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  • Além da atração Capítulo 4



    Capítulo 4



    Adam


    É claro que eu não trouxe minha secretária a festa. Simplesmente porque eu não o quis que ela tivesse algum tipo de ideia errada, sobre nós dois. Tivemos um caso, foi bom e fim.  E depois, porque não tive nenhuma disposição de passar a noite toda com Grace pendurada em meus braços, enquanto circulávamos pela festa.
    Não importa o que eu fale ou faça, as mulheres sempre creem que sou uma alma perdida e ferida, que precisa ser recuperada por elas. Talvez alguma parte dessa filosofia romântica tenha algum fundamento. A única falha nesse plano, é que que não tenho pretensão alguma de ser resgatado. É uma questão de escolha. Abri mão de todos esses sonhos tolos em relação a uma família quando direcionei minha noiva e meu filho, a sepultura. Por minha causa, aquele bebê, um ser inocente, que não teve direito a vida. Ele não subirá em árvores; nem ralará os joelhos ao cair do skate, não jogará bola na praia ou passará horas em frente a TV, jogando vídeo game, não terá o seu primeiro baile e nem se apaixonará pela primeira vez todos esses momentos que fazem a vida valer a pena, foram roubados por mim. Eu nem mesmo sei se era menino ou menina.
    Eu não tenho o direito de seguir com minha vida, como se nada houvesse acontecido a eles. Simplesmente não mereço uma segunda chance, mesmo que tivesse a oportunidade, não a quero. Nenhuma mulher merece um homem pela metade, como nenhuma criança merece crescer a sombra de outra, mesmo que eu nunca a tenha visto ou tocado isso não seria justo. O único que deve pagar pelos meus erros, sou eu mesmo. Exatamente por esse motivo, que jovens inocentes, com sonhos românticos, haviam ficado longe do meu caminho.
    Um martini e um suco de laranja grito ao barman assim que consigo um minuto da sua atenção em meio ao balcão lotado.
    Enquanto ele prepara as bebidas eu me pergunto por que desses pensamentos. Quando tranquei a porta ao sair de casa, havia me certificado de que esses pensamentos fúnebres ficariam trancados, pelo menos por essa noite. Minha única intenção essa noite era me divertir e encontrar uma bela mulher para encerrar a noite. A culpa é da jovem mulher com sorriso tímido que eu havia socorrido, minutos antes.
    A última coisa que esperei quando fui a sacada, após dispensar uma das minhas ex-amantes, que tive o desprazer de reencontrar, foi uma jovem donzela em perigo. O termo me faz sorrir. Ela parecia acuada, e tom apavorado em sua voz me fez agir em sua defesa.
    Ainda não entendo por que eu disse a aquele idiota, que ela era minha namorada; no momento foi o que eu achei correto fazer, quando na verdade, eu gostaria mesmo era de deixá-lo com os dois olhos roxos. Por sorte, ele era um babaca com medo de cara feia. Com um olhar ensaiado e enraivecido eu o havia colocado para correr.
    O que eu não esperava com essa atitude heroica foi as sensações que a jovem rapidamente despertou em mim. No momento em que a amparei em meus braços, e quando a puxei para meu peito, tudo mudou de foco.
    As curvas delicadas, e a forma como seu corpo se encaixou tão perfeitamente no meu, fizeram meu pau endurecer em questão de segundos. Quando meus olhos focaram seu rosto lindo e delicado, eu senti como se levasse uma porrada no estômago. Mas foi no memento em que seus olhos conectaram-se com os meus, que eu tive a certeza que ainda essa noite, ela teria que ser minha.
    Por alguns segundos eu tive pena do homem que eu havia expulsado para longe dela. Talvez ele não fosse tão babaca assim, pois meu pensamento naquele momento, foi arrancar-lhe o vestido e fodê-la, ali mesmo, contra a pilastra.
    Quem sabe foi por isso, que as lembranças do passado, invadiram minha cabeça naquele lúdico momento, me afastando dele. Algo me diz que essa mulher é perigosa.  Que ela significa um risco que eu não estou disposto a correr. Há uma fragilidade e inocência em seu olhar, que me atrai para ela, com a mesma força de uma correnteza em direção ao precipício.
    Penélope... o som escorrega pelos meus lábios como o mais puro mel Penélope Charmosa.
    O quê? pergunta o barman, entregando as bebidas enquanto me olha como se eu fosse algum tipo de lunático.
    Nada respondo.
    Pego os copos e vou em direção ao jardim, desviando de um ou outro, em meio ao mar de pessoas indo e vindo em todas as direções. A música está alta e as pessoas parecem se divertir bastante. Há aquela aura de alegria e esperança que um novo ano traz.
    Enquanto caminho, tento equilibrar os copos em meio a um esbarrão e outro. Penso no beijo que havia trocado com ela, e em como foi excitante provar o gosto de seus lábios. No início quis apenas provocá-la, e fazê-la esquecer do momento de tensão de alguns minutos.
    Não, a quem estou querendo enganar? Quis beijá-la, desde o momento que meus olhos caíram sobre ela. Saber se seria tão bom quanto eu imaginei. Inferno! Foi além de qualquer expectativa que eu pudesse ter. Eu nunca tive uma conexão tão profunda e imediata com outra mulher, nem mesmo com Cecilia, nossa intimidade foi adquirida com o tempo. Nunca houve essa faísca com um simples tocar de pele. E quanto mais eu aprofundava o beijo, de forma faminta, meu único pensamento era me enterrar dentro dela. Testar se estar dentro dela, seria tão prazeroso quanto aquele beijo.
    Esses pensamentos perturbadores e inexplicáveis, aliado a culpa por sentir tudo isso, fizeram-me com que me afastasse dela ou seria devorado por esse desejo arrebatador.
    Com a desculpa de que precisava de uma bebida, a única que consegui pensar naquele momento, eu me afastei em busca de espaço para voltar a raciocinar com clareza. Não que houvesse adiantado muito, meu único desejo agora, é arrastá-la para a cama mais próxima, e transar com ela a noite inteira. Até que minhas pernas fiquem bambas como as de um potro recém-nascido.
    Adam! Neil afasta as pessoas do seu caminho, e vem em minha direção Preciso da sua ajuda.
    Sério? encaro-o, desanimado.
    Neil é que chamamos de um verdadeiro workaholic. Mas hoje é noite de Ano Novo, será que ele não pode esperar até o dia seguinte para falar de negócios?
    Sophia! esbraveja ele, pressionando a ponta do nariz Juro que eu vou matar aquela mulher!
    Percebo na mesma hora, que algo grave havia acontecido.
    O que ela fez dessa vez?
    Coloco o copo na bandeja de um garçom que passa por nós dois, e sigo-o em direção a saída.
    Tirou Anne da minha casa, no meio da noite informa ele, visivelmente irritado.
    Ela é a mãe dela...
    Sophia não é porra nenhuma, além de uma cadela babaca, que nunca se importou com a filha ruge ele, antes de entrar no carro.
    Cumprimento o motorista que mantém a porta aberta com um leve movimento de cabeça, e sento ao lado de um Neil, muito furioso.
    Anne ligou para mim murmura ele Estava chorando e assustada.
    Apear de Sophia ter laços sanguíneos com a menina, não podemos dizer que o mesmo se aplica ao lado afetivo. Anne tem medo dela e dificilmente fica sozinha com a mãe. Isso porque como Neil afirmou a pouco, Sophia é uma bruxa sem coração que não perde a oportunidade de torturar a menina.


    Enquanto ele ruge como uma fera enjaulada dentro do carro, faço algumas ligações entre elas a polícia e juizado de plantão. Mesmo Sophia sendo a mãe da menina, ela já havia provado muitas vezes não ser uma pessoa muito equilibrada. A prova disso, foi sua última temporada, há pouco tempo, em uma clínica de reabilitação. Foi a sentença dada pelo juiz, após ela ter causado baderna em uma badala casa noturna da cidade.
    Se ela tocar na Anne...
    Vamos resolver isso de forma legal, tudo bem? tento acalmá-lo, mas quando se trata da filha, Neil é irracional Afinal, foi por isso que me procurou, certo?
    Não procurei você sibila ele Foi a primeira pessoa que confio que eu vi naquela festa. Desculpe, não quis estragar sua noite, mas sinto como se pudesse matar alguém a qualquer momento. Pensei que Sophia estaria com os pais, bem longe daqui, mas parece que eles não andam tendo muita paciência com ela e foram passar a virada de ano, em sua casa de campo.
    Mantenha a calma oriento-o com voz calma Sophia pode ser maluca, mas, não é o suficiente para machucar Anne.
    Você não tem ideia do que aquela mulher é capaz, Adam diz ele, com a voz amarga Eu não deveria ter vindo e deixado Anne sozinha com a babá.
    Tento tranquilizá-lo de alguma forma, mesmo estando duplamente irritado com aquela mulher insana. Primeiro porque ela sabe exatamente onde, e como atingir Neil, quando vontades dela não eram realizadas. Ele tem verdadeira adoração pela menina e faria qualquer coisa por Anne. A confirmação disso é todos os anos de instabilidades e loucuras que ele atura de Sophia, aliado a ao sentimento de culpa que ele nega mas sente em relação a morte do irmão e pai biológico da menina.
    O segundo motivo porque estou tão furioso, é que Sophia arruinou o resto da minha noite ao lado da intrigante mulher que deixou-me eufórico como a muito tempo não senti. Já não me lembro a quanto tempo ou se houve algum momento, que alguém me atraiu tanto como a Charmosa. Meus lábios ainda estão formigando devido ao beijo incendiário que trocamos. E, droga! Ainda estou malditamente excitado.
    A única forma que encontro para arrefecer o desejo queimando em meu corpo é pensar em inúmeras formas de matar a mulher do Neil, de forma lenta e dolorosa. Odeio aquela mulher tanto quanto ele. Mas conforme o carro avança e os minutos correm, aos poucos o desejo que castigava meu corpo, vai diminuindo e eu entro em um modo automático.
    Os minutos seguintes são carregados de drama e tensão. Chegamos a mansão dos Campbell e os seguranças foram pouco receptivos ordens dadas por Sophia, claro.
    Quase duas horas depois, pai e filha estão a caminho de casa. Sophia saiu escoltada pela polícia rumo a uma nova estadia na clínica de recuperação. Na qual eu acho que ela nunca deveria ter saído nunca. Em minha opinião, ela deveria ser colocada em uma camisa de força e trancafiada em um quarto de segurança máxima.


    Mesmo que noventa e nove por cento de mim alerte que é perda de tempo voltar a festa, vejo-me dentro do taxi as três horas da manhã, fazendo exatamente isso. A probabilidade de que eu ainda a encontre lá, esperando por mim, é praticamente nula, se é que existi alguma. Provavelmente ela já teria encontrado outra companhia ou ido embora ao perceber que eu não retornaria com as bebidas, como eu havia prometido.
    Inferno! Fui um verdadeiro imbecil, saindo de lá sem a menor explicação ou sem ao menos ter implorado para que ela ficasse esperando-me.
    — Idiota! — soco o banco vazio ao meu lado.
    — O quê? — pergunta o motorista à minha frente.
    — Nada, estava pensando alto — respondo.
    Que maravilha, agora passei a falar sozinho, em voz alta, fazendo com que as pessoas a minha volta, acreditem que sou maluco.


    Chego a festa, e apesar das horas avançadas ainda há muitas pessoas por ali, dançando e bebendo animadamente. Neil pode ser muito controlador na maior parte das vezes, mas o filho da mãe sabe dar uma boa festa.
    Como imaginei antes, ela não está no alpendre, esperando por mim, verifico, decepcionado. Retorno para dentro e patrulho cada canto, até mesmo parei ao lado da porta do banheiro feminino, na esperança de vê-la sair de lá, acompanhada de alguma amiga.
    Mas quando me dou conta da cena ridícula que estou protagonizando, saio em direção ao bar. Isso é uma tremenda estupidez. Há dezenas de mulheres nessa festa, tão bonitas quanto Penélope. Eu não deveria estar obcecado por ela dessa maneira, apenas trocamos um beijo e nada mais.
    Caralho! Mas que beijo. Apenas recordar aquele momento deixa-me excitado, tão duro, a ponto de explodir de tesão.
    — E aí senhor advogado — a voz de Peter soa atrás de mim — O que você acha de encerrar a noite em grande estilo?
    Viro-me para ele, e deparo com duas jovens penduradas, em cada um de seus braços, uma loira e outra asiática.
    Considero a oferta dele por alguns segundos. Sim, estou mesmo excitado pra cacete aqui ao ponto de meus pênis doer com o atrito do tecido. As duas mulheres enroscada a Peter são bonitas e atraentes.
    — O que acham de convidarmos esse bonitão para nossa pequena festa? — Peter sussurra para uma delas — Ele não é tão bom de cama como eu, mas vocês irão se divertir.
    As duas encaram uma a outra e sorriem para mim. O bom de sair com um mulherengo como Peter, é que ele sabe encontrar as mulheres certas, como se ele tivesse um faro para isso. Não precisamos de joguinhos de sedução. Todos aqui somos adultos e sabemos o que queremos. Sexo, puro, sujo e quente.
    Analiso as duas novamente, embora façam bem aos meus olhos, nenhuma delas me faz sentir o mesmo entusiasmo que a Charmosa havia conseguido, apenas com seu olhar acanhado.
    Do que estou falando? Eu nunca mais veria aquela garota novamente na minha vida. E de forma alguma me tornaria um monge por causa dela.
    — Certo... — hesito entre a loira e a asiática em seus vestidos brilhosos e sexy — chega de loiras por hoje.
    Uma arruinou a grande noite de sexo que tinha planejado para mim, e a outra por muito pouco não havia me estragado para todas as outras mulheres em meu presente e futuro. Nada de loiras por um longo tempo.
    — Na sua casa ou na minha? — sonda Peter quando chegamos a saída.
    — No motel — respondo sem olhar para ele.
    Dificilmente levo alguma mulher para minha casa, vamos para um motel ou para casa dela, as vezes para um pequeno flat, que tenho na cidade. Minha casa é como um santuário para mim. O que me surpreende, é que nessa noite o único lugar em que pensei em levar Penélope foi justamente para lá, especificamente para minha cama.
    — Droga de mulher!
    — O que disse? — pergunta a asiática ao meu lado.
    — Qual o seu nome? — pergunto, desconversando ao me dar conta que havia pensado alto novamente — Ainda não me disse.
    — Tamiko — diz ela, sorrindo.


    Sexo em grupo não é algo que me atraí muito. Na adolescência uma grande novidade e serviu de experiência, hoje, quando estou alguma mulher eu quero que ela saiba exatamente quem está no controle de tudo. Quero ter a certeza que cada grito de prazer que saia de sua boca, seja provocado por mim. Parece ser um comportamento egoísta, mas é assim que sou. Contudo, nessa noite eu preciso de algo diferente. Algo que me afaste daquele rosto deliciado de incríveis olhos azuis.
    E enquanto Peter transa com a loira, que está de quatro em cima da mesa; eu concentro-me na mulher ajoelhada entre minhas pernas, em cima da cama, afogando-se com meu pau, completamente dentro de sua boca pequena.
    Apesar dela saber o que está fazendo e fazer muito bem, não consigo evitar que meus pensamentos sejam direcionados a outra mulher e em sua boca deliciosa, chupando-me. Como seria ter aqueles lábios sensuais tocando-me assim?
    Nesse momento, o ato que desenrolava-se de forma automática, pelo menos da minha parte, ganha outro prisma. Agarro os cabelos negros e jogo-a contra a cama, de costas para mim. Com os joelhos afasto suas pernas, e levanto os quadris, empinando o bumbum em minha direção. Por segurança, eu já havia colocado o preservativo, minutos antes dela cair de boca sobre meu pau.
    — Isso é por ter ido embora! — uno os cabelos em um rabo de cavalo em minha mão, e arremeto-me para dentro dela — E isso é por ter quase me enlouquecido a noite toda.
    Esse é um jogo, um tanto bizarro. Comer uma mulher, pensando em outra, mas é a única forma que encontrei para seguir adiante.
    — Aiii... Ahh — soluça a jovem, que já nem me recordo do nome. — Isso gostoso!
    Estou mais de uma hora ao lado dessa mulher e não faço a mínima ideia de como ela se chama. Passei cerca de vinte minutos com Penélope e seu nome não sai de minha cabeça.
    — Parece que estão se divertindo muito — Peter encaixa a garota em sua cintura e caminha até nós na cama — Depois a gente troca — ele pisca um olho — Divide ou as duas coisas.
    Honestamente, pouco me importa. Poderia ter um harém dentro desse quarto e eu escolheria apenas uma.
    — Maldita, mulher!
    — Seu vocabulário não é tão ruim — Peter geme e dá algumas palmadas nas nádegas da loira que geme escandalosamente, atracada a ele — Tem que ser algo mais como isso — diz ele agarrando-a pelo pescoço— Toma sua, vadia gostosa! — ouço o estalo nas bochechas já rosadas e o gemido pervertido que sai da boca dela — Anda sua safada, toma tudo! Depois vou enrabar você e não conseguirá andar por uma semana.
    Sexo além de prazeroso deve sim, ser divertido, mas com esse babaca ao meu lado, isso vai para um patamar bem diferente. Em poucos minutos temos as duas gemendo como duas gatas no cio, enquanto nós dois nos empenhamos em dar e receber prazer.
    No fim da noite, havíamos conseguido o que procurávamos. Sexo e mais sexo. No entanto, estranhamente para mim não foi o suficiente. Faltava algo mais, algo que não sei reconhecer. O que sei é que esses pensamentos confusos começaram a me perturbar a meia noite quando toquei pela primeira vez, lábios de seda.


    É noite de sábado. Neil, Liam e eu, estamos no apartamento de Richard para nossa noite de pôquer. Eventualmente, estipulamos um dia para esquecer dos nossos problemas do dia a dia. Bebemos, jogamos conversa fora e relaxarmos um pouco. Eu não me lembro de quando como ou quando isso começou, foi de uma forma tão natural e, que hoje virou uma espécie de ritual entre nós.
    — O Peter não virá? — pergunta Richard, retornando da cozinha com as cervejas — Ele nunca perde uma noitada dessas.
    — Está envolvido em algum assunto para o Adam — murmura Neil, colocando as cartas sobre a mesa, olhando para mim — Não sabia que você estava envolvido em negócios duvidosos.
    É uma provocação, eu sei disso. O que não deixa de me incomodar. A cena me faz lembrar um daqueles filmes preto e branco, de gangster. A diferença é que não há fumaças e charutos poluindo o ambiente e nossas roupas também são mais descontraídas.
    — Aposto que tem mulher envolvida — provoca Liam — Sempre tem.
    Eu havia mesmo pedido a Peter que encontrasse a garota. Por que eu havia feito isso, eu não sei. Mas há mais de uma semana que ela não sai da minha cabeça. Essa fixação vem deixando-me arredio e muito irritado. O único jeito que vi de me livrar do feitiço que ela jogou sobre mim aquela noite, é levar essa mulher de uma vez por todas para minha cama.
    Às vezes, sinto-me como um garoto birrento fazendo manhã para os pais, em frente à loja, exigindo que a mãe comprasse o carrinho exposto na vitrine. Essa sensação deixa-me fora de mim. Não sou um bebezinho chorão. Já deveria tê-la esquecido há muito tempo. Mas a infeliz continua a invadir meus sonhos, com imagens eróticas, que me fazem acordar excitado, obrigando-me muitas vezes a me aliviar pensando nela.
    Deus! Isso já está beirando à loucura.
    — Pedi a Peter que encontrasse uma pessoa — tento encerrar o assunto. Se eles vissem algo interessante nisso, o assunto rolaria a noite toda, principalmente se dependesse de Liam. Ele adora torturar alguém para nos distrair do jogo que ele nunca vence.
    — Então é mesmo uma mulher — insiste ele.
    — Por que você acha isso?
    — Por que parece óbvio — ele dá um gole em sua cerveja.
    — Vocês deveriam encontrar uma boa mulher e se casarem logo — Richard une-se a nós a mesa.
    — Já sou casado — retruca Neil.
    — E eu não estou interessado — murmuro em seguida.
    — Parem de agir como adolescentes na puberdade — continua Richard— Estão velhos demais para isso.
    — É mesmo? E uma boa mulher, você quer dizer alguém como sua noiva? — Neil pergunta com pouco caso.
    — O que tem Patrice? — pergunta Richard, incomodado — Tem algo a dizer sobre ela?
    — Ela é mulher — murmura Neil — Mas boa...
    Todos riem, exceto Richard. Tão jovem e sério demais.
    — Não liga para ele — Liam tenta colocar panos quentes na provocação, que ele mesmo iniciou — Os únicos normais aqui, somos nós dois. Esses daí, são dois bebês chorões com medo do amor.
    — E quem falou em amor? — pergunta Richard, mexendo em suas cartas — Casar é apenas uma lei natural da vida. É o que todos esperam de nós. Acabará acontecendo cedo ou tarde. A diferença é que podemos escolher de forma prática quem estará ao nosso lado.
    Então ele havia escolhido muito mal. Aquela noiva dele com cara de nojenta tem algo que me desagrada. Acredito que eu não seja o único no grupo a pensar isso.
    — Retiro o que eu disse — Liam leva a mão ao peito, de forma dramática — Eu sou a única pessoa normal nessa sala.
    Não é preciso dizer que a discussão durou por mais ou menos, quase uma hora. Cada um defendendo arduamente seu ponto de vista.
    Peter surgiu logo depois, pondo fim ao assunto. A primeira coisa que notei quando ele entrou, foi o envelope pardo em suas mãos. É ridículo dizer que quando ele entrou carregando o papel, meu coração deu um salto em meu peito, mas foi exatamente isso.
    — Tenho algo para você, Adam — ele joga o envelope em meu colo antes de seguir em direção a cadeira, destinada a ele.
    Vejo-o virar a cadeira de costas e sentar, apoiando os braços no espadar, seus olhos fixos em mim.
    O homem é realmente tão bom em encontrar as pessoas como ele se gaba, admito, surpreendido. Tudo bem que havia descrito Penélope, com riqueza de detalhes, mas nada além disso, e o primeiro nome também.
    Mas eu não sei onde ela mora ou o que faz da vida.
    — Isso é uma piada? — inquiro, furioso com ele — Que brincadeira estúpida é essa?
    Levanto-me, e som da cadeira batendo contra o chão, faz todos ficarem em silêncio.
    — O que vocês acham? — Peter questiona sem mover um único músculo — Que eu sou o Mágico de Oz ou o Harry Potter? Basta mexer minha varinha e as pessoas aparecem?
    Ele ri, descaradamente, divertindo-se muito com minha reação intempestiva.
    — Você é um tremendo babaca, Peter!
    — Relaxa aí nervosinho — continua ele — Com as informações que me deu, nem em vinte anos encontraria a mulher. Esqueça-a e passe para outra.
    — Então eu estava certo — Liam arranca o envelope de minhas mãos — O quê?
    Ele começa a rir e puxo o envelope de suas mãos. Dentro dele há várias imagens de Penélope — a Charmosa, impressas em folhas de papel.
    — Então o nome dela é Penélope? — Liam volta a me provocar — Agora temos um nome.
    — E você terá um olho roxo se não para de me encher.
    — Não está aqui quem falou — ele levanta as mãos, em sinal de paz — Ainda me lembro da última surra que me deu.
    Iniciamos o jogo como se nada houvesse acontecido.
    O jeito é eu encontrar uma forma tirá-la de minha cabeça. Peter tem razão, estou agindo como um deslumbrado, ridículo. Dobro as imagens e guardo no bolso da jaqueta, sob os olhares curiosos de Richard e Neil.
    Isso servira para me lembrar o tamanho de minha estupidez. Bem, eu não vou ser mais o motivo de piada entre eles.
    O irônico da história, é assim como Penélope havia contado sobre seu pai, ela também havia me arruinado para esse desenho. Jamais o veria da mesma forma novamente.



    Reservo todas as manhãs de domingo, a cada quinze dias para uma visita especial. Levo flores frescas para enfeitar o túmulo, e retiro as que ficaram ali durante as semanas.
    Cecilia, filha amada. Estará sempre em nossos corações
    1984 † 2005

    Passo os dedos pela lápide fria. O bebê havia sido enterrado com ela, já que ainda não estava completamente formado ainda. Naquele dia, quando vi o caixão descer a sepultura, senti como se minha alma fosse enterrada com eles. Naquele momento, parte de mim morreu também, ficando apenas a casca, perambulando pelo mundo.
    — Sinto muito — murmuro, baixinho. Minha voz soa estagnada pelo dor em meu peito, e o nó se formando em minha garganta — Sinto muito, mesmo.
    Dizer isso não diminui minha culpa, mas é verdade. Embora todos, até mesmo os pais de Cecilia terem tentaram convencer-me do que havia acontecido foi uma fatalidade. Eu e Liam, o único que conhece meu segredo, sabemos a verdade. A culpa foi minha. Se eu não tivesse a pressionado tanto e exigido que desse um fim ao nosso bebê, ambos estariam vivos e felizes. Eu havia sido um covarde, não revelei a ninguém que ela estava a caminho da clínica, quando sofreu o acidente. Quis convencer-me de que eu estava protegendo a imagem dela perante aos seus pais, que são cristões fervorosos, mas na verdade, eu protegia a eu mesmo. Dos olhares acusatórios e palavras hostis que certamente viriam e já duro o bastante me encarar no espelho.
    E a cada dia, esse silêncio me dilacera mais.
    Mesmo Liam afirmando todos esses anos, que fomos vítimas de uma tragédia, a culpa ainda me mata, como pequenas dozes de veneno, todos os dias.
    Quando a morte de pessoas que amamos pesa sobre nossos ombros, seguir em frente não é tão fácil assim.
    Eles pagaram pelo meu erro com a morte e eu pagaria com a minha vida. É o mínimo que posso fazer para honrar a memória deles.


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