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  • O Preço de um amor - Prólogo



    17 anos atrás


    – Vamos Laura! Já estamos atrasados para coquetel! – Nicholas disse entrando no quarto do bebê.
    O quarto era todo rosa e branco, com papel parede com tema de personagens infantis. Através da ampla janela vinha um restante de luz solar daquele fim de tarde. No chão um tapete branco e felpudo cobria todo o assoalho e próximo à janela no canto direito havia uma enorme casa de bonecas branca e lilás. Por todo o ambiente havia brinquedos e ursos de pelúcia e várias bonecas espalhadas. O quarto era o sonho de qualquer criança, um verdadeiro paraíso infantil. No lado esquerdo próximo a porta fica o berço onde o bebê dorme tranquilamente.
    — Não sei se devo ir querido? Ela é tão novinha ainda! — Disse Laura alisando a cabecinha do bebê.
    — Laura ela já tem oito meses! Vamos... — Nicholas murmura impaciente. — Nós também precisamos de uma folga.
    — Mas ainda não me sinto segura. Além disso, sua mãe não poderá cuidar do bebê e não me sinto segura em deixá-la com estranhos.
    — Não é uma estranha é uma babá da agencia e muito bem recomendada.
    — Está bem vou dar as últimas instruções para a babá e já desço. Peça para ela subir, por favor.
    — Está bem, eu espero você no hall. — ele disse beijando sua nuca.
    Laura observou o bebê que continuava a dormir como um anjo. Ela era linda, cabelos e olhos negros e pele clarinha, bochechas rosadas e rechonchudas. Costumava dizer que ela era sua própria Branca de Neve. Todos sempre riam disso, mas tinham que concordar era um bebê muito lindo. Ela estava linda em um vestido amarelo claro com rendas brancas. No pulso do bebê havia uma pulseira com um pingente com as inicias do nome dela e dos seus pais.
    — Com licença. — Laura ouviu alguém chamar da porta.




    — Ah, sim você é Camila, certo? A baba enviada pela agência?
    — Sim senhora! — Ela respondeu olhando para chão.
    Laura estranhou o fato dela não encará-la. Bom devia ser uma pessoa tímida. E olhando para seus trajes simples percebeu que a mansão dos Summer devia assustar a primeira vista. Além de que seu vestido de festa vermelho feito pelo melhor design de moda da cidade impressionaria qualquer pessoa até mesmo as pessoas do seu circulo social.
    — Não há muito com que se preocupar Camila, o bebê costuma dormir a noite toda, ainda mais depois de uma tarde agitada como a de hoje. Ela só acorda para trocar a fralda e tomar a mamadeira da noite.
    — Eu e meu marido pretendemos voltar cedo por volta das onze horas. — Laura continua. Na sala tem uma agenda com nosso número de celular e do pediatra, caso precise. Ligue-me a qualquer momento.
    — Sim senhora. — ela respondeu ainda olhando para chão.
    — Os empregados costumam ir embora por volta das oito horas, mas a governanta, a senhora Connolly e Tom o jardineiro que dormem na ala leste, além do segurança da noite. Se precisar de algo pode chamar por algum deles.
    — Sim senhora.
    Laura foi até o berço deu mais um beijo no bebê e foi em direção à porta.
    — Senhora! — A babá chamou.
    — Sim?
    — Não me disse o nome do bebê.
       Ah claro, desculpe-me. É Rebecca. Mas todos a chamamos de Becca.
    — Lindo nome.
    — Obrigada. Até logo Jessica. — Laura disse em direção a saída.
    — Rebecca… — ela sussurrou passando a mão nos cabelos macios do bebê. — Você é linda. Sua casa é linda. Mas lindo que tudo isso é o dinheiro que seus pais têm…

    ***

    Uma hora depois
    — Até que enfim Taylor. Por que demorou tanto? – Jéssica quase gritou ao atender ao telefone.
    — Fique calma Jéssica você sabe que odeio histerias! — Ele disse com uma voz meio grogue.
    — Onde você estava? Aposto que enchendo a cara com seus amigos inúteis.
    — Não enche Jéssica.
    — Eu só estou nessa por sua causa então se não vai fazer as coisas direito ou estou fora! — Jéssica quase gritou.
    — Estou aqui não estou? — Ele resmungou.
    — A sua sorte é que essa criança idiota realmente é bem tranquila! — O Matt esta com você?
    — Sim.
    — Quando vão chegar aqui?
    — Estamos a algumas quadras de distância acho que mais uns quinze minutos.
    — Conseguiu pegar o uniforme do seu primo.
    — Sim, hoje é o dia de folga dele na pizzaria então foi fácil.
    — Então está acontecendo como combinamos. Presta atenção no que vou falar nada pode dar errado, essa gente tem muito dinheiro, se nos pegam nunca mais sairemos da cadeia!
    — Estou ouvindo…
    — Você vai ter que passar pela portaria principal para chegar aqui. Eu vou avisar para o segurança que eu pedi uma pizza pra que ele avise na portaria principal para que o deixem entrar. Na casa só ficará eu, uma governanta, o jardineiro e o segurança noturno.
    — Alguns empregados já foram embora, espere até que eu ligue novamente falando a hora certa.
    — Certo e desligando…
    — Idiota. — Jéssica murmurou. — Espero que ele não estrague nada.
    Aquela oportunidade caíra em suas mãos como uma luva. Quando sua irmã Camila chegou em casa, duas semanas atrás contando para a mãe delas que tinha sido contratada para cuidar de uma criança rica e que se gostassem dela poderia ser a babá permanente Jéssica ficara atenta a conversa.
    Camila já era baba daquela agência há seis meses, mas nunca ficara responsável por crianças tão ricas, pois os pais das crianças sempre exigiam babas mais experientes e confiáveis. Mas aquele era um período de férias e a maioria das babás estava viajando com as famílias de outras crianças e a única que estava disponível havia ficado doente e tiveram que ser substituída as pressas.
    O fato de Camila ser muito carinhosa e paciente com as crianças fizeram com que a fama dela se espalhasse na agência e apesar dos poucos meses de experiência fariam um teste com ela no próximo fim de semana. Camila ficaria com a criança por uma noite e se os pais ficassem satisfeitos com o trabalho ela poderia ser contratada. Ela havia mencionado que a grana era muito boa, pois a família era uma das mais ricas da cidade.
    A princípio pensou em pegar um pouco do dinheiro que Camila receberia, mas depois de conversar com Taylor naquela mesma noite decidiram que o dinheiro de um sequestro era muito melhor do que míseros dólares roubados de sua irmã a idiota.
    Claro ela tivera que pensar em todo o plano. Estudaram a família pela internet, passaram algumas vezes de carro perto do condômino para observar a movimentação. Observou que todos que entravam no condomínio tinham que se identificar primeiro.
    Isso seria fácil era muito parecida com a Ângela, tinha o mesmo tom de pele e cor de cabelos a única diferença era que era mais baixa que a irmã. Mas como Camila nunca havia trabalhado naquele condomínio ninguém poderia saber disso.
    Seria muito fácil ficar no lugar da irmã, Taylor conseguiu um boa noite cinderela que a manteria dormindo a noite toda. Depois a deixariam dormindo em uma praça perto da casa delas ao amanhecer, quando ela acordasse nem saberia o que tinha acontecido.
    — Bom, hora do plano B. — ela pensou indo até o interfone na parede do quarto.
    — Portaria. — ela ouviu uma voz ao fundo.
    — Olá. — ela disse com uma voz sexy.
    — Sim senhorita.
    — Com quem falo?
    — Ruan senhorita. Esta precisando de algo?
    — Ah… Ruan meu nome é Camila, sou a baba de plantão.
    — Sim, eu a vi quando chegou senhorita.
    — Não precisa me chamar de senhorita, me chame de Mila. — ela disse fazendo uma voz dengosa.
    — Claro senhori… Quero dizer Mila.
    — Ruan eu estou com muita fome, então eu liguei na pizzaria aqui perto em que meu primo trabalha, Madre Mia, conhece?
    — Sim.
    — Pedi duas pizzas, estou morrendo de fome, trabalhei o dia todo antes de vir para cá, você sabe nós os pobres temos que dar duro não é?
    — Com certeza senhorita. Digo Mila.
    — Você poderia pedir para que liberem a entrada dele na portaria principal.
    — Não sei senhorita, os patrões não gostam de gente estranha entrando e saindo quando eles não estão. — ele disse receoso.
    — Ah, por favor. — ela disse dengosa. — Ele não um estranho é meu primo e vai estar uniformizado. Estou morrendo de fome. E não sou acostumada a essa comida de gente rica.
    — Está bem ele entra e sai rapidamente tudo bem?
    — Muito obrigada Ruan. Comprei duas pizzas espero que goste de quatro queijos.
    — Eu adoro obrigado, qual nome do rapaz?
    — Peter Collins.
    — Quando ele vai chegar?
    — Em quarenta minutos. Obrigada Ruan. — ela disse gemendo e desligando em seguida.
    - Homens, são tão idiotas, basta fazer beicinho e eles fazem tudo que queremos.
    Tudo está saindo como o planejado. Pegou celular no bolso traseiro do jeans e ligou para Taylor.
    —Tudo certo, o segurança vai deixar avisado na portaria. Você comprou a pizza?
    — Sim.
    — Comprou no Madre Mia certo? — A embalagem tem que ser de lá!
    — Eu não sou estúpido Jéss…
    — Está de moto?
    — Sim.
    — Então troca de roupa no carro de Matt e venha pra cá eu disse que você chegaria por volta de quarenta minutos.
    — Certo, até logo.
    — Tchau!
    Jéssica se aproximou do berço do bebê. Pegou-a com cuidado evitando acordá-la. O que não surtiu efeito. A menina abriu os olhos deixando-a em pânico.
    — Só falta essa pirralha começar a chorar. – sussurrou preocupada.
    Mas para seu espanto ela bocejou e colocou as mãozinhas na boca falando aquele linguajar típico dos bebês.
    — Realmente você é muito calma. Isso é perfeito!
    — Vamos trocar de roupa, titia Jess trouxe algo lindo para você. – ela pensou irônica.
    Antes de ir para mansão havia passado no Wall Marte e comprado um vestido de bebê vermelho de quinta categoria que estava em liquidação.
    — Não podemos andar com você por ai com essa roupa de grife não é querida.
    — Badá buabua...  — respondeu o bebê como se entendesse o que ela falava. Olhando-a intensamente.
    Quarenta minutos depois o interfone do quarto tocou.
    — Espere um pouco querida. — ela disse colocando bebê de volta ao berço.
    — Senhorita o rapaz com a pizza chegou, eu vou subir para levá-la até você.
    — Não é preciso.  — Jéssica apressou-se em responder.
    — Eu mesmo pego Ruan, o bebê esta dormindo e quero te agradecer pessoalmente. — ela mentiu.
    — Fique quietinha eu já volto.
    Ao descer as escadas deu uma olhada ao redor. A casa estava em silêncio. A governanta já deveria ter ido para seu quarto já era nove e quinze.
    — Ótimo!
    Pegou um lenço no jeans da calça e abriu a porta.
    — Prima poderia pedir para seu amigo me deixar ir ao banheiro, por favor?
    — Senhorita eu estou tentando informá-lo que não posso deixar ninguém entrar. —o segurança retrucou irritado.
    — Eu entendo Ruan… — disse Jéssica passando a mão em seu braço.
    — Peter ele já fez muito deixando que eu pedisse essa pizza. — Jéssica disse fingindo censurá-lo.
    — Eu sei como são as essas coisas camarada, mas você sabe? Hoje é sexta eu sou homem. Entre uma entrega e outra fui me divertindo com os amigos.
    — Ruan só mais esse favor. Deve ter um banheiro para empregados ele nem precisa entrar na casa.
    — Bem... Tem os banheiros peto da piscina ele pode usar o de lá então. Venham, mas sejam rápidos.
    Eles se olharam balançando a cabeça sem que o segurança percebesse. Quando chegaram em frente ao banheiro Ruan se virou para eles.
    — É aqui, seja rápido, por favor!
    — Obrigada cara! – Taylor disse entrando no banheiro.
    — Muito obrigada Ruan, você é tão gentil. — Jéssica começou alisar seu braço passando as mãos pelo peito. — Você é tão forte faz musculação?
    — Uma vez por semana… — Foi à última coisa que ele disse antes de ser acertado na nuca e quase cair em cima dela.
    — Como você é lerdo Taylor pensei que eu teria que beijá-lo. — Jéssica resmungou.
    — O que faremos agora?
    — Amarre as mãos e tampe a boca dele. Depois jogue ele na piscina. —ela disse virando-se em direção a casa.
    — O que? — Taylor disse agarrando o braço dela. — Mas isso irá matá-lo.
    — É claro que sim idiota! Por acaso quer ser preso, ele viu nossos rostos.
    — Mas você não disse que íamos matar alguém, eu não gosto disso!
    — Como se você nunca tivesse feito isso antes?
    — Aquilo foi acidente e você sabe.
    — Sei, mas será que a policia vai acreditar, quando eu disser que o louco do meu namorado matou um homem e ainda me obrigou a ficar calada!
    — Você não faria isso Jess, faria?
    — Claro que não querido. — ela disse fazendo beicinho. — Mas agora ele já nos viu e não quero ser obrigada a denunciar você. Taylor pense no dinheiro, milhares de dólares. Nós vamos para bem longe daqui depois. Você quer ser preso?
    — Não!
    — Então faça o que eu disse. Eu vou pegar o bebê.
    — Espere! — Taylor a segurou pelo braço. — Você tem algo ai, eu já usei tudo o que tinha e preciso de algo para dar coragem. — ele disse eufórico.
     Você é tão idiota! Pega, mas não use tudo vou precisar de algo para relaxar depois.
    Ela correu até casa, mas antes deu uma olhada ao redor para ver se tinha alguém observando.
    — Prontinho minha linda, vamos dar um longo passeio.
    Pegou o bebê no berço e tentou limpar as digitais em tudo que havia tocado.
    — O que você esta fazendo Mike? Por que ainda não jogou ele na piscina?
    — Não me apresse sua vaca! — Ele disse empurrando-a.
    Jéssica odiava quando ele ficava chapado. Taylor ficava ainda mais idiota e agressivo do que já era.
    — Tome segure o bebê. Deixa que eu faça isso.
    Não seria uma coisa muito difícil, só tinha que empurrá-lo, pois ele já estava na borda na piscina. Ruan caiu pesadamente espirrando algumas gotas na sua calça. Não fez movimento algum afundou como uma pedra. Talvez a pancada na cabeça tenha sido forte o suficiente para matá-lo.
    — Me dê o bebê, você saí na frente que daqui a quinze minutos eu o encontro.
    — Se perguntarem por que demorou tanto diz que foi ao banheiro e depois se perdeu. Mas eu duvido que façam isso. Pelo que vimos na última semana eles só ligam para quem entra e não para quem sai.

    — Ok. – ele seguiu em direção ao portão.

    1 comentários :

    1. Adorei o livro, tem previsão de quando vai conseguir terminar 😘

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