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  • Protegida por mim - Capítulo 8



    Amor...
    Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
    (Coríntios 13:06)


    Neil


    “Preciso de ajuda!”
    A mensagem arquivada no celular em meu bolso aciona meu radar de perigo. Eu havia estranhado que Dylan tenha demorado tanto tempo para regressar a cabana, afinal ele havia saído apenas para comprar o leite dos bebês e algumas outras coisas que Jenny precisaria. Além disso, a necessidade de abandonar aquela cabana por um local mais seguro já era prioridade para mim, mesmo dos gêmeos nascerem. E depois da carta de Anne isso tornou-se primordial. A carta é como uma navalha afiada apunhalando meu peito. A última vez que chorei assim, foi quando Jenny me viu pela primeira vez e não era eu que ela enxergava. Ela via o mal, cru e impiedoso. A possibilidade de que perdesse para sempre fez-me perder todas as estruturas.
    O sofrimento que identifiquei nas simples e ternas palavras de Anne trouxeram à tona o mesmo sentimento daquele dia. A sensação de que falhei. Anne foi a primeira pessoa que me ensinou que o amor pode ser puro e desinteressado. Com Jenny compreendi que quando é correspondido faz-nos sentir como se vivêssemos em um perfeito paraíso. Duas pequenas que poderiam ser consideradas frágeis, mas que de fato, são incomparavelmente mais fortes que eu.
    Assim como minha mãe eu escondo os sentimentos dentro de mim, no meu caso, apenas para proteger e cuidar das pessoas que amo. Dou-me completamente para garantir que sejam felizes. Torno-me feito de aço, firme, duro. Deixei para trás uma casa luxuosa, carros caríssimos e uma empresa em que nela eu era o rei. Curiosamente nada disso me fez falta a não ser Anne.
    Nada no mundo me importa mais do que minha família, principalmente agora que tenho dois novos motivos para lutar por isso.  E a única forma de me ferir é atingindo-os. Quem quer que esteja fazendo isso sabe disso, movimentando nossas vidas como peças de xadrez à espreita do xeque mate.
    A trade começa a cair e esses pensamentos são expulsos de minha mente quando avisto o carro estacionado de forma esquisita entre a rua e o meio fio, a posição parece que estava indo em direção contrária a cabana. A mesma sensação que tive quando saí para encontrar Dylan, faz os cabelos em minha nuca eriçarem.
    Atravesso para o outro lado e continuo caminhando em direção ao carro. Analisando-o a certa distância.  Não há ninguém no banco do motorista.
    Olho além da estrada, onde ela some em uma curva fechada e perigosa. A minha volta só há arvores imponentes.  Estou no meio do nada, isso me lembra dos filmes assustadores que Jenny e Anne tentavam assistir, mas que sempre desistiam ao fugir para meu quarto.
    Alguma coisa está errada eu sei disso. Os dois pneus traseiros estão arriados, estourados para ser correto. Talvez seja por isso que Dylan tenha enviado a mensagem. Mas onde ele pode ter ido?
    A cada passo que dou vejo as coisas mais detalhadamente. Há marcas de pneus e freadas no asfalto. Embora logo a frente haja uma curva sinuosa as marcas de pneus no chão além do cheiro são recentes.
    Alguém o havia perseguido, encurralado e lançado para fora da estrada. Não há dúvidas. Mas por que se o alvo sou eu?
    Paro entre o meio da estrada e o carro e, olho ao redor novamente a procura de meu algoz em vigia. Espero por segundos intermináveis. Nada além do barulho das folhas de árvores e a cantoria de algumas cigarras perto daqui.
    Um grunhido baixinho chama minha atenção para dentro do carro. Eu avanço.
    Encontro-o caído entre os dois bancos, o corpo contorcido de forma estranha. O movimento respiratório em seu peito e os novos gemidos que ouça certificam-me que apesar de ferido Dylan está vivo.
    — Dylan! — escancaro a porta e tento movê-lo com cuidado — Dylan!
    Seus olhos piscam algumas vezes como se procurasse orientar-se.
    — O que aconteceu aqui? — ajudo-a sentar de uma forma mais confortável, embora cada movimento o faça gemer mais. Noto os fios de sangue deslizarem por sua testa, no lado esquerdo.
    — Atiraram no carro — diz ele com a voz vacilante — Tentei desviar, fugir mas atiram nos pneus. 
    Ele cerra os como se estivesse revendo mentalmente o que havia ocorrido ali.
    — Por isso enviou a mensagem para mim? — soou mais como uma afirmação do que uma pergunta.
    — Que mensagem? — pergunta ele levando a mão a cabeça.
    — Para o meu celular.
    — Não enviei mensagem alguma — Dylan me encara espantado.
    É normal que ele esteja confuso e desorientado e espero que o ferimento em sua cabeça não deixe sequelas graves.
    Os planos haviam mudado. Terei que entrar em contato com Peter para que ele encontre outra forma de irmos para a casa que havia providenciado. Também terei que dispensar Dylan até que se recupere. Isso não me deixa feliz. Com ele por perto eu conseguia ficar menos tenso em alguns momentos, pelo menos disfarçar para Jennifer a ebulição de sentimentos próximos a explodir dentro de mim.
    — Enviou sim — mostro o celular a ele para que não se sinta como se fosse louco — Veja.
    — Sinto muito — Dylan me encara com firmeza — Eu não envie. Quando vi que estava sendo seguido tentei voltar para a cidade, mas atiraram nas rodas... Não me lembro de mais nada depois daí.
    — A mensagem veio do seu celular, Dylan — insisto, alarmado.
    — Acredite em mim, senhor Durant, eu não fiz isso. 
    — Onde está o telefone?
    Ele procura nos bolsos da calça, mas faz isso com tanta lentidão que resolvo ajuda-lo. Não está com ele ou parte alguma do carro, concluo após fazer uma vistoria minuciosa nos bancos traseiros em meios as sacolas de compras.
    Que porra está acontecendo aqui!
    O som da sirene ao fundo e os dois carros policiais que passam por nós em alta velocidade seguindo em direção em que vim deixa-me em transe enquanto observo-os através dos vidros da janela.
    — Droga! Droga! — vocifero em voz alta — Malditos!
    Ficou tudo mais claro do que água para mim. Não estavam procurando seguir meu segurança. Queriam me atrair. Deixar Jennifer sozinha, uma presa fácil e eu caí completamente na armadilha.
    Chuto a porta do carro até abri-la. Coerentemente seria mais fácil apenas levantar a alavanca, mas estou longe de agir como uma pessoa coerente.
    — Dylan você está bem? — pergunto alucinado ao sair do carro.
    — Sim, senhor — murmura ele, cambaleando, aproximando-se com passos curtos — Vá. Ficarei bem.
    — Eu... — olho para o ferimento em sua testa e sinto-me culpado. É desumano deixa-lo aqui, assim.
    Inferno! Eu não tenho alternativa. É minha família. Jenny e meus filhos precisam de mim.
    — Vá, senhor — ele insiste em meio a palidez em seu rosto — Alcanço-os em seguida.
    Antes que eu consiga piscar os olhos, corro de volta a cabana em uma velocidade que daria inveja a qualquer maratonista olímpico. O medo pode ser nosso maior inimigo, mas também nos impulsiona. É como uma verdadeira meretriz, pronta a morder suas bolas, por mais que eu tente não entrar pânico, ele está em prontidão, duelando comigo.
    Corro como se meu corpo fosse apenas programado para isso. E respirar é apenas uma necessidade fisiológica. O gosto ácido e amargo que queima em minha boca, miscigenado a raiva que são tão intensos que faz meu corpo tremer tirando-me o foco de tudo. A culpa por tê-la deixado sozinha, martela em minha cabeça como um inquisidor implacável.
    O suor começa a correr frio pelo meu rosto enquanto rezo para que eu os alcance a tempo. É inegável, chegamos ao fim da linha. As duas viaturas que passaram por mim a pouco estavam ao encalço de Jennifer.
    Tudo o que fizemos, todo sofrimento causado a nós mesmo e a nossa família havia sido inútil.
    Corto caminho por dentro da floresta tentando ganhar tempo e reduzir a distância o máximo que eu possa conseguir. Alcanço o caminho de pedregulhos que leva a entrada. Por um momento, ao ver o espaço vazio, a parte de mim que acredita em milagres pergunta-me se talvez não houvesse sido apenas um mal entendido. A porta semiaberta e as mãos de aço em meu peito respondem que não.
    Eu não caminho, sou arrastado para dentro por minhas pernas trêmulas e vacilantes.
    Vazio!
    Tudo o que há é um imenso vazio. E não digo apenas da minúscula habitação iluminada por luzes amarelas e opacas. Haviam me lançado em um imenso e frio buraco negro de dor e solidão. Não sei exatamente em qual momento meus joelhos tocam o chão, mas posso de dizer com precisão o momento em que a primeira lágrima saltou de meus olhos.
    Jennifer, meus filhos, ninguém.
    Consigo sentir o perfume dela e o cheiro suave de loção de bebê. E se eu fechar os olhos a sensação é tão intensa ao ponto de chegar a ouvir o som de suas vozes.
    — Me perdoem! Sinto muito!
    O grito enrouquecido ecoa pelo quarto silencioso de forma espectral. A percepção de que eu havia falhado, outra vez. Haviam conseguido exatamente o que queriam, reduzir-me ao nada. Preso dentro de mim mesmo, definhando dia a dia como a cela que a aprisionariam. Meu coração cheio de ódio e a alma mero fragmento do que um dia já foi.
    Tão-somente momentos sombrios pela frente. O que seriam dos gêmeos e Anne, sozinhos. Crescendo sobre olhares acusatórios e palavras cruéis? Sem o carinho e abraço apertado de uma mãe.
    Minha pequena Anne que havia passado sua vida toda apenas com meu amor. Jennifer e ela haviam se entregado ao laço denso de amor entre mãe e filha que não havia causado apenas minha admiração, mas meu profundo agradecimento aos céus por tê-la colocado em meu caminho.
    Eu sabia que minha vida havia mudado completamente quando a vi naquele beco escuro. Não foi a surpresa de saber que era cega que havia me colocado em transe, mas o magnetismo daqueles olhos e a certeza de que eu jamais voltaria a ser o mesmo. Do nevoeiro cercado de solidão parcialmente preenchido por Anne ao voo esplendoroso que a sensação de tê-la em meus braços proporcionava.
    Agora... Novamente ao inferno.
    — Senhor?
    Ouvi a voz familiar e som dos sapatos, rastejando no chão de madeira degastado. O toque em meus ombros, levemente pressionados, oferecendo um conforto que estou muito longe de sentir.
    — Levaram-na, Dylan — dou voz ao que eu havia repetido mentalmente em minha mente.
    Eu já havia chegado ao meu limite. Tudo que quero é saber que Jennifer está bem. Mesmo sabendo que isso seria impossível.
    — Eu os vi, rapidamente, quando cruzei com eles na estrada, a caminho daqui.
    — Como ela estava? — exasperei, pressionando-lhe os pulsos com força demasiada.
    — Eu não sei dizer.
    Respiro fundo, procurando controlar o vulcão em erupção dentro de mim. Amo-a demais para me render assim. E esse amor que me impulsiona a continuar lutando.
    —Há alguma possibilidade de usarmos o carro? — pergunto ao me levantar do chão frio. Eu já sabia a resposta óbvia para essa pergunta, mas preciso manter minha mente ativa de alguma forma.
    — Sem rodas novas...
    — Preciso encontrá-la — sussurro indo em direção a porta.
    —Como fará isso? — Dylan me interpela — Andando sem rumo por aí.
    Estávamos isolados, mesmo que caminhássemos até a cidadezinha mais próxima levaria pelo menos um dia. Um tempo longo demais para mim, os últimos minutos foram dolorosos o suficiente.
    — O que você quer que eu faça? — vocifero, meu peito comprimido de angustia — Esperar ajuda dos céus? Eles não têm me ouvido muito nos últimos dias.
    – Ajuda divina é sempre bem-vinda senhor. Mas eu penso em alguém mais próximo de nós.
    Minha mão vai automaticamente para o telefone em meu bolso. Em busca da única pessoa capaz de me ajudar nesse momento.
    — Neil? — a voz soou ansiosa. Havíamos acertado de entrar em contato apenas quando estivéssemos instalados no novo esconderijo.
    As coisas haviam piorado consideravelmente em Nova Iorque. A polícia fazia marcação cerrada com minha família e amigos e a impressa insaciada por notícias de primeira página. Os pais de Sophia não deixavam a poeira baixar um único instante, amargurados e ávidos por justiça. Não os condeno apesar de tudo, faria o mesmo. Minha única indignação é o novo e surpreendente interesse em Anne.
    Ninguém irá tirar minha filha de mim. Jamais permitirei.
    — A polícia esteve aqui... — pronuncio com pressa.
    — Porra!
    —Preciso da sua ajuda — murmuro, rápido — Não posso explicar agora...
    — Certo. Estou a caminho.
    O bip do telefone avisa que a ligação foi encerrada. Eu disco o número seguinte na agenda. Eu não posso estar ao lado dela, mas jamais a deixaria sozinha.
    — Adam! — rosno, num tom apreensivo, assim que ele atente ao telefone — Jennifer foi presa. Preciso que vá encontrá-la. Levaram meus filhos também.
    — Inferno!
    Os protestos ensurdecedores são como uma injeção de adrenalina para mim. Reflete exatamente o que vai no meu íntimo.
    — Diga a ela que eu a amo — pronuncio com a voz falha — Não importa o que aconteça. Hoje e sempre.
    — Dylan... — mantive meus olhos nos dele, firmes como gesso — Me conte exatamente o que aconteceu.
    — Eu fui até a cidade como me pediu — ele começa, senta-se na cama e enruga testa ainda manchada de sangue como se quisesse reorganizar os pensamentos — Eu não encontrei um dos itens da lista...
    — Dylan!
    É claro que eu precisaria esperar Peter aproximadamente por quase uma hora no mínimo, então eu preciso manter minha mente ocupada em algo que não me faça enlouquecer em meio essa impotência a qual estou preso. Lista de compras não irá ajudar em nada com isso.
    — Pensei em ir para cidade ao lado, mas como estava com pressa de sair daqui, resolvi voltar. No caminho eu notei um carro atrás de mim, parecido com aquele daquele dia.
    Concluo que seja o carro que nos interceptou quando fugíamos em direção ao aeroporto.
    — Eu estacionei fingindo procurar alguma coisa e esperei que ele seguisse, mas pararam logo atrás de mim. Eu soube que não era uma simples coincidência. Tentei recuar mas os tiros nos pneus impediram-me.
    — Foi assim que você machucou a cabeça? — pergunto preocupado — Você está bem?
    — Tirando a dor de cabeça infernal sim — murmura ele, cerrando os olhos, levando a mão a cabeça — Mas não foi uma batida no carro que causou isso. Foi uma coronhada de um revólver.
    Faz mais sentido já que não vidros quebrados no carro ou qualquer indicio de acidente. Pneus furados em uma estrada como aquela não chamariam a atenção da polícia tanto quando vidros estilhados. Não quando o alvo deles era muito mais atrativo — a esposa assassina de um dos CEOs mais visado do país.
    — Quando o homem desceu do carro e se aproximou, alguma coisa me chamou atenção... — Dylan murmura esfregando os olhos — Eu não me lembro. As coisas parecem nebulosas em minha cabeça.
    — Não se preocupe com isso — forçar sua mente debilitada agora, só poderia piorar as coisas.
    Além disso, Dylan havia feito por todos esses dias muito mais do que qualquer funcionário fiel. Havia sido um amigo. Não apenas por todos os anos que esteve trabalhando comigo. Sei que em grande parte é pela relação que tem com Peter. Não é apenas gratidão por ter sido fervorosamente indicado para trabalhar para mim. Há algo mais além. É como se estivesse em dívida. Eu sei que eles trabalham juntos na CIA, mas essa é uma parte do passado de Peter que ele mantém a sete chaves. Eu nunca o forcei a se abrir, todos temos nossos próprios segredos.
    — Quando voltarmos a Nova Iorque você estará dispensado por uns dias. Para todos os efeitos você estava de férias...
    — Senhor eu ...
    — Você foi imprescindível até o momento — murmuro — Creia, ainda precisarei de você, preciso que esteja a margem de tudo isso.
    Dylan balança a cabeça em resposta. A verdade é que não acho justo arrastá-lo ainda mais para esse precipício que havia se tornado minha vida. Há pessoas suficientes sendo arremessadas contra ele.

    ****

    O ruído de uma freada abrupta lança-me porta afora. Entro no carro seguido de Dylan. Segundos depois a M3 vermelha e cintilante, cruza a estrada como se estivesse em uma pista de corrida, cruzando a noite tão negra e fria quanto eu.
    — Então, desembucha — Peter fala sem desviar os olhos da estrada de curvas insinuantes.
    Relato tudo a ele dando plena atenção a todos os detalhes. Algo que pode ter passado despercebido pode ser importante para mente perspicaz de Peter. Eu já não possuo a mesma capacidade de racionar com tanta frieza.
    — Ele disse algo mais sobre o homem? — pergunta Peter olhando para Dylan através do retrovisor. Ela dorme profundamente no banco traseiro. Verifiquei sua cabeça enquanto esperávamos por Peter. Além do corte que precisaria de alguns pontos, aparentemente os danos não foram graves.
    — Dylan está meio confuso entre o inconsciente e a realidade.
    — Ele irá se lembrar no momento certo — murmura ele — Como você está?
    Como eu estou?
    — Sabe como é sentir que está prestes a perder a pessoa mais importante de sua vida? A razão de sua existência?
    — Não.
    — Então nunca saberá como eu estou.
    O restante do caminho é feito em silencio sepulcral. Não é de minha natureza entregar os pontos, por isso agarro-me a frágil e pequena esperança em mim.  Independentemente do que aconteça, a sensatez e frieza terão que falar mais alto. Embora eu queira chorar como aquele garotinho que haviam afogado o gato.
    Como eu havia esperado a delegacia estava repleta de jornalistas como vampiros sedentos por sangue.
    “Onde esteve durante todo esse tempo?”
    “A acusação pede prisão perpétua, como se sente sobre isso?”
    “Como é estar em meio a um dos crimes mais chocantes das últimas décadas?”
    Perguntas seguem incessantes e implacáveis enquanto abrimos caminhos em meio a eles.
    — Não responda nada — os ombros de Peter arremessam um jornalista mais afoito contra a parede — Não caia no jogo deles.
    Seria um conselho viável se ele mesmo não estivesse brincado de arremesso de peso.
    Chego tenso à recepção da delegacia. Escapar das câmeras e dos repórteres, foi o mais difícil. Não é todos os dias que a esposa de um magnata é presa em plena fuga sob acusação de assassinato. No dia seguinte a notícia estamparia a capa de quase todos os jornais do mundo.
    — Senhor Durant — um oficial vem ao nosso encontro — Peço que me acompanhe.
    Apenas isso? Sem algemas ou um batalhão de policias atrás de mim?
    — Deixe que eu cuide disso, oficial Hurt — Adam surge atrás dele.
    — Doutor Crighton eu tenho ordens severas para...
    — O S.r Durant é meu cliente — ele interrompe de forma enfática — Não há nenhuma acusação contra ele apenas um pedido de depoimento. Iremos assim que eu achar conveniente.
    Do que ele está falando? Eu não só havia fugido com Jennifer eu tinha arquitetado tudo nos mínimos detalhes, com a ajuda de Peter é claro, mas isso ninguém mais precisa saber. Tecnicamente eu sou tão culpado quanto ela.
    — Ouviu o que ele disse? — Peter se coloca a minha frente, os punhos cerrados pronto para briga — Ou vou ter que fazer entende-lo?
    O homem o enfrenta por alguns instantes mas sai resmungando alguns segundos depois.
    — O que está acontecendo aqui? — encaro Adam com olhar inquisitivo.
    — Neil, eu sinto muito —diz Adam, vindo ao nosso encontro — Sei que estiveram muito perto.
    — Adam!
    — Incialmente eu achei a ideia da Jenny absurda, mas... 
    A simples menção do nome dela faz todas as outras coisas perderem o sentido.
    — Jennifer... — sussurro quase inaudível — Onde ela está? Os bebês?
    — Vou levá-lo até ela — diz ele, a caminho do longo corredor onde pessoas transitam de um lado a outro — Paige levou os gêmeos para casa dela.
    Isso me deixa aliviado. Paige e Richard cuidarão bem deles.
    — Tem que tirá-la aqui, Adam! — respiro fundo, procurando recuperar o controle.
    — Eu tenho que ser sincero — murmura ele — Será muito, muito difícil. A tentativa de sair do país, foi um atestado de culpa.
    — É agora que você vem com o velho clichê “eu avisei.”
    — Não — murmura ele — Não que tenha sido a melhor coisa que fez, mas eu entendo.
    — O que vai acontecer agora? — pergunto aturdido.
    — Jenny será interrogada — diz ele — Apresentarão todas as provas contra ela e depois irá a julgamento. Sugiro alegarmos legítima defesa.
    — Mas ela é inocente! — retruco, apressadamente — Acredita nisso, não é?
    — Eu acredito, mas o promotor, o júri e todas as outras pessoas, terão outra ideia — explica ele — Precisamos de tempo e teremos dois pontos a nosso favor. O histórico de Sophia, o fato de que Jenny estava grávida quando tudo aconteceu, além de separá-la dos gêmeos, pode comover as pessoas.
    — Eu quero o verdadeiro culpado pagando por isso, Adam! — murmuro irritado — Não a piedade dos outros.
    — Então acho melhor começarmos a procurá-lo e logo — diz ele, dessa vez num tom mais baixo — Eu farei todo o possível para ajudá-la, mas não teremos muito tempo.
    Passamos por algumas salas e paramos em frente a uma porta fechada. Os dizeres em negrito na placa prateada indicava ser uma das salas de interrogatório.
    — Faremos isso — responde Peter as minhas costas — Pode ter certeza. Cansei de brincar de gato e rato. E se minhas suspeitas estiverem certas... Mantenha-se forte. Não está sozinho nessa, Neil.
    Eu queria questioná-lo. Perguntar o que eu não sei, mas a necessidade de vê-la é primordial para mim.
    Entramos na sala vazia e minha decepção por não tê-la ali é gigantesca.
    — Eu quero vê-la.
    — Consegui alguns minutos a sós para vocês dois — murmura Adam — Vão trazê-la para confrontar seus depoimentos, precisam ser rápidos.
    — O que está acontecendo?
    — É melhor ela mesmo lhe dizer já que duvido que eu possa convencê-lo.
    A porta é aberta, primeiro entra o policial, seguido de uma jovem de cabeça baixa, meu coração salta no peito. Parece frágil e indefesa. Nossos olhos se cruzam, por um breve momento vejo alegria brilhar em seu olhar ao me ver, ser substituído pelo abatimento.
    Um policial abre as algemas em seus pulsos e a conduz até uma cadeira em frente a mim. Gostaria de tocá-la, estamos longe, muito longe, mesmo estando tão perto, como se houvesse um muro invisível e intransponível diante de nós.


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