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  • O preço de um amor - Capitulo 2




    Detenho-me ao pé da escada e respiro fundo. Ainda sonolenta após uma noite mal dormida. Não sei se pela estranheza da cama a qual não estou acostumada ou se pelo medo do futuro a minha frente. Sair de um orfanato onde tínhamos apenas o básico ou quase nada para cair de paraquedas em uma enorme mansão mesmo como empregada é uma reviravolta e tanto para mim. Vai muito além do que imaginei quando fui instruída pela madre superiora. Além disso, há charmoso filho dos meus novos patrões e esse eu devo manter o máximo de distância possível. Apesar de não ter muita experiência na vida eu não sou boba, sei exatamente como essa historia pode acabar. Eu não preciso de mais complicações em minha vida.
    A casa está silenciosa é apenas cinco e meia da manhã. Eu ainda não sei qual horário eu devo estar pronta para o trabalho, mas como no orfanato acordamos cedo isso não é uma grande coisa, estou acostumada.
    Vou pelo caminho que fiz quando cheguei e me deparo com a enorme e equipada cozinha, como toda a casa ela é linda.
    Parece que eu fiz a coisa certa, a governanta já está na cozinha inspecionando o café da manhã ao lado de uma senhora gordinha.
    — Bom dia Rebecca — encara-me e me lança um sorriso simpático. — Você acordou cedo.
    — No orfanato acordamos cedo. Precisa de ajuda?
    — Não. Sente-se querida — indica uma cadeira a mesa para que eu me sente. — Tome seu café. Logo o Sr. Hunter irá descer e falar sobre suas obrigações.
    Aceno com a cabeça e fico perdida na farta mesa. Há vários tipos de pão, frutas e queijo que nem sei o que escolher primeiro. Parece uma daquelas mesas que se vê em revista ou filmes. Sirvo-me de torradas, geleia e suco de laranja.
    — Só vai comer isso? — ela me encara abismada.
    Eu não quero impressiona-la, costumo comer pouco mesmo. Também depois de anos sempre tendo mingau de aveia ou de qualquer coisa no café da manhã é natural que meu prato seja modesto.
    — Eu não como muito de manhã, obrigada.
    — Pois deveria. Aquela menina parece um anjo, mas tem muita energia e quando se une a Michael então? Só Deus para ter misericórdia...
    Sinto minhas bochechas ficarem quentes ao ouvi-la citar o nome dele. Para disfarçar meu constrangimento volto-me para mesa e concentro-me em encher meu prato com o que me vem pela frente enquanto ela segue tagarelando sobre Caroline e Michael.
    — Ainda não sei nome da senhora? — pergunto desejando que ela mude de assunto.
    — Castilho, Marisa Castilho. Com a loucura de ontem não me apresentei devidamente — suspira. — Aquela é Lucy, a cozinheira e o Bill o motorista você já conhece não é?
    Lucy sorri para mim que sorrio de volta. Ela parece simpática e espero nos darmos bem.

    — Sim senhora.
    — Apenas Marisa — diz ela. — Você verá Oscar, o jardineiro duas vezes por semana. Há duas empregas que cuidam da casa, Tania e Maria, chegam as nove, além das faxineiras que vem toda sexta. E claro, Melissa a enfermeira da Sra. Hunter.
    Escuto com atenção e tento memorizar todos os nomes e função. Eu sou boa de memoria. Sempre guardei todos os rostos e nomes dos órfãos que estão o passaram pelo orfanato enquanto estive lá.
    — Bom dia Marisa — uma voz masculina invade a cozinha. — Pode levar o café de Olivia, por favor.
    — Sim, Sr. Hunter — Marisa diz apressadamente e começa a arrumar uma bandeja. — Essa é Rebecca, a nova babá.
    Salto da cadeira e fico de pé em frente a ele. É um homem muito bonito e agora entendo de onde Michael havia herdado tanta beleza e carisma. Alto, está vestido em um terno azul marinho, camisa branca e gravata preta, os cabelos meticulosamente penteados para trás, olhos azuis cristalinos e olhar astuto.
    — Bom dia. — cumprimenta-me com um sorriso gentil. — Termine seu café e encontre-se comigo no escritório em meia hora.
    — Ah, eu já terminei — grasno estridente até mesmo para os meus ouvidos. O filho me deixa atordoada enquanto o pai me intimida um pouco, sinceramente muito.
    Uma coisa é certa sobre os homens da família Hunter, não são do tipo que passam despercebidos. Ou talvez seja minha falta de experiência com o sexo oposto. A quem eu quero enganar? Eles têm uma espécie de magnetismo ao redor deles que você não consegue ignorar por muito tempo.
    — Bem, então me acompanhe.
    Ando quase cambaleando em meus próprios pés e o sigo por um longo corredor. Ele abre uma porta maciça e em seguida me vejo dentro de um escritório elegante. Em frente a uma ampla janela há uma mesa escura de madeira antiga e de cada lado dela uma estante repleta de livros.
     Ele senta-se em seu lugar atrás da mesa e me indica um sofá escuro de couro a minha frente.
    — Rebecca... — diz ele com voz macia. — Foi muito bem recomenda pelas freiras do orfanato, mas me parece jovem demais.
    — Tenho dezoito anos senhor — digo apressadamente. Pela forma que eu falo parece que digo que tenho trinta, isso soa ridículo.
    — Tem alguma experiência com crianças?
    — Profissionalmente não. — gaguejo. — Mas eu cresci no orfanato como o senhor deve saber. Eu passei minha vida toda ao redor delas e sempre ajudei a cuidar das crianças menores. Então, acho que posso dizer que tenho muita experiência.
    — De qualquer forma você não será uma babá propriamente dita — diz ele com vestígio de humor. — Como diz minha filha, ela já uma garota crescida. Será mais como uma dama de companhia. Levar a escola, as aulas de balé, essas coisa. Para fazer companhia enquanto a mãe estiver passando por esse tratamento doloroso.
    As últimas palavras são ditas com tristeza e percebo o quanto ele deve amar a esposa. Sinto que tenham que passar por essa situação.
    — Caroline precisa de uma figura feminina, uma amiga — diz ele. — Terá todos os domingos de folga, se necessário que fique pagarei um bônus. Os benefícios são esses.
    Ele me entrega uma pasta transparente, retiro o documento dentro dela e analiso. O salário, plano de saúde e benefícios são melhores do que imaginei. Em pouco tempo terei economizado uma quantia considerável levando em conta que não terei gastos com alimentação e moradia.
    — O horário de trabalho é das oito as cinco, mas se puder acompanha-la durante o jantar eu pagarei as horas extras informadas no contrato.
    Olho para ele, eu estou espantada, minha boca abre e meu queixo cai. Eu nunca vi tanto dinheiro na minha vida e o Sr. Hunter fala como se fosse pagar o padeiro da esquina.  
    — Não é necessário — tento parecer natural. — Será um prazer fazer isso e...
    — Negócios são negócios Rebecca — diz ele firme. — Terá as noites livres, caso tenha um namorado eu peço que os encontros sejam fora daqui, para evitar constrangimentos.
    Minhas bochechas voltam a queimar novamente, fecho a boca constrangida.
    — Oh, eu não tenho um namorado Sr. Hunter.
    — Não? — ele ergue uma sobrancelha para mim. — Bem... Espero que isso não seja um problema futuro.
    Eu sei o que ele quis dize indiretamente e se depender de mim não haverá problemas.
    — Sei qual é meu devido lugar senhor — murmuro seca.
    — Não quis dizer isso — parece constrangido. — Bem, se está de acordo com o contrato assine aqui.
    Ele inclina-se a minha frente e me indica a linha pontilhada
    Conversamos por cerca de meia hora, após me passar toda a rotina da menina ele me conduz de volta a saída e me dá as boas vindas. Eu já me sinto um pouco mais a vontade em sua presença. Apesar da aura intimidadora Max Hunter é uma pessoa boa e justa.
    — Sr. Hunter? — chamo antes que ele suba as escadas para se despedir da esposa e seguir para o trabalho. Ele é presidente de uma das companhias farmacêuticas mais importantes do país.  — Onde devo buscar o uniforme de trabalho?
    — Não será necessário — ele enruga a testa. — Como disse será como uma amiga. Carol teria um chilique se andasse uniformizada com ela por ai. Apenas use roupas discretas e está tudo bem.
    — Sim senhor.
    Vou para a sala e espero que a menina desça, se eu soubesse que teria que fazer companhia durante as refeições não teria tomado o café da manhã.
    Pego outro copo de suco já que não terminei o que havia servido na cozinha. Carol aparece alguns minutos depois, uniformizada e com sua mochila a tira colo. Logo começamos a conversar e ela como toda criança reclama da escola e todas as suas obrigações do dia. Vamos nos dar bem eu tenho certeza.
    Assim que ela termina o motorista nos leva para escola onde a deixo e volto para casa. Não sei o que fazer no meu tempo livre então eu resolvo explorar a casa gigantesca.  Passo pela piscina imensa e inspeciono algumas salas de jogos, logo me vejo em uma sala ampla com vários equipamentos de ginastica.
    Em um dos equipamentos está ele, de costas para mim sentado enquanto faz algum tipo de exercício para os músculos dos braços. Sua pele está lisa e suada devido ao esforço físico. E toda vez que levanta os braços para puxar peso os músculos das costas cotarem-se imponentes. Eu estou hipnotizada com a cena que vejo. De uma forma esquisita minhas mãos formigam e tenho um desejo estanho de tocá-lo seus músculos rijos.
    — Por acaso é uma voyeur, Rebecca? — sussurra ele ainda de costas sem interromper o exercício. — Porque eu não me importo.
    . Dou um salto para trás e corro para saída. Meu coração disparado no meu peito e minha mente está dando voltas. Inalo varias vezes em busca de oxigênio. O que estava fazendo olhando-o daquela maneira? E o que ele quis dizer com sobre voyeur? O que quer dizer aquilo?

    Volto apressadamente para meu quarto e tranco a porta encostando-me a ela. Preciso ficar longe de Michael, pela minha sanidade e se quiser permanecer no emprego. Eu não tenho que ficar longe dele. Eu preciso. 

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