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  • Conto - O agente da Federal



    Oi meninas, primeiro deixa eu explicar, esse conto surgiu de uma brincadeira que fiz no face sobre o agente bonitão da Federal. Recebi o desafio de algumas leitoras e amigas para fazer um conto sobre o moço. E não é que ficou uma coisa legal. Vou colocar um trecho aqui e o restante na Amazon.
    Assim que possível compartilho aqui completo.
    Espero que gostem e vamos ao gostosão da Federal.


    Brasília, Outubro de 2016.

    Leonardo Ventura

    Assim que eu entro na repartição, dezenas de cabeças se viram para mim. Mulheres, homens, héteros, homo, não importa: eu sou o foco de curiosidade. É como se eu estivesse em uma vitrine em exposição, sendo degustado lento e descaradamente. Mas, como dizia minha querida e sarcástica avó, eu sou um tipão que chama a atenção por onde passa.
    Foi assim no meu primeiro dia como agente da Polícia Federal. Muitas mulheres, e até alguns homens interessados, que não se esforçavam em esconder isso. Ah, também foi por esse motivo que deixei minha barba e cabelo crescerem, na esperança ridícula de que uma aparência mais desleixada e nada convencional pudesse desviar a atenção do meu rosto bonito, evitando assim ser chacota dos agentes mais experientes e insuportáveis.
    Por um tempo até que deu certo. As mulheres não me lançavam mais tantos olhares cheios de intenções, mas ainda conseguia ouvir os suspiros às minhas costas. O meu profissionalismo e cara de mau que sempre fazia, quando concursos como os mais gatos da repartição surgiam, mantiveram-me bem longe de situações embaraçosas e constrangedoras. Bem, até há dois dias.
    Tudo começou quando meu chefe jogou na minha mesa o mandato do juiz Ricardo Morais, decretando a prisão mais esperada do país, do deputado José Morais, envolvido no escândalo de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documentos falsos e tráfico transacional de drogas e uma lista extensa de acusações que está sendo apurada pela Policia Federal.
    Muitas pessoas queriam sua cabeça, e eu fui o designado para levá-la em uma bandeja de ouro. Claro que, como um bom cidadão, eu tive o prazer de fazer isso. O que não sabia era que o cumprimento de minhas atribuições iria fazer da minha vida um inferno.
    Passo pela onda de risinhos, suspiros e tossidas irônicas e vou direto para minha sala. Em minha mesa, ao lado do computador, está o jornal.
    O barbudo da federal conquista milhares de corações pelo país.
    Viro a folha contra a mesa. Aquela manchete até que tinha sido razoável, se formos comparar às milhares de matérias e especulações sobre mim surgindo na imprensa todos os dias, como mariposas em busca de luz.
    — Hipster da Federal, me prende que sou perigosa — Henrique, um dos amigos mais chegados que tenho na polícia, entrou em minha sala com seu celular em mãos e um sorriso debochado em seu rosto — Barbudo da Federal, eu lavo seu jato, lavo seu carro e lavo você todinho... com minha língua.
    Eu não sei se pego minha arma em meu coldre e miro no Henrique ou se simplesmente arremesso o grampeador na cabeça dele.
    — Até você, Henrique? — afundei na cadeira e fiz massagem em minha têmpora, que já dava sinais que uma bomba atômica iria explodir em minha cabeça.
    — Veio pelos fundos de novo? —  Henrique ocupou a cadeira de frente à minha mesa. Pelo olhar compenetrado, me pareceu que, por um momento, ele sentiu pena de mim — Cara, a fila de mulheres lá fora aumenta a cada dia. Hoje elas até trouxeram cartazes e uma senhora trouxe um bolo.
    Que obviamente eles já haviam comido antes de eu chegar. Os desgraçados podiam zoar com minha cara, mas muitos deles se aproveitavam dos benefícios que vinham.
    — Seu Facebook está uma loucura, e já tem mais seguidores no Instagram do que aquele galã da novela das oito.
    Eu queria desaparecer. Abrir um buraco no chão e me esconder para o resto da vida, como Bin Laden havia feito por um longo tempo.
    — Inferno! — Vociferei ao levantar e afastar a cortina para olhar o movimento lá fora.
    Havia um grupo considerável de mulheres. Tudo bem, em sua maioria jovenzinhas demais para que eu sequer cogitasse pensar em olhar uma única vez, mas havia algumas adultas, bonitas e bem corajosas em querer chamar minha atenção. Claro que algumas ali queria fama. Serem vistas ao lado do cara mais comentado do momento.
    — Eu estou parecendo um dos caras da banda que sua sobrinha gosta...
    — One Direction — disse ele, entortando os lábios.
    A sobrinha de Henrique e suas amigas adolescentes eram fascinadas por esses rapazes. Uma vez nos obrigaram a levá-las para um show de uma banda Cover.
    — Cara, Leonardo, você não sabe a sorte que tem —  disse, empolgado. Sério, se eu tivesse um babador ofereceria a ele — As mulheres já caíam aos seus pés, agora elas despencam. Você deveria parar de reclamar e aproveitar tudo isso.
    Eu sei. Eu poderia passar o dia distribuindo senhas. Poderia olhar e apontar a mulher que eu quisesse ter na minha cama, mas não era assim.
    Não que eu seja aquele cara romântico, nada disso. Eu gosto de sexo, gosto de entrar em uma casa noturna e encontrar aquela mulher que me deixará de pau duro; eu gosto da conquista, os olhares que dizem tudo, a dança sensual na pista que antecipam uma noite de foda fantástica.
    Mas eu gosto desse processo. Sexo com qualidade, mesmo que seja casual, e não um bando de desvairada achando que sou seu príncipe dos tempos modernos.
    — Henrique, tá foda —  pareço um garotinho que acabou de sair do teste de recuperação na escola e que em vez de ter estudado, tinha passado a noite jogando videogame — Tem uma semana que não sei o que é sexo e, falando sério, não vou arriscar com uma dessas doidas. Já sonhei que uma delas comia meu pau.
    Como era de se esperar, Henrique caiu na risada. Outra grande frase da filósofa dona Maria, minha avó: “pimenta no traseiro dos outros é refresco”.
    — É sexta-feira — fecho a cortina e volto para minha mesa — Eu só queria ir ao Casarão e me distrair um pouco dessa loucura que se tornou minha vida.
    O casarão é uma casa noturna onde sempre vamos quando estamos de folga. O lugar é luxuoso, e só temos entrada Vip porque nosso trabalho às vezes nos proporciona coisas assim. Não é uma extravagância periódica que nosso salário ou dinheiro podem arcar.
    — Estou de plantão esse fim de semana — ele me deu um olhar acusatório — Mas você pode passar, já que está “de férias”.
    A maioria dos meus casos e trabalhos haviam sidos passados para ele. Mais um problema que essa exposição na mídia trouxe para mim. É quase impossível entrar em qualquer lugar sem que me reconheçam e peçam para tirar fotos.
    — Eu, o cara que está fugindo da metade do país, ir para uma casa noturna cheia de gente. Passou na Narcóticos e usou tudo o que tinha lá? Está cheirando pedra?
    Essa é uma brincadeira que sempre fazemos quando nos deparamos com coisas absurdamente ridículas, visto que não é dessa forma que se usa esse tipo de entorpecente.
    — No seu lugar, seria exatamente isso que eu faria — ele resmunga — Mas, cara, você precisa mesmo se distrair e tirar essa tensão. E você já conhece metade das mulheres que frequentam o Casarão. Não serão malucas gritando por você lá na entrada. São um fã-clube mais antigo.
    Nisso ele tinha razão. Mesmo assim me sinto receoso. Mesmo as garotas com que já saí me olhariam com outros olhos. Eu queria o desafio, me sentir empolgado.
    — Eu vou acabar é sendo expulso daquele lugar.
    O jeito era acabar a noite com um balde de pipoca, e o mais próximo de sexo que chegaria era um filme pornô.
    — Sabe o que eu acho? Sua força está nessa barba — disse ele, com toda certeza no que falava — Sabe, que nem Sansão e Dalila?
    Eu acho que entendi onde ele queria chegar, mas não estava gostando.
    — Tira a barba e pronto, todo o poder desaparece. As pessoas te reconhecem porque é algo como uma marca.
    Fazia sentido de novo e novamente não era algo que me agradava. Gosto da minha barba e me acostumei a ela.
    — Você acha mesmo? — perguntei, incerto.
    Henrique deu de ombros e empurrou para mim um dos jornais em cima da pilha em minha mesa.
    “O barbudo da Federal: quem é o homem que está mexendo com a cabeça das mulheres”?

    Gemi antes de jogá-lo no lixo.

    Continua... 

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