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  • O preço de um amor - Capitulo 6



    — O que você está fazendo aqui? — pergunto surpresa, ainda brigando com a toalha em volta do meu corpo.
    — Acho que... — começa ele, um sorriso torno no rosto. — Esta, ainda é a minha casa.
    Não foi o que perguntei e ele sabe muito bem disso.  Por que havia retornado antes da hora e por que diabos eu havia caído na pilha da Carol? Agora estou seminua diante de seu olhar malicioso e sorriso indecente.
    — Eu pensei que só voltaria à noite —lembrou-o num tom brando. — Se eu soubesse que...
    — Teria se escondido no quarto como um coelhinho?
    — Não seja idiota! — tento passar por ele e fazer exatamente o que ele disse, trancar-me em meu quarto.
    — Do que você tem medo Rebecca? — diz ele em um tom adocicado. — De mim ou de você?
    Meus olhos desviam dos impactantes olhos azuis para os dedos que prendem meu braço como garras. Eu não sei o que mais mexe comigo.
    — Você é muito pretencioso — digo irritada, puxando o braço furiosamente.
    Saio pisando firme, o som de sua risada acompanhando-me por todo caminho. Eu não sei se estou mais irritada comigo por nutrir por ele sentimentos tão intensos e contraditórios ou se odeio por ser tão convencido, presunçoso, lindo, atraente e...
    Ah, afasto esses pensamentos perigosos imediatamente. Quantas vezes eu tenho que afirmar a mim mesma que a possibilidade de Michael e eu ficarmos juntos é tão provável como a de reencontrar minha mãe, por exemplo. Seria mais fácil ficar milionária com jogos de loteria do que qualquer uma das possibilidades acontecerem. Claro que, por ele nós teríamos um casinho sem importância, até que ele encontrasse um alvo mais interessante que eu. Mas, eu seria capaz de suportar a dor da rejeição. Já não tive que lidar com tantas perdas na vida? O melhor é cortar o mal pela raiz de uma vez por todas e ele que se divirta com todas as Stacys de sua vida. Um dia encontrarei um homem decente e que me amará pelo que sou. Que desejará uma família tanto quanto eu e meus filhos terão todo amor que eu não tive. Eu só preciso esperar que esse homem certo apareça.

    Eu posso dizer que o resto do meu dia foi uma droga. Michael passou o resto da tarde na piscina com Carol o que me obrigou a acompanhá-los de longe. É o meu trabalho e infelizmente não posso fugir dele. O fato de eu estar vestida com uma camiseta larga e bermuda jeans, foi irrelevante. Sempre que podia ele me lançava olhares ardentes, como se despisse-me com os olhos.
    — Calor? — Michael deita-se em uma espreguiçadeira ao meu lado. Os óculos escondem seus olhos dando a ele um ar de mistério. —Poderia se juntar à nos na piscina.
    — Não obrigada — viro meu rosto para o outro lado, a visão do peito musculoso, sem contar o resto.
    — Becca não sabe nadar — responde Carol. — Eu disse que poderia ensiná-la Michael.
    — Verdade? — disse ele, estudando-me com uma expressão divertida no rosto. — Há muitas coisas que posso ensinar a você.
    — Obrigada — sussurrou com olhar falsamente apaixonado. — Mas eu dispenso.
    — Mas Rebecca... — começa Caroline, alheia ao motivo que realmente fizeram-me declinar o convite.
    — Se não precisa mais de mim Carol, eu vou para o meu quarto — corto-a antes de me levantar. Nunca levei meu horário de trabalho ao pé da letra, mas hoje é algo impossível de suportar por muito tempo. Michael e seus olhares, seus sorrisos, suas palavras macias e envolventes. Há um limite que qualquer pessoa consegue suportar e eu havia ultrapassado todos. 
    À noite preferi a companhia de um bom livro e jantei em meu quarto mesmo. Eu poderia fazer isso, fugir de Michael o máximo possível até que ele retornasse para a faculdade.

    No dia seguinte eu saio de casa o mais cedo possível. Passei longos minutos em uma praça próximo ao orfanato, a fim de passar o tempo até chegar o momento de buscar Briana para o nosso passeio de fim de semana. No momento estamos sentadas na praça de alimentação do shopping, ela me encara com olhar perspicaz e interrogativo. Eu não sou tão boa em mascarar meus sentimentos e, é óbvio para ela que há algo de errado comigo.
    —Então... — ela me encara com preocupação. — Vai me contar o que está acontecendo?
    Abaixo a cabeça, num gesto angustiado. O que poderei dizer a ela? Que caí no velho e conhecido clichê de se apaixonar pelo filho dos meus patrões?  Não que esteja realmente apaixonada por ele, mas por mais que eu tente negar, há algo em Michael que mexe comigo, mais do que eu gostaria de admitir.
    — Eu não tenho nada a dizer — murmuro.
    — Não vem com essa — pela primeira vez nos últimos minutos Briana ignora o enorme lanche em seu prato, focando os olhos inquisidores em mim. — Pensei que fôssemos amigas.
    O olhar triste que vejo em seus olhos corta meu coração. Não é que eu não confie nela. É como se os fatos de compartilhar com outras pessoas tornassem as coisas ainda mais reais. É disso que venho fugindo.
    — Certo — murmuro receosa. — Mas tem que me prometer não enlouquecer com isso, certo?
    — Eu juro — Briana cruza os dedos e como mágica, volta a se interessar pelo sanduíche. — Há um rapaz...
    — Está apaixonada! — diz ela em um tom alto. — Eu sabia! Quem é ele? O jardineiro? O motorista?

    Enquanto Briana faz sua infinita lista de empregados da casa eu chego à conclusão que minha vida seria mais fácil se eu tivesse me interessado pelo velho Bill, o motorista, ou pelo Marcus, o jardineiro, claro se ele não fosse casado, com a esposa à espera do segundo filho do casal. 
    — Passou muito longe — respondo desanimada. — É algo mais impossível.
    — Não vai me dizer que se apaixonou pelo filho de seus patrões? — diz ela rindo.
    Minha cara de derrotada deve ter sido tão evidente que seus olhos arregalam-se esbugalhados e o sanduíche em suas mãos despenca desastrosamente no prato.
    — Oh meu Deus! — Briana me encara, sua boca abrindo e fechando várias vezes.
    Minhas bochechas de pálidas logo ficam vermelhas pela vergonha e pela perplexidade dela.
    — Michael é o nome dele — começo cruzando os braços, tentando controlar a tremedeira que denuncia-me mais do que gostaria. — Bem, eu não sei exatamente o que dizer a você Bri, mas ele mexe comigo. Michael mexe comigo de uma forma que eu nem consigo descrever.
    — Caramba — murmura Briana com os cotovelos apoiados na mesa, olhando-me atentamente. — Está mesmo apaixonada.
    — Eu não sei — falo bruscamente. — Tenho horas que eu o detesto, ele é tão irritante e convencido de si mesmo. Mas, quando ele me olha com aquele jeito intenso e quando ele me beija então, ele estraga tudo e eu odeio-o de novo e esse círculo nunca acaba.
    — Mas ele... —Briana começa de um jeito vacilante. — Ele sente o mesmo? Quero dizer, você é linda Rebecca e eu não me admiro que ele tenha interesse, mas você sabe, um jovem rico e uma garota pobre.
    — Eu sei qual é meu lugar na vida dele Briana — murmuro amargurada. — Além disso, Michael tem uma namorada, linda e rica.
    Briana segura minhas mãos em cima da mesa, em seus olhos há tristeza e um sentimento de pena. Não sou do tipo que fico me lamentado da vida que tive ou tenho, mas nesse momento, até eu sinto pena de mim. Como fui me meter em uma enrascada dessa. E como conseguirei escapar disso?
    — Sinto muito Becca — murmura Briana. — O que irá fazer agora.
    — Agir como se nada estivesse acontecendo — respondo desanimada. — E ficar longe dele o máximo possível. Guardar o máximo de dinheiro que conseguir e quando você fizer dezoito anos iremos embora.
    — Ainda falta um ano e meio — murmura ela queixosa. — Vai conseguir lidar com isso? Ele é bonito?
    — Sabe aquele ator que você gosta? É fichinha perto dele.
    — Minha nossa senhora, serão os dezoito meses mais incríveis da sua vida.
    Para minha felicidade e paz de espírito eu espero que sejam apenas tranquilos e que eu consiga livrar-me desses sentimentos que unem-me a ele. 

    Felizmente, quando voltei para casa eu não me encontrei com Michael e a insuportável Stacy como da outra vez. Não vi quando chegou, mas pelo barulho que ouvi durante a madruga foi muito tarde. A ideia de que ele tenha passado todo esse tempo com ela enche-me de ciúmes. É algo irracional, mas não tenho como evitar isso.
    Na segunda feira não houve café da manhã como de costume. Carol acordou com a garganta inflamada e com um pouco de febre.
    — A única coisa boa é não ter que ir para escola hoje — murmura Carol fazendo careta.  Está encolhida na cama como se sofresse todos os males do mundo.
    — Eu disse para sair da piscina — Michael faz carinho na testa dela. — Isso é o que crianças teimosas ganham.
    — Eu não sou criança! — diz ela com birra. Logo uma crise de tosse invade-a, obrigando-o a socorrê-la.
    — Beba isso — entrego um copo d’água a ela que toma com certa dificuldade. — Vou ligar para médica.
    Estou aliviada por ter uma desculpa plausível para sair de perto de Michael, como sempre ele parece devorar-me com os olhos, isso é uma coisa difícil de se lidar, prefiro quando ele age como um idiota presunçoso.
    Após conversar brevemente e receber as instruções sobre os cuidados com uma possível virose de Carol, sigo para cozinha para pedir a cozinheira que prepare uma canja de galinha para ela. A doutora disse que a menina deve permanecer em repouso e beber muito líquido.
    Antes de alcançar as escadas deparo-me com ele. Lindo como sempre e estudando-me com seu olhar intenso.
    — Quero dar algo a você — diz com sorriso cínico no rosto.
    — Não quero nada que venha de você — murmuro com a voz trêmula. Tento passar por ele, mas sou impedida pela muralha de seu peito. 
    Ele me olha com fome, minha boca fica seca e o coração sufocado. Há um vulcão dissolvendo-se dentro de mim e o calor faz-me tiritar.
    — Isso você quer — diz ele com olhar arrogante. — Vem pedindo isso todas as vezes que me segue com os olhos, quando acha que não a vejo e cada vez que suspira quando estou por perto.
    — Não — digo em um fio de voz.  
    — Sua boca mente — Michael enrola meus cabelos em seu pulso, obrigando-me a encará-lo. Azul, eu me perco na imensidão azul de seus olhos, que prendem-me em uma armadilha sensual, levando meu rosto para mais perto do seu. Michael acaricia e deposita um pequeno beijou em meu pescoço. Deixo escapar  um gemido, sinto vibrações por todo o corpo. Esse pequeno toque deixar-me cheia de lascívia e trêmula. — Mas seu corpo me diz outra coisa.
    Meus olhos cerram-se e quando ele me beija, meu coração acelera no peito, descontrolado, o desejo corre em minhas veias. Michael beija-me com agressividade, em seguida com grande doçura, a língua desenha meus lábios chupando-o em seguida, sinto-me atordoada.      
    — Michael... — murmuro entre seus lábios enquanto ele continua a tortura-me com os lábios, sem misericórdia. — Pare!
    Toco meus lábios constrangida pela forma como meu corpo responde ao dele, ergo o queixo de modo desafiador, sinto-me encurralada, decepcionada comigo mesma, ferida e com raiva.
    Ele solta um riso delicioso e me encara empolgado.
    — Você será minha Rebecca —atrevidamente volta tocar meus lábios com os dedos. — Pode dar adeus a esse cara.
    — Michael...
    —Até o próximo fim de semana — diz ele indo em direção a porta, sempre de costas e sem desviar os olhos de mim. — Pense em mim.
    — Michael eu...
    — Eu vou pensar em você — interrompe ele. — Todos os dias.
    — Michael! — é a última coisa que grito antes dele alcançar a porta.
    O mais desesperador de tudo isso é o sorriso idiota em meu rosto. Ótimo Rebecca, a última imagem que esse arrogante e sedutor tem de você é um sorriso apaixonado e idiota. Eu não preciso de mais nada para complicar minha vida.
    ≈≈≈≈


    — Como vai Olivia?
    Ela parece-me bem melhor que os outros dias. O que me faz imaginar que as sessões de quimioterapia estão dando algum resultado, pelo menos é o que todos nessa casa esperam.
    — Bem — diz ela sorrindo. — Como está a Carol?
    — Agora está dormindo — respondo. — Mas anda um pouco manhosa. Queria vê-la, mas sabe que não pode.
    — Essa é a pior parte em estar doente — diz ela com tristeza. — Não poder acalentar meus filhos quando mais precisam de mim.
    — Não é a mesma coisa — murmuro emocionada. — Mas eu vou tentar representá-la da melhor forma possível. 
    — Eu sei que vai — diz ela, afastando-se um pouco para que eu me sente ao seu lado na cama. — Sente-se, conte-me mais sobre o seu passado, fiquei pensando muito sobre ele.
    — Eu acho que eu já disse tudo — sorrio sem jeito. — Não há muito o que falar sobre mim.
    — Sempre há o que falar — insiste ela. — Pelo o que me disse, deixaram você na porta do orfanato. Devem ter deixado alguma pista.
    — Não senhora — murmuro intrigada com o seu interesse. Por que está tão obcecada com isso? Talvez seja pelo fato de ficar trancada ali por tanto tempo. Mas uma história triste como a minha não contribuiria mais com sua doença? — Não havia nada de mais, um cobertor vagabundo e um pingente velho.
    — Pingente! — murmura exaltada. — Como era esse pingente?
    — Um desses pingentes que se colocam fotos — digo com pouco interesse. — Mas não havia foto, estava apenas escrito Rebecca e duas iniciais. Foi assim que surgiu meu nome. Rebecca pelo colar e Thomas pelo orfanato. Rebecca Thomas.
    —Você tem esse colar? — Olivia olha no fundo de meus olhos. — Pode mostrá-lo a mim?
    — Sim — murmuro sorrindo. — Um dia eu mostro, mas é apenas um colar velho.
    — Mostre-me agora! — as mãos dela seguram meus braços com tanta força que se não soubessem que está convalescendo, jamais desconfiaria. — Por favor.
    — Está bem — digo para tranquilizá-la. — Eu vou buscar.
    Eu nunca dei importância a isso. Nem ao menos sei se realmente é meu. Assim como as freiras, imagino que minha mãe tenha sido uma jovem inconsequente e irresponsável. Apesar de danificado pois faltava algumas pedras, o colar, mesmo com a aparência e velho parece ter algum valor.  Com certeza a pessoa havia roubado. O fato de ainda ter permanecido com ele foi um velho desejo infantil de que pertencesse a minha mãe e que um dia ela viria me buscar. Com o passar dos anos esse sonho foi esquecido, assim como o colar, jogado entre as minhas poucas coisas dentro de uma caixa no armário. Mas, se Olivia precisa vê-lo para comprovar que não há nada de mais nisso darei essa pequena alegria a ela. O que pode ter de tão importante em um velho colar?

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