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  • Protegida por mim - Capítulo 1



    Capítulo 1
    Amor...
    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    (Coríntios 13:4-7)



    Abutres cobertos de escroto! Vermes nojentos!
    Os repórteres, lá fora, não passam de urubus, em busca de lixo. Não importa quantas pessoas eles possam atingir ou ferir pelo caminho, tudo o que interessa é dissecar a carne alheia, em busca de uma grande história, isso está acima de tudo. Que se danem as pessoas inocentes envolvidas e o quanto suas vidas podem ser afetadas, negativamente, durante essa jornada.
    Eu tenho uma filha pequena, que perdeu a mãe, esta última sendo boa ou não para a menina, ainda era a mãe dela. Uma esposa grávida e assustada. Uma família que eu amo e pela qual daria a minha vida. Tudo isso deveria sensibilizá-los, mas, não o faz. O importante é a manchete e os milhares de jornais que venderiam. Por semanas, meses, talvez anos, iremos a julgamento público. Dissecados, milimetricamente, por pessoas que, além de sequer nos conhecer, não sabem um terço de tudo o que vivemos. Não conhecem os bastidores dessa história. Não conhecem toda a sujeira existente nos bastidores.
    — Há uma saída pelos fundos — murmuro, antes de afastar a cortina e certificar-me de que a janela está bem fechada — Adam, você vai na frente, no meu carro, para despistá-los.
    Não temos muito tempo para agir. Em breve, a polícia estará batendo, em minha porta, quando, então, espero já estar bem longe daqui, aliás, o mais longe possível.
    Arrastá-la, de um lugar a outro, preocupa. Porra! Eu não tenho alternativa! É isso ou vê-la presa. Esse mero pensamento já me deixa louco.
    — Dylan estará aguardando-os duas ruas acima — diz Adam — O avião estará esperando-os. Vocês têm duas horas para sair do país, depois disso, será praticamente impossível conseguir isso pelo meio aéreo.

    — Daqui até o aeroporto leva cerca de quarenta minutos — murmuro, olhando para o relógio — Acho que teremos tempo suficiente.
    — Vocês terão que ser rápidos, Neil. E o mais discretos possível — murmurou ele — Irão para a Rússia, uma vez que Peter tem alguns amigos por lá, os quais devem alguns favores a ele. Vou ficar com o passaporte de vocês, pois o plano é que um casal viaje com eles, até o México, para despistar a polícia, por um tempo. No avião, receberão outros passaportes e tudo o que precisam para o disfarce.  Sugiro que Jenny corte os cabelos e mude a cor para o que está no documento.  
    Inferno! Eu amo os cabelos vermelhos dela e a forma como eles caem, em cascatas, pelas costas, desde a primeira vez em que a vi. Adoro enroscá-los, em meus pulsos, quando fazemos amor. Mas, isso já não é mais importante.
    — Seus bens serão congelados e monitorados, por um tempo — murmura ele — Peter fez transferência de uma quantia considerável para uma conta, em um paraíso fiscal. Use-o com sabedoria. Não poderemos entrar em contato tão cedo. Peter tentará, de alguma forma, mas, eu não sei quando ou como.
    — Obrigado, Adam — murmuro, esforçando-me para sorrir — Espero poder reencontrá-lo, um dia.
    Sentirei falta dele, tornamo-nos grandes amigos, ao longo dos anos.
    — Tenham cuidado — sussurra — Espero que estejam fazendo o certo. Vocês têm vinte minutos para sair.
    Adam sai, apressadamente. Subo as escadas, indo ao encontro de Jennifer. Sigo direto para o quarto de Anne, onde sei que ela está. A imagem baqueia-me, por alguns segundos. Ela está ajoelhada, em frente à cama da menina, os lábios colados aos dedos frágeis da criança. Anne dorme, tranquila. O mundo dela será abalado e pergunto-me o quanto isso tudo irá traumatizá-la.
    Lágrimas dolorosas escorrem pelo rosto de Jenny, enquanto ela sufoca os soluços de dor. Acaricio os cabelos de Anne, com suavidade. A dor que estou prestes a causar a minha filha rasga meu peito. Desejo, sinceramente, que ela entenda, que saiba que não estou deixando-a para trás, mas, apenas buscando um novo caminho, uma nova vida para nós cinco. Virei buscá-la, quando for seguro.
    — Temos que ir, amor — murmuro — O avião parte em duas horas. Não temos mais tempo.
    — Ela não vai entender — Jennifer morde o punho para conter um gemido — Não podemos levá-la?
    — Não podemos, Jennifer — abraço-a, forte — Tenho que tirar você daqui, primeiro. Anne irá entender. Ela sabe que a amamos. E, assim que você estiver em segurança Peter irá levá-la até nós.
    — Perdoe-me — ela encara-me, com os olhos tristes — Perdoe-me por causar tudo isso a você.
    —Você não causou nada — seco as lágrimas de seu rosto — Tudo ficará bem. Venha, preciso dar um jeito em você, antes de sairmos.
    Seguimos para nosso quarto. Separo algumas roupas de meu closet.
    — Vista isso — entrego um conjunto de moletom a ela — Ficará folgado, mas, não chamará tanta atenção para a barriga quanto o vestido.
    Ajudo-a se vestir. Dobro a calça, algumas vezes, na cintura. A blusa com capuz não é suficiente para esconder o ventre dilatado, mas, passaria a ideia de uma pessoa acima do peso. Finalizo com um dos bonés que uso para corrida. Volto para o closet e troco minha camisa e calça social por jeans e pulôver.
    — Sairemos pelos fundos — alerto-a —Dylan esperará por nós, na esquina. Não levaremos malas, comprarei tudo o que precisar no caminho.
    — Para aonde nós estamos indo? — questiona ela, antes de alcançarmos as escadas — E Anne? Ficará sozinha?
    — Vamos para Rússia, por um tempo — respondo a sua primeira pergunta — Paige está vindo para cá e minha mãe virá, também, quando souber. Adam cuidará de tudo. Há seguranças lá fora e Anne ficará bem.
    — Não podemos esperar a Paige?
    — Não temos tempo, Jennifer — murmuro, segurando seu rosto — Eu sei que gostaria de se despedir dela. Não será possível, sinto muito.
    Quantas coisas ela terá que abrir mão, ainda? Eu lhe prometi o céu, mas, estou conduzindo-a ao inferno.
    — Ela sabe que vamos embora? — dirige-me um olhar preocupado.
    — Ainda não — murmuro — Adam entregará uma carta para as duas.
    Olho o movimento, lá fora, através das cortinas. Apesar de alguns fotógrafos, em frente à casa, a maioria havia seguido Adam, como eu previ.
    — Eu nunca mais irei vê-la? — Jennifer sussurra, ao meu lado.
    — Sinto muito.
    Eu sei o quanto as duas amam uma a outra, são irmãs de alma, como ela sempre diz. É desolador saber que, provavelmente, jamais voltarão a se reencontrar.
    — Eu também — afirma ela, em tom suave.
    Saímos, pelos fundos, contornamos a piscina e seguimos pelo jardim. Há uma velha portinhola. Forço o portão enferrujado. Sou o primeiro a sair. Analiso o perímetro, antes de seguirmos, e a rua parece tranquila. Caminho, apressadamente, com Jenny tentando seguir meus passos, as mãos apoiadas no ventre, enquanto sustento-a, junto a mim. Não quero forçá-la tanto, mas, é preciso.    As ruas estão quase desertas e as poucas pessoas que cruzam nossos caminhos não prestam muita atenção em nós e, pelo menos, até o momento, tudo está saindo como o planejado.
     — Veja — paro ao dobrarmos a primeira esquina, pressiono a mão dela, antes de continuar — Ali está o carro. Vamos!
    Um Mercedes Front Angel, prata com vidros negro, aguarda-nos, mais à frente. Andamos, rapidamente, conscientes de que o tempo é nosso pior inimigo. Dylan permanece dentro do carro. Assim que entramos e acomodamo-nos, faço um sinal para que ele arranque.
    Envolvemos o mínimo de pessoas possível. Para Dylan, estamos apenas fugindo dos paparazzi, que estão em frente a nossa casa, e seguindo para Paris, como havíamos planejado, há vários dias. Somente Adam e Peter conhecem os detalhes desta fuga. Bem, em breve, todo o País ficará sabendo, mas, até lá, estaremos muito longe.
    O caminho foi feito em silêncio. Olho para o rosto pálido dela, a cada minuto. Vê-la tão frágil faz doer meu coração, como se uma faca afiada estivesse sendo enterrada nele. Ela é corajosa e sinto orgulho por isso.  Mesmo estando com medo e compreendendo os riscos, está disposta a seguir em frente. E eu irei protegê-la até as últimas consequências. 

    Penso em Anne. Nunca fiquei tanto tempo longe de minha filha, nem mesmo durante viagens de negócios, em que estive fora, no máximo, alguns dias. Como lidaria com o fato de termos ido embora, mesmo que não fosse uma situação permanente? Acharia que eu abandonei-a? Lutei e lutaria por Anne, em qualquer circunstância, porém, jamais poderia colocar sua segurança em risco, quando há outras possibilidades. Contudo, fazer uma criança de nove anos entender que agi para o bem dela será uma tarefa muito complicada.
    O carro para, tirando-me de minhas meditações. Jennifer agarra-se a mim, assustada. Mantenho-me frio. Por dentro, minha alma congela. Eu não posso perder o controle.
    Inclino-me para frente, procurando enxergar além do banco de motorista.
    — Algum problema, Dylan?
    — Há dois carros bloqueando a rua, Sr. Durant — diz ele, em um tom preocupado.
    Caralho! Tento clarear a mente, em busca de uma saída. Se voltarmos, poderemos ser interceptados pela polícia. Nessa altura dos acontecimentos, já devem ter invadido minha casa e concluído que fugimos. Podemos ser interceptados a qualquer momento. O cerco está fechando-se contra nós, a cada segundo. O relógio brinca conosco, afunilando todas as possibilidades.
    — Acha que são repórteres? — evito a palavra polícia, que poderia levantar suspeitas.
    Não que eu não pudesse confiar nele, pois, no fundo, acredito que ele saiba, em tese, o que está acontecendo, mas, quanto menos pessoas envolvidas, melhor.
    — Não acredito, Sr. Duran — ele coloca, enquanto responde, o motor em ponto morto.
    Minha mente volta a trabalhar, fervorosamente. Voltarmos e sermos caçados, como animais, ou seguirmos em frente, a qualquer custo? Procuro debaixo do banco, tateando-o, até encontrar o objeto frio. A arma está ali para ser utilizada como um último recurso e eu espero, realmente, não ter que fazer uso dela. Não com Jenny tão assustada ao meu lado.
    Eu aprendi a atirar, há muito tempo. Desde que havia assumido as empresas da família, a preocupação com minha segurança tornou esse aprendizado necessário, mas, isso não quer dizer que eu aprecie fazer uso de armas.
    Giro o cilindro da RT 838 e verifico os cartuchos. Oito balas. Aparentemente, tudo está ok. Não há balas suficientes para o que posso ter que vir a enfrentar, mas, eu não seria pego desprevenido. 
    — Neil — sussurra ela, agarrando meu braço, com mais força do que realmente parece ter — O que está acontecendo?
    — Não fique com medo — eu tento pensar em alguma coisa que possa confortá-la. Nada do que eu dizer alcançará esse objetivo. Minha única certeza é a de que a protegeria com a minha vida — Nada vai acontecer. Eu prometo...
    O telefone toca e eu esbravejo, baixinho. Dylan solta um palavrão, no banco da frente. Um dos carros entra em movimento, vindo em nossa direção. Uma SUV preta, com vidros fumês. 
    Olho para tela, onde aparece o nome de Peter. Eu não tenho tempo, no entanto, ele pode ter alguma informação importante.
    — Não é um bom momento — digo, assim que atendo.
    Nosso carro entra em movimento. Dylan dá a ré, enquanto o carro preto aproxima-se.
    — Neil! — a voz de Peter ecoa, ansiosa, do outro lado da linha — Não vá para o aeroporto.
    Olho em todas as direções, em busca de uma saída.
    Porra! Porra! Porra!
    Não há saída! Sair, em meio ao fogo cruzado, está fora de cogitação. Eu não posso arriscar a vida de Jenny e dos bebês dessa maneira. De repente, sou invadido por uma onda de desespero e excitação.
    — O que eu faço, senhor?
    — Acelera, Dylan! — a adrenalina invade meu sangue, como presas sugando o pouco que ainda resta de meu autocontrole.
    O segundo carro coloca-se em movimento. Eu gostaria de saber o que estão planejando. Pareciam analisar nossos movimentos para, então, entrar em ação.
    Abraço-a, fortemente, junto ao meu peito, talvez pelo que seja a última vez. O perfume adocicado de seus cabelos invade minhas narinas. Uma dor aguda explode em meu peito e sinto dificuldade para respirar, por alguns segundos. 
    — Se eu disser corra — murmuro, apoiando minha testa na dela, minha cabeça dando voltas — Quero que corra o máximo que conseguir.
    — Neil... — diz ela, com voz estremecida.
    — Prometa isso!
    O olhar assustado, a boca trêmula e as mãos geladas, unidas as minhas, mostram-me o quanto está sendo difícil para ela ficar firme, em meio a tudo isso. Deveríamos estar em casa, neste momento, conversando e ansiando pela chegada dos nossos filhos, como tantas vezes fizemos. A vida ainda não estava sendo justa para nenhum de nós dois.
    O mundo começa a desabar aos meus pés, literalmente. Iriam tirar de mim o que mais amo. Minha mulher, minha amante, minha amiga, a mãe dos meus filhos, enfim, minha vida e o significado da minha existência.
    — Vai, Dylan!


    3 comentários :

    1. Elizabeth maravilhosa sua estória !!!!!!!!!!
      Parabéns !!!!!!
      Anciosa por outro capítulo!!!!
      BJU

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      Respostas
      1. Obrigada linda,
        Finalizei um livro agora e to voltando com esse com força total.

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    2. quando protegida por mim estará a venda

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