• Home
  • |
  • Sobre a Autora
  • |
  • Livros
  • |
  • Vídeos
  • |
  • Agenda
  • |
  • Parceiros
  • |
  • Contato
  • Protegida por mim - Capítulo 3


    Jenny

    Honestamente, acreditei do fundo de minha alma, que a quantidade de desgraças que poderiam acontecer em minha vida, havia se esgotado. Afinal, tudo o que eu amo, havia ficado para trás; minha casa, meus amigos, minha filha amada... De tudo isso, separar-me de Anne, foi o que mais me doeu, e ainda dói.
    Minha vida inteira, foi marcada por inúmeras tragédias. Dor, morte, mágoa, sofrimento — companheiros fiéis, esses nunca me abandonaram. Creio que cada pessoa tem sua dose de tragédias durante sua existência, as minhas parecem inesgotáveis.
    Mesmo com tudo isso, eu sempre mantive-me de pé, não havia espaço em minha vida para lamentações e autopiedade. Quando se é sozinha no mundo, e cega, sobreviver depende apenas de você. Foi o que eu fiz. Minha coragem, não era apenas uma característica admirável, mas sim, uma necessidade.
    Ainda que, no meio do caminho, eu tenha encontrado amigos inestimados, por trás de cada sorriso em meu rosto, havia uma garota solitária.
    Até conhecê-lo.
    Eu só me deparei com a fragilidade que há em mim, e que eu não precisaria ser forte o tempo todo, pois cada vez que eu caísse ou fraquejasse, ele me sustentaria, mantendo-me segura em seu peito.  Meu anjo, meu amor, minha vida.
    Jamais imaginei encontrar alguém que me amaria de forma tão sublime. O raio de sol, que trouxe luz aos meus olhos, mesmo quando eu mesma acreditei ser impossível. Que lutou todos os momentos para estar ao meu lado. Que deu o melhor presente de toda minha vida, nossos filhos. Um amor tão forte e poderoso, capaz de oferecer a própria vida por mim.
    E eu vou perdê-lo... A dor em minha alma é tão profunda e desoladora, que sinto-a, sendo arrancada de meu corpo, ficando apenas uma casca vazia.  Não há prisão mais devastadora do que essa. Da qual não há escapatória, carregaria comigo para qualquer lugar que eu for.
    A cada passo que ele dá em direção a morte, leva-me um pouquinho. Fecho meus olhos, incapaz de continuar observando. Essa imagem me perseguirá por toda minha vida, se é que ainda teria uma.
    — Vamos, senhora — murmura Dylan. Não o vi sair do carro e posicionar-se ao meu lado, na outra porta — Precisamos sair daqui, agora.
    Eu não tinha voz para responder e nem força para protestar. Minha garganta estava ressequida de tanto gritar e gritar. As palmas das minhas mãos, vermelhas, doloridas e dormentes, devido a força com que as bati, contra o vidro do carro, ao vê-lo partir. 
    Adiante, tenho apenas o vislumbre de duas pessoas. A luz dos faróis impede-me de identificá-las. 
    Antes que eu possa tocar meus pés no chão, o som estridente de um disparo, faz-me vibrar e um grito apavorado ecoa da minha garganta. Livro-me das garras de ferro, que são as mãos de Dylan, em meus ombros e saio do carro.
    Por favor, Deus, não o tire de mim, eu me entrego, se for preciso, só não o deixe morrer! Não o tire de mim, Deus!
    Corro em direção ao tiro, às cegas, uma cortina de lágrimas, cobrem meus olhos, enquanto corro a passos trôpegos.
    O farol vem em direção a mim, ofuscando minha visão, o carro em alta velocidade. Tropeço em meus próprios pés, engulo seco, quando sinto os pedregulhos penetrarem em meus joelhos. A luz vem em direção ao meu rosto. Já não temo mais por mim, minha vida, sem Neil seria insuportável de qualquer forma, mas sinto pelos bebês, a qual tirariam o direito à vida.
    Eu gostaria apenas de ter chegado perto dele, ter dado o último beijo. Poder dizer o quanto o amo e que significa tudo para mim. Não consigo aceitar que a última imagem que tenha dele seja, seu corpo inerte, caído há alguns metros de mim.
    O carro freia bruscamente, a centímetros de meu corpo. Fecho os meus olhos, abraço meu ventre, meus pensamentos são direcionados aos bebês, e despeço-me deles mentalmente, destruída porque jamais terei a oportunidade de ver os seus rostinhos inocentes, nem que por um breve momento. O sorriso de Anne me vem cabeça. Agradeço aos céus pela oportunidade de tê-la conhecido, por poder amá-la, e de tudo que aprendi com ela, a cada dia, aprendi o que é ser mãe, mesmo antes desses pequeninos em meu ventre. E em seguida e não menos importante, mas o sentido de minha existência, Neil.
    Inexplicavelmente, minha última memória é uma fotografia. Uma foto meio amassada, que encontrei na gaveta de Samantha, alguns dias antes de sua morte. A imagem de um jovem lindo, com um sorriso deslumbrante, que meramente, fora ofuscado por um brilho triste, quase imperceptível a quem visse, mas que eu notei. Talvez, tenha sido ali, naquele momento, que tenha me apaixonei por ele, sem nem ao menos conhece-lo, através de um simples retrato, mas totalmente mágico para uma garota de quinze anos.
    Evitávamos falar sobre o passado depois que descobri sua ligação com Nathan, era doloroso demais para nós dois. Por mim, ficaria enterrado no lado mais profundo da minha mente.
    Contudo, desde que Sophia havia me colocado de frente a ele, o passado, lembranças como essas, voltaram a povoar minha mente.
    Um vento gelado, bate forte contra meu rosto, uma freada, pneus cantando e o som do carro, dessa vez ao longe, cada vez mais distante. Acredito que meu fim tenha sido misericordioso, sem dor ou rápido demais para que sentisse algo.
    — Senhora — um toque suave em meu ombro, faz-me abrir os olhos, sem pressa — Você está bem?
    Curvo-me ao sentir uma forte náusea, revirando meu estômago. Apoio-me no chão tentando controlá-la.  Então, estarrecida, noto a máscara branca, caída a alguns centímetros, ao meu lado. Guardo-a no bolso do moletom, embora o tecido pareça queimar os meus dedos.
    Neil!
    Nenhum som sai da minha boca, dolorida. Tento me levantar, mas minhas pernas vacilam, antes que eu caía, Dylan sustenta meu corpo junto a ele.
    — Senhora, é melhor ficar aqui — murmura ele — Eu vou ver como ele está...
    — Não, eu vou com você! — berro, caminhando em direção ao corpo caído na estrada.
    — Neil! — ajoelho-me ao lado dele, está com o rosto virado contra o asfalto. O peito balançando suavemente, ainda está vivo — Vida? Fale comigo.
    Tento virá-lo, para descobrir a gravidade do ferimento. Ele é pesado demais, então Dylan auxilia-me. A mancha de sangue, espalhando-se pelo ombro, faz-me abrir a cachoeira em meus olhos.
    Por favor, Deus, por favor! Rezo internamente.
    — Jenny — sussurra Neil, abrindo os olhos — Fique calma... Eu estou bem.
    — Dylan, temos que tirá-lo daqui — digo, exaltada — Precisamos ir a um hospital.
    Não me importa se vou ser pressa, ou o que possa acontecer. Neil tem que viver custe o que custar. É a minha vez de abdicar de tudo, por ele.
    — Droga! Só vamos conseguir ir andando — informa Dylan, olhando para os pneus vazios do carro do outro lado — Ou contar com a sorte de que alguém apareça.
    Não temos escolhas, ficar e observá-lo morrer, esvaindo-se em sangue, ou seguirmos andando.
    — Consegue ficar em pé, senhor? — pergunta Dylan.
    — Estou bem — persiste ele, numa voz falha — Foi apenas de raspão, Dylan.
    — Tem um carro se aproximando — murmuro, o coração batendo forte no peito.
    Parte de mim deseja ardentemente que seja alguém que possa nos ajudar. Por outro lado, sinto o pânico envolver meu peito. Não sei porque ainda estou viva, ou porque o assassino havia mudado de ideia em relação a Neil. Não sei o que passa naquela mente doentia, mas o desgraçado está brincando conosco, isso é claro.
    O carro para no acostamento, a meio metro de onde nosso carro estava. Com um gemido rouco, Neil puxa-me para mais perto dele, sempre me protegendo, mesmo ferido. Meu coração bate acelerado. Poderia ser alguém disposto a nós oferecer ajuda, como outro capanga do mascarado, que voltou para dar fim ao que ele havia deixado para trás. Embora, não faça sentido, ele teve-nos em suas mãos o tempo todo.
    — Peter!
    Meu grito aliviado, ressoa ao vê-lo descer do carro e apoiar-se contra a porta, meio cambaleando. Examino a tipoia que sustenta o seu braço direito, enquanto ele caminha com passos incertos em direção a nós. Corro até ele, que me abraça forte, em seu peito.
    — Ajude-nos — começo a chorar copiosamente, não sei se é a presença dele que me dá a sensação de segurança ou simplesmente permito-me da vazão a todos os sentimentos conflitantes em meu peito.
    Ele geme, segurando minhas mãos trêmulas. Afasto-me rapidamente, ao recordar que ele havia fraturado uma costela, ao ser atropelado, quando saía de seu escritório no centro da cidade, no dia anterior. Tudo nos indica, que foi um atentado contra ele. O homem mascarado novamente? Não sei dizer. Como dono de uma das agências de segurança mais conceituadas do país, ele deve colecionar muitos inimigos, mas seria muita coincidência.
     Neil aproxima-se, com Dylan, amparando-o. Atento ao pulôver que ele usava, pressionando-lhe o ombro, julgo que para estancar o sangue, no ferimento, onde a bala havia atingido. Está pálido e luta para manter-se em pé.
    — Vamos levá-lo ao hospital — coloco-me ao lado dele — Vai ficar tudo bem.
    — O que aconteceu aqui? — inquire Peter, apontando em direção ao nosso carro, alvejado de balas, fora da estrada.
    — Eu explico no caminho — murmuro, aflita — Tire-nos daqui, por favor. Precisamos ir para um hospital imediatamente, Peter.
    — Não! — profere Neil, a muito custo — Estou bem.
    — Neil... — começo a protestar, incrédula.
    — Foi apenas de raspão — insiste ele — Temos que sair daqui.
    Gemo exasperada, perante sua teimosia, vejo nitidamente, que irá sucumbir a qualquer momento.
    — Preciso que dirija — murmura Peter, em direção a Dylan — No caminho resolvemos isso. Nem sei como consegui chegar até aqui.
    — Para onde vamos senhor? — pergunta Dylan, assim que nos acomodamos no banco traseiro do carro.
    Ele escreve algo, entrega um mapa e um papel a ele. Os dois parecem se comunicar pelo olhar que trocam. Ou quem sabe, seja algo de minha cabeça. Minha única preocupação é Neil e seu estado debilitado.
    — Dylan, passe-me o canivete — diz ele, indicando o objeto no painel do carro.
    Segundos depois, ajudo-o a rasgar a camisa de Neil, para constatar a gravidade do ferimento, no ombro esquerdo, ao meu lado.
    — Parece mais grave do que realmente é — diz ele, examinando a lesão — Mas vai precisar de alguns pontos. Quem atirou é muito ruim de mira ou não teve a intenção de matar.
    Apenas aceno com a cabeça.
    Vejo a parte superior do ombro de Neil banhada em sangue, e um corte consideravelmente grande, que deixava boa parte de sua pele a mostra. Graças a Deus, a bala não havia se alojado, mas atravessado a pele, passando de raspão, na linha do ombro.
    — O crucial é que não sabemos quando sangue ele perdeu — murmura Peter, pressionando o pulôver contra o ombro dele, novamente — Mantenha pressionado Jenny.
    A peça está relativamente úmida, manchando meus dedos de sangue. A grande preocupação no momento é que ele não tenha um choque hemorrágico.
    — Numa escala de um a dez, como se sente, Neil? — pergunta Peter.
    Os olhos que estivera cerrados, desde que acomodamos no carro, focam-se em mim. Os lábios curvados, em um meio sorriso.
    — Nove e meio — murmura Neil, num tom baixinho, que se não estivesse ao seu lado, eu não teria compreendido.
    — Formamos um belo time, não é? — pergunta Peter, indicando seu braço imobilizado do outro lado e o ombro ferido de Neil. Dois inválidos e uma grávida prestes a dar à luz, a qualquer momento.
    Se a intenção dele, é que eu me acalme, não está funcionando muito bem. 
    — Precisamos de um médico — insisto, angustiada
    Noto agora, que entramos em uma estrada arborizada. A cidade ficou para trás há algum tempo.
    — Para onde estamos indo, Peter? — pergunto, o rosto marcado pelo desespero — Volte, Peter!
    Ele está ao telefone e faz sinal com a mão para que eu fique quieta.
    — Preciso de sua ajuda — murmura ele — Não, eu posso dizer... Sai porque eu precisei, não, mandarei uma mensagem. Até logo.
    — Vamos para um lugar seguro — diz ele, ao encerrar a ligação — Confie em mim, tudo bem?
    Balanço a cabeça em concordância. Não há ninguém mais que eu possa confiar. E ele havia arriscado a própria segurança para nos encontrar. Embora eu não goste da situação, resolvo seguir o que me diz. Foram atitudes impensadas de minha parte que nos colocaram aqui. Não vou cometer o mesmo erro novamente.
    Dylan dirige em alta velocidade, e árvores imensas vão surgindo, dos dois lados da pista. O carro diminuí a velocidade. Seguimos por um caminho de pedras. Uma cabana rústica, aparece diante de nós, parece-me uma dessas cabanas usada para caça. Dylan estaciona alguns metros de distância. Daqui só poderemos seguir a pé, devido ao terreno íngreme.
    Saímos do carro com Dylan carregando Neil, que no momento está desacordado. Prefiro pensar que sucumbiu a exatidão. Peter se apoia contra porta, respirando com certa dificuldade.
    — Você fugiu do hospital, não é? — coloco seu braço saudável em meus ombros e ajudo-o caminhar em direção a cabana.
    — Eu não diria fugir, exatamente — diz ele, de forma irônica — Creio que o médico ficou muito feliz em me dar alta.
    Eu posso imaginar que sim. Enquanto Neil é malhado e bem definido, Peter é alto, musculosos, uma verdadeira rocha, há algo de selvagem e incontrolável que emanam dos olhos dele. É fissurado em luta livre, então, seu corpo é causar inveja a qualquer lutador profissional, capaz de assustar qualquer pessoa. Inicialmente, ele me intimidava um pouco, até conhecer seu coração de ouro, esse que faz questão de esconder atrás de um olhar debochado e cara de poucos amigos.
    — Como nos encontrou? — pergunto, assim que atravessamos a porta.
    Nem havíamos conseguido chegar a rota do aeroporto, quando recebemos a ligação dele, mais cedo, minutos antes de sermos recebidos pela emboscada.
    — O dispositivo no celular do Neil.  Falando nisso, precisamos nos livrar dele — murmura ele — Há essas alturas, a polícia já deve estar tentando rastrear vocês. Vou providenciar outro telefone, o mais rápido que puder, mas em todo caso, nossa comunicação terá que ser apenas o estritamente necessário.
    Entramos e observo o interior da cabana, é simples por dentro, assim como seu exterior. Há apenas um quarto, com uma cama de casal, onde Neil se encontra, próximo a uma janela. Uma mesa redonda para duas pessoas. Na pequena cozinha, anexa, há um fogão antigo de duas bocas e uma geladeira marrom, descascada, além da pia estreita.
    Não é uma cabana destinada ao laser, parece mais um refúgio para um homem solitário. O rifle escorado contra a parede e as botas de cano alto ao lado de uma cadeira confirmam minha impressão. Seria de Peter ou de algum amigo dele?
    Caminho até a cama, e arrasto-me sobre ela, aliso os cabelos e testa suada de Neil. A temperatura está elevada, isso preocupa-me muito.
    — Está com febre — murmuro, apreensiva — Peter?
    Ele aproxima-se da cama testando a temperatura.
    — Na verdade, a febre é apenas uma reação do organismo — tranquiliza-me ele — No caso de infecções, por exemplo, ajuda o sistema de defesa a livrar-se do agente agressor... Ele vai ficar bem, Jenny. É apenas seu corpo reagindo a tudo isso.
    — Como tem tanta certeza? —pergunto, pouco convencida — Não posso perdê-lo. Eu...
    — Não vai — diz Peter, depositando um beijo em minha cabeça — O homem é uma rocha, praticamente indestrutível. Tenha um pouquinho de fé.
    Fé? É a única coisa que tem me mantido sã em meio a todos esses acontecimentos, fé e esperança de que tudo acabará bem.
    — Vou preparar algumas compressas até que Liam chegue — diz ele, olhando em volta, em seguida vai até uma porta, que acredito ser o banheiro.
    — Liam? — pergunto, quando ele retorna com alguns trapos limpos.
    — Ele é o único médico confiável que conheço — responde ele seguindo para cozinha — Por que não toma um banho e descansa um pouco, Jenny?
    — Vou ficar aqui com ele — afirmo, a determinação expressa em meu rosto. Nada me afastará de Neil, nem mesmo a exaustão predominando cada parte de meu corpo — Até Liam chegar e me garantir que ficará tudo bem.
    Passamos as quase duas horas seguintes tentando controlar a febre. Não havia aumentado, mas também não havia diminuído.
    Fizemos um curativo improvisado com o que havíamos encontrado na caixa de primeiros socorros, em uma das gavetas no gabinete, do minúsculo banheiro, mas ferimento no ombro, precisa ser suturado com urgência. A pele ao redor da ferida, começa a ficar com uma coloração arroxeada, o que me preocupa bastante.
    — Peter?
    Ele desvia o olhar da janela, de onde passou os últimos vinte minutos, observando o movimento lá fora ou apenas perdido em seus pensamentos. O dia começa a clarear. Dylan havia saído para comprar suprimentos e tudo o que poderíamos precisar nos próximos dias.
    — Aquele homem — minha voz falha quando lembro das últimas horas — Deixou cair isso.
    Tiro a máscara branca de dentro do bolso do moletom, onde havia escondido, antes de correr desesperada até Neil, na estrada.
    — Ele não deixou cair — diz ele, enrolando a máscara em um lenço azul-marinho.
    — O que quer dizer? — franzo o cenho.
     — Pela forma como o carro de vocês foi alvejado... — ele caminha até mim, relatando sua teoria — Que esteve com Neil totalmente desarmado diante dele, e mesmo assim, deu um trio de raspão... Agora essa máscara.
    — Ainda não entendo?  — falo baixinho, evitando incomodar Neil com nossa conversa. A última coisa que quero é vê-lo exaltado.
    — Foram sinais, Jenny — continua ele, enrugando a testa — Todo psicopata, que é o que acredito ele que seja, no fundo quer ser descoberto. Por isso, vai deixando pistas pelo caminho... Ele quer que saibamos quem ele é.
    — Acha que pode ser alguém do clube onde trabalhei? — pergunto, o medo trespassando em meu peito, fazendo-o bater como louco.
    — Não — ele respira fundo — Isso vem acontecendo muito antes de Neil conhecer você. Há muitas peças soltas aqui.
    Peter soca a parede com a mão livre.
    — Você é apenas mais uma peça — murmura ele, pensativo — O grande problema, é que ele sempre está a um passo à frente.
    Neil remexe na cama e eu troco as compressas no ombro e na testa dele. Sussurro palavras carinhosas para que ele permaneça tranquilo. E não percebi quando Peter saiu, como um gatuno.
    Os minutos continuam se arrastando, pergunto-me a que se deve a demora de Liam. Não sei bem onde estamos, mas acredito que já deveria ter chegado.
    A febre não sede e volto a entrar em desespero, chorando baixinho. Já fiz todos os tipos de promessas e orações que conheço. Não posso perdê-lo, não posso.
    — Jen... — Neil abre os olhos e me encara, inquieto — Não chore. Ei, eu estou bem.
    O pedido só faz com que eu soluce mais alto. Por que todas essas coisas estão acontecendo com nós dois? Quando iriamos ter um minuto de paz e tranquilidade? O que esse homem quer e por que está fazendo tudo isso? Quem havia matado Sophia e por que estavam tentando me incriminar?
    Já testei todas a teorias possíveis, mas não encontro nada. Não consigo pensar em ninguém em meu passado que possa ter algo contra mim, não nessa escala.  Até cheguei a cogitar que Brian pudesse estar envolvido, mas ele não possui uma mente tão ardilosa para arquitetar algo tão macabro como isso tudo.
    — Ei... — ele geme — Pense nos gêmeos, amor.
    Eu sinto meu corpo ficar tenso, e um arrepio gelado atravessa minha espinha. Dou-me conta de que já faz algumas horas eu não os sinto. Nos últimos dias, com os preparativos da mudança, eles andaram bem agitados. Só que agora, nada. Não sei se porque sinto-me exausta ou se foi minha preocupação com Neil, que me deixou alheia ao fato.
    — Jennifer? — ele segura minha mão trêmula, observando-me com expressão apreensiva.
    Arrasto-me, saindo da na cama e caminho para longe dele. Brigo com as lágrimas pesadas, que insistem em saltar dos meus olhos.
    — O que foi? — o pânico em sua voz igualando-se ao meu — Jennifer?
    Não consigo senti-los!
    — Nada...



    0 comentários :

    Postar um comentário

    Obrigada por seu comentário. Volte sempre!

    O Preço de um amor

    Book trailer - Seduzida

    BookTrailer