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  • Toque de Anjo - Gael - Capítulo 11



    Deixo-a sozinha com seus pensamentos e afazeres. Preciso encontrar David e saber como ele está. Preocupo-me com ele a cada dia. Não poderá continuar assim por muito tempo. Ele precisa de uma família e a segurança de um lar.
    Mas o que eu posso fazer? Levá-lo a alguma instituição infantil não parece ser uma opção. Eu correria o risco de perdê-lo. Se eu encontrasse alguém que cuidasse dele e garantisse uma infância feliz e tranquila.
    Essa não é uma tarefa fácil. As pessoas estão concentradas em seus próprios problemas familiares, além disso, mesmo em um orfanato é difícil conseguir um casal que adote uma criança do tamanho dele, não importa o quão puro e bondoso seja o seu coração, sempre levantaria receio e desconfiança de outras pessoas.
    — Gael? — ele abandona o colchonete debaixo da mesa no almoxarifado e corre em minha direção — Você voltou.
    Eu nunca abracei outro humano, além de Luna. E também nunca tive sentimentos por nenhum deles, além dela.
    Obviamente os sentimentos que David desperta em mim são diferentes. É puro e paternal.
    — Como foi sua noite? — pergunto a ele.
    — Melhor do que na minha casa — ele se afasta voltando para o colchonete — Com certeza. Não tenho que voltar para lá, não é?
    Ajoelho-me em frente a ele. O fato de conseguirmos nos comunicar tão facilmente, ainda me surpreende. Luna me via quando criança, e depois disso, ela é tão sensitiva quanto David, mas falávamos apenas com nossos olhos. Ainda hoje é assim.
    — Não irá voltar para lá David — murmuro aquietando seu coração — Nunca mais precisará passar por aquilo.
    Ele sorri abertamente e volta a se jogar em meus braços, nos desiquilibrando.
    — Eu queria que você fosse meu pai, Gael — a voz sussurrada e carregada de carinho, mexe comigo de uma forma indescritível.
     — Mas eu sou seu amigo — respondo com sinceridade — Isso conta?
    — Meu melhor amigo? — Davi se afasta, olhando em meus olhos.
    — Sim.
    — Então conta muito.
    Levanto-me e corro o olhar pela sala minúscula. Há armários com gaveteiro, caixas espalhadas e algumas pastas em cima da mesa. Aqui definitivamente não é um bom lugar para ele. Mas por enquanto, até que eu encontre um lugar adequado para que ele possa viver, terá que servir.
    — Vamos procurar algo para o seu café da manhã — caminho em direção a porta — Logo as pessoas chegarão e nós precisaremos estar longe.


    Na lanchonete encontramos sucos em caixinha, iogurtes, sanduiches naturais, alguns chocolates e outras coisas que não permiti que ele colocasse em sua bandeja.
    Observo-o comer, sabendo que nosso tempo é curto, mas também não quero apressá-lo. Quando ele finalmente se dá por satisfeito, ajudo-o a arrumar a pequena bagunça. Quase no fim, ouvimos barulho vindo da entrada e faço sinal para que ele se esconda atrás do balcão.
    Noto a assistente de Luna cruzar a porta. Está concentrada em uma conversa ao telefone. Há algo nela que eu não gosto. Vejo pelas manchas em sua alma que ela não é a pessoa que diz ser.
    — Eu sabia que conseguiria isso, Guilhermo — diz ela — Você tem o direito a isso. Luna é tão egoísta por negar-lhe isso.
    Ao ouvir a pronuncia do nome dele, meu corpo enrijece. Seria ela a mulher que ele falou no telefone aquele dia? Cogitar tal possibilidade me deixa atordoado. Não consigo acreditar que aquele maldito esteja fazendo isso. E essa garota? Ela não só estaria traindo Luna, mas estaria destruindo toda confiança que foi depositada nela, da forma mais vil.
    — Vejo você hoje à noite? — pergunta ela — Não, eu não posso me ausentar outra vez, mas verei o que posso fazer. Até logo.
    Observo-a seguir para sala de Luna com uma ideia fervilhando em minha cabeça. Seja qual for seu relacionamento com Guilhermo eu irei descobrir. E eu espero mesmo que não seja o que estou imaginando.
    — Vamos pegar suas coisas — falo a David — Precisamos de outro lugar para você ficar até a noite.


    Levo-o para meu lugar preferido, na planície onde gosto de sentar e observar a cidade. Ele é um garoto curioso e me faz muitas perguntas sobre anjos, Deus e o paraíso de onde eu vim. Também me fala sobre como era sua vida ao lado do pai alcoólatra e violento. Ele não lembra da mãe e nem sabe se ela está viva ou não. O pai dele diz que o abandonou, mas ele acredita que é mais uma maneira que seu pai encontrou para magoá-lo. David prefere acreditar que ela esteja morta do que saber que ela havia fugido, deixando-o sozinho com um homem tão nefasto. 
    Durante o almoço esse parece ser o lugar preferido de alguns casais para piquenique. A vista é incrivelmente muito bonita. David se divertiu muito enquanto eu confundia algumas pessoas para que ele pegasse comida.
    Eu sei que não é o certo o que fizemos e tentei deixar claro a ele que não é certo seguir por esse caminho, mas por enquanto, não tenho nada a oferecer a ele.
    Voltamos para a escola de dança à noite, ela já está às escuras e vazia. Noto as bexigas caídas em um canto e a enorme faixa de inauguração sobre o balcão. Deixei o menino sozinho por duas vezes para ver como ela estava.
    Na primeira vez que a vi, estava radiante com sucesso da festa. Havia crianças por todos os lados, correndo, brincando enquanto seus pais pareciam animados com os cursos oferecidos ali.
    Não me passou despercebido cada olhar que ela dava ao relógio antes de cumprimentar uma pessoa ou outra. E cada vez que uma pessoa cruzava a porta ela virava-se esperançosa.
    Doeu-me presenciar a decepção que crescia a cada momento.
    A segunda vez que a vi, ainda havia um sorriso em seu rosto enquanto se despedia dos últimos convidados, mas por dentro, percebo que a alegria da festa, foi substituída pela tristeza que a ausência e indiferença de Guilhermo cravou em seu coração. É irritante a capacidade que ele tem de magoá-la mais a cada dia, fazendo com que meu desprezo por ele, cresça mais e mais.
    — Sobrou alguma coisa do buffet — falo a David que brinca perto das bexigas — Está com fome?
    Ele me diz que sim com a cabeça e seguimos para o refeitório. Ele prova de tudo que consegue encontrar, salgados, cremes, docinhos, refrigerante. Eu fico preocupado, não parece ser o tipo de alimentação saudável que os humanos costumam ter. Quando vejo que ele já tem o suficiente que seu corpo precisa, faço-o parar.   
    Seguimos para um vestiário. Por sorte há chuveiros ali. O menino insiste que está bem, mas sou enfático em ordenar que ele tome banho. Eu não sei como um pai deveria ser, mas acho que algo semelhante a isso.
    — O que adianta eu tomar banho e ter que vestir a mesma roupa? — retruca ele quando seguimos para o almoxarifado.
    Bom, esse é um outro problema que preciso resolver. Há tanta coisa que ele precisa e me pergunto se não estou conduzindo as coisas erroneamente. Talvez, mesmo que ele não queira, uma instituição seja o melhor para ele. Lá eles poderiam suprir todas as suas necessidades.
    — Posso dizer uma coisa? — David chama minha atenção antes acomodar-se em seu colchonete debaixo da mesa.
    — Claro.
    Cubro-o com uma das cortinas que fizemos de coberta e espero-o se ajeitar confortavelmente.
    — Nunca estive tão feliz — ele boceja e me encara com olhos sonolentos — Obrigado por ser meu amigo e cuidar de mim.
    Com essas palavras ele cai no sono, deixando-me completamente desarmado.
    Não importa o que aconteça. Eu não posso deixá-lo sozinho. Encontrarei uma maneira de ajudá-lo.

    Assim que o dia clareia eu vou ao encontro dela. Não consegui procurá-la durante a noite e presenciar as mentiras que o marido certamente contaria a ela.
    Pego-a no meio do quarto, observando-o dormir. O suspiro sentido e olhar triste, demonstram-me que qualquer desculpa que ele tenha dado, não foi convincente o suficiente.
    Eu fico zangado e alguns relâmpagos cruzam o céu. Odeio presenciar o que Guilhermo faz a ela e é frustrante saber que não há nada que eu possa fazer, pelo menos nada que eu gostaria.
    Observo-a pegar seu casaco e bolsa em uma cadeira e seguir para cozinha.
    — Ele só precisa de tempo para se acostumar com as coisas — diz ela esfregando a nunca — Preciso acreditar nisso. Não me julgue.
    Aproximo-me dela, e deslizo minha mão superficialmente por seus cabelos.
    — Eu sei que ele me ama — murmura ela fechando os olhos.
    Queria poder segurá-la em meus braços como fiz na noite anterior. Poder curar sua alma como fiz com seu corpo.
    — Ele não ama — sussurro em seu ouvido. — Não como...
    — Preciso parar com isso — Luna se apressa em direção a porta — Ou acabarei em um manicômio brevemente.
    Permaneço imóvel no lugar enquanto observo-a sumir de vista. As palavras não proferidas, presas em minha garganta.
    Não há dúvidas eu a amo. Não como a garotinha que conquistou meu coração ou a adolescente que me fez querer proteger. Eu a amo como um homem ama uma mulher.
    Mas eu não sou um homem. E como lidarei com sentimentos tão fortes?
    A primeira coisa que sinto antes cruzar a porta ao lado de Luna, é o cheiro de confusão e o clima tenso, impregnado no ambiente.
    — Me solta sua bruxa — ouço a voz dele, apesar de desafiadora está carregada de medo e apreensão.
    — Fique quieto seu moleque — diz Sheila em uma voz irritada.
    Caminho em direção a eles como se mil demônios estivessem a meu encalço.
    David!
    Ele foi descoberto.

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