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  • Além da atração - Capitulo 3


    Capítulo 3

    Penélope


    O aparamento de Lola é confortável e muito bonito. Com uma sala aconchegante, uma cozinha pequena, mas muito prática e dois quartos. Ela me informa que duas vezes por semana uma senhora vem cuidar do trabalho mais pesado, e o resto da limpeza ela conserva como dá. Pelo pouco que observei, Lola faz muito mais do que isso, o lugar está impecavelmente arrumado. O que mais me chama atenção são as plantas, por todos os lados, isso dá mais leveza e cor ao lugar.
    Ela me ordenou para que me sentisse em casa assim que entrei, foi exatamente assim que eu me senti — em casa. Talvez porque, com Lola, eu posso ser eu mesma, sem me preocupar com quem poderá estar me observando ou analisando cada passo que dou.
    É esquisito não ter que ouvir o tempo todo: Não faça isso, Penélope. Troque essa roupa, Penélope. Olhe para frente. Não fale com ela. Quando você irá chegar em casa? Onde você esteve?
    — Por que não desfaz suas malas e descansa um pouco? — pergunta Lola ao me ver parada, no centro da sala — Podemos sair para jantar e eu vou te mostrar um pouco da noite de Nova Iorque.
    — Ah, não precisa se incomodar, Lola — murmuro, apressada — Não vim para dar trabalho a você. Só preciso de um tempo longe dos meus pais, e daquelas pessoas.
    — Querida, eu não consigo imaginar o que tem passado. Mas existe um mundo novo diante de seus olhos — ela abraça-me pelo ombro — Você é bonita e muito inteligente. Merece muito mais da vida, do que se enterrar naquela casa com seus pais. É não é incomodo algum, estou feliz que esteja aqui, me fazendo companhia.
    Caminhamos juntas para o quarto que eu irei ocupar, e que já pertenceu a Paula, filha dela.
    — Prometo um bom restaurante e um pequeno tour pela cidade — continua ela, com a voz bem humorada — Quanto as baladas, ficarei devendo, estou velha demais para isso. Mas, logo você fará novas amizades aqui e poderá conhecer as casas noturnas interessantes da cidade... quem sabe, um homem lindo.
    Eu poderia dizer a ela que eu não tinha antigas amigas em Edgartown e que aqui, provavelmente se eu pudesse, teria as primeiras amigas da minha vida. Quando penso sobre isso, vejo o quanto minha vida tem sido solitária. Tudo o que tive foi a presença constante dos meus pais. Meu pai dizia que os melhores amigos que eu poderia ter, eram eles, bem eu acreditei. Nunca questionei isso, afinal eles me amavam, e as outras garotas nunca se aproximavam o suficiente para que eu pudesse confrontar essa teoria.
    Em relação ao homem lindo, isso sim eu dispenso. Não agora que pela primeira vez, eu sinto o gostinho da liberdade, salivando em minha boca. Não mesmo!
    O quarto de paredes amarelas, ainda conserva alguns resquícios de uma adolescente sonhadora. Na parede, há alguns pôsteres com fotos do Brad Pitt e Johnny Depp. Também foram meus sonhos secretos na adolescência. Acho que são, ainda hoje.
    — Pode livrar-se dessas coisas da Paula — murmura Lola, sentando na cama enquanto observa as paredes com nostalgia no olhar — Já avisei para que ela desse um fim nisso sempre que vem aqui.
    — Eu não poderia fazer isso, Lola — murmuro, constrangida — São as lembranças dela.
    Sinto como se eu fosse roubar as memórias de alguém. Pelas marcas de batom e os rabiscos nas fotos, minha prima Paula, foi uma garota cheia de vida e sonhadora, como qualquer adolescente; diferente de mim.
    Não tive oportunidade de conhecê-la muito bem. Ela sempre passou às férias com o pai ou em acampamentos. Também havia o fato de que ela não gostava muito do meu pai, e o sentimento era recíproco.
    — Querida, faça-me esse favor — Lola respira fundo e caminha até a porta — Ela já encontrou seu próprio príncipe encantado. Deixe o quarto do jeito que você quiser.
    Assim que ela se retira, eu começo a desfazer as malas. A cada peça que eu tiro, meus ombros curvam desanimados. Vestidos, blusas, saias — todos nos tons claros, entre o bege e salmão. Não havia nada colorido ou que pudesse chamar atenção para mim, de alguma maneira.
    Esse é outro aspecto da minha vida, a qual pretendo mudar. Claro, não usaria nada extravagante, como as garotas mais modernas que eu via perambular pela minha cidade, mas daria mais cor ao meu guarda roupa, um pouco mais de vida. Por sorte, tenho uma boa economia, nunca fui uma garota de muitos gastos, não era necessário, eu tinha tudo o que precisava; outro conselho sábio de papai.


    Quando Lola surge na porta, uma hora depois, eu já havia removido as fotos, adesivo e cartazes nas paredes, colocado em uma caixa e guardado em um canto do guarda roupa. Todas as minhas roupas, exceto um vestido que usarei no dia seguinte, foram colocadas em sacolas, e estão em cima da cama para doação.
    — Que é isso? — pergunta ela, notando as sacolas empilhadas.
    — Gostaria de renovar o meu guarda roupa — respondo, tímida.
    Eu não queria que ela pensasse que eu tinha surtado de uma hora para outra e me enviasse de volta para casa dos meus pais — Talvez algo com um pouco mais alegre. Você me ajudaria, Lola?
    — O que aconteceu com a garotinha tímida que eu conheci? — brinca ela, como se procurasse alguém em volta de mim — Claro que eu ajudo e amanhã vamos às compras!
    — Não vou atrapalhar seus planos? — pergunto, receosa.
    — E que você acha que uma velha como eu faria em pleno domingo?
    — Pare de se chamar de velha, Lola — repreendo-a com olhar sério — Eu gostaria muito de chegar a sua idade tão bem quanto você.
    Lola é a irmã mais velha da minha mãe. Mas em seus cinquenta anos, eu posso afirmar que parece bem mais jovem que mamãe. Talvez seja o seu jeito descontraído ou a forma de encarar a vida, sempre de bom humor.
    — Você está pronta? — pergunta ela, medindo-me de cima a baixo — Céus garota, solte esse cabelo.
    Lola desfaz o coque severo que estou acostumada a usar e os fios caem soltos, através de meus ombros.
    — São muito bonitos — continua ela, bagunçando os fios em volta do meu rosto — Loiros naturais, causarão inveja em muitas garotas.
    — Então eu deva pintar de preto — sugiro, sentindo um arrepio na pele — Não quero recomeçar com as pessoas odiando-me, por causa dos meus cabelos.
    Estou fugindo de pessoas que me julguem, apenas por minha aparência ou por impressões falsas que venham a ter de mim. Esse é um ciclo que preciso desesperadamente quebrar.
    — Foi apenas uma forma de falar, Penélope — murmura ela, rindo — Aqui as mulheres são um pouco mais seguras ou deveriam ser.
    Ela se afasta, me analisando novamente. Observo-a bater os dedos no queixo, pensativa.
    — Seus cabelos são lindos, mas, precisa um pouco mais de brilho — ela sorri, animada — E não é apenas seu guarda roupa que precisa ser mudado. Compraremos maquiagens e teremos um dia incrível no salão de beleza.
    — Lola eu não acho que...
    — Fique tranquila — ela pega minha bolsa em cima da poltrona, perto da janela — Estamos na Big Apple, meu bem, aqui tudo brilha. Não faremos nada que tire sua identidade, apenas ficará ainda mais bonita.
    Eu confio nela. Tia Lola me conhece mais do que meus próprios pais. E parece saber de mim, mais do que eu mesma. Tenho certeza que não fará nada para me expor ou magoar. Além disso, ela é uma mulher elegante e educada, menos com meu pai, claro. Mas isso não vem ao caso no momento. O que sei é que estou em boas mãos.
    — Nesse caso, não vejo a hora de chegar amanhã — sorrio, feliz.
    — Primeiro vamos nos divertir hoje — murmura ela, me conduzindo para fora — Algo me diz que não faz isso há muito tempo.
    E ela não estava errada.


    Do Brooklyn Heights para Times Square. Eu nunca vi um lugar tão vivo e impressionante como esse. Prédios enormes, com letreiros gigantes, luminosos, que ficam acesos vinte e quatro horas. Há telões exibindo um último lance de um jogo. Pessoas caminhando pelas ruas; admirando a região e outras fazem compras. Tudo aqui respira a vivacidade de Nova Iorque. O movimento de pessoas e carros entre a 42th St e 47th St são intensos, e o som das buzinas vem de todas as direções, deixando-me perdida e impressionada ao mesmo tempo. Pessoas indo e vindo, na verdade, um grande e impressionante mar de pessoas, de todas as etnias.
    A cada dois metros eu imploro a Lola para pararmos, para que possa tirar uma foto em meu celular antigo, logo depois ela praticamente me arrastou até a Apple e me fez comprar um aparelho moderno.
    Também paramos para fotos na escadaria da TTS, em frente a incrível loja da M&M World, onde comprei muitos doces e uma camiseta com o MM vermelho e seu sorriso torto. Claro, sob olhar divertido e incrédulo de Lola. O quê? Parece confortável para dormir.
    Mas, sem dúvida alguma, a loja da Disney Store, foi a que mais me encantou. Foi impossível sair de lá sem um ursinho de pelúcia da Margarida, com seu vestido lilás e imenso laço cor de rosa, essa é uma das personagens que mais amo, sem dúvida.
    — Garota você não teve infância? — tia Lola provocou, assim que saímos da loja.
    Sinto-me como Alice no país das maravilhas, não, mais do que isso, como uma criança conhecendo o mundo encantado do Papai Noel. Eu me sinto muito pequena em meio a tudo isso, mas de uma forma maravilhosa.
    Interrompemos o tour por alguns minutos e tomamos um café na Hard Rock, antes seguirmos com o passeio.
    A tarde passou voando e a noite não poderia ter chegado menos encantadora, com luzes por todos os lados, ainda com a decoração natalina. Uma beleza de cegar os olhos, e encantei-me com o show dos artistas nas ruas. Nova Iorque é simplesmente fascinante.
    Escolhemos um restaurante italiano para jantar, preferi pasta ao molho branco, e após muita insistência de Lola, meio copo de vinho, ela escolheu espaguete com almondegas, uma especialidade da casa, acompanhada de vinho tinto.
    Enquanto comemos, Lola vai me contando todos os lugares divertidos e encantadores, que certamente, eu deveria conhecer em minha estadia aqui. Ela parece conhecer a cidade de olhos fechados. Anotei os pontos turísticos mais importantes em um guardanapo de papel, mesmo com ela dizendo que faria uma lista para mim, no dia seguinte. Mas, eu não quero deixar mais nenhum detalhe da minha vida passar em branco.
    Além disso, quero passar alguns minutos em minha cama, antes de dormir, sonhando com todos esses lugares incríveis, que pretendo visitar em breve. Com toda certeza eu me diverti hoje, mais do que qualquer outro momento em minha vida.
    — Eu gostaria que você me perdoasse, Penélope — tia Lola segura minha mão, apoiada na mesa.
    Ergo a cabeça para encará-la, sem entender a que ela se refere.
    — Como? — pergunto, confusa — Pelo o quê?
    Ela respira fundo, e desvia o olhar para a janela ao nosso lado. Pessoas vem e vão, de todas as idades, sorrindo, conversando, casais de namorados, amigas com suas sacolas de compras, mães com seus filhos, senhoras idosas. No entanto, o que mais me chama atenção, são os olhos marejados e lábios trêmulos da minha tia.
    — Eu não entendo, Lola — aperto firme a mão dela.
    Ela volta a olhar para mim, com tristeza nos olhos.
    — Todos esses anos enquanto observava você crescer, escondendo-se... — ela puxa o ar e acaricia meus dedos — Sendo sufocada por seus pais. Eu deveria ter feito alguma coisa...
    — O que poderia ter feito, Lola — sorrio para ela — Papai jamais permitiria que eu ficasse com você, nem ao menos me deixava passar as férias...
    — Sim, mas eu sinto que deveria ter feito algo — interrompe ela, sentindo-se culpada — Obrigado a sua mãe a ter um pouco de fibra. E no dia do seu casamento — ela balança a cabeça — Sabia que aquilo não daria certo. Rezei muito por você e para que ele não se realizasse, desculpe por isso também.
    — Meus pais fizeram o que acharam melhor — murmuro, defendendo-os. Por quê, eu não sei — Eu também nunca fui contra eles. Aquele foi o único mundo que eu conheci e para mim aquilo estava bom.
    Dessa vez sou eu a olhar o movimento da cidade, lá fora.
    — Ninguém me obrigou a nada, Lola — respiro fundo e volto a olhá-la — Eu simplesmente aceitei. Assim como meu quase casamento. Eu precisei passar por todas aquelas coisas para tomar as rédeas da minha vida. Não tem por que se sentir culpada, não permitirei isso.
    — Sinto que eu falhei...
    — Não! — interrompo-a, veemente — Hoje foi o melhor dia da minha vida inteira, Lola. Você me acolheu quando mais precisei e me deu novos sonhos. Jamais poderei agradecer.
    — Agradeça sendo feliz, Penélope — Lola sorri com carinho — Seja feliz, não conheço ninguém que mereça mais do que você.
    Vou para cama com a Margarida ao meu lado, minha lista de desejos e as palavras de tia Lola em minha cabeça. Eu nunca senti que pertencesse a algum lugar do mundo ou que alguma parte dele me pertencesse, mas aqui em Nova Iorque, tenho a sensação que havia encontrado meu lar.


    Acordo com o cantarolar de Lola e o barulho que ela faz ao abrir a janela do meu quarto. Raios de sol invadem meus olhos e pisco algumas vezes. Estou morrendo de sono, passei madrugada adentro, meditando sobre minha vida, e fazendo planos para o meu futuro.
    Minha tia avisa que o café da manhã está pronto e esperando por mim na cozinha. Também alerta que teríamos um dia cheio e divertido. Portanto, era bom que me levantasse e me aprontasse logo.
    Eu quis implorar para que me deixasse dormir um pouco mais. Então lembro-me que ela havia tirado seu domingo de folga para passá-lo comigo. Praticamente pulei da cama, tomei banho e vesti a única peça de roupa em meu guarda roupa, já que no dia anterior, havíamos passado em uma igreja pelos arredores do bairro e deixado lá todas as minhas roupas antigas.
    Já a mesa, engulo o café da manhã, enfio na boca, apenas café com leite e duas torradas, não quero fazer Lola esperar por mais tempo, considerando que ela parece mais animada do que eu.


    As primeiras lojas que entramos, são de roupas íntimas.
    — Querida, você pode usar roupas rasgadas e encardidas... — orienta Lola, passando-me várias peças, delicadas e sexy — mas, quando tirar as roupas para um homem, seu lingerie tem que ser divino.
    Apesar de eu não ter pretensão de tirar minhas roupas para ninguém, tão cedo, seja ele homem ou mulher; as peças delicadas me encantam. Mesmo que algumas delas pudessem fazer meu pai cometer suicídio. Vislumbrar essa cena fez-me escolher vários modelos e até mesmo escolhi um conjunto para minha mãe. Quem sabe ela volte a ser a mulher segura e confiante de antes.
    A loja seguinte é a de maquiagens. Somos atendidas por Roger, o maquiador e atendente — gay, de acordo com o sussurro de Lola em meus ouvidos. Não que eu me importe. Não tenho a mente tão fechada assim como as pessoas imaginam. Mas, acho que minha tia receou que ficasse chocada demais para disfarçar ou tentasse converter o rapaz. No entanto, ele muito simpático e ensinou-me vários truques. Sua opção sexual foi esquecida, diante de sua alegria e talento com a maquiagem.
    — Sua pele é de pêssego, querida — elogia ele, tocando meu rosto, após finalizar com o blush — Use sempre esse demaquilante — ele me entrega o vidro — E em hipótese alguma, durma de maquiada. Seria um crime aos deuses da beleza, estragar esse rostinho lindo.
    Tanto Lola como eu, caímos na risada, fizemos isso praticamente quase todas as duas horas que permanecemos ali com ele.
    O passo seguinte, foi irmos as lojas de roupas, exclusivas. Tia Lola tem muitas conhecidas e elas nos trataram muito bem. No início, fiquei um pouco preocupada com os preços, quase todas as peças são de grifes famosas.
    — Eu não terei dinheiro para coisas como essas, Lola — puxo-a para um canto assim que a vendedora se afasta, em busca de algo novo — São muito caras.
    — Relaxa, querida, a grande maioria é da coleção passada — murmura ela, tentando me acalmar.
    Eu sempre admirei e invejei as roupas de Lola, mas acredito que mesmo para ela, com um excelente emprego, seria um estilo de vida extravagante, caro e fora do padrão. Será que o motivo dela estar indo para o Texas, tem mais a ver com dificuldades financeiras, do que ficar perto da filha, agora grávida?
    — Deveríamos usar meu dinheiro com coisas mais importantes — murmuro colocando um vestido que ela me deu de volta ao lugar — Como pagar algumas contas. Posso ajudá-la e...
    — Me ajudar? — ela descia o olhar de um dos vestidos na arara — Acha que tenho problemas financeiros?
    — Não quero soar intrometida, Lola — murmuro com calma — Mas se eu posso ajudar você... essa cidade é muito cara e dispendiosa, manter esse padrão de vida...
    Lola sorri e aperta minhas bochechas.
    — Querida, eu tenho um salário invejável — diz ela — Dinheiro nunca foi meu problema. Deixe eu lhe contar um segredo.
    Caminhamos até em um dos pufs espalhados na loja.
    — Frequentemente faço compras para o Neil aqui — sussurra ela, sentando — Muitas e muitas vezes.
    — Por que a esposa dele não faz isso? — pergunto, curiosa.
    Sei que como secretária dele, ela faz coisas além de organizar sua agenda. Não que ela tenha entrado em detalhes comigo, é leal demais para revelar algo sobre a vida íntima do patrão, mas algumas vezes eu a ouvi murmurar ao telefone, sobre as excentricidades dele.
    — Não são para a esposa — responde ela — Acho que por ele, aquela maluca andaria nua. São para digamos... “suas amigas.”
    Oh, meu queixo cai, e minha boca forma um O perfeito enquanto a encaro. Neil Durant é um homem muito peculiar. Um chefe exigente, mas ao mesmo tempo justo e generoso, um marido infiel, mas um pai exemplar, introspectivo, mas brilhante. E é indiscutível o carinho que Lola nutri por ele, apesar dessas nuances. Quais outras camadas existem sob a superfície de executivo frio e controlador?
    — Tenha certeza que eu não venho pouco aqui — ela levanta e segue para outra arara — Essas garotas ganham muitas comissões, me devem muitos favores. Trouxe muito dinheiro para elas. Acredite, dinheiro não será problema hoje. Agora prove esse vestido, acho que será perfeito para a festa de Ano Novo na DET.
    — Festa de Ano Novo? — pergunto, surpresa — Não ia para o Texas ficar com a Paula?
    — A mãe do Arthur não anda bem de saúde — murmura ela, entregando-me um vestido dourado de rendas — Acham que talvez seja seu último ano de vida, então, irão para Los Angeles ficar com ela.
    — Sinto muito.
    — Já que passamos o natal juntos, resolvi deixá-los mais à vontade com ela — murmura Lola — Mas teremos uma festa linda, acredite, eu ajudei a agonizar tudo.
    Espero que sim. Pensei que ficaria sozinha no Ano Novo, agora tenho uma festa, onde estariam as pessoas mais conhecidas e influentes da cidade. As únicas festas que tinha ido fora da igreja, eram as realizadas pelos Wade, no entanto, nem se comparam com as realizadas pela DET, muitas delas apareciam nas colunas sociais, até mesmo na TV. Estou entre animada e coberta de pânico.
    — Não faça essa cara de assustada, você irá se divertir.
    Mesmo tendo gasto mais da metade das minhas economias, saímos da loja abarrotadas de roupas, que jamais sonhei em adquirir e, claro o vestido perfeito para festa, presente de Lola.
    Seguimos para o salão de beleza. Eu quis mesmo pintar o cabelo de preto. Minha tia e a cabelereira recusaram-se a isso. No fim, tenho um belo corte de cabelo, em camadas, uma hidratação que deixou meus cabelos ainda mais macios, algumas mechas douradas, que sem dúvida fizeram uma grande diferença.


    No momento, olho para a mulher refletida no espelho do banheiro do meu quarto. Julgo que se voltasse para minha cidade nesse momento, não teria uma pessoa que me reconheceria.
    Cabelos soltos, longos, caindo por minhas costas, com fios brilhantes emoldurando meu rosto oval. As sobrancelhas perfeitamente desenhadas, em curva, dão suavidade ao meu rosto, e o batom rosa fosco, destaca ainda mais os meus lábios, que sempre achei grossos de mais para mim, e que agora parecem sedutores.
    — Está pronta? — pergunta Lola da porta.
    — Estou bem? — pergunto virando em direção a ela.
    O vestido, apesar de ser preto, tem um decote proeminente entre os seios, além de ser bem justo em meu corpo ao ponto de quase ser impossível respirar. Apesar disso, não chega a ser vulgar, devido ao corte reto. E eu me sinto diferente com ele, como se eu fosse outra pessoa.
    — Está linda — murmura Lola — Pena que estará apenas com algumas velhas malucas, essa noite. Deveria ter pedido a Delia, que levasse o sobrinho lindo que ela tem. É um desperdício você gastar uma noite de domingo como essa, com mulheres faladeiras.
    — Tenho certeza que me divertirei mais com as mulheres faladeiras, do que com o tal sobrinho gato.
    Coloco os sapatos e vou de encontro a ela, abraçando-a. Eu não estou pronta para me relacionar com outros homens ainda. Nem sei se um dia estive pronta.


    As amigas de Lola foram muito simpáticas e receptivas. Uma delas, chamada Aimée, viúva e sem filhos, é professora. As outras duas Pietra, que é contadora, e Carolina que é secretária, as duas são irmãs, e ambas trabalham com minha tia, na DET.
    A noite foi muito agradável, todas elas cismaram em bancar o cupido comigo. Uma tinha um vizinho charmoso, a outra um sobrinho interessante, e várias possibilidades. Não adiantou muito eu dizer que estou fora da jogada por um tempo. Assim que souberam que eu havia sido abandonada no altar, casar-me novamente virou a meta de suas vidas. Como contrariá-las seria perca de tempo e energia, em poucos minutos, vi-me compartilhando de seus planos, no qual culpei o vinho por tal maluquice. Até mesmo dois rapazes vieram a nossa mesa. Algo que me deixou bastante encabulada, por causa dos olhares cobiçadores que enviavam a mim.
    Definitivamente eu não devo beber, está obvio que minha tolerância para o álcool não é confiável.
    — A noite foi muito divertida — Lola ajuda-me a deitar na cama — Mas não beba assim se estiver sozinha ou sem alguém que cuide de você.
    — Desculpe, Lola — soluço, envergonhada — Não vai acontecer novamente.
    — Não se desculpe. Você só está conhecendo o mundo — ela beija minha testa — Mas Nova Iorque é tão perigosa, quanto contagiante, apenas tome cuidado.
    Quando ela sai e apaga a luz eu me vejo pensando em meu pai e no que ele faria se me encontrasse nesse estado. Com certeza tentaria expulsar o diabo em meu corpo, com safanões, xingamentos e sermões que durariam anos ou me renegaria para sempre.
    Sorrio em meio a esse pensamento rebelde e adormeço, com essa imagem em minha cabeça.


    Eu não entendo porque estou tão nervosa? É apenas uma festa.
    Mas a quem eu estou querendo enganar? Não é apenas uma festa é “a festa.” As mulheres mais bonitas e os homens mais importantes estarão lá. É indiferente o fato de que minhas unhas estão impecáveis, que meu cabelo brilhe em um penteado retorcido e elegante, caindo de lado em meu colo, e que o vestido seja perfeito. Ele é semitransparente, bordado com fios dourados, e atenua cada curva do meu corpo, de um jeito romântico e ao mesmo tempo sensual.
    No fundo, eu me sinto como uma colegial invadindo uma festa de adultos.
    — Como diria o seu pai — Lola entra no quarto, assoviando. Seguindo a tradição, ela usa um vertido branco, de saia rodada e decote quadrado — Jesus Cristo! Está linda, Penélope.
    Eu não discordo do que ela diz, e muito menos sou cega. Estou mesmo, muito bonita e elegante, mas ao mesmo tempo, estou insegura. Como se tivesse tendo algum tipo de pressentimento. E é essa sensação que faz minhas mãos suarem frias.
    — Acho que eu deveria ficar aqui — murmuro, nervosa — Eu não conheço ninguém que estará lá, também não quero que banque a babá para mim a festa toda.
    — Em hipótese alguma deixaria você aqui sozinha, na noite de Ano Novo — Lola senta na cama ao meu lado — Se não quer ir, ficaremos em casa vendo TV.
    Eu sei que Lola faria isso por mim, sem reclamar, mas eu não sou tão egoísta ao ponto de estragar sua primeira noite do ano. Não quando ela havia feito tanto por mim.
    — Desculpe por ser tão infantil, Lola — levanto-me, puxando-a comigo — Estou um pouco nervosa, é somente isso. Já que estamos prontas, vamos a essa festa.
    — Assim que se fala, garota — caminhamos abraçadas até a porta — Seria pecado desperdiçarmos a oportunidade de usar vestidos tão incríveis como esses. Vamos arrasar alguns corações essa noite.
    — Lola!
    E saímos rindo.

    Chegamos ao local da festa, a casa onde está sendo realizado o evento, é fascinante. Há muitos fotógrafos lá fora e até mesmo uma equipe de TV, como havia imaginado.
    Lá dentro a decoração predominando entre o branco e o dourado, dão um clima alegre e festivo. No palco uma banda toca algo que eu não conheço, em frente a ele, há uma pista de dança, e algumas pessoas arriscam alguns passos. Ao fundo as mesas estão espalhadas e demarcadas de forma estratégica.
    Mais ao fundo, no salão, há imensas portas de madeira polida e artesanais, elas dão acesso ao que me parece ser um jardim.
    Em nossa mesa está uma jovem chamada Aline, assistente de Lola, ao lado dela um jovem, que ela nos apresentou como seu irmão. A cada minuto, mais e mais pessoas vão chegando e ocupando seus lugares.
    No decorrer da noite, dois ou três rapazes vem até nossa mesa, convidando-me para dançar, recusei, apesar dos protestos veementes da minha tia. Primeiro porque não sei dançar e segundo porque tenho medo de fazer algum papel ridículo, e acabar envergonhando-a perante seus amigos de trabalho. Principalmente agora, que o Sr. Durant já havia chegado a festa e começado a circular pelas mesas. Ele passou pela nossa, há poucos minutos, acompanhado de uma jovem morena e bonita. Foi impossível deixar de notar como ele é bonito e intrigante.

    A festa está no auge agora, falta um pouco menos de uma hora para a contagem regressiva e para um novo ano.
    Minha tia conversa animadamente com Aline. Daniel, o irmão dela insiste em tocar minhas pernas por debaixo da mesa, em meio a uma conversa esquisita e sem sentido. Desde que sentei ao lado dele, recebo seus olhares e indiretas. E minhas recusas para dançar com outros homens, parece ter dado a ele, a ideia errada de que eu estou correspondendo suas investidas.
    — Por que a gente não vai dar uma volta? — pergunta ele, colocando a mão em minhas pernas, outra vez.
    — Eu preciso ir ao toalhete — afasto a mão dele e me levanto.
    Lola me olha intrigada e sussurro no ouvido dela, que preciso de um pouco de ar puro.
    — Não demore — ela sorri — Daqui a pouco é Ano Novo.
    — Estarei de volta em alguns minutos.
    Sigo em direção ao jardim, alguns abusados e obviamente bêbados, seguram meu braço ou tentam agarrar-me pela cintura. Livro-me deles com safanões e olhares ameaçadores.
    Somente quando chego ao jardim, volto a respirar com tranquilidade. Tirando todos os inconvenientes, estou me divertindo muito.  A música, a festa, a comida, tudo está perfeito.
    Claro que não bebi, mesmo com Lola ao meu lado. Não seria prudente, ainda mais com Daniel me rondando.
    — Achei você — a voz de Daniel soa atrás de mim — Deveria ter me avisado antes, que queria um pouco de privacidade para nós dois.
    Afasto da pilastra onde estive apoiada para observar a noite e viro-me para encará-lo. Ele é um jovem bonito, não nego — loiro, relativamente alto, olhos castanhos, mas, não estou atraída por ele, como ele acredita.
    — Olha você é um rapaz legal, mas...
    — Não seja tímida, princesa — ele caminha até mim, com passos vacilantes — Eu sei que está interessada. Por isso recusou todos os homens que se aproximavam de você.
    Droga! Outra vez essa história!
    — Por favor, me solte! — tento afastar as mãos grudentas da minha cintura.
    Ele está bêbado e sendo inconveniente. O irônico é que não fiz nada para incentivar suas investidas. De forma educada, tentei repeli-lo, mas nada pareceu surtir efeito. Só quis um pouco de paz e tranquilidade e não um encontro clandestino com ele.
    — Eu sei que quer me beijar, docinho — Daniel prende-me mais contra seu corpo.
    Não sei o que fazer ou como lidar com ele. Jamais estive em uma situação como essa. Teve a vez em que Max avançou o sinal em minha casa, mas naquele dia eu quis testar meus sentimentos por ele, além disso, ele era meu noivo, estávamos a dias de nosso casamento. Não era errado, eu acho.
    Daniel encontra-se alcoolizado e invasivo. Será que todos os homens que se aproximam de mim, precisam buscar esse subterfúgio ou é apenas uma coincidência? Seja qual for a resposta eu não gosto da forma abusiva a qual ele me trata.
    — Solte-me! — exijo quando seu rosto se aproxima do meu — Solte-me, Daniel!
    Fecho os olhos quando vejo sua boca aproximar-se da minha. O cheiro da bebida, misturado ao meu medo, fazem meu estômago contrair-se. Mas antes que eu tente afastá-lo outra vez, vejo-o ser lançado para o outro lado e dou de cara com um peito amplo e um homem alto, bem mais alto que Daniel. Subo meus olhos lentamente e deparo-me com um homem incrivelmente lindo. Seus cabelos são negros, ombros largos, em um elegante smoking azul marinho, sob medida. Retiro o que disse sobre Neil Durant ser muito atraente, porque esse homem à minha frente, extrapola todos os estereótipos de beleza. Ele é um verdadeiro Adônis, que me faria com toda certeza, tirar milhares de fotos dele e espalhar pelo meu quarto, como uma adolescente apaixonada.
    — O que está acontecendo aqui? — ouço sua voz irritada e logo em seguida, estou sendo presa contra o peito musculoso — Desculpe o atraso, amor, tive que resolver alguns problemas no escritório. Você está bem?
    Amor? Escritório? Olho a minhas costas em busca de uma mulher linda e estonteante. Tirando alguns casais mais a frente, não há ninguém além de nós três nessa parte do jardim.
    — Quem é você? — pergunta Daniel, com a voz embriagada.
    — Sou o namorado dela — diz ele, com a voz calma, mas sem dúvida, ameaçadora — Esse idiota está importunando você?
    A mão dele passeia pelo meu braço, sob a renda do vestido, e meu corpo reage ao toque, imediatamente. Fagulhas parecem queimar minha pele.
    — Eu... hã... — minha garganta está seca, tanto que não consigo formular uma frase coerente. 
    — Desculpe, cara — Daniel me lança um olhar furioso — Não sabia que ela tinha um namorado. Ela não disse.
    — Mas eu... — começo a balbuciar, tentando corrigir o equívoco, mas quando o homem vira-me de frente a ele, rente ao seu corpo, esqueço inteiramente o que ia dizer.
    — Saia daqui! — rosna ele para Daniel, que obedece, sem pestanejar.
    Enquanto ele observar o outro sair cambaleando, aprecio o rosto quadrado de sobrancelhas grossas, perfeita e naturalmente bem desenhadas. Olhos castanho escuro, terrivelmente penetrantes. E quando ele sorri como agora... Senhor tenha piedade de mim, mas ele me faz esquecer do meu próprio nome.
    — O que faz aqui fora sozinha?
    — Precisava de um pouco de ar puro — lembro de falar, após ficar um longo tempo admirando seu rosto.
    Ele balança a cabeça e volta a sorrir para mim.
    — E qual o seu nome?
    — Penélope — sorrio de volta, como uma boba.
    — Charmosa — diz ele, afastando-se e levando as mãos nos bolsos da calça.
    Cada movimento dele é como uma dança, meticulosamente ensaiada e sensual.
    — Como? — pergunto, atordoada.
    Ele ri e o som rouco, faz cócegas em meu estômago.
    Droga.
    Estou agindo como tola deslumbrada. Tudo bem que ele é o homem mais fascinante que já vi na minha vida, mas existem milhares de homens lindos no mundo.
    — Seu nome — continua ele, dando um passo em minha direção — Penélope Charmosa, do desenho, nunca brincaram com isso?
    Quando eu era pequena e meu pai era um homem divertido e relaxado, sim. Depois, ninguém se atreveria a brincadeiras como essa, não com a filha do reverendo, ninguém seria louco o suficiente.
    — Meu pai... ele gostava... do desenho — eu explico, piscando e gaguejando ao mesmo tempo, estou nervosa com a proximidade dele — Ironicamente agora ele odeia... quer dizer, é um carma que ele...
    — Por quê? — outro passo em direção a mim — É tão charmosa quanto ela. Não... seria mentira dizer isso, é muito mais fascinante.
    — É... complicado — respondo com a voz vacilante — Ele não já não aprecia desenhos infantis.
    — Então, ele não ficará irritado se eu for o seu Tião Gavião.
    A comparação leva um sorriso aos meus lábios. Silvestre Solução é o homem que deveria proteger Penélope Charmosa, mas na verdade ele é seu arqui-inimigo, Tião Gavião. Não sei por quê, mas parece que há um aviso velado nisso.
    Bem, ele havia me salvado das mãos inconvenientes de Daniel. O que ele quis dizer, é que eu deveria manter-me longe dele, para o meu próprio bem?
    Parece que eu estou em algum tipo de jogo, no qual eu não sei a próxima jogada e nem movimentar as peças corretamente.
    — Eu não sei — sussurro, baixinho — Você é?
    Agora ele está cinco centímetros do meu rosto. Meus dedos dos pés começam a formigar e sinto um calor diferente percorrer meu corpo. Ele aproxima-se um pouco mais, em poucos segundos, vejo-me novamente encurralada contra a pilastra, só que nesse momento, eu não sinto repulsa. Pelo contrário, o hálito quente em meu pescoço, arrepia minha pele, de uma maneira prazerosa.
    — Assusto você? — ele olha profundamente dentro dos meus olhos.
    — Não — eu não minto, ele não me assusta. O que me causa pânico, são as sensações que a simples presença dele, trazem a mim.
    A música que tocava lá dentro, de repente silencia. As vozes das pessoas ficam cada vez mais audíveis, enquanto iniciam a contagem regressiva.
    Dez... Nove... Oito...
    — Sabem o que dizem sobre o ano novo? — pergunta ele, colocando a mão em meu pescoço, puxando-me para seu peito.
    O toque de sua mão em minha pele, causa pequenos choques elétricos em meu corpo, deixando-me mole.
    — O quê? — pergunto com a voz rouca.
    Dois...Um!
    — Temos que começar com um beijo.
    Primeiro sinto seus dedos sobre minha face, de forma delicada, como se escovasse meu rosto. Em seguida, ele levanta meu queixo, e é impossível desconectar meus olhos dos seus. É como se um imã puxasse-me em direção a ele. Inconscientemente, dou um passo direção a ele.
    Por que não estou repelindo-o como fiz com todos os outros homens? Por que sinto essa estranha e inquietante necessidade de beijá-lo?
    Mordo meus lábios em antecipação e ele geme. Vejo seu rosto se aproximar do meu e meu coração acelera, de um jeito que nunca senti antes. Esse momento, antes dele tocar meus lábios, não deve ter durado nem dez segundos, mas para mim, é como se tivesse durado horas.
    Quanto ao beijo, não posso descrever o que sinto, não há palavras suficientes. Todas a sensações que eu li e reli, relatadas nos livros, verdadeiramente acontecem. Meu coração dispara em meu peito, meu corpo todo entra em ebulição e nós somos transportados para um lugar só nosso.
    Quando ele introduz a língua em minha boca, a procura da minha, a sensação é tão intensa que chega a me causar fraqueza. Agarro-me ao terno dele para me equilibrar, e suas mãos pousam em minha cintura, prendendo-me mais a ele. Sinto seu... Deus ele está...
    — Humm... — o gemido saiu de minha boca, tenho certeza disso.
    As mãos deslizam até minha bunda e sua excitação fica ainda mais evidente. Eu gemo outra vez, e contorço em seus braços. A língua volta a enroscar na minha de forma lenta e libidinosa.  O beijo fica cada vez mais exigente, deixando-me desnorteada e sem ar.
    — É... porra! — ele interrompe o beijo e toca a testa na minha — Preciso de uma bebida — ele se afasta, passando indicador na sobrancelha, parece tão abalado quanto eu — Para comemoramos o ano. O que você quer?
    O quê? Tento me recobrar aos poucos, embora ache que isso jamais voltará a ser possível.
    — Suco de laranja — respondo, ainda desorientada pelo beijo arrebatador — Por favor.
    Ele sorri e me estuda por alguns segundos, parece confuso e intrigado com minha resposta.
    — Suco de laranja não é bebida — provoca ele — Não para comemorar o Ano Novo.
    Caramba! Levo minha mão aos meus lábios inchados. Já é Ano Novo e tia Lola irá me matar.
    — É líquido — retruco, envergonhada — Então, acho que é uma bebida, sim.
    Ele volta a sorrir e minhas pernas voltam a amolecer com o som atraente, apoio-me na pilastra, por segurança e medo de cair.
    Se sem beber perto dele, eu já pareço ébria. O que dirá com álcool correndo em minhas veias.
    — Suco de laranja, então —murmura ele, incerto, como se temesse me deixar aqui.
    Então não vá! — a voz ecoa dentro de mim. Beije-me de novo! — ela suplica, faça-me sentir como se eu fosse única. Traga de volta aquelas sensações perturbadoras.
     — Não saía daqui — ele toca meu queixo — Charmosa... volto em um instante.
    — É Penélope — sussurro quando ele some porta a dentro — Penélope.
    Alguns minutos depois, o sorriso morre em minha boca, quando dou-me conta que não sei o nome dele.
    Eu tinha beijado um estranho como nunca fiz em minha vida!
    Bem, ele voltaria logo, e nos apresentaríamos de forma apropriada. Sem beijos dessa vez — informo a minha mente traidora.


    Só que ele não voltou como prometeu. Esperei por quase uma hora, ansiosa, irritada e finalmente, decepcionada. Assim como surgiu, ele havia desaparecido, em meio ao nevoeiro denso como mágica ou em um sonho.
    Tia Lola e eu voltamos para casa logo depois que retornei a festa. Aleguei a ela que estava com dor de cabeça, por isso retornaria para casa. Quis que ela ficasse um pouco mais e aproveitasse sua noite, já que a minha havia acabado. Mas ela foi irredutível em me acompanhar de volta.
    Não falei a ela sobre o homem misterioso, muito menos sobre o beijo.
    Miguel? Victor? Felipe? Brinco com os nomes em meus lábios, pensando qual nome se enquadraria a ele, nenhum parece combinar devidamente.
    Droga, nunca mais o veria de novo e nem tenho um nome para lembrar. Só um beijo, o mais incrível e maravilhoso beijo que já provei.
    — Quem precisa de um nome, Margarida? — pressiono o ursinho contra o peito — Não depois daquele beijo.
    Respiro fundo, irritada comigo mesma. Eu não sou mais uma adolescente bobona. Então, de algum jeito, preciso tirar esse homem da minha cabeça. Afinal, Nova Iorque é uma cidade imensa.
    Apesar do sotaque que julguei ser nova-iorquino, ele pode ser de qualquer parte do país. A chance de vê-lo novamente, seriam as mesmas de ver meu pai surgir em nossa porta, vestido de motoqueiro. Até mesmo ganhar na loteria seria algo mais provável.
    E para confrontar essa doce lembrança, há um sentimento de vazio e a sensação que estou perdendo algo muito importante. Como alguém pode marcar sua vida em apenas alguns instantes? Com apenas alguns minutos.
    Três anos ao lado de Max e eu nunca senti exatamente nada. Eu tive quase vinte minutos com um desconhecido e senti absolutamente tudo.





    2 comentários :

    1. Olá, meu nome é Richard Crum eu estou usando este post para dizer um grande obrigado a Dr.ozamo para o que ele tem feito por mim que eu nunca pensei que eu poderia passar Natal e Ano Novo com minha família
      Tenho tentado todos os meios para ganhar o meu loteria volta, mas tudo foi abortiva até Dr.ozamo entrou na pergunta que eu contatá-lo sobre o 29 de dezembro de 2014 e eis por sobre o 30 de julho de 2015, fui chamado que eu ganhei de 4 milhões de U $ dólares por meio de sorteio eu estava tão animado e eu imediatamente começou a compartilhar o meu testemunho sobre como i foi ajudado, as pessoas lá fora que ainda existem grandes rodízios mágica como senhor dr ozamo que irá ajudá-lo,
      obter o seu ex-amante de volta
      conseguir um emprego e ser promovido rapidamente
      curar o câncer e HIV
      entre em contato com ele para obter ajuda no seguinte e-mail lordozamotemple@gmail.com

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    2. Olá cada corpo meu nome é bello kannyslim Bruno I am from Brasil me formei pela Universidade de Oxford Reino Unido foram i estudou contabilidade e sociologia eu quero usar este post testemunho de agradecer senhor ozamo para transformar minha vida em uma vida de riqueza e felicidade 5 meses atrás i foi demitido de uma empresa de petróleo no Rio de Janeiro como contador da empresa, desde então, a vida tem sido difícil eu sou e os meus filhos quase não comer devido ao meu desemprego meu ex-marido era um outro grande problema, porque ele era um jogador desde que ele foi repatriado dos estados unidos da américa, devido à venda de drogas e ele nunca ganhou um jogo na loteria desde que ele começou jogando minha vida estava em um estado de deli-ma porque estávamos vivendo em uma área de aldeia suja e local, porque a minha empresa foram i trabalhou antes tirou todas as coisas que eu possuo minha casa, meu carro, minha loja e minha estação de enchimento de gás, disseram $ 700 milhões de dólares americanos era ausente da conta bancária da empresa e desde que eu estava no comando daquele departamento i será realizada i responsável foi levado a tribunal várias vezes eo juiz disse que a última vez que eu vou aparecer no tribunal serão os meus 45 anos de julgamento prisão prazo para lavagem de dinheiro Eu estava prestes a cometer suicídio 4 dias antes i vai aparecer no tribunal para o último momento em que me deparei com um testemunho por Julia sen nosso Gomis sobre como um feitiço caster nomeado senhor ozamo ajudou-restaurado a sua alegria de volta depois de ler seu post eu decidi entrar em contato com ele através de seu endereço de e-mail e disse-lhe tudo o que eu estava passando eis que somente Deus sabe como cada coisa trabalhou assim tão rápido que era como um sonho, porque eu nunca acreditei em rodízios mágica ele me garantiu que jamais coisa vai acabar em sete dias o tempo i gentilmente seguido todas as instruções s pelo senhor ozamo templo e hoje o meu ex-marido é de volta para mim e as crianças de novo, não só aquele senhor ozamo também ajudou o meu marido em ganhar $ R 100.000 em loteria e meu câncer foi sobre a minha empresa me ligou de volta e até mesmo me deu uma casa nova do carro, posto de abastecimento de gás e dobrei meu salário palavras de tempo de 5 hmm não são para aquele senhor ozamo templo, ele é realmente um dos grandes rodízios mágica do mundo,
      você pode alcançá-lo através de seu endereço de e-mail privado lordozamotemple@gmail.com

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