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  • Protegida - Capítulo 5


    Máscaras
    Vingança...
    Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas.
    (Confúcio)

    Marionetes!
    Um dos meus shows preferidos durante a infância. Enquanto alguns se encantavam pelo mágico, que para mim, não passavam de nada menos do que, mentirosos habilidosos, com todo o ilusionismo, magia e mistério em torno deles, para outros eram encantadores. Apesar de que por um tempo, observei-os, com certo fascínio. Mentir, enganar e iludir as pessoas, exige pratica e disciplina. Uma vez usado, torna-se um vício. Mas por melhor que você seja, suas técnicas precisam ser renovadas, aprimoradas e estudadas meticulosamente.
    Então, observarei o palhaço por um tempo. O rosto coberto de tinta, uma espécie de máscara, escondendo o seu verdadeiro eu. Embora ele pratique todos os tipos de travessuras, malandragens e enganações, o sorriso simpático e habilidade de rir de si mesmo, faz dele um personagem sedutor. As pessoas sempre irão perdoá-lo se souber administrar a arte de ser encantador.  Só que você não pode usar o mesmo espetáculo para sempre. O público também se renova.
     Foi ai que eu descobri as habilidades fascinantes do Titereio. A maestria com manipulas os bonecos através das linhas finas, quase invisíveis aos olhos. Fazendo com que façam exatamente aquilo que ele quer, ditando as regras. É extasiante a sensação de estar no controle de tudo. Observar enquanto as pessoas dançam sincronizadas ao ritmo da sua música, como animaizinhos treinados.
    Por muito tempo, acreditei que o dinheiro, abriria muitas portas. Agora, sei que poder é tudo.
    Observo o homem em frente ao espelho. Olhar impenetrável, duro, frio. Digno de um predador, a caça de sua vítima. Ensaiando o momento certo de dar o bote. Crueldade, perversidade é o que me definem. E eu gosto disso.
    — Está tudo pronto.
    Viro em direção a voz e encaro com muita irritação, o homem que adentrou em meu quarto e interrompeu minhas divagações de forma abruta. Já estou farto dele e de todos os anos que tive que suportá-lo. Já teria o executado, se ainda não fosse uma peça fundamental em meu jogo.
    Ignoro-o, pois minha vontade no momento é arrancar sua jugular com meus próprios dentes e vê-lo agonizando diante de meus pés.
    Abandono o espelho e caminho pelo quarto em direção a ele. Passo pela máscara branca em cima da cama. Aqui não preciso usá-la. Saímos do quarto e seguimos pelo corredor. As poucas mulheres que têm permissão para circular pela casa, não são tolas o suficiente para me encarar. Significaria suas mortes.
    Paramos em frente a uma parede, aguardo que ele afaste o quadro e manipule a alavanca que abre a porta na passagem secreta. Descemos as escadas e degrau a degrau a iluminação vai ganhando uma tonalidade avermelhada.
    Chegamos ao meu local preferido na casa. Chamo-o de base, aqui tenho o controle de tudo e todos.
    — Ainda não entendo a necessidade disso — diz ele, com a expressão confusa — Você sabe que ela fará tudo o que desejar.
    Uma as coisas irritantes em pessoas manipuláveis como ele é que não enxergam nada, a não ser que esfreguemos em seus olhos. Faço porque tenho prazer inenarrável em causar dor e sofrimento. Para mim, é uma das sensações mais intensas do ser humano. Até mesmo, maior do que a sensação de prazer.
    — Eu quero que tenha certeza — murmuro, com a voz macia — Isso é apenas um lembrete do que sou capaz de fazer com qualquer um que me desafie.
    Caminho até a ampla mesa repleta de equipamentos e monitores. Passo o dedo pelo contorno de uma câmera, enquanto analiso, através da parede de vidro, a garota negra, em uma camisola branca e sensual. Está sentada e acorrentada em uma cadeira no centro do quarto. É muito bonita, embora quase sempre, tenha resistência aos jogos que pratico com ela. Talvez isso, me tenha feito escolhe-la. Após todos meus esforços de corrompe-la há ainda uma delicadeza nela, a qual não consigo arrancar. Apesar de fisicamente serem muito diferentes, esse lado intocado, faz-me lembrar de outra mulher. Isso me deixa alucinado.
    — Grave tudo — digo antes de me dirigir a porta que me dará acesso a câmara onde se encontra a garota.
    Remexo a maçaneta algumas vezes, lentamente, regozijando-me pelo pânico que devo estar causando a ela. A melhor parte da tortura, é o momento que a antecede. O coração acelerado, o suor correndo pelo corpo, os olhos injetados de pânico. Pequenos detalhes como esses, faz tudo ficar mais divertido. Eu quase posso sentir o gosto do medo, salivando em minha boca.
    O olhar assustado e rosto coberto de pânico da garota quando me vê, é como uma injeção de adrenalina em minhas veias, fazendo meu sangue correr de forma desenfreada. Esses, são os únicos momentos, que sinto alguma coisa. Nenhum outro sentimento emana de mim, a não ser essa euforia.
    Não que eu tenha sido sempre assim, por um longo tempo, muita raiva e ódio habitou dentro de mim. Hoje, já não sinto nada.
    Mas o medo. Ah... O desespero infligido a outra pessoa, a forma que as pupilas se dilatam em meio ao perigo, isso é o que me alimenta. Assim, como o sangue é vital para um sanguessuga. Nos alimentamos de vida.
    Aproximo da mesa com diversos objetos pontiagudos — adagas, canivetes, facas e até mesmo uma espada de samurai. Pego o que mais se enquadra ao que preciso e vou em direção a jovem.
    — O que vai fazer? — murmura ela, assustada. Os olhos fixos em minha mão.
    Caminho em volta da cadeira, a ponta da faca, vez ou outra, tocando em sua pele.  Posiciono-me atrás dela, agarro-lhe os cabelos, enrolando em meus pulsos, obrigando-a me encarar.
    — O que vai fazer? — repete a pergunta, nos olhos, o brilho de terror — Por favor, não me machuque mais.
    Aprecio quando me imploram. Como o Titereio maneando seus bonecos, estou no controle de suas emoções. Eu posso fazer o que eu quiser. Sinto-me invencível.
    Solto-lhe os cabelos e rodeio a cadeira, ficando de frente a ela. Agarro seu rosto, prendendo-os em meus dedos, que parecem garras, afundando-lhe a pele.
    A faca brilha em contraste com a luz da lâmpada, mas é o brilho aterrorizado nos olhos dela que me deixam em transe.
    — Todos podemos controlar a dor, exceto aquele que a sente— recito, uma das minhas frases preferidas de Shakespeare.
    Os gritos agonizantes são como músicas para meus ouvidos.



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