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  • Toque de Anjo - Gael (Capitulo Um)

    Gael

    Observar a cidade do alto dessa colina é um dos meus maiores prazeres na Terra. Se é que sabemos temos o direito de conhecer ou sentir significado disso. Mesmo que nós fossemos agraciados com tal privilégio eu me declinaria. Eu já vi o que os humanos fazem em nome do amor e do prazer e esse é um sentimento ou fraqueza a qual abomino.
    O amor não é o que eles dizem sentir. Um sentimento mesquinho que feri, magoa e mata. Quantas guerras e quantas crueldades são feitas em nome de tal amor. E o que me deixa ainda mais indignado é quando usam o amor em nome do criador para justificar tantas barbaridades.  Os homens não sabem amar e nem conhecem o significado do amor verdadeiro. E no final nós temos que limpar toda a sujeira que eles deixam pelo caminho.
    Existe um exercito de anjos espalhados pelo mundo. Anjos guardiões, anjos de luz, anjos de cura, anjos guerreiros e incontáveis dons e funções para deixar a Terra um pouco mais equilibrada. Sem o nosso auxilio e muitas vezes interversão os homens já teriam se destruído há muito tempo. Desde o seu surgimento.
    Erámos felizes em sermos apenas nós mesmos. Agora somos como robôs tentando manter a paz em seu mundo, a qual eu já considero falido.
    Sinto um bater de asas atrás de mim e sei que não estou mais sozinho.
    — Precisa voltar Gael — a voz de Miguel soa como um trovão as minhas costas. — Passou tempo demais com os humanos.
    Qualquer humano que observasse a colina veria exatamente isso. Um assustador trovão cortando o céu escuro.
    — Ainda não terminei meu trabalho — digo contrariado.
    Ignoro-o e continuo observar a cidade a minha frente. Estamos na colina mais alta cidade de onde eu posso observá-la por inteiro. As incontáveis luzes espalhada a minha frente fazem lembrar uma noite estrelada, mas ao contrario dessa noite nublada somente o amanhecer apagará esse brilho.


    — Faça o que tem que ser feito e volte para purificação. Seus pensamentos estão um tanto amargos demais para um anjo.
    Ele tem razão, um anjo deve ser puro e misericordioso. Eu sinto que estou ficando cada vez mais longe disso. E ultimamente a purificação vem fazendo cada vez menos efeito.
    Nós também somos tentados ao pecado e apesar de sermos aparentemente perfeitos também temos o direito do livre arbítrio. Por isso, sempre que um anjo está fraco ou cercado de pensamentos impuros nos isolamos para purificação.   
    Aceno com a cabeça e vou em direção ao meu último trabalho do dia. Eu não disse antes, mas sou anjo de cura. Não é o que você está pensando, não vou aos hospitais e casas por ai curando as pessoas para vida, eu as curo para morte. Meu trabalho é fazer a intercessão desse plano para o superior. É minimizar as dores até que sua hora chegue.
    Não, eu também não sou a morte. Sim, ela existe, mas isso eu explicarei em outro momento. Eu tenho trabalho a fazer.
    Chego a meu destino sem grande dificuldade. A casa é grande demais para meu gosto. Até hoje não entendo porque alguns precisam de lugares tão espaçosos se não conseguem usufruir de tudo enquanto outros dormiam nas calçadas frias.
    Encontro a viajante rapidamente eu sou guiado por sua luz. Seu corpo convulsionando sobre a cama enquanto ela geme e se contorce de dor. Um homem está inclinado contra o leito tentando inutilmente minimizar sua dor. As lágrimas correm por seu rosto e me pergunto se são de amor ou arrependimento.
    Coloque-me ao lado dela na cama e apenas minha presença é o suficiente para que se acalme. Algo entre tristeza e alivio a me ver toma conta de seu rosto.
    — Edward... — ela sussurra quase inaudível para o homem.
    — Sim querida — ele se coloca prontamente ao seu lado tentando ouvi-la melhor. — O médico já está chegando.
    Ela sorri para ele encontrando forças na qual ele não sabe de onde vem e passa a mão em seu rosto.
    — Não há tempo querido — sua voz um pouco mais firme que anteriormente. — Traga minha filha.
    O homem olha para ela de forma desolada, mas ainda cheio de esperança em seu olhar.
    — Não diga isso Amanda ­— ele diz desolado.
    — Por favor, Edward traga minha filha não tenho muito tempo.
    Vejo o homem pensar por alguns segundos até atender ao pedido da esposa.
    — Você vai me levar embora não é? — ela me encara com o olhar triste. — Chegou minha hora.
    — Eu acredito que começou — digo a ela com um sorriso.
    Algo nessa mulher me acalma, quando deveria ser diferente. Eu deveria estar reconfortando-o e preparado para sua jornada. Alguns humanos me parecem bastante curiosos. Alguns parecem trazer algo bom dentro de si que nada o que aconteça na vida endurece seus corações, no caso dessa jovem mulher eu vejo isso. Ela não tem medo do desconhecido, mas tem apenas pesar por abandonar os que ela ama.
    — Não tenha medo — digo a ela afastando todas as dores da alma e do corpo. — Será muito feliz.
    — Eu não tenho — ela sorri para mim.
    A porta é aberta e o mesmo homem volta segurando a mão de uma garotinha de cabelos claros e olhos dourados. A pequena olha para minhas asas com encantamento e eu sorrio para ela.
    As crianças podem ver todo o mundo espiritual, coisas boas e ruins. Creio que dai vem às histórias de fadas e bichos papões.
    — Vem aqui querida — a mulher estende os braços à criança. — Vem dar um beijo na mamãe.
    A criança corre para os braços da mulher abraçando-a sem desviar os olhos de mim. Sempre com um encantador sorriso nos lábios.
    — Luna eu preciso ir embora — murmura ela alisando os cachinhos dourados da menina.
    — Vai para casa da bobo? — pergunta a menininha com inocência levando um dedo a boca.
    — Um pouco mais longe querida — murmura. — Eu vou para o mundo das fadas e vou construir uma bela casa para nós três.
    — Posso levar me atinho? — Luna pergunta ansiosa.
    — Pode sim — Amanda sorri. — E todas as suas bonecas, mas tem que me prometer uma coisa.
    — O que mamãe? — Luna pula na cama impaciente.
    — Vai cuidar de seu pai enquanto eu estiver fora e nunca irá chorar por sentir minha falta.
    — Mas eu vou tinti — diz a garota amuada.
    — Se você chorar a casinha vai desmanchar e terei que fazer tudo de novo. Então, vou demorar mais tempo para voltar.
    — Tá bom — Luna diz contrariada. — E esse moço? Vai também? Ele é um passarinho mamãe.
    Amanda olha para mim com olhar divertido. A confiança que vejo nela ao olhar para nós dois deixa-me incomodado.
    — Esse é seu anjo da guarda — murmura — Vai cuidar de você enquanto eu estiver fora.
    Estou pronto para desfazer a mentira quando ela me lança um olhar de suplica. Eu não sou o guardião da garota. As pessoas não tinham anjos específicos. Os anjos guardiões ficam em vigília nos portões do submundo evitando que alguns humanos entrassem e que demônios fugissem, lutando contra os anjos da morte.
    No entanto, seu olhar é tão suplicante em minha direção que resolvo ficar calado, afinal que mal há em confortar uma simples garotinha. Talvez se crescesse sem traumas pudesse ser uma pessoa melhor quando for adulta.
    — O tempo está acabando — informo-a. — Despeça-se logo.
    Deixo as duas perdidas em seu próprio mundo e observo o homem desolado conversando com médico que havia chegado há alguns minutos.
    — Ela está delirando — diz ele transtornado. — Há alguns segundos cheguei a ter esperança.
    — Sinto muito Edward — o médico diz com pesar. — Sabíamos que esse dia chegaria. Pensei que estivesse preparado.
    — Nunca estarei preparado para isso — diz ele controlando um soluço. — Nossa filha é tão pequena. Que Deus é esse?
    A velha irritação volta a tomar conta de mim ao escutá-lo pronunciar isso. Os humanos nunca se importam com os desígnios do criador, mas bastava perder algo que achavam importante para pintá-lo como cruel e injusto.
    — Leve a criança daqui — orienta o médico.
    Após muita insistência com a garotinha ele a afasta da mãe e a conduz para porta.
    — Até logo anjinho — Luna balança os dedinhos em minha direção.

    Essa foi a primeira vez que a vi. O que eu não sabia é que não seria última vez que nossos caminhos iriam se encontrar novamente...

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