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  • Protegida por mim - Capitulo 2


    Amor...
    Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado
    (Coríntios 13:10)


    Enquanto a adrenalina corre velozmente por cada veia de meu corpo, eu me pergunto se eu havia tomado a decisão certa. Deixei-me levar por sentimentos desesperadores, os quais nos trouxeram até aqui, em direção ao que poderá ser nossa ruína.
    Quando tudo o que eu quis foi protegê-la — da dor ruptura, quando os bebês fossem tirados de seus braços. O sofrimento de ver nossos filhos crescendo através de cartas e álbuns de fotografias, os primeiros passos, o primeiro beijo...
    A vida seguindo diante de seus olhos, passando além das paredes altas de uma penitenciária, onde certamente, ela definharia a cada dia.
    Todos esses motivos, e o maior de deles, na qual não há resquícios de nobreza, é que eu fui levado pelo mais profundo sentimento egoísta, de que não posso viver longe dela.
    Seria como provar lentamente, todos os dias, o beijo doce e cruel da morte. Eu enlouqueceria lentamente, desvairado, afogado em um mar de revolta, oprimido pela tristeza e desespero.
    Quisera eu não ter provado o gosto do seu amor, o calor do seu sorriso, aquecendo minha alma, o toque de seus macios de lábios.  O brilho dos seus olhos, mesmo quando opacos, não tivessem feito-me acreditar no direito de ser amado.
    Tudo o que fiz foi entregar-me de corpo e alma. Porque tê-la ao meu lado, é tão necessário em mim, como o ato de respirar. O amor nos leva a fazer coisas grandiosas, como também as mais estúpidas.
    Por todos esses motivos, encontro-me aqui, desesperado, ensandecido, amo-a mais do que minha própria vida, e morreria por ela, se assim for preciso.
    E sei que não suportaria o julgamento massacrante que seguiria, os olhares acusatórios, as paredes frias e solitárias de uma cela, muralhas, que não acorrentam apenas o corpo, mas aprisionam a alma. O modo como cada batida do relógio soa lentamente, fazendo com que cada segundo pareça eterno. Eu já estive lá, nesse inferno, por duas vezes.
    A primeira vez eu era apenas um menino, um rapazote, jovem demais, mas já com uma grande culpa, pesando em meus ombros. As lembranças surgem em minha cabeça.
    Enquanto eu lidava com as consequências de atos, que ainda culpo-me por não conseguir evitar, Nathan agia como se estivesse em um acampamento de férias.
    Detestava quando me deparava com essa faceta sádica de sua personalidade. O jovem atroz, que não se importava com nada e ninguém além de si mesmo. Era tão mestre em enganar as pessoas. Enrolando-as em sua rede de mentiras, manipulando-as, e fazendo-me sentir culpado por detestá-lo, tanto. 
    — Não sente remorso, Nathan? — perguntei, chocado com seu pouco caso. Havia violentado uma jovem e agia como se não fosse nada — Nenhum arrependimento?  Nada?
    — Por que eu deveria? — uma risada sarcástica, escapou de seus lábios — Você deveria ter ficado calado... Sempre em meu caminho, atrapalhando minha vida.
    — Tem que parar com isso! Veja onde estamos — rosnei, olhando em volta da cela, minúscula que dividíamos há dois dias — Você violentou aquela jovem e age como... Esse caminho o levará a destruição.
    — Não ficarei aqui por muito tempo, aliás nem estaríamos aqui se você não fosse tão idiota — disse ele, numa voz calma, controlada, caminhando até mim, o olhar implacável, carregado de ódio — Iguais e tão diferentes. 
    Seu olhar percorreu o meu rosto.
    — Quer saber de uma coisa? Cansei de fingir suportar você, odeio-o — continuou ele, o rosto desprovido de qualquer emoção — Sempre no meu caminho, fazendo da minha vida um inferno, o pobre coitado.
    — Está doente — disse, agarrando-me a essa justificativa, buscando algo de humano que pudesse existir dentro dele, ninguém poderia ser tão cruel assim — Deixe-me ajudá-lo.
    — Você é uma praga na minha vida, Neil. Sabe o que acontece com as pragas? Nós as exterminamos.
    Por que essas lembranças vieram agora?
    Talvez porque quando estamos diante da morte, a vida passa diante de nossos olhos. Passado, presente, futuro, misturando-se uma nuvem nebulosa. Ou quem sabe, seja nada menos do que um presságio.

    *****

    — Deite-se e permaneça abaixada — digo a ela, com uma tranquilidade que estou longe de sentir.
    Um dos carros, a Suv preta, de vidros escuros, espelhados, avança em nossa direção, aproximando-se, em alta velocidade, o outro um Acura RDX preto, permanece parado, há alguns metros.
    Senti levemente o cheiro de queimado, quando Dylan avançou em direção ao nosso oponente, torrando os pneus sobre o asfalto. 
    Metro a metro ele avança, em outro momento, eu mesmo teria assumido o controle do volante, indo contra ele, pouco me importando com as implicações. Agora eu tenho três inocentes do banco de trás, que sofreriam as consequências de meus atos, mal calculados. Já havia arriscado muito até aqui.
    — Dylan! — uivo, segundos antes de ser lançado contra a porta, quando ele desvia, evitando ser atingido pela da lateral do Acura, que passa por nós velozmente, serpenteando na pista, e derrapando atrás de nós, parando a alguns metros de distância — Porra Dylan, cuidado!
    Inclino-me para fora da janela e disparo, acertando um dos faróis do carro, amaldiçoando-me por ter errado onde havia alvejado. Uma bala rasteira passa acertando nosso retrovisor. Os disparos recomeçam, protejo-me como posso.
    O vidro traseiro estilhaça, espalhando-se cacos para todos os lados, cobrindo o banco com os pequenos cristais, os sons das balas passando a milímetros do meu rosto, zunindo em meus ouvidos, acelerando meus batimentos.
    — Senhor! — exclama Dylan, alarmado, o carro derrapa, lançando-nos para fora da estrada, atolando-nos em um barranco — Temos dois pneus furados...
    Inferno! A raiva apodera-se de mim, cegando-me por um momento. Isso anula qualquer possibilidade de fuga. E a abertura causada pelo vidro estilhaçado, embora facilite meus disparos em direção ao carro, faz de mim um alvo mais fácil.
      Certifico-me de que Jennifer esteja bem, apesar de assustada, espremida, entre o banco e a porta. Salto para a parte traseira, descarregando o meu revólver contra o vidro blindado, é como tentar perfurar uma rocha. O som é ensurdecedor. Com uma virada brusca, o carro recua, girando na pista, loucamente, saindo em seguida, em disparada.
    Que merda é essa? Se desejam nos matar por que não acabam logo com isso? Isso não faz o menor sentido, já que estamos em grande desvantagem aqui, e estou quase sem balas. Então, por que estão indo embora?
    Estranhamente, o segundo carro que estivera no local, durante a troca de tiros, aproxima-se, a Suv preta, como o carro anterior, possui vidros escuros, impossibilitando-me de ver quem está ao volante. Examino o revólver, não há mais balas, verifico praguejando. Tento reorganizar minha mente, procurando pensar com clareza.
    — Senhor Durant... — principia Dylan.
    Alcanço a maçaneta, a intenção clara em meu rosto.
    — Senhor! — Dylan exclama, tenso — Não faça isso, não sabe quantas pessoas há naquele carro.
    — É a mim que ele quer, Dylan...
    Dylan profere diversos palavrões, acertando o volante de forma frustrada.
    — Neil — Jennifer agarra-se a minha perna, antes que eu saia do carro, engolindo o soluço, os olhos mergulhados em tormenta — Não... Por favor.
    — Sinto muito, amor — beijo-a nos lábios, com pressa, mas de um modo que ela pudesse absorver todo o amor que sinto, embora meu coração esteja sangrando em meu peito — Diga a eles que os amo — murmuro, engolindo em seco, apoiando minha testa contra ela — E que Anne me perdoe...
    Afasto-a de mim, quando minha vontade é mantê-la em meus braços.
    Não há dúvidas que a pessoa naquele carro, deseja acetar suas contas comigo. Quais segredos obscuros Nathan teria levado com ele para o túmulo. Em quem ou porque nós dois poderíamos ter despertado tanto ódio? Talvez algum desregrado de nossa juventude, alguém muito irritado com seus jogos macabros que tenha voltado para se vingar de mim já que Nathan está morto. A verdade é nada fica escondido para sempre, e cedo ou tarde tudo acaba vindo à tona.
    — Tranque a porta, Dylan — ordeno, antes de sair — Tire-a daqui quando chegar o momento certo.
    Os gritos desesperados, soluços sentidos e batidas contra o vidro atrás de mim, fazem meus pés pesarem como chumbo, mas eu sigo em direção ao carro, caminhando, lentamente, contando cada passo que dou, parte do meu coração permanecendo com ela.
    — Neil! — olho talvez, pela última vez, para o rosto que me fez acreditar que na vida há motivos para sorrir, mesmo que seja de coisas tolas, as que não damos nada, mas que significam tudo em um momento como esse — Não!
    — Eu te amo — sussurro as palavras que me farão suportar tudo isso. Algumas vezes, na vida, você tem razões, mas não há escolhas perfeitas. Precisa fazer o que acha certo, mesmo que para todos pareça errado.
    O brilho alto dos faróis, em minha direção, cegando-me. O motor do carro ronronando, ele avança em direção a mim, declaradamente, desafiando-me. Ouço o som do cascalho sob meus pés mesclando as batidas pesadas do meu coração enquanto me aproximava.
    A porta é aberta, vislumbro apenas sua silhueta, devido a luz intensa em meus olhos. Enfrente-me desgraçado.  Estou aqui como você queria.
    — Quem é você? — pergunto, conseguindo fingir indiferença.
    Quem sabe, houvesse alguma chance, se eu conseguisse tempo. Seu jogo é brincar de gato e rato. Teria nos matado há muito tempo se assim quisesse. 
    Outro passo... Eu vejo a arma, apontada em minha direção, a máscara branca, escondendo metade do rosto, os lábios exibindo um sorriso irônico. Esse sorriso... 
    — Pode me chamar de exterminador.

    Então, o som estridente de um tiro, cortou a noite.  

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