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  • Toque de Anjo - Gael Capitulo 3


    Nunca me importei muito com o meu trabalho. Só que nesse caso em especifico é extremamente angustiante. Uma sensação de déjà vu me invade.  Essa é uma tarefa que eu não tenho a menor predisposição em cumprir. Vim observando essa família a muito tempo, mais do deveria.
    Primeiro eu ajudei a mãe dela partir, deixando um marido dilacerado e uma garotinha solitária, vivendo imersa em seu próprio mundo. Agora estou de volta para aliviar um coração destroçar o outro.
    Olho em volta, o quarto está escuro. A luz amarela vinda do abajur mal ilumina o ambiente. As cortinas pesadas estão serradas impedindo qualquer raio de luz atravesse a janela. O quarto parece tão lúgubre como a situação em si.
    A garotinha de antes agora é uma linda adolescente. E eu sinto pelo que vou fazer a ela. Não gostaria de ser eu a ter que fazer isso.
    — Sei que está aí — sussurra a jovem em uma voz falha. — Posso senti-lo. Eu senti sua presença a minha vida inteira.
    Após aquele dia eu mantive-me afastado o máximo possível. Embora Jezebeth tenha sido trancafiada além dos portões do inferno, nada impediria de seguir seu instinto, a mentira. Um anjo interessado em um humano deve ter abalado todas as estruturas do submundo e criado uma grande comoção entre os demônios.
    Por isso suas palavras me pegam de surpresa. Jamais cogitei que ela sentisse minha presença a seu lado esse tempo todo. Sempre me mantive a distancia, observando. Às vezes em que me esperou no jardim. Os suspiros decepcionados com minha ausência, seu primeiro dia de aula, o primeiro namoradinho, os beijos inocentes e por fim o esquecimento. Ainda tento convencer-me que seguir seu primeiro interesse e induzi-lo para outra menina havia sido a coisa certa. Porém, a expressão de dor que vi em seu rosto ao vê-lo caminhar pelos corredores da escola de mãos dadas com outra mexeu com meu coração e prometi jamais voltar a me intrometer em sua vida. Mesmo sabendo que sua decepção seria substituída pela dor de outra perda. O mesmo jovem fez sua viagem comigo alguns dias depois após ser vítima de um louco que invadiu a escola tirando-lhe a vida e de outras pessoas.  Um crime que chocou não só a escola, mas o mundo todo.
    Para minha surpresa e orgulho, Luna não havia sucumbido à tragédia, pelo contrario. Luna havia lutado com gana para que o garoto e todas as outras vítimas tivessem um lindo memorial na escola.

    Esse ano eu a vi desabrochar. Como palestrante da escola, representante do clube de teatro e uma excelente dançarina. Consequentemente se tornou uma das alunas mais populares da escola por sua energia e vivacidade. Uma garota a qual as outras queriam se espelhar e os garotos brigarem para chamar a atenção. 
    É desolador que sua vida venha ser abalada dessa forma novamente. Por mais tentado que eu esteja em mudar seu destino eu não posso. Ha coisas que precisamos enfrentar na vida.
    — Meu pai me disse que você leva as pessoas que amamos — A voz soa triste. — Então faça isso logo e termine com todo esse sofrimento.
    Coloco-me do outro lado da cama. Luna está com os olhos cerrados, mas noto o rastro de lágrimas brilhando por seu rosto pálido.
    — Sem dor — sussurro e toco o corpo inerte na cama.
    Há uma longa pausa. Os murmúrios e lamentações queimam meus ouvidos e martirizam minha alma.
    — Luna? — Edward encara a filha jogada sobre a cama. — Filha?
    A cena é mais do que comovente de um lado uma pessoa dilacerada do outro uma confusa e triste.
    — Então você realmente existe? — Edward me encara com desolação.
    — Sim — respondo. É a única palavra capaz de sair de meus lábios. Ainda estou dilacerado observando a menina que chora sobre o leito do pai agora morto.
    — Leve-me de volta — suplica ele. — Luna é apenas uma garotinha, só tem 16 anos. Quem cuidara dela quando não estiver aqui?
    Tenho vontade de dizer que não tem feito por muito tempo. Sempre se arrastando pelos cantos chorando pela esposa falecida. Creio que ela tenha cuidado mais dele do que o contrário.
    — Eu — respondo determinado. — Eu cuidarei dela.
    Edward olha para jovem com tristeza mais uma vez e acena para mim com a cabeça em concordância.
    — Adeus querida.
    Com essas ultimas palavras partimos. Algo em mim pede para ficar, mas devo ajudar Edward em sua travessia, mas voltarei o mais rápido possível. Vou protegê-la todos os dias até que sua hora chegue e eu tenha levá-la comigo. Enquanto isso eu vou garantir sejam longos anos e felizes.
    ***
    Como prometido eu a vigiei através das sombras. Foi fácil induzir os país de sua amiga Cherry a adotá-la. Embora o pai da menina estivesse receoso em ter mais responsabilidades com outra adolescente, no fundo, eram boas pessoas a qual confiei sua segurança.
    Esse ano não foi fácil para ela. Só após algumas semanas foi capaz de voltar a sorrir e participar novamente das atividades escolares. Embora à noite em seu quarto voltasse a ser a mesma garota triste e solitária de sempre. Passei horas em cima de uma árvore em frente à janela de sua nova casa observando-a chorar baixinho. Algumas vezes durante o sono me atrevia e entrava em seu quarto. Com um deslizar de mãos em seus cabelos afastava todos os sonhos ruins. Outras vezes Luna despertava de seu sonho e seus incríveis olhos dourados me encaravam com encantamento. Seus lábios abriam um sorriso enorme e voltava a dormir. Fico feliz em ter esses pequenos momentos em que nossos olhos se conectavam, mesmo sendo tão raros e apenas um sonho para ela.
    Durante esses anos eu se a vi se transformar do lindo bebe para uma jovem encantadora e agora com indícios de que será uma mulher exuberante.
    — Será uma festa incrível — diz Cherry em tom alegre. — Não acredito que papai tenha nos deixado usar a casa de praia para a festa de seu aniversário.
    — Será que porque tio Arnold é incapaz de negar qualquer coisa a única e amada filha?
    — Amada sim. — Ela mostra a língua para Luna. — Única não. Você sabe que eles também a amam como filha, não é?
    — Sim eu sei — diz Luna emocionada. — Foram muito bons comigo depois que meu pai morreu.
    — Acho que na verdade foi mamãe que insistiu em fazermos a festa lá... — Luna muda de assunto. Sua intenção é desviar Luna de lembranças ainda marcantes e tristes. — Lembra-se da última festa que demos?
    As duas saem do quarto com suas malas e apenas escuto o som de suas vozes animadas pela casa.
    — Talvez você encontre um gatinho amanhã à noite — diz a jovem para Luna. — Já é hora de dar alguma chance para os garotos da escola. É sua última oportunidade de sair com um dos meninos do time de futebol antes que eles sigam para a faculdade.
    — Estou focada em meus estudos Cherry — fala Luna sem animação. Sabe como foi difícil entrar para a Juilliard. Não preciso de distrações nesse momento. 
    — Eu sei, mas não pode se manter virgem para sempre — reclama ela. — Tem que se divertir também, fará 18 anos!
    — Quem disse que sou virgem ainda?
    — Faça-me o favor Luna...
    Cherry e eu sabemos a verdade. Meses após meses vimos uma fila de rapazes sendo dispensados por Luna. Ao contrário de sua amiga eu sempre fiquei aliviado e feliz com seu bom senso. É jovem demais para ter um namorado ou ter o coração partido novamente, coisa que consequentemente algum deles fariam.
                O dever me chama e tenho que partir. No entanto, seguirei para casa de praia assim que possível. Conhecendo aqueles jovens como conheço, tenho certeza que não tardarão em se meterem em alguma encrenca e preciso vigiá-la de perto.

                Estou de volta e a festa corre agitada e ensurdecedora. Há vários carros na rua, algumas pessoas em volta de uma fogueira na praia e outras se arriscam nas águas geladas.  
                Seria uma festa normal se há alguns passos de mim não houvesse tantos anjos em volta dos carros. Eu os conheço bem. Frequentemente nos esbarramos pela travessia. Eles têm a mesma missão que eu, levar as pessoas para o outro plano.
                — Pensei que fosse uma festa apenas para humanos — digo a um deles.
                — Em casos como esse Gael eu entendo sua indignação com eles — murmura Laoel um anjo de visão indicando os jovens barulhentos que saem de dentro da casa. — Destruírem suas vidas para o que chamam de diversão.
                Sua alma pura, compassiva e cheia de amor não compreende tal atitude. Eu pelo contrário, compreendo como tenho uma irritação profunda.
                Olho para o grupo de rapazes e garotas que caminham sorridentes em direção aos carros. Garrafas ou copos nas mãos. Com certeza já haviam bebido muito mais durante todo o dia. Uma garota cambaleante logo atrás deles me chama atenção.
                Não! Não! Não!
                Eu não consigo crer que ela esteja aqui. Eu não havia passado tanto tempo a seu lado para que ela se destruísse a minha frente. Não vou permitir isso. Nunca!
                — Pare!
                Um raio estrondoso ilumina o céu. Coloco-me em direção a ela como se demônios me perseguissem, tenho um frustrante desejo que ela me veja.
    — O que está fazendo Gael? — outro anjo se aproxima de mim. — Sabe que não podem nos ver, além disso, é seu destino.
    — Pare agora! — ignoro o anjo atrás de mim e continuo caminhando até ela.
    — Sabia que viria — Luna me encara com olhar turvos. — Leve-me daqui.
    Luna não se refere à festa ou a casa em si. Se eu pretendesse realizar o seu desejo a deixaria entrar naquele maldito carro, mas eu não vou.
    — Venha comigo — murmuro.
                — Gael não faça isso! — Laoel previne-me.  — Sabe que não pode fazer isso.
                — Olhe para ela — murmuro angustiado. — Não é uma decisão consciente Laoel.
                — Isso não importa — alerta-me ele. — É seu destino.
                 
                 
                 


    2 comentários :

    1. Meu Deus que história intensa !!! Comecei agora e já me cativou ,você é uma excelente escritora estou fascinada em encontra tantas escritoras brasileiras ,BJS

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      1. Obrigada Mara, fico feliz que esteja gostando, mil beijos.

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