandalhão desaparecer pela porta.
    — Como assim, está tudo resolvido, Liam?
    — Julienne já tem um novo parceiro de dança.
    — E quem seria o cara?
    Parabéns, Liam! O troféu de idiota vai direto para você. Era óbvio que Noah iria querer saber quem era o cara.
    — O cara? — pigarreei, tentando ganhar tempo para aquela resposta.
    — Sim, quem é o cara?
    Não tinha escapatória, e já que causei essa pequena confusão, o jeito era mergulhar de cabeça sobre ela.
    — Sou eu.
    — Você?
    — Sim, eu. Qual o problema?
    — O problema é que, até três dias atrás, você parecia detestá-la.
    — Pretendo mudar isso. Você mesmo me pediu.
    — Julienne não me disse nada, quando falei com ela essa manhã.
    Por que Noah simplesmente não podia aceitar aquela pequena mentira e ficar calado?
    — Não sabíamos que tinha pensado no seu primo Jack.
    — Jace.
    — Que seja. Na verdade, Julienne estava receosa que você fosse ficar chateado. Por isso eu disse que falaria com você primeiro.
    — Faz sentido — ele coçou o queixo, enquanto pensava — Pensei que não dançava.
    Isso porque nada em relação a Julienne seguia ao plano estabelecido. Eu tinha ido até o quarto de Noah com o único intuito de dizer a ele que também estava no jogo, e saía dali como bailarino.
    — Faço isso por você, Noah — bato de leve no ombro dele — E, claro, por ela.
    Não estava sendo cem por cento desonesto. Depois que descobri as reais intenções de Julienne, fiquei mesmo disposto a ajudá-la. Agora, só precisava encontrar uma maneira de convencê-la sobre isso.
    — Você é um cara legal — Noah sorriu — Tomara que ganhem. Vou ficar na torcida.
    — Obrigada, Noah. Você é um cara legal, também. Agora tenho que ir, melhoras. Até logo, Jack.
    O grandalhão me encarou confuso, ao entrar, e eu saí sorrindo.
    Era a festa de aniversário surpresa que fizeram para Jenny, e prometi que daria uma passada rápida por lá.
    — Olha só... Liam — Paige veio me abraçar assim que entrei — Um dos Crighton tinha que aparecer. Chegou bem na hora.
    Ignorei a provocação de Paige e entreguei meu casaco a Georgia. Alguns minutos depois, Jenny entrou com Kevin, e gritamos “surpresa” para ela. Um rapaz e uma garota começaram a servir as bebidas, enquanto Jenny recebia os cumprimentos. Ao reconhecer a loirinha endiabrada, fiquei estático no lugar. Ela parou no caminho ao me ver, e o sorriso alegre que trazia no rosto apagou-se.
    — Sorte? — caminhei até ela e peguei uma taça de champanhe — Ou destino?
    Passei o caminho do hospital até aqui pensando em que desculpa usaria para procurar Julienne e principalmente no que dizer a ela, quando o destino já tinha se encarregado por mim.
    — Eu não tenho tempo para isso agora — disse ela, ao tentar se desviar de mim — E nem vou arriscar novamente perder esse trabalho por você.
    Fiquei surpreso com tanta agressividade injustificada. Bom, talvez um pouquinho justificada. Deixei que ela continuasse fazendo o seu trabalho em paz, pelo menos por ora.
    — O que há com a loirinha? — ouvi o sussurrar às minhas costas.
    Estava em frente à mesa do buffet quando Paige se aproximou de mim. Ela indicou Julienne, que reabastecia a mesa do outro lado.
    — Não sei do que está falando — tentei desconversar e olhei com mais atenção para os canapés.
    — Você não tirou os olhos dela desde que entrou — ela pegou um canapé que eu tinha colocado em meu prato e mordiscou — Aliás, não parou de segui-la, que nem um cachorrinho.
    Não estava seguindo-a como um cachorrinho, ela que fugia de mim.
    — Você não tem, sei lá... um marido para irritar?
    — Já faço isso todos os dias — ela afasta os cabelos dos ombros — É bom variar, às vezes. Então, é a mesma garota do Ano Novo, não é?
    — Sabe, Paige — coloquei um canapé inteiro na boca — É falta de educação falar com a boca cheia.
    — Se não quer falar sobre isso — ela me encarou com um olhar fulminante — É porque alguma coisa tem.
    Enfiei mais um canapé, depois mais dois, até minhas bochechas parecerem duas bolas de golfe.
    — Você é irritante! — bufou, antes de sair batendo os pés — Gosto mais do outro Crighton.
    Dei risada ao vê-la se afastar, tão contrariada. E quando o garçom passou ao meu lado, peguei um copo de água para me ajudar a engolir as duas bolas de golfe deformando meu rosto. Nesse momento, vi Julienne indo para os fundos da casa.
    Entornei o restante da água e a segui para fora. Demorei um instante para encontrá-la, em uma parte mais afastada do jardim, falando ao celular.
    — Tudo isso é culpa sua, Ellen. Sim, eu sei que o Noah precisou de você, mas... —  ela virou e se deparou comigo a olhá-la — Depois a gente conversa.
     Notei que ela olhava suas opções de fuga, mas para sair do jardim, teria que passar por mim, e eu não deixaria que escapasse tão facilmente. Não sem dizer o que eu precisava.
    — Será que podemos conversar?
    — Será que pode parar de sempre atrapalhar meus trabalhos?
    Como se todos os nossos desentendimentos fossem apenas culpa minha.
    — Eu não faço isso.
    — Faz, sim — ela tentou passar por mim, e a impedi segurando seu braço.
    — Vamos para outro lugar?
    Ela relaxou os ombros antes de responder.
    — Vamos.
    Soltei o braço dela e me afastei um pouco para que passasse.
    — Você volta para a festa e eu volto ao meu trabalho — ela disse, sorrindo, e praticamente correu para dentro da casa.
    Que garota mais irritante! Sorri. Mas ela não iria me dispensar assim, como se eu fosse um cachorrinho parado na sua porta.
    — Tá legal. — a alcancei assim que pisou na sala — Se não quer fazer isso do jeito racional, faremos isso do jeito Liam.
    Peguei a mão dela e a levei até o rapaz pegando os copos vazios.
    — Qual o seu nome? — disse a ele.
    — Matthew. — ele olhou com curiosidade para nós dois.
    — O que você pensa que está fazendo? — Julienne tentou soltar sua mão da minha.
    — Certo, Matthew — continuei ignorando a pergunta dela e a forma que se contorcia para se soltar — Vocês têm pausa para descansar, não é mesmo?
    Ele balançou a cabeça, fazendo um sinal positivo.
    — Dez minutos a cada...
    — Então, tenho certeza que não se importará de Julienne tirar a dela agora — não esperei a confirmação dele, ao começar a arrastá-la para o outro lado — Em dobro. 
    Fui até o quarteto formado por Neil, Jenny, Richard e Paige, que discutiam sobre alguma bobagem envolvendo Paige.
      — Richard, me empresta a sua moto?
    Julienne mantinha a cabeça baixa, seja por vergonha ou vontade de me matar.
    — Agora? — Ele indagou, surpreso — E como acha que vou embora?
    Peguei minhas chaves no bolso da calça e as joguei para ele.
    — Use o meu carro, por favor.
    Ele olha para Paige, que balança os ombros.
    — Está bem, mas tenha cuidado.
    Saí apressadamente, levando Julienne comigo.
    — Você é maluco? — ela se contorceu quando saímos e tentei colocar minha jaqueta nela.
    — Você não me deu outra escolha — disse, ao avistar a moto de Richard.
    — Não vou subir nesse... nesse... — ela cravou suas mãos na cintura e bateu os pés — Nessa coisa.
    Parei para pensar na pergunta dela. Se eu era maluco? Sempre fui o mais extrovertido da turma, mas nunca tinha agido tão impulsivamente. Também nunca tive tantos sentimentos conflitantes dentro de mim.
    — Vinte minutos — murmurei para ela — Dez minutos para o que tenho a dizer e a trago de volta.
    Ela parecia em uma briga interna, entre me desafiar e aceitar a aventura.
    — Vinte minutos? — perguntou, desconfiada.
    — Prometo — faço o mesmo juramento com os dedos que minhas sobrinhas costumam fazer, quando querem alguma coisa — Tem minha palavra. Há um café aqui perto.
    Ela suspira pesadamente, e vi que estava se rendendo.
    — Mas vá devagar com essa coisa — diz ela, apontando a moto — Nunca andei em uma coisa dessa.
    Satisfeito e sorrindo, entreguei o capacete a ela e a ajudei a subir.
    O café era aconchegante, tal como imaginei ao passar por ele há algumas horas. As mesas quadradas eram separadas por sofás vermelhos de dois lugares. Estava cheio, mas conseguimos encontrar um lugar desocupado no fundo.
    — Café preto e sem açúcar — disse ela, tão rápido como ficou de pé — Volto em um instante.
    Virei na direção que ela caminhava. Dois engraçadinhos, provavelmente da idade dela, tentaram chamar sua atenção, quando seguia para o banheiro. Os dois idiotas receberam um olhar duro e ouviram alguma coisa que os fez encolher na cadeira.
    Eu queria quebrar a cara de um e arrancar os dentes do outro.
    Deus!
    Apoiei os cotovelos na mesa. Isso me fazia parecer tão Richard.
    — Já fez o pedido?
    Uma garçonete com bloco de pedidos parou ao meu lado. Pedi dois cafés sem açúcar. Ela sugeriu uma torta, especialidade da casa, mas preferi ficar apenas nas bebidas mesmo.
    — Se quiser mais alguma coisa — ela sorriu sugestivamente, colocando o cardápio na mesa — Ainda estarei aqui por mais uma hora.
    Sorri, não para a tentativa de cantada que a linda garçonete tinha dado a mim, mas em relação ao pensamento que começava a explicar minhas ações de hoje. Frustração sexual. Era um homem livre agora, mas Nicole e eu já não tínhamos uma rotina sexual há algum tempo. Estava indo bem. Até tinha conhecido algumas mulheres interessantes, pelo menos eram, até literalmente esbarrar em Julienne.
    — Certo, pode começar — disse Julienne, ao sentar à minha frente.
    Remexi na cadeira, incomodado. Afastei meus últimos pensamentos e me concentrei no motivo de tê-la sequestrado da festa.
    — Noah me disse sobre o concurso. O real motivo de participar dele. Desculpe ter feito piadas antes. Não teria feito, se soubesse que era tão importante para você. Além de, claro, ser um gesto de caridade.
    — Não tem importância — disse ela, quase que sussurrando.
    — Tem sim, Julienne. Eu não sou um idiota o tempo todo. Mas você me deixa nervoso — confessei.
    — Eu? — ela arregalou os olhos azuis, surpresa, e quase me perdi dentro deles.
    Afastei uma mecha de cabelo dela, colocando-a atrás de sua orelha. Mas lutei contra o desejo de tocar sua bochecha com o polegar.
    — Vou ajudar você a ganhar os dez mil dólares.
    — Dez? — ela sorriu, curvando a cabeça para o lado — O prêmio deve ser dividido. 
    — Noah daria o prêmio todo a você.
    — Daria? Ele não me disse isso.
    Filho da puta.
    Aparentemente, ele era mais esperto do que eu imaginava. O imbecil provavelmente faria a oferta generosa depois, ou talvez já soubesse que os dois juntos não chegariam nem entre os cinco classificados.
    — Escuta, primeiro vencemos e depois discutimos sobre isso. O que acha?
    A garçonete trouxe os cafés, e ao ver Julienne comigo, lançou um olhar aborrecido. Ainda desconfiada, Julienne girava a xícara de café enquanto refletia. 
    — Por que está fazendo isso?
    Uma vez mentiroso, mentiroso para sempre.
    — Como disse, Noah contou sobre a universidade e pediu que eu ocupasse o lugar dele.
    — Ah... — detectei desapontamento em sua voz?
    Eu queria afastar aquele pequeno vislumbre de melancolia, dizendo que era por ela que fazia aquilo, mas o meu bom senso dizia que já havia abusado demais da sorte.
    — Não precisa se sentir obrigado — murmurou ela — Na realidade, já tinha esquecido isso.
    — Não faço por obrigação. Além disso, pode ser divertido.
    Acreditava realmente no que dizia.
    — Já fui bailarino, sabia?
    Tudo bem. Algumas aulas de balé para conquistar uma garota não faziam de mim um profissional. Mas, sem dúvida alguma, dançava melhor do que Noah. 
    — Ah, é? — Julienne sorriu, e senti que todo o trabalho que tive até agora valeu a pena — Impressionante.
    — Querida, tenho muitas habilidades impressionantes — quis soar brincalhão, mas minha voz saiu mais para sexy do que humorada — Dançar é apenas uma delas. Então? Aceita?
    Nós tínhamos um imã que nos atraía, conectava, impulsionava em direção ao outro. Não adiantava tentar negar ou lutar contra isso.
    — Noah e eu ensaiávamos às segundas, quartas e sextas, no Let’s — disse, timidamente — Se não houver problema para você, pode continuar sendo lá? 
    — Todos os dias, excluindo os fins de semana — reformulei a proposta.
    Precisaria desses dois dias longe dela para me desintoxicar. Talvez encontrar com outras pessoas.
    Era uma excelente ideia.
    — Todos os dias?
    — Já perdemos muitos ensaios. Tenho que aprender a coreografia e aprimorá-la. Precisamos criar sintonia entre nós dois. Nossos corpos precisam se conhecer melhor e ficarem à vontade.
    Eu falava sobre a dança, mas não era em um palco que visualizava nossos corpos suados.
    — Faz sentido — disse ela, desviando minha atenção de pensamentos tentadoramente perigosos — Aceito, com uma condição.
    — O que você quiser.
    — Terá que pensar em uma boa justificativa para dar aos donos da festa, por ter me arrastado de lá.
    Estendi minha mão e peguei a dela em cima da mesa.
    — Combinado — sorri.
    Eu tinha feito a merda. Era justo ser eu a ter que consertar.
     Encarei seus olhos azuis e pensei sobre uma frase de Shakespeare: “Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas”.  Será que ele estava certo?


    9 comentários :

    Obrigada por seu comentário. Volte sempre!

    O Preço de um amor

    Book trailer - Seduzida

    BookTrailer