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  • O valor do perdão - Capítulo 42 e 43



    Capítulo 42



    Michael ficou por um longo tempo olhando o rosto adormecido de sua irmã. Os primeiros dias tinham sido os mais tensos. Ter que ouvir seu pai dizer a uma garota cheia de vida como Caroline, que talvez não recuperasse os movimentos das pernas, fora uma das coisas mais difíceis que ele presenciara na vida. Deixar a Rebecca, mesmo que por alguns dias, também fora insuportável. Mas tinha pensado nela e na segurança do seu filho.
    Não havia sido uma grande surpresa quando o médico revelou que ela estava grávida outra vez. Eles nunca tinham sido cuidadosos ou pensaram em se prevenir nos últimos meses. Mas Michael estava inegavelmente animado com a notícia. Tão feliz como aquele momento tenso que viviam permitia estar.
    — Como ela está? — perguntou Ryan, fechando a porta e entregando a ele um copo de café. 
    Se não fosse o ambiente hospitalar, os hematomas no rosto e nos braços, Michael diria que Carol estava apenas descansando após um dia exaustivo.
    — Ela vai ficar bem, Ryan — A entonação estava mais para uma pergunta esperançosa do que a constatação de um fato.
    — Ela vai, sim — murmurou ele, ocupando a outra cadeira ao lado da cama, cobrindo a mão dela com a sua — Eu não vou embora, Michael. Não importa o quanto ela peça. O quanto ela chore ou grite comigo. Não vou deixá-la.

    Se Michael tivesse escutado de um completo desconhecido, certamente o teria expulsado dali. Mas Ryan não era um estranho. Além disso, ficara óbvio demais como era apaixonado por Caroline
    Sim. Ele a amava mais do que ela conseguia ver. E sua intuição dizia que Ryan era exatamente o que ela precisava — Sabe que será muito difícil — disse Michael.
    Desejava que ele ficasse e desse todo amor que Caroline iria precisar, mas não podia deixar de ser honesto com ele: — Carol vai reagir como qualquer pessoa na situação dela. Primeiro a negação, depois a raiva, seguido da tristeza. Vai tentar afastar quem ela ama, por medo.
    — Ela não vai me afastar — disse ele com segurança.
    Michael o olhou fixamente e admirou a determinação em sua voz. Caroline não iria afastá-lo, simplesmente porque o Ryan não iria desistir dela. 
    — Você a ama? — sondou Michael.
    — Amo.
    Carol tinha sorte. Mesmo passando por uma das situações mais traumáticas de sua vida, encontrava o amor.
    Aquilo era um bom sinal. Tinha que ser.
    Agora ele poderia voltar e buscar a outra parte do seu coração.



    Capítulo 43



    Era como se uma pluma suave tocasse seu rosto. A sensação era tão boa que se recusava a despertar. Queria ficar ali entre dormindo e acordada. E foi a interrupção do carinho que a fez abrir os olhos.
    Azul como o céu em um dia ensolarado; assim eram os olhos cravados nela. E se o olhar não fosse suficiente para tirar seu mundo de órbita, o sorriso cheio de charme seria.
    — Michael? — estava entre acreditar que estaria sonhando, com desejo em estar acordada — Você veio.
    — Eu vim te buscar — ele beijou a mão dela — E vou te levar para casa, amor.
    Casa poderia ser em qualquer lugar, mas lar era apenas onde ele estivesse. De repente, sentiu-se a garota solitária naquele chalé que desejou ardentemente por aquilo — que ele surgisse para levá-la embora.
    — Senti muita saudade — murmurou antes de receber o primeiro dos muitos beijos que ele daria — Eu te amo.

    ****

    Partir e deixar que Alex lidasse com Stacy desagradava Rebecca, mas ele fora insistente ao dizer que assumia a responsabilidade dali. Ela entendeu que, de certa forma, ele queria resolver as coisas à sua maneira. Não restou outra coisa a fazer, além de concordar e apoiá-lo no que precisasse. Como cuidar de Abigail enquanto ele estivesse fora.
    Rebecca esperava, sincera e profundamente, que Hannah o perdoasse um dia. Se ela o amava como Alex parecia amá-la, tinha certeza de que venceriam aquela barreira.  Ela torcia pela felicidade dos dois. E desejava também que Stacy encontrasse paz para sua alma.
    — Tem certeza de que não quer ir para casa primeiro? — Michael perguntou assim que entraram no táxi.
    — Não. Quero ir para o hospital.
    Precisava ver a Carol e dizer, olhando nos seus olhos, o quanto se arrependia pela dor que causara a ela. No entanto, a cada passo que dava em direção a isso, sua coragem parecia esmorecer.
    — Lembra do que eu te falei? — Michael perguntou antes de abrir a porta — Não está contra você ou é o que ela sente de verdade. Só está magoada.
    — Tudo bem, Michael — ela sussurrou e inspirou fundo, em busca de ar e de coragem.
    No quarto estavam Max e o Ryan. Cada um ao lado da cama de Caroline, que parecia querer manter distância dos dois, fixando seus olhos no teto.
    Embora os hematomas e escoriações não estivessem tão horríveis como Rebecca tinha imaginado, partia seu coração vê-la assim.
    Foi somente quando o clique da porta sendo fechada por Michael soou, que Caroline notou a presença dos novos visitantes. Inicialmente houve um brilho de alegria ao ver o irmão, logo foi substituído pela surpresa, seguida de mágoa ao rever Rebecca.
    Obviamente ela sabia que não seria fácil, mas não estava preparada para a fisgada de dor que a indiferença dela lhe causava. De hostil, o olhar passou para desinteressado, voltando a fixar sua atenção no teto.
    Rebecca cumprimentou o irmão e Max com um aceno de cabeça e avançou no quarto. Ryan saiu de perto de Carol para que Rebecca ocupasse seu lugar junto à cama.
    — Oi, Caroline — tentou pegar sua mão, mas foi repudiada.
    “Lembre-se do que eu falei”, recordou as palavras de Michael.
    Precisava ter paciência.
    — Eu sinto muito, querida — tentou controlar o choro em sua garganta, mas não tinha forças para isso — Sinto muito ter afastado você naquela época. Pela forma dolorosa que descobriu isso e… 
    Não conseguiu concluir. Seu peito queimava, e as lágrimas escorrendo pelos seus olhos faziam com que se sentisse afogar em suas próprias emoções. Além da dor em seu coração, que tirava sua capacidade de dizer tudo o que precisava ser dito.
    — Eu sei que talvez nunca consiga me perdoar — obrigou-se a se acalmar e continuar: — Mas eu a amo muito, estarei sempre aqui...
    Caroline brigava entre o amor que também sentia e a revolta queimando dentro dela. Eram sentimentos incontroláveis demais para que ela conseguisse dosar.
    — Ryan — virou o rosto na direção em que ele estava — Pegue o seu bloco e lápis de desenho, por favor — pediu Carol, indicando os objetos na mesa, em um canto do quarto — Entregue a Rebecca.
    Apesar da voz firme, era possível detectar a insegurança em seus olhos.
    — Vingança — disse à Rebecca ao vê-la com os objetos nas mãos — Escreva.
    Embora tivesse ficado confusa, logo Rebecca entendeu onde ela queria chegar. Com as mãos trêmulas, escreveu a palavra na folha branca.
     — Agora apaga — Carol indicou a borracha que estivera no mesmo lugar.
    Rebecca pegou a borracha e mais uma vez fez o que ela pediu.
    — Você pode tentar apagar, Rebecca — disse Caroline com a voz apática — Mas as marcas continuam aí.
    Ela tinha razão, concluiu Rebecca, recuando alguns passos. Algumas cicatrizes não podiam ser desfeitas, apagadas ou corrigidas.
    Max se ergueu e tomou o bloco das suas mãos trêmulas. Ele tirou uma caneta do bolso do paletó e rascunhou algo em cima do que Rebecca tinha escrito, virando o papel em seguida, para que Caroline e todos pudessem ver.
    Perdão.
    — Deixa marcas muito mais bonitas — disse ele em um tom emocionado — Assim como o amor, minha filha.
    Naquele momento, Rebecca compreendeu que só o tempo e o amor que sentia por ela fariam com que Carol conseguisse encará-la, oferecendo seu perdão. E diante de tudo o que havia feito, seria muito afortunada quando isso ocorresse.
    Ela esperaria. Esperaria a vida inteira se fosse necessário.
    — Rebecca? — Ouviu a voz tímida quando tocou a maçaneta, pronta para sair — Eu não odeio você.
    Havia tristeza na voz, mas também havia amor, talvez até esperança.
    — E eu não te culpo também — continuou ela.
    Era o sinal que Rebecca precisava para retornar à cama, fazendo aquilo que seu coração mais desejara desde que se reencontraram: a abraçou.
    E choraram juntas.

    ****
    O reencontro tinha sido doloroso e emocional, mas, de alguma forma, Rebecca saíra do hospital com a esperança renovada. Esperança de que venceriam aquela batalha. Esperança na vida.
    — Mamãe, você voltou! — Olivia se agarrou a ela assim que chegaram à casa dos seus pais — E meu pai também.
    Sentira muitas saudades da filha. Do perfume doce dos seus cabelos, do abraço apertado e quentinho que sempre recebia dela, e de que não importava o que acontecesse, Olivia sempre a fazia se sentir melhor.
    Após a breve conversa com seus pais e ter ido visitar Abbi, tiveram a preocupante tarefa de dizer à filha que havia um irmãozinho a caminho. Sua reação foi além das expectativas de Michael e Rebecca. Olivia ficou encantada com a novidade.
    — Carol voltará a andar, não vai? — perguntou Rebecca quando já estavam em seu quarto, abraçados sob os lençóis.
    — A lesão foi grave, mas o Dr. Weston não descartou a possibilidade de que possa acontecer.
    Rebecca abraçou-se mais a ele, apoiando a cabeça em seu peito.
    — Carol irá voltar a andar, sim — afirmou convicta — Eu sei que sim. Preciso acreditar nisso, Michael.
    Talvez só assim conseguisse se perdoar de verdade.
    — Mas é ela que mais precisa acreditar que pode.
    Infelizmente sobre aquilo ele também tinha razão. A única que poderia ajudar Caroline era ela mesma. Eles só podiam dar seu apoio e amor.

    6 comentários :

    1. Achei que Carol perdoou muito fácil Rebecca, pensei que ia repudiar ela a princípio. Ela até deixou ela abraça-la. Rebeca nunca a condiderou uma amiga de verdade, o que as une é o Michael. Rebeca esta sentindo o peso da vingança e as consequências tb

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      1. Então, talvez se fosse a Rebecca no lugar dela, ela teria recusado a dar o perdão, mas a Carol é completamente diferente. E perdoar não significa que ela não sinta todas as coisas que aconteceram. E nem a Rebecca receber o perdão tira o peso da costas dela. Como disse Max perdoar é muito mais bonito e deixa a alma livre. Não acho que a Carol além de tudo que está passando ainda tem que carregar o ódio no coração. Mas cada um tem uma percepção da história. Isso que é legal.

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      2. Concordo... Eu só pensei que ela iria quer ela perto dela por um tempo afinal ela não vai mais poder fazer o que mais ama por causa das Rebecca, o natural seria não querer ficar perto. Nunca pensei que Carol pensaria em vingança mas, sim uma certa distância. Achei muito injusto o final dá Carol pq ela nunca fez mal a ninguém terminar assim como o sonho destruido e Michael que era o foco da vingança terminar feliz, casado e com mais um filho

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      3. Mas é uma série :) a história da Carol não termina ali. Ainda tem muita coisa para contar. Fica assim não. <3

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    2. Perdoar é o caminho mais fácil, pois continuar com algum rancor não vai ser bom pra ninguém, assim como não foi com a Rebeca que agora está vendo que vingança nem sempre vai aliviar a dor do ressentimento!

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    3. Cada um de nós tem um coração diferente, há quem perdoa facilmente mas guarda rancor

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    O Preço de um amor

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