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  • O preço de um amor - Capitulo 5


    Pela primeira vez na vida ao menos que eu me lembre, acordo atrasada. Pulo da cama como uma lebre desajeitada e corro para o banheiro, lavo meu rosto, escovo os dentes e penteio o cabelo em velocidade recorde. Substituo a camisola rosa de algodão por camiseta branca com estampa de bichinhos e calça jeans desbotada. Eu não gostei do conjunto da obra, mas terá que servir essa manhã, afinal é apenas café da manhã e acompanhar Carol na ida para escola.
    Coloco as sapatilhas macias, ainda me lamentando por ter dormido tanto, na verdade eu não dormi muito, passei mais uma noite praticamente em claro pensando em minha vida e em um par de olhos azuis. Bem, passei mais tempo pensando em magníficos olhos azuis do que meditando sobre minha vida propriamente.
    Ainda não sei por que o fato de Michael namorar uma garota tão entojada como Stacy me incomoda tanto. Ele é um jovem lindo e rico, um sonho para qualquer garota, menos para mim claro. Mesmo assim, um sonho ideal para qualquer garota desavisada propensa a cair em seus falsos encantos.
    Olho para o despertador em cima da mesa antes de sair do quarto e quase infarto com a hora. Sete e meia, tenho exatamente quinze minutos para tomar café antes de sair com Carol. Só que estou tão nervosa que creio que nada passará por minha garganta.
    Respiro fundo tento colocar um sorriso de normalidade no rosto. Faço uma pequena prece para que o Sr. Hunter já tenha ido para o trabalho. O pior que acordar atrasada é seu chefe perceber que está atrasada. Se bem que, tecnicamente eu não estou de acordo com o contrato assinado meu expediente começa a partir das oito horas.
    Não encontrei com meu chefe pelos corredores da casa, mas meu sorriso se desfaz quando noto seu lindo filho sentado à mesa. A xícara de café estática entre o queixo e a boca, seguido de um olhar debochado para mim.
    Sento-me rapidamente ao lado de Caroline, duvido que minhas pernas tremulas sejam capazes de me sustentar por muito tempo.
    O ambiente está carregado de tensão, como sempre acontece quando dividimos o mesmo ambiente. Da minha parte porque por mais que eu tente não consigo ficar indiferente a ele. Bem da dele, não faço a mínima ideia no que passa na cabeça dele. Isso é muito frustrante.
    — Então a Bela Adormecida descobriu que tem um emprego? — diz Michael de forma sarcástica. —Saio com seu namorado ontem à noite também?
    Minhas bochechas queimam. Não por vergonha e sim porque a pergunta foi inapropriada e sem cabimento. Não devo satisfações a ele do que faço em minhas noites de folga e com quem saio ou não.
    — Nada contra suas aventuras por ai... — continua ele, no mesmo tom de voz. — Só não negligencie seu trabalho. Meu pai não irá gostar de saber que a paga para ficar dormindo.
    — Bom dia Sr. Hunter — murmuro, educadamente. — Não devo explicações ao senhor, mas já que está tão interessado em saber meu horário de trabalho inicia as oito horas. Tenho certeza que seu pai ficará satisfeito em saber que estou de prontidão quinze minutos antes do acordado.
    A cara de surpresa com minha resposta teria sido engraçada se eu não estivesse com tanta raiva. É muito irônico da parte dele me cobrar explicações e me criticar sobre meu trabalho, quando o mesmo deve ter passado a noite toda na farra com aquela garota esnobe e sem graça que é a namorada dele.
    A camisa xadrez e os cabelos úmidos e despenteados não me deixam saber se realmente passou a noite fora já que não está com a mesma roupa da noite anterior. E mesmo que tenha passado isso não é da minha conta. Pelo menos alguém nessa mesa sabe se colocar em seu devido lugar. Michael deveria fazer o mesmo.
    — Bom dia Carol —cumprimento-a com um largo sorriso. Pela expressão confusa em seu rosto tenho certeza que está se perguntando o que está acontecendo aqui. —Assim que terminar podemos ir.
    — Bom dia Becca — diz ela ainda intrigada, mas logo em seguida volta para seu cereal na tigela.

    Eu não tenho como explicar algo a ela, mal consigo explicar a eu mesma. Tudo que posso dizer é que esse homem me irrita e me atrai como nenhum outro. Bem, não é uma comparação justa sendo que minha experiência com o sexo oposto é praticamente nula. No orfanato temos pouco contato com o mundo exterior. Somos educadas lá mesmo pelas freiras, portanto não vamos para escola como qualquer criança. É como se criassem um pequeno casulo em volta da gente e não sei se é uma coisa boa ou ruim. Houveram poucos meninos e sempre foram menores que eu, sempre os vi como irmãos adotivos.  Os maiores que passaram pelo orfanato tiveram a sorte de serem adotados ou fugiam. Há o contador o Sr. Stryder que faz serviço voluntário uma vez por semana, mas esse já é idoso. Tirando algumas visitas de alguns benfeitores com suas esposas não tive contato algum com outros homens.
    — Eu levarei Carol para escola hoje — murmura Michael, sem olhar para mim. — É caminho para a faculdade.
    Por essa eu não esperava. Ter que passar os próximos quinze minutos trancada dentro de um carro ao seu lado, absorvendo todo magnetismo que ele exala é demais para mim.   
    — Obrigada pela carona Sr. Hunter, mas não queremos incomodá-lo ainda mais — gostaria que minha resposta soasse menos desesperadora como saiu.
    —Não é incomodo, sempre faço isso quando volto para o campus, todas as segundas.
    O que? Todas as segundas andando passarei por esse martírio? E como voltaria para casa?  
    — Não é preciso que nos acompanhe — murmura ele, respondendo minha pergunta não pronunciada.
    As palavras baquearam-me mais do que deveria, sinto-me petrificada na cadeira. Eu deveria estar exaltante com a nova informação, não deveria? Então por que me sinto como se estivesse sendo abandonada pela segunda vez?
    — Você vai embora? — O sussurro é mais como uma afirmação do que uma pergunta em si.
    — Sentirá minha falta? — murmura ele debochada. — Quer que eu fique?
    A malicia em sua voz me irrita novamente. Se eu pudesse ser sincera com ele responderia sim para as duas perguntas. Só que eu não posso fazer isso. Michael tem uma namorada e devo ter isso em mente, sempre.  
    — Não vai responder as minhas perguntas? — sussurra ele, há um sorriso enigmático em seu rosto.
    — Nem uma coisa ou outra — minto descaradamente.
    — Se você diz... — diz ele, em um comentário foi polido.
    O olhar desafiando-me, olhos cor de safira incitando-me. Não tenho como negar. Esse olhar é o único que me faz perder o fôlego por mais que eu lute contra ele. Contudo, por trás da aparência tranquila há uma aura animal natural. Similar a uma bela, mas mortífera pantera.  Pronta ao ataque.
    — Bem... — levanto-me de forma desajeitada. Os olhos azuis não deixam de me observar um único instante. — Como não sou necessária farei companhia a Sra. Hunter. Boa aula Carol e boa viagem Sr. Hunter.
    Saio apressada sem esperar a resposta de nenhum dos dois. Sinto-me vitoriosa que minhas pernas trêmulas não tenham falhado fazendo-me cair estatelada como uma tola. Obviamente minha reação intempestiva já contribui o suficiente e não é a primeira vez que faço algo estupido na frente.
    Subo as escadas correndo. Não vou para o quarto de Olivia como disse. Sigo direto para meu quarto primeiro. Preciso me acalmar, não quero ter que dar explicações do porquê de meu rosto afogueado e respiração acelerada.
    Mal repouso sobre a porta ouço batidas insistentes do outro lado. Não é preciso ser um mago para saber quem está ali, batendo a porta. O que ele ainda quer comigo? Já não me torturou o suficiente?
    — Abra Rebecca! — entoa ele com firmeza. — Sei que está ai se escondendo.
    Que presunçoso! —penso estarrecida.
    — O que quer? — abro porta em um impulso, encaro-o com cenho franzido.
    — Por que não me disse que tinha um namorado? — murmura ele, com frieza.
    — Outra vez esse assunto? E que importância tem isso?
    — Importa se você me beija em um dia e corre para os braços de outro no dia seguinte! —acrescentou ele com maior dureza.
    — Também não me falou sobre sua namoradinha?
    — Stacy?
    — A menos que haja uma Maria, Ana ou...
    —Isso não é engraçado — interrompe ele. Suas mãos apoiam contra a parede em cada lado de meu rosto. A respiração tão acelerada quanto a minha. Eu posso não ser imune a ele, mas Michael também não é indiferente a mim, vejo isso em seu olhar, em sua respiração suspensa.
    — O que ele tem para preferi-lo a mim?  — pergunta ele com certa suavidade. — Será que a faz se sentir assim?
    As perguntas ficaram flutuando no ar quando os lábios dele tocaram os meus. Seu beijo é suave. Meu corpo treme e tento permanecer rígida como uma estátua. Michael continua a beijar-me com delicadeza, sua língua invadindo minha boca de forma implacável. Sem que me dê conta vou relaxando gradativamente. Um calor estranho nasce em minha pélvis. Estremeço quando sinto a carícia em meu quadril e quando Michael se move com sensualidade contra meu corpo. O beijo agora é exigente e apaixonado. Os lábios firmes e a língua aveludada fazem o mundo ao redor de nós desaparecer.
    As mãos de Michael sobem até meus seios e os acaricia com erotismo excitante. Gemo sem perceber. Meu corpo se arqueia contra o calor e o corpo masculino junto a mim.
    Ele se afasta por alguns segundos e respiro fundo em busca de ar. Michael acaricia meus lábios e seus olhos brilharam intensamente. Sinto a necessidade de algo que não sei explicar. Uma urgência que queima por todo meu corpo, incendiando-me inteira.
    — Não volte a vê-lo! — diz ele. — Prometa-me!
    O pedido exigente me arranca do estado de estupor que me encontro. Que direito ele tem em pedir que me afaste de um namorado, mesmo que fictício enquanto ele desfila com a ruiva nojenta a tira colo?
    Antes que eu consiga pensar com clareza, minha mão voa acertando o lado esquerdo de seu rosto. A marca de meus dedos na face perfeita me faz recuar alguns passos.
    — Desculpe — murmuro com voz rouca. — Eu não quis...
    — Não se atreva a fazer isso novamente — declarou ele com mandíbula rija e falsa suavidade na voz. O olhar furioso e hipnótico me deixam em um insuportável estado de tensão. — Pode negar o quanto quiser mas seu corpo responde contra sua vontade. Divirta-se com esse idiota.
    Ele se afasta e acompanho-o com o olhar até sumir pelo corredor. Minhas mãos ainda estão trêmulas e formigando devido ao tapa. Eu nunca levantei a mão para outra pessoa em toda minha vida e essa reação me deixa assustada. Michael invoca em mim sentimentos contraditórios, bons e ruins ao mesmo tempo. Eu desconheço essa nova Rebecca e tenho muito medo do que eu possa encontrar em seu interior.

    Saio do quarto meia hora depois, tempo que precisei para me acalmar. A raiva substituída pela tristeza e um desejo de que tudo pudesse ser diferente. Nunca questionei muito minha vida no orfanato. Apesar de tudo fui feliz ali. Os únicos momentos que ansiei por uma família eram em datas comemorativas. Cheguei a fazer inúmeros pedidos para que meus pais ou qualquer outro casal me levassem para um lar feliz. Sempre prometia ser uma boa criança e cumpria isso ano a ano até perder as todas as expectativas. Sempre fui bonita demais, pequenas demais ou grande demais para ser adotada, com isso os anos foram passando e nunca experimentei a felicidade de um lar.
    Hoje gostaria de ser como qualquer outra garota como Stacy. Com uma casa bonita e família importante. Acima de tudo sentir que pertenço a algum lugar, ter raízes, alguém para recorrer em momentos difíceis. Uma mãe para conversar em momentos como esse.
    Eu tenho Briana que é como uma irmã para mim e as freiras jamais me deixariam desamparada, mas não é a mesma coisa. Nada se compara aos carinhos e conselhos de uma mãe. Nunca desejei um como hoje.
    Afasto esses pensamentos depressivos e bato na porta do quarto. Nunca fui propensa a ficar lamentando sobre minha vida e não começarei agora.  Afinal tenho muita sorte apesar de tudo, muitas crianças órfãs como eu tiveram um futuro bem mais traumático. Nunca passei fome ou me faltou amor. Uma das muitas coisas que sou grata as freiras do orfanato é o carinho com que sempre nos trataram. Levarei esse amor e gratidão a elas por toda a minha vida.
    — Entre — diz Olivia em uma voz suave.
    — Bom dia — cumprimento-a sorrindo. — Como se sente hoje?
    Olivia senta-se com dificuldade e me apresso para ajustar seu travesseiro ajudando-a a ficar um pouco mais confortável.
    — Bem melhor do que ontem e espero menos que amanhã.
    Comove-me a força interior que ela carrega e como é valente em enfrentar a doença. Lembro-me que muitas vezes a freira do orfanato ficava apática e chorava muito. Essa é uma doença que sensibiliza as pessoas, tanto as que a enfrentam como as que estão próximas.
    — Eu tenho certeza que em breve estará sapateando pela casa — digo carinhosamente.
    — Eu creio que não — diz ela com um toque de humor na voz. — Sempre fui péssima dançarina.
    — Bem vinda ao meu clube — confesso envergonhada.
    Olivia dá uma batinha na cama e pede que eu me sente ao seu lado. Surgiu uma amizade instantânea nós duas. É para mim como uma mãe ou irmã mais velha. Há uma conexão diferente entre nós. Um carinho e respeito gratuito.
    — Como foi sua vida no orfanato?
    —Ah, não quero perturbá-la com minhas histórias Sra. Hunter — murmuro. — Já tem muito com que se preocupar.
    — Olivia, nada de senhora — segura minha mão com certa firmeza. — Eu quero saber. Antes pensei que estivesse imaginando coisas, mas é tão parecida com ela, Rebecca.
    Não é a primeira vez que Olivia fala sobre isso. Assim como ela, no início achei que estivesse delirando. Creio que devo ser muito parecida mesmo com a amiga de qual fala tanto. Isso não me perturba. Não diz a lenda que todos temos um homônimo por ai?
    A palidez em seu rosto foi substituída pelo rubor diante da excitação. Talvez minha história de vida não seja tão deprimente para ela. Não se contasse apenas os fatos engraçados e dias felizes no orfanato.
    — O que quer saber? — pergunto ainda sem jeito.
    — Tudo, desde o início — murmura entusiasmada. — Como chegou lá? Quantos anos tinha? Quem a levou?
    Bem, essas perguntas não têm respostas engraçadas. Até porque eu não sei muito a respeito disso. Nem mesmo as freiras tinham respostas.
    — Cheguei no orfanato com dois anos — começo a narrar minha história exatamente como as freiras me disseram. — Pelo menos é o que as irmãs acreditam, já que eu parecia muito magra e negligenciada na época.
    — Aposto que era um bebê lindo — murmura Olivia. — Com essa pele, esses cabelos e olhos. Sabe como é linda não é?
    Na verdade nunca me preocupei com isso antes. Sempre me disseram no orfanato que me tornei uma criança bonita após alguns cuidados e consequentemente uma jovem atraente, mas nunca dei muita importância. Com Olivia me dizendo isso. Uma senhora elegante e bem educada me faz sentir de certa forma, especial.
    — Não diria isso se tivesse visto como cheguei —digo com descontração. — Muito magra e uma cabeça enorme.
    Ao invés de rir como era meu desejo, vejo tristeza brilhar em seus olhos.
    — Sinto muito.
    — Não sei como cheguei, na verdade ninguém sabe — respondo sua outra pergunta, ignorando seu olhar de piedade. — Pela manhã as freiras me encontraram dormindo em um embrulho perto da porta. Disseram que eu era um bebê muito calmo. Que se não precisassem em fazer as compras matinais teria passado amanhã inteira ali, sozinha. 
    — E seus pais?
    — Eu não sei — digo com indiferença. — A madre acha que devo ser filha de alguma viciada. Pela forma que me encontraram.... E foi muita sorte que ela tenha tido um pouco de serenidade para me abandonar no orfanato.
    A tristeza encobre meu rosto por alguns instantes. Essa é uma parte de um passado a qual não gosto de lembrar. Imaginar que as drogas ou qualquer outra coisa foi mais importante que eu para minha mãe, ainda me magoa muito.
    — Mas eu não quero falar sobre isso — digo num tom alegre. — Eu tenho historias muito mais engraçadas para compartilhar. Você quer ouvir?
    — Claro.
    Foi o que fiz, algumas histórias entre eu e Briana são tão engraçadas que nos levaram as lagrimas de fato.
    Ao meio dia o Sr. Hunter veio para o almoço como faz todos os dias. Quis deixá-los sozinhos, mas Olivia fez questão para que permanecesse com eles. E por insistência dela deveria chama-los apenas de Max e Olivia. Não me senti muito confortável no início, mas acatei-o ao que ela disse ser uma ordem. Quanto ao Sr. Hunter ou melhor Max, não há nada que ele negue a esposa e parece ser assim antes mesmo dela ter ficado doente.
    O resto da tarde seria buscar Caroline na escola, auxiliá-la com o dever de casa e monitorar o sono de Olivia no quarto. Todas as tarefas cumpridas.

    ≈≈≈
    É quarta feira, Max levou Olivia para outra sessão de quimioterapia.  Ainda não encontraram outra enfermeira que pudesse fazer companhia a ela. Então ainda nos revezamos em torno dela. Eu não me importo, pelo contrário. Nossos momentos juntos têm sido muito agradáveis. As histórias de sua juventude ao lado de sua amiga Laura me fizeram me sentir ainda mais próxima dela. Pelo que me contou, ao contrário de Laura ela vinha de uma família menos abastada, e a vida não fora muito fácil para ela, no entanto, isso não influenciou na amizade entre elas.
    — Estou morrendo de calor —murmura Carol ao meu lado, trazendo-me ao presente. — Tem certeza que não quer se unir a mim na piscina?
    Estamos relaxando em confortáveis espreguiçadeiras em frente a piscina. Estou com o vestido branco que usei quando cheguei aqui e Carol usa um biquíni laranja e branco.
    — Não acho que seja apropriado Carol — murmuro. — Sou empregada da casa, além disso, eu não sei nadar.
    — Você não é empregada! — Carol bate o pé emburrada. — É minha amiga e posso ensiná-la a nadar.
    — Eu sou a empregada e sua amiga — rebato com firmeza. Quando Caroline coloca uma coisa na cabeça é muito difícil move-la dessa ideia. — E não acho que seus pais aprovariam.
    — Fala sério — murmura chocada. —Tudo o que precisa é que meus pais permitam que use a piscina comigo?
    Ai Jesus! Essa menina é uma diabinha. Não é só o fato de não saber nadar ou precisar do sinal verde dos pais dela que me incomoda, mas o fato que a cada dia me sinto mais ligada a eles. Todos os dias me fazem sentir como um deles e isso me preocupa. Um dia terei que ir embora. Caroline já tem doze anos e em breve passará mais tempo com amigas e namorados do que comigo. Logo não serei mais necessária e não sei como me sentirei quando tiver que dizer adeus.
    Devo manter na mente e coração que minha situação nesta casa é provisória o quanto menos me envolver menor será a dor na hora de partir.
    — Falarei com meu pai ainda hoje e sábado começamos as aulas de natação — diz ela empolgada. — Vai ser muito divertido!
    Antes que eu consiga formular alguma desculpa ela se joga na água como uma atleta nata. Bem, que mal haveria em algumas aulas se é para deixa-la feliz. Com esse pensamento em mente relaxo outra vez na espreguiçadeira e deixo os pensamentos temorosos para o futuro. Para que sofrer por antecipação?
    A noite após o jantar como era esperado Carol traz o assunto à tona. Passamos no quarto de Olivia para dar boa noite e ela não deixou o assunto passar despercebido.
    — É claro que pode usar a piscina — diz Max em tom ofendido. — Pode usar piscina e a academia se quiser.  É uma ordem.
    — Sim senhor — murmuro constrangida.
    Não há o que fazer se é uma ordem em relação a isso. Como não quero me aproveitar de sua confiança usarei esses ambientes apenas quando Carol estiver junto.
    O resto da noite foi tranquilo, não ficamos muito no quarto devido Olivia ainda estar sensível com a sessão de quimo. Como faço todos os dias acompanho Carol em suas series preferidas e em seguidas vamos para cama.
    No dia seguinte a mesma rotina de sempre. Levar Carol a escola, voltar e ficar com Olivia. Acompanhar Carol durante as aulas de balé e passamos a tarde com a mãe dela.
    Durante a semana as únicas notícias que tive de Michael vinham de Carol ou pela mãe dele. Todos os dias ligava e conversava com uma delas e me meu coração sempre batia acelerado quando presenciava alguma das conversas, como hoje. Parece que uma semana longe não foi tempo suficiente para tirá-lo de minha mente, pelo contrário, muitas vezes me vi sonhando com um par de olhos claros e lábios tentadores.
    — Michael voltará sábado à noite — diz Olivia com pesar. — É uma pena quando os filhos crescem e tem que seguir suas vidas. Nossa vontade é que fiquem debaixo de nossas asas para sempre.
    Infelizmente nem todos os pais sentem dessa forma, penso com pesar.
    — Sabia que quase abandonou a faculdade por minha causa? — sorri ela. — Foi um custo convence-lo do contrário. Tive que ameaçar me internar em uma clínica se fizesse isso. Michael sabe o quanto a ideia me desagrada e acabou aceitando retornar aos estudos.
    Essa nova informação me pegou de surpresa. Achei estranho que ele optasse em ficar longe de casa quando a mãe está passando por essa fase tão difícil.  Ao que parece Michael não é tão arrogante e mimado como pensei, pelo menos ao que diz a família ele tem um comportamento admirável.
    — Ele estuda medicina não é?
    — Sim. Max queria que estudasse administração e cuidasse da empresa da família, mas Michael não tem vocação para isso — diz ela, com orgulhosa na voz. — No início imaginei que seria veterinário. Quando criança sempre trazia todos os tipos de animais feridos para dentro de casa.
    — O Sr. Hunter deve ter ficado decepcionado — murmuro esquecendo-me de trata-lo pelo primeiro nome. Ainda estou tentando me acostumar a isso.
    — Não obrigamos nossos filhos a fazerem o que não querem. Além disso, há Caroline que é a esperança do pai e haverá os netos. Alguém terá vocação para o cargo.
    — Eu tenho certeza que sim. E seu marido ainda é muito jovem, ainda permanecerá na empresa por muitos anos.
    — Sabe, acho que Michael trocou veterinária por medicina por minha causa.  Dois anos atrás minha doença começou a se desenvolver e como é um tipo raro de câncer não foi fácil descobrir. Acho que ele sente que precisa ajudar de alguma maneira.
    Droga! Eu não preciso dessas novas informações para acha-lo encantador e irresistível. Está certo, algumas vezes Michael consegue me tirar do sério e sinto emoções descontroladas quando estou perto dele, mas essa nova faceta de sua personalidade mexe muito comigo.
    Não esperava conhecer um Michael sensível e com sentimentos altruístas. Se antes era difícil controlar certos pensamentos em relação a ele agora será quase impossível.
    Dr. Hunter. Em alguns anos ele será um médico. O que afasta ainda mais para longe dele. Ao lado do Dr. Hunter estará uma linda, elegante e educada Sra. Hunter. Eu tenho que descer das nuvens de qualquer maneira.
    — Tenho que pegar a Carol e levar ao balé — digo lutando contra as lagrimas que nem sei por que vieram inundar meus olhos.
    — Eu disse algo que a chateou? — pergunta Olivia com apreensão.
    — Não —apresso-me em tranquiliza-la. — Realmente estou atrasada. Pisco algumas vezes para conter as lágrimas insistentes. — Voltarei mais tarde, tudo bem?
    — Sim.
    É a primeira vez que saio do quarto sem conseguir encará-la. Se eu tivesse que fazer isso me desmancharia em lágrimas a sua frente e não quero que saiba que tenho sentimentos confusos sobre seu filho. De forma alguma quero que perca a confiança em mim. O jeito é sufocar esses sentimentos a qualquer custo.



    O sábado parece radiante e assim que Caroline conclui os deveres do dia ela me arrasta para enorme piscina. Como não tenho roupa de banho Carol me leva até o vestiário próximo a piscina. Mostra-me inúmeros modelos de biquínis e maiôs que a mãe ainda não havia usado. Escolhi um conjunto de biquíni branco com detalhes em miçangas. Apesar de ser branco, uma das minhas cores preferidas o forro cor de pele na parte interna impede que fique transparente e indecoroso quando molhado. Ficou um pouco justo em meu corpo devido Olivia ser mais esguia que eu. Nada que pudesse ser considerado vulgar, mas como disse Carol é muito Sexy. Como será apenas nos duas na piscina já que Max ficará no quarto com a esposa e Michael só virá a noite eu não vejo problema em usá-lo.  
    — Olha acho que seria melhor que meu irmão a ensinasse — diz Carol tirando-me dos meus devaneios. — Ele é muito bom nisso, foi Michael que me ensinou a nadar.
    — Acho que sou um caso perdido — murmuro. — É melhor esquecermos isso.
    Após uma hora dentro da piscina eu ainda não havia criado coragem para me afastar um metro da borda.
    — Não é não — diz ela inconformada. — Se eu aprendi quando era um bebezinho com certeza você aprende também.
    Eu poderia explicar a ela que os bebês aprendem com muito mais facilidade já que estiveram noves meses em uma bolsa d’água na barriga da mãe, para eles é como insisto, mas como sei que seria uma tentativa em vão prefiro me manter calada. Além do que, de maneira alguma ficaria com Michael em torno de mim vestindo apenas trajes de banho. Se mal consigo me manter afastado dele com roupas normais o que diria com um biquíni como esse e ele usando apenas uma sunga minúscula. Só em pensar nisso, minhas bochechas queimam e sinto algo esquisito formigar entre minhas pernas. Algo que vem acontecendo muito e sempre que me lembro dele, de seus beijos e suas mãos pelo meu corpo.
    — Estou com sede — tento mudar de assunto e brinco com água. — Vou até a cozinha pegar alguma coisa.
    — Fique ai treinando um pouco mais — diz Carol, saindo da água. Vou pedir que preparem um refresco para a gente.
    Assim que a vejo sumir no jardim saio da água morna e me deito sobre uma espreguiçadeira. De forma alguma vou me arriscar a ficar sozinha dentro dessa piscina imensa. Do jeito que estou estabanada acabaria me afogando e obrigando Max a me salvar de forma vergonhosa.
    Passo bastante protetor solar em meu corpo e deito de bruços. Apesar de ser quase fim de tarde não quero me arriscar a ter queimaduras na pele. Fecho os olhos e me delicio com o sol de fim de tarde. Sinto uma sombra em meu corpo e imagino que seja Caroline. Finjo estar dormindo para que ela não volte com a história do irmão me ensinar a nadar.
    — Uma deusa ou uma sereia? — diz uma voz rouca e sexy ao meu lado. — É uma dúvida interessante. Se jogá-la na água criaria escamas ou lançaria raios sobre minha cabeça?
    — Michael? — sussurro em pânico.
    Abro olhos e me deparo um par de óculos escuros e um sorriso devastador.
    — Oi — diz ele. Sem nenhuma pressa ele tira os óculos e seus olhos azuis vagueiam lentamente por todo meu corpo. Pelo sorriso malicioso e olhar abrasador tenho certeza que aprecia o que vê. Isso faz com que minha pele se arrepie por inteiro.
    Levanto-me apressada tentando de alguma forma esconder meu corpo com a toalha. O que ele está fazendo aqui? Olivia me garantiu que só viária a noite.
    O que fazer com o coração acelerado em meu peito e a sensação que posso desfalecer a qualquer momento. Há como resistir ao homem incrivelmente lindo e sedutor a minha frente? Ainda mais após descobrir todas aquelas informações sobre ele.
    Não há dúvidas eu estou inegável e completamente perdida!


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