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  • Capitulo 64 - Penúltimo




    Adam



    Esse era o pior momento para que eu tivesse alguma informação sobre Allyson. Não quando estou preso a essa cama de hospital, impedido de defender minha família.
    Arriscando-me ou não, eu teria que encontrar um jeito de mantê-los seguros de qualquer ameaça que ela pudesse causar.
    — E quem ela é, afinal?
    — Allyson Hale — ele entrega um envelope — Conhecida por todos como Aline Furlan.
     — Aline? — Penelope se levanta, o rosto pálido, quase translúcido de surpresa — A Aline, a mesma Aline da DET?
    Não acho que Peter deveria ter revelado isso a ela, não agora. Será que ele não pensou que seria um choque para Penelope saber a verdade dessa maneira?
    Mesmo que eu tenha jurado nunca mais mentir ou esconder nada dela, as circunstâncias são diferentes; ela está grávida e frágil. Penelope já vem passando por muitas coisas nessa última semana, não precisa mais de toda essa merda sendo despejada em sua cabeça.
     — Fica calma — tento me movimentar na cama, ir até ela, mas sou impedido por suas mãos, que logo estão em meu ombro, empurrando-me de volta com delicadeza — Você tem que ficar calma. Peter vai resolver isso.
    Ainda estou tentando digerir o que ele disse. Aline foi cúmplice de Nathan, que tinha um plano mórbido contra mim. Até aí, não me importava com o que possam ter arquitetado, mas quando isso começa a envolver a mulher que eu amo e meu filho, tudo muda. Qualquer coisa que me aconteça os atingirá automaticamente, seja físico ou emocional, e não posso permitir que nenhum dos dois volte a sofrer por minha causa.
    — O nome Steve Hale é familiar para você? — pergunta Peter.
     — Sim. Neil pediu que eu ajudasse um amigo há uns três anos... — Busco em minha memória os acontecimentos daquela data —Foi algo bem atípico. Neil e eu havíamos nos encontrado à noite em seu escritório, o prédio já estava quase vazio; tirando os vigias, acho que não havia mais ninguém. O que eu achei estranho na época, tanto pelas circunstâncias como pelo comportamento dele.
    Começo a entender as coisas claramente agora.
     — Era o filho da puta do Nathan! Ele me disse que precisava de ajuda com o pai de uma amante do Neil. Foi o que eu tentei fazer. Mas o cara estava sujo até o pescoço — encaro Peter firmemente — Eu não aceito que meus clientes mintam para mim. Antes mesmo de pensar em abandonar o caso, Neil pediu que eu fizesse isso, não queria que minha carreira fosse manchada dessa forma. Fiquei aliviado na época, não queria deixá-lo na mão se o caso com a garota fosse sério. Era o Nathan mexendo suas peças de novo. Eu abandonei o caso duas semanas depois, indiquei outro advogado, e só soube depois, por uma nota no jornal, que Hale se suicidou posteriormente.
     — Conhecendo o histórico do Nathan, começo a duvidar que tenha sido suicídio mesmo — diz Peter — Além disso, o dinheiro que Hale desviou foi parar em uma conta ilícita em seu nome, depois desviado para outra conta que não consegui localizar ainda. Aline... Allyson acreditou que você roubou o pai dela, por isso ele se matou. A mãe dela teve uma morte acidental por remédio dias antes do banco tomar a casa delas. E o resto você pode imaginar...
    — Ela queria vingança — Penelope conclui por mim, horrorizada com o que acabamos de saber — O objetivo era fazer o Adam se apaixonar por ela, depois matá-lo. Agora faz sentido ela nunca ter gostado de mim de verdade. O alvo dela sempre foi você, Adam. Passou a ser venenosa quando soube de nós dois.
    — Eu nunca me interessei por ela. Nunca me senti atraído.
    — Nunca pensei que eu diria isso, mas é a primeira vez que me arrependo de ter fodido com uma mulher — ele cruza os braços — Chegou a me fazer muitas perguntas sobre você, mas só achei que era coisa de mulher, afinal, eu não era o tipo que se casa. A filha da puta me usou?
    Se a situação envolvendo Allyson/Aline não fosse tão preocupante, seria cômico ele ficar ofendido com isso; logo o homem que transou com um número espantoso de mulheres nessa cidade. Porém, uma coisa era certa: a mulher é completamente maluca e esteve nos rondando o tempo todo.
    — Como você conseguiu chegar até ela?
     — Lembra quando pediu para vigiar a Grace? Resolvi investigar. Eu tinha algumas fotos das duas juntas. Não desconfiei na época, achei que fossem apenas amigas. Quando Fabiana viu as fotos há alguns dias, sua reação foi a pior possível. Ela reconheceu a Allyson do cativeiro onde esteve presa.
     — Aline será presa agora? — Penelope pergunta — Só temos que denunciá-la à polícia.
     —  Em breve — Peter desvia o olhar dela e o crava em mim — É agora que você entra. Preciso da sua ajuda. Quero garantir que Aline pague por tudo o que fez a você. De concreto contra ela, só sabemos que ela trocou de identidade.
      — O que você quer que eu faça?
    Eu irei às ultimas consequências para tirar essa miserável das nossas vidas.
    — Instalei algumas câmeras e escutas na casa dela. Tenho uma equipe vigiando-a vinte e quatro horas por dia. Alysson continua tão fanática em seu plano de vingança quanto antes. Acho que, na verdade, depois da morte do Nathan, perdeu ainda mais a sanidade. Ela vai tentar atacar aqui no hospital, envenenar você. Eu preciso que ela confesse tudo antes de denunciá-la.
     — Não! — Penelope se coloca entre nós dois — Ele não tem condições de enfrentá-la assim. Não vou deixar que o coloque em risco.
     — Amor, é preciso — busco sua mão trêmula —  Peter sabe o que está fazendo. Não quero você e o Ben à mercê dessa maluca. Farei tudo o que for preciso.
     — E se não der certo? — o desespero em sua voz me faz querer desistir apenas para deixá-la mais calma — Eu não vou suportar...
     — Ouça, querida — Peter a puxa para ele, tocando seu rosto — Já conversei com a equipe médica sobre os riscos. Tem um policial disfarçado no quarto do Benjamin e dois policiais lá fora para garantir que Adam ficará bem. Eu só preciso instalar a câmera e os microfones aqui. Não vou deixar nada acontecer a ele. Confie em mim.
     — Meu amor — trago sua atenção para mim — Confie em nós dois. Precisamos que confie.
    Estamos em uma posição onde não há escolhas. Se Alysson conseguir fugir, seria uma ameaça pairando em nossas cabeças eternamente. Não podemos seguir vivendo com medo. Nem dela, nem de ninguém.
    — Pensa no Benjamin e no bebê.
    Eu joguei pesado, mas tenho que convencê-la que essa é a nossa única saída.
     — Eu quero estar por perto —  vejo em seu rosto que não é fácil para ela aceitar o plano. O pavor de que algo me aconteça é visível em seu olhar — E se isso for longe demais, devem parar.
     — Tudo bem. Vou providenciar isso — Peter se afasta. Seu lado predador começa a falar por ele — Por enquanto, vou explicar como faremos para atraí-la...

    ****

    Tentar controlar a fera que há dentro de mim, sedenta pelo sangue de Allyson, à espera de que ela cruze a porta, não seria algo muito fácil, mas eu me obrigo a ficar calmo; é preciso. Mesmo com minha vontade de esganá-la com minhas próprias mãos.
    — Vai dar tudo certo — digo a Penelope.
    Ela caminha de um lado ao outro do quarto, abraçada a si mesma, tentando encontrar força e coragem em seu interior. Sendo eu que deveria proporcionar isso a ela, mas mal sou capaz de me controlar.
    — Allyson já está no prédio — Peter retorna, fechando a porta atrás dele — Em alguns minutos, ela estará aqui.
    Quando ele toca institivamente no coldre do revólver em sua cintura, começo a questionar o envolvimento de Penelope.
    — Precisa mesmo da arma? — questiono, apreensivo — Estamos no hospital. Ela está gravida, talvez seja melhor que fosse...
    — É apenas uma garantia — ele me interrompe — Não vou colocar ninguém em risco.
    — E eu não vou sair daqui! — Penelope é categórica — Não com essa louca à solta.
    Só me resta desejar que tudo saia como ensaiamos. Que essa loucura termine logo e que Peter tenha estado certo e realmente saiba o que está fazendo.
    — Dois dos meus homens estão no quarto ao lado com os equipamentos, acompanhado tudo — ele coloca a mão no ouvido enquanto explica — Eu tenho um ponto e serei avisado imediatamente. Os policiais estão lá fora. Você só tem que fazer com que ela fale. Ficaremos lá dentro.
    Ele conduz Penelope até o banheiro anexo no quarto, mas antes que ele feche a porta, ela corre até mim.
    — Promete que terá cuidado? — ela pergunta, segurando meu rosto.
    Não há o rio de lágrimas ou desespero que achei que haveria. Minha garota é forte, valente, e sinto um orgulho gigantesco por ela.
    — Eu prometo — seus lábios colam nos meus por alguns segundos — Você jura que não fará nada estúpido?
    — Eu te amo — ela sussurra e se afasta, ignorando minha pergunta.
    Bloqueio todos os medos e preocupações em relação a ela. Peter cuidará dela e não permitirá que faça nada que a coloque em perigo. Ele sabe que eu seria capaz de matá-lo se isso acontecesse.
    Ciente do tempo que corre e de que a qualquer momento Allyson estaria aqui, assumo meu posto como doente e indefeso. Deito, fecho meus olhos e espero.
    Os segundos se arrastam, tornam-se minutos. O tic tac do relógio imaginário em minha cabeça tem a companhia das batidas descompassadas do meu coração, zunindo em meus ouvidos. Nem que se eu tivesse corrido uma maratona, meu corpo carregaria tanta adrenalina.
    Então, ouço o leve rangido da porta, seguido do som de passos, o mesmo barulho da bandeja que algumas enfermeiras carregam. Sei que ela está aqui, sinto sua presença no quarto.
    — Que bom que alguém veio — murmuro, mantendo meus olhos fechados — Eu não me sinto bem, enfermeira. Poderia chamar minha mulher?
    Ouço a respiração pesada. Havia conseguido atingi-la onde mais a feria. Penelope continua sendo minha. Nada do que fizeram ou o que Allyson pretenda fazer conseguirá separar nós dois de novo.
    — Não, eu não posso! — a acidez em sua voz é suficiente para me fazer abrir os olhos.
    — Aline? — simulo surpresa quando, na verdade, desejo avançar em sua jugular, cravar a seringa na bandeja em cima da cama bem fundo na garganta dela — O que você faz aqui, vestida assim?
    Ela está vestida com um dos uniformes de enfermeira do hospital. Os cabelos loiros escondidos e uma peruca preta. Não há fingimentos ou a surpresa fingida em seu rosto. Apenas um olhar alienado, carregado de ódio, e uma seringa envenenada em sua mão.
    — Eu deveria ter feito isso quando teve aquele acidente de carro há um ano — ouço a voz dela ficando cada vez mais próxima — Nathan não deixou. Não tinha chegado a hora de você morrer. Foi o que ele disse. Vejo que esteve errado, e agora é ele que está morto.
    Ranjo meus dentes e cravo meus dedos nos lençóis. Ouvi-la falar sobre Nathan, que seja apenas citar o nome dele, faz o meu lado animalesco ficar à borda.
    Mantenha a calma e pense no que Peter falou, ordeno a mim mentalmente. O objetivo é fazê-la falar. E já que havia começado a falar, era acionar o gatilho.
     — Do que está falando, Aline? —movo-me na cama, mas paro, fingindo sentir dor — Nathan mereceu cada bala que ele levou. Eu teria grande prazer em atirar nele se tivesse chegado a tempo.
    — Você merecia morrer! — ela berra, cuspindo as palavras — Não ele. Nós só queríamos justiça.
    Olho rapidamente para a porta do banheiro, o suficiente para que Allyson não note e eu ter a certeza que Penelope não sairia lá de dentro.
    — Aline...
    — Allyson! — ela aponta a seringa em minha direção — Allyson Hale. Lembra algo a você? O homem que você enganou e roubou sem o menor remorso? A família que você destruiu? 
    Como eu nunca tinha notado aquele olhar antes? Essa fúria e desejo de vingança tão claros como agora. Talvez porque antes ela não estivesse tão desesperada e Nathan soubesse guiá-la perfeitamente. Todos fomos marionetes nas mãos dele.
    — Sinto muito pelo seu pai, mas não tive qualquer envolvimento com o que ele fez antes ou depois de ser preso...
    — Mentira!
    Suas mãos desequilibradas estão bem próximas do meu rosto, bastaria que me virasse apenas alguns centímetros para que a ponta da agulha perfure minha pele.
    — Meu pai confiou em você. O enganou, forjou um crime que ele não cometeu para ficar com o dinheiro. Eu perdi os meus pais, minha casa, tudo, por sua ganância — ela se afasta um pouco e solto a respiração que havia prendido por puro instinto — Você e o Durant são gananciosos, inescrupulosos, capazes de tudo. Não importa quem seja atingido.
    Não sei quais as mentiras e as provas que Nathan havia tecido para ela. Mas ele tinha sido eficiente em sua lavagem cerebral. Allyson pode estar bastante desequilibrada, mas acredita fielmente em tudo o que ele inventou.
    — Olha, a gente pode dar um jeito, Allyson. Tudo o que o Nathan fez foi contar mentiras...
    — Ele salvou a minha vida quando você tirou tudo — sua voz é quase chorosa — Às vezes era mais duro comigo, mas agora eu entendo. Tínhamos que ter cuidado. Ele sabia com quem estávamos lidando. Eu o amava, e agora ele está morto.
    É muito mais repugnante do que eu poderia imaginar. Como alguém poderia amar uma pessoa tão cruel e desprezível como ele?
    — Ele me amava também. Eu sei que me amava. Até isso tiraram de mim — ela funga, secando o nariz com as costas das mãos — Eu falhei antes ao tentar atrair você. Mas a culpa foi daquela vagabunda da Penelope! Se não tivesse cruzado meu caminho, eu teria feito o que era esperado, e nada disso teria acontecido.
     — Não toque no nome dela! — urro, pouco me importando no que minha reação poderia causar — Não sonhe em chegar perto dela ou mato você.
    — Não pode fazer nada estando morto — o riso descontrolado e diabólico ecoa no quarto. Podia jurar que até as paredes tremeram — Nem agora e nem antes quando tentei envenenar Penelope para que perdesse o bebê. Mas tenho que admitir, seu sangue é tão ruim quanto você.
    — Envenenou meu filho? — levanto da cama, palavra a palavra saindo como puro ácido de minha boca.
    Uma pequena vertigem me atinge. Sinto como se me rasgassem outra vez no local da cirurgia.
    — Se tivesse tido mais um pouquinho de tempo, ele nem teria nascido — ela sorri em meio às palavras — Mas ainda tenho tempo de consertar o meu erro. Crianças são tão indefesas em hospitais.
    O problema de se lidar com um louco é que ele não mede nenhuma consequência. Allyson havia aprendido com um grande mestre a ser desumana.
     — Maldita! — apoio-me na cama e tento reunir toda força necessária para enfrentá-la — Eu vou acabar com você.
    Tudo havia sido culpa dela: a gravidez de risco que Penelope enfrentou, a saúde comprometida do Benjamin e a necessidade do transplante para que ele ficasse vivo.
    — Sabe o que eu tenho aqui? Acônito. Causa asfixia, que provoca uma arritmia cardíaca, levando à sufocação — ela se afasta, mostrando a seringa como se fosse seu novo brinquedinho — É altamente tóxico tocar as folhas da planta, sem o uso de luvas já é incrivelmente letal.
    Sim, eu queria arrancar a seringa e cravar na cabeça dela. Vê-la morrer exatamente da forma que me relatou, lenta e dolorosamente. Mas morrer seria muito pouco. Nathan morreu da pior forma possível, e mesmo assim, achei que não foi castigo suficiente.
    — Farei o que eu deveria ter feito há muito tempo. Ninguém vai me ligar ao ocorrido. Eu posso voltar a ser Allyson a qualquer momento.
    — Há tantas pessoas que devem odiar você tanto quanto eu — ela continua, dando mais alguns passos — E até conseguirem, se conseguirem identificar o veneno em seu organismo, já estarei muito longe.
    Retrocedo dois passos em direção à parede, para longe dela e sua seringa apontada para mim, ao mesmo tempo que vejo a porta do banheiro sendo escancarada.
    — Isso é o que você pensa, Allyson. Afaste-se dele!
    Peter aponta o revólver para ela, mas estou mais preocupado com Penelope atrás dele. O quanto ela tinha escutado? Ao julgar pelo olhar colérico brilhando nos olhos dela, tenho certeza que ouviu tudo.
    As marcas vermelhas em sua pele me dizem que Peter teve trabalho para mantê-la lá dentro. Mesmo meu lado protetor rugindo dentro de mim por ele ter sido grosseiro, tenho que agradecer por ele a manter em segurança. Estamos lidando com uma louca capaz de tudo. E ela tinha uma arma, mais letal que uma bala de revólver.
    — O que você faz aqui? — ela nos encara, em choque — O que ele faz aqui? Desgraçados! Era uma armadilha.
    Peter avança; ela se afasta para mais perto de mim. Eu posso tentar desarmá-la, mas os riscos são altos. Um de nós dois pode sair contaminado.
    — Solta a seringa, Allyson — Peter continua andando milimetricamente em direção a ela — Não tem como escapar dessa. Não piore as coisas.
    — É tudo culpa dela! — Allyson grita, agitando a seringa no ar — Você, sua maldita, arruinou todos os meus planos. A culpa é sua. Vai vê-lo morrer bem na sua frente.
    — Não faça isso, Aline — Penelope chora, vindo para o outro lado da cama — Pode me levar se você quiser. Estou grávida de novo. Quer uma vingança melhor do que essa? Adam nunca mais vai nos ver.
    — Não! — o grito ecoa da minha garganta.
    Onde estão as merdas dos policiais que Peter disse que estaria lá fora? De forma alguma eu deixaria que Allyson se aproximasse dela, além do que está. Eu não havia blefado quando disse que a mataria.
    — Pensa bem — Penelope continua completamente calma — Precisa de um refém para sair daqui. Há dezenas de policiais lá fora te esperando. Sou sua única escapatória.
    — Penelope, para! — encaro-a desesperado — Não faça isso, meu amor.
    Todas as vezes que achei que a perdi, como o dia que ela foi atropelada e os meses em que ficamos longe, nem se comparam com o horror desse momento.
    — Ela pode ter razão — o sorriso vazio volta aos lábios dela — Fazer você sofrer talvez seja melhor do que o ver morto. Era o que o Nathan sempre dizia. Mas ainda quero que pague com a sua vida. Uma vida pela outra.
    Allyson torna a me ter como alvo. Eu encaro Peter em busca de ajuda, no mesmo instante em que seus lábios gesticulam, mandando-me saltar. Tudo aconteceu muito rápido, mas, para mim, parece ter durado horas. Atravessei a cama segundos antes de Allyson cravar a seringa no colchão.
    Ouvi o som do tiro. Os gritos de Penelope no momento que se juntou a mim no chão. E apesar da dor dilacerante em meu abdômen, puxei-a para meus braços.
    — Você atirou em mim!
    Allyson rasteja até a parede próxima à porta, repetindo a acusação sem cessar. A mão deformada pela bala está pressionada em seu peito. Ela chora e geme de dor, como uma cobra que foi espezinhada. Peter havia sido certeiro ao acertar o tiro em seu punho; o estrago dificilmente seria remediado.
    Ainda assim, acho muito pouco para o que ela fez e pretendia fazer. Sem remorso algum, eu teria o prazer de vê-la esvair-se em sangue diante de mim.
    — Allyson Hale, está presa por tentativa de assassinato...
    Os dois policiais à paisana finalmente aparecem. Eles leem todas as acusações feitas contra ela enquanto a levantam do chão.
    — Espera! — Penelope se desvencilha dos meus braços e fica em pé.
    Levanto também, apoiando-me contra a cama, e vejo-a caminhar até onde eles estão. O som do primeiro tapa que ela desfere em Allyson ricocheteia pelo quarto. Seguindo de outro e mais outro. Os policiais a encaram, surpresos. Peter cruza os braços, sorrindo, e eu estou apreensivo de que ela venha a se machucar.
    — Isso é por tentar nos separar! — ela puxa os cabelos de Allyson, que havia tentado abaixar a cabeça para se proteger — Isso é pelo meu filho!
    É mesmo como uma leoa protegendo o filhote. Penelope bate com força e com vontade. Toda a raiva armazenada dentro dela sendo desferida em Allyson, que pouco consegue fazer para se defender. O rosto rapidamente ganha as marcas de uma mãe enfurecida.
    — Peter, já chega! — digo a ele, pedindo que a afaste dali — Ela pode se machucar.
    Ele desfaz o sorriso e caminha até as duas, afastando Penelope, que tenta atingir Allyson mais uma vez. A outra recua para perto dos policias, bastante assustada.
    — Eu estava gostando da cena — Peter a traz de volta para mim.
    — É, mas é a Hale que quero ver presa — murmuro invocado — Não minha mulher.
    Ele entende o recado e vai atrás dos policiais que acabaram de sair com a acusada. Peter daria um jeito para que nada manchasse Penelope. Ele sempre dá.
    — Ei — afasto um pouco a pequena chorando, que fora novamente depositada em meus braços — Está tudo bem. Tudo acabou agora.
    Estico a mão até o botão de emergência ao lado da cama e desejo que uma das enfermeiras não demore a chegar. Após o calor do momento, eu noto que ela está em choque. Isso não é bom para o bebê.
    — Eu tive tanto medo — ela pranteia, abraçando-me mais forte — Graças a Deus você está bem.
    — Acabou — guio-a até a poltrona, fazendo-a sentar — Ninguém mais vai nos machucar.
    Queria poder colocá-la em meu colo. Niná-la como fazia com Ben quando ele acordava de madrugada, até assegurar que ela se sentisse bem e segura de novo.
    — Desculpe a demora, Sr. Crighton — a jovem enfermeira surge na porta — Há uma certa confusão lá fora. Está sentindo alguma coisa?
    Eu posso dizer que minhas vísceras estão saltando para fora do meu corpo, diante da dor dilacerante que eu sinto. Devo ter estourado alguns pontos quando pulei da cama para o outro lado. Mas minha preocupação maior é com Penelope e o bebê.
    — Ela não está muito bem. Pode chamar o doutor?
    Eu me afasto para que ela possa cuidar de Penelope. Não é a mão vermelha e dolorida que me preocupa, mas o seu lado emocional.
    — Meu Deus! — Penelope me encara angustiada — Está sangrando, Adam.
    — Não se preocupe — tento enxergá-la através do borrão em meus olhos — Estou bem...
    Tudo ficou escuro em seguida.




    7 comentários :

    1. Nossa esse casal vai deixar suadade

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    2. Derretida aqui com o amor deles. Tomara q o Adam fique bem logo, com toda a família junta.

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    3. Como sempre Dona Beth, você adora abalar nossos corações até os últimos segundos da prorrogação do segundo tempo, assim o coração aqui não aguenta (0.0)

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    4. Amei cada tapa que a Penélope deu na Aline rsrsrs Muito bom :)

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    5. Amando seu livro e chorando por estar chegando ao final!

      Obrigada pelas estórias!

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    6. Se fosse novela mexicana nao perderia por nada na TV .. Kkkk

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