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  • Protegida por mim - Capítulo 4


    Neil
    Eu te amo para amar-te e não para ser amado pois nada me dá tanta felicidade como te ver feliz.
    (George Sand)
    Nada!
    Pela forma que seus olhos assustados contemplam os meus, o modo que os braços protetores circulam o ventre abaulado, a simples palavra, poderia significar tudo.
    Instantaneamente, como magia, a dor dilacerante em meu ombro, os trovões insuportáveis dentro de minha cabeça, desaparecem, completamente. Minha preocupação é apenas ela e os bebês.
    — Jenny? — pergunto, ansioso, seguindo-a com olhar — Fale comigo!
    Levanto-me, num ímpeto, guiado pela apreensão. Caminho até ela, vacilando em seguida, uma vertigem, provocada por uma fisgada lancinante em meu ombro, faz meus joelhos envergarem, eu caio num baque surdo, diante dela.
    — O que está fazendo? — repreende ela, a aparente preocupação, brilhando em seus olhos úmidos. 
    Amaldiçoou-me internamente, odeio essa sensação de impotência. Essa aparente fragilidade, e fraqueza que me encontro. Eu deveria protegê-la, assegurar que exatamente nada a perturbasse física ou mentalmente. Tudo o que tenho feito desde que que a conheci é remediar as situações e, isso me enlouque.
    — O que você não quer me contar? — insisto.
    Sei que tenta me esconder algo, e tem a ver com os bebês. O remédio? Vasculhos os bolsos da calça em busca do frasco de compridos que a Dra. Moore havia entregue a mim, no dia anterior. Devo tê-los deixado cair durante o tiroteio ou quando tombei no asfalto.
    — Inferno! — Peter rompe o quarto, seus olhos chispando fogo. Volta para cama com ajuda de Peter, sem desviar os olhos de Jenny, que continua calada no centro do quarto —Está maluco, homem?
    Noto Liam seguir atrás dele, com um sorriso debochado no rosto.
    — E aí homem de ferro?  — zomba ele — Está pleiteando uma vaga no cinema?
    Uma das coisas irritante nos meus amigos, especificamente, em Liam, é que eles escolhem o momento errado para bancarem os engraçadinhos. Apesar disso, sinto-me aliviado em vê-lo aqui. Ainda que obstetrícia não seja a especialidade dele, Liam é médico, poderá examiná-la e dizer-me o que há de errado com meus filhos, algo que até o momento, Jenny parece obstinada a me esconder. Embora o objetivo seja poupar-me de qualquer tipo de aborrecimento, tem exatamente o efeito contrário.
    — Que bom que chegou, Liam — murmura Jennifer — Imaginei que tivesse acontecido alguma coisa.
    Observo, seu rosto iluminado, pelo o que eu acredito, seja a sensação de alívio. Percebo que chegou a mesma conclusão que eu, só que no caso, a atenção dele, seria focada em mim. Não mesmo. Não antes de ter a certeza de que eles estão bem.
    Ela se aproxima de mim, na cama e toca minha testa, deslizo meu rosto na palma de sua mão, como um felino em busca de afago. Beijo seus dedos, com um roçar suave, nas pontas. Ficamos assim, por alguns segundos, presos nessa bolha
    — Eu tive que tomar cuidado para não ser seguido — Liam vira em direção a Peter —Você foi bem enfático sobre isso. Me senti em um filme do 007.
    — Liam! — Peter encara-o com olhar duro — Tem que fazer piada de tudo?
    Ele revira os olhos e balbucia algo incompreensível ao se deparar com meu olhar tenso.
    — Notou algo de suspeito, no caminho até aqui? — pergunta Peter, o modo detetive ligado.
    — Inicialmente... — Liam franze a testa, parecendo incerto — Sim. Parei em um restaurante de beira de estrada, por garantia, mas creio que estavam apenas seguindo a mesma direção que eu.
    Peter evita meu olhar e caminha até a cozinha com algumas das sacolas, que havia deixado cair perto da porta, quando entrou. Despretensiosamente, ele vai depositando os mantimentos, entre outras coisas, sobre a pia, de costas para mim. O alarme em minha cabeça começa soar. Porém, não é algo que desejo discutir agora, esse é um assunto que precisamos discutir sozinhos.
    — Liam, quero que examine Jennifer — digo, com voz imperativa — Assegure-me de que está tudo bem.
    — Jenny? — ele parece surpreso com meu pedido — Pensei que...
    — Os bebês não mexem há algum tempo — diz ela, numa voz fraca — Não deve ser nada, não é?
    Os dedos tremem em volta dos meus.
    — Neil, que precisa de ajuda aqui... — continua ela. 
    — Jennifer! — interrompo-a, com a voz dura — Não vamos entrar nessa discussão, agora. Por que não me disse isso antes? São meus filhos também, eles vêm antes de qualquer coisa, e isso se aplica a você.
    O olhar infeliz, e os lábios trêmulos fazem-me sentir culpado por ter soltado as palavras de maneira tão ríspida. Nas últimas quarenta e oito horas o teto havia desabado sobre nossas cabeças. E ela está lidando com toda essa situação, com a coragem e força que sempre admirei nela. E natural, no estado frustrante que me encontro e, conhecendo-a como conheço, que queira me proteger. Não é exatamente o que eu tenho tentado fazer com ela, desde que a conheci?
    — Desculpe — digo a ela, afagando seus dedos com a ponta dos meus e encaro meu amigo, com um olhar suplicante — Liam, por favor.
    Ele pede que ela se acomode na cama ao meu lado, e inicia o exame minucioso. A cada segundo, meu coração parece diminuir em meu peito. Não consigo decifrar nada na expressão séria e compenetrada de Liam.
    — Aparentemente, não há nada de errado — diz ele, após guardar no estojo de couro, o estetoscópio que havia usado para examiná-la, há alguns minutos —Essa tensão e agitação em volta de vocês, devem deixá-los bastante incomodados.
    — Tem certeza que estão bem, Liam? — pergunta Jenny, com a voz chorosa.
    Puxo-a para perto de mim, abraçando-a com força, pouco me importando com a dor em meu ombro. A sensação de alívio em saber que os gêmeos ficarão bem, é tão grande, que poderiam amputar um dos meus braços que eu não ligaria.
    — Levando-se em conta tudo o que aconteceu? Estão ótimos. Os batimentos estão mais lentos... — diz ele, olhando em volta do quarto — Nessas circunstâncias, é difícil dizer isso, mas, tente relaxar um pouco, Jenny. Não falta muito para eles nascerem e creio que você não quer apressar isso, certo?
    Ela maneia a cabeça em concordância, aconchegando-se mais a mim. Eu acaricio seus cabelos e beijo sua testa com carinho. Por agora, um mero vislumbre de raio de sol em meia a tempestade.
    — E quanto a você Sr. Stark — Liam contorna a cama, posicionando-se ao meu lado — Quantas vidas ainda tem? Já provou ser à prova de acidentes, balas... Quantos poderes ainda restam?
    — Não o da paciência — pisco um olho para Jennifer, relaxando pela primeira vez, em muito tempo.
    Ela sorri. E de repente, parece que todo o ambiente, que antes estivera mergulhado em treva e tristeza, parece se iluminar. Como se raios de sol, aquecendo minha pele, em um dia ensolarado.
    — Eu quero saber exatamente tudo o que aconteceu — continua Liam, enquanto remove o curativo que haviam feito em meu ombro — E não me escondam os detalhes sórdidos.
    Relato a ele tudo o que havia acontecido, desde a visita de Jenny ao apartamento de Sophia até o atentado na madrugada. Claro que, os últimos detalhes foram descritos, superficialmente. Há muitas questões em minha cabeça, desconfianças que algumas horas parecem fazer todo sentido, e outras me fazem questionar minha sanidade.
    — Fizeram um bom trabalho aqui — murmura Liam, em direção a Peter — Treinamento de guerra?
    Ele sacode os ombros, ignorando a pergunta. Entrega a Jenny um copo de leite em um sanduiche gigante, de aspecto duvidoso, que parece desabar no prato a qualquer momento.
    — Você deve estar com fome — diz ele a ela, envergonhado.
    Se ele não fosse meu amigo, e estivesse apenas sendo gentil e preocupado com ela, se Jennifer não precisasse realmente se alimentar e as circunstancias ao nosso redor não fossem tão cruciais, eu faria Peter engolir esse sanduiche com prato e tudo. É indigno de minha parte que eu tenha ciúmes, porém, é uma parte de mim, quase que incontrolável.
    — Na verdade eu não estou — diz Jennifer, olhando para a comida com certa desconfiança.
    — Coma! — ordeno, meu olhar firme em aviso que não aceitarei nenhum protesto vindo da parte dela.
    Sinto uma fisgada no ombro e vejo Liam com uma seringa, aplicando anestesia local. Em poucos minutos, ele realiza a sutura, e finaliza com um curativo.
    — A febre foi apenas uma reação ao início de infecção — murmura ele, ao retirar as luvas — Tome a medicação que deixarei e evite esforços desnecessários. Em poucos dias, estará pronto para uma facada, por exemplo.
    — Liam! — todos dizemos em uníssono.
    Ele ri, descontraidamente. Liam é tipo de pessoa que vê o lado positivo em tudo. Aquele tipo de cara, capaz de animar velório.
    — Caramba, vocês não têm senso de humor? — diz ele, ofendido — E sobre rir dos problemas?
    — É rir de nós mesmos — Jennifer corrige-o, sorrindo — E não da desgraça alheia.
    Por um momento, parecemos o velho grupo de amigos, reunidos em minha casa, para o jogo de pôquer. Despreocupados de todas as maldades que povoam no mundo. Momentos simples, na qual não damos o devido valor, mas que em ocasiões como essas, tornam-se raros e preciosos.
    — Bem... Eu tenho que seguir viagem — diz ele, dando as costas para nós enquanto arruma sua maleta — Tenho contas a acertar com alguém.
    — Na verdade, tem três pessoas querendo acertar contas com você, Liam — Peter provoca-o.
    — Eu não tenho culpa se os irmãos de Juliene parecem membros da máfia da italiana, dispostos a arrancar meu fígado. Só quero concertar as coisas.
    — Por isso, não namoro — Peter começa a pontuar com os dedos — caso, ou me apaixono, as mulheres só trazem problemas.
    Peter — lanço a ele um olhar fulminante.
    — Menos você, Jenny — ele — Você só atrai confusão.
    São dois completos idiotas, mas, um pouco mais de um ano atrás, eu pensaria exatamente da mesma maneira que eles, então, de certa forma, os entendo.
    — Tudo bem, Peter — ela lambe os dedos, lambuzados, com algum tipo de molho — Às vezes eu acho isso também.
    — Vejo vocês em breve — Liam caminha até a porta, tentando ocultar a melancolia em seu olhar, com um sorriso acanhado.
    — Liam... — chamo-o antes que saia — Obrigado.
    Havia se arriscado muito em vir aqui hoje. Essa é uma dívida que talvez eu jamais seja capaz de pagar, mas que retribuirei.
    — Cuidem-se.
    — Eu vou ver se Dylan precisa de ajuda com o carro — Peter informa, com voz meio rouca.
    Não é apenas Jennifer e eu que fomos arrastados por toda essa lama. Nossa família, amigos e todos que amamos estão sendo atingidos e, não deve ser menos doloroso. Corro contra o tempo, um inimigo oculto e todas as adversidades que vão surgindo pelo caminho.
    — Vou preparar algo para você comer — murmura, levantando-se da mesa estreita, com certa dificuldade. As mãos apoiadas nos quadris, enquanto anda no estilo peculiar das mulheres grávidas.
    — Tá certo, patinha — lembro-a do apelido carinhoso que dei a ela, há algumas semanas.
    — Vá se ferrar — ela protesta, com um sorriso torto.
    Embora eu não esteja com fome, deleito-me em poder observá-la. Os cabelos vermelhos, presos em um coque frouxo, brilhando, como labaredas de fogo, sob os primeiros raios de sol da manhã.
    Havia tirado a parte de cima do moletom, manchado com meu sangue, de camiseta e de costas para mim, é quase imperceptível notar que está grávida. As curvas suaves do corpo e traseiro arrebitado e redondo fazem-me soltar um grunhido de excitação. Tento pensar em todas as coisas possíveis capazes de me fazer perder a maldita ereção, mas a única coisa em mente, é meu pau dentro dela, tomando-a, com vontade.
    — Está com dor? — abro os meus olhos e deparo-me com seus impactantes olhos azuis.
    Como explicar, que a dor vem de uma parte bem peculiar do meu corpo. Ela não precisa lidar com um desvairado, tomado pelo desejo sexual.
    — Não — ajeito-me na cama, na tentativa de esconder o volume embaraçoso dentro da minha calça jeans.
    —Quer tomar um banho antes? — murmura ela, ciente do que venho tentando esconder, sem sucesso.
    — Quero! — respondo prontamente, a imagem de nós dois nus, entregues a paixão desenfreada que sempre nos envolve quando estamos juntos.
    Sozinho, Neil — contesta ela — Lembre-se do que Liam falou.
    A frustração em saber que ela está certa, pelo menos, no que diz em relação a ela. Precisa de repouso e tranquilidade.
    — Então vá na frente — murmuro, desapontado — Esse banheiro é minúsculo demais para nós dois.
    — Tem certeza? — ronrona ela — Não vai precisar de alguém para esfregar suas costas?
    — Anjo, não comece algo que não pretenda terminar — digo com a voz enrouquecida — Vá Jennifer, antes que eu mande as orientações de Liam para o inferno.
    Ela sorri, endiabrada, satisfeita com o poder que exerce sobre mim.
    — Ei? — invoco, antes que saia — Não está esquecendo de nada?
    Bato com os dedos em meus lábios. Ela ajoelha na cama, pronta a me dar um beijo casto. Guiado pela luxuria, puxo-a pelo pescoço, primeiro eu mordo seus lábios, chupando-os em seguida, lentamente e de maneira sensual. Sinto suas mãos em meus cabelos e introduzo a língua dentro de sua boca, com possessividade. Minha mão desce por seu ombro, até alcançar um dos seios inchados e sensíveis, acariciando-os febrilmente, enquanto nos beijamos de forma desesperada.
    — Talvez você precise de alguém para esfregar suas costas — sussurro entre seus lábios, antes de afastá-la de mim, com delicadeza — Se se comportar, poderei fazer isso mais tarde.
     Esse é o momento em que ainda tenho forças para controlar meus instintos, embora com extrema dificuldade. Por malditos dez segundos, ela permanece estática, a boca semi aberta e os olhos semicerrados, como se desejasse continuar imersa no prazer que proporcionamos um ao outro.
    Sorrio, deliciado e deposito um pequeno beijo na ponta de seu nariz.
    — Seu cretino — ela se afasta, pisando duro, arrancando um sorriso de meus lábios.
    Estou impressionado em como meu amor por ela, cresce mais, a cada dia. Não importa o que aconteça.
    — Neil? — Peter cruza a porta, alguns minutos depois — Precisamos conversar, sobre isso.
    Ele tira algo do bolso e a máscara branca caia sobre a cama.
    — Como conseguiu isso? — pergunto, franzindo a testa.
    — Jogaram para Jenny, na estrada — explica ele — Isso significa que você conseguiu identificá-lo, certo?
    — Não — seguro a máscara, analisando-a com cuidado — O desgraçado parece ter uma coleção delas, não é mesma que vi nele.
    — Voltamos à estaca zero, então? — murmura Peter, caminhando de um lado a outro pelo quarto.
    — Não exatamente — respondo, meus ouvidos atentos aos sons dentro do banheiro.
    — O que quer dizer?
    — Ele me disse algo, que apenas Nathan dizia a mim quando estava irritado — continuo, em voz baixa — Alguém está usando-o para foder com a minha cabeça.
    — Alguém ou o próprio?
    — No primeiro momento, cheguei a cogitar essa possibilidade — balanço a cabeça, diante do pensamento absurdo — Isso é impossível, Nathan está morto e enterrado. Você esteve lá Peter, vimos com nossos olhos.
    — Morto, talvez — continua ele, introspectivo — Enterrado, quem sabe? Só há um jeito de descobrir isso. Vou ter que falar com seus pais, a merda pode feder ainda mais.
    Faço um sinal positivo com a cabeça. Ciente que ele está prestes a mexer num imenso vespeiro. Meus sentidos aguçados, dizem-me que nossos problemas estão apenas começando.
    — Faça o que precisa ser feito, Peter — murmuro, ao ouvir o barulho da porta, faço um sinal para que ele fique calado — Isso fica entre nós, por enquanto.
    Jenny sai do pequeno banheiro, alheia ao clima carregado no quarto e o passado que outra vez, nos rodeia. 


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