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  • Seduzida por ele - Capítulo 4




    Não, não! Isso não é verdade! Não consigo acreditar que isto esta acontecendo comigo. Meus ombros enrijecem devido à tensão sobre eles enquanto meu coração dispara num galope alucinante.
    “Mantenha a calma”. Digo mentalmente, afinal ele não se lembra de como Sophia é perigosa como uma calçável, rastejando a procura de um novo bote. 
    – Não é o que você pensa. – mantenho meu olhar ao dele. – Estão divorciados. Não acredite nas mentiras de Sophia.
    Sei que dúvidas giram em sua mente embora ele mantenha uma aparência tranquila.
    – Então não sou casado e não abandonei minha família por você?
    As últimas palavras foram proferidas com desprezo e magoaram-me profundamente. Por um instante fecho os olhos e tento clarear os meus pensamentos. Não consigo imaginar o que Sophia havia dito a ele, mas tenho certeza que quis transformar nossa relação em algo sujo e imoral.  
                – Há muito tempo não é um casal Neil. E Sophia nunca ligou para Anne. Ou será que ela não falou sobre isso?
                – Ela estava doente. Foi o que me disse – murmura. – Talvez eu devesse ter sido mais paciente.
                Fecho os olhos e respiro fundo. Tenho vontade de gritar de frustração e raiva. Sophia havia encenado muito bem seu papel de vitima e me colocado como uma destruidora de lares.
    Agora como posso contar toda verdade a ele sem que fique abalado com tudo isso?  Nesse momento percebo o quanto deve ter sido doloroso para Neil ter o meu passado sufocando o peito e o medo de que o rejeitasse ao saber a verdade. Como posso revelar algo que talvez possa destruí-lo?  Embora queira revelar todas as maldades de Sophia e seu passado sujo eu sei que ele ainda não está preparado para isso. Para ouvir coisas que ainda o magoam e que ele sempre desprezou.
                 – Você foi à pessoa mais paciente do mundo Neil. – digo revelando apenas o que é preciso.  – Todas as vezes que saiu daquela clínica você a perdoou, mas ela nunca deu valor e nunca se importou com Anne. Sempre voltava para a mesma vida sem dar a mínima com quem decepcionava ou feria.
                Aproximo-me de sua cama e seguro seu braço enquanto encaro-o com determinação. Não dizem que os olhos são o espelho da alma. Ele terá que ver toda a verdade refletida na minha.


                – Acredite em mim! – sussurro segurando seu rosto. – Nós nos amamos. Sempre vamos nos amar. Eu te amo.
    Para surpresa dele e minha alegria uno meus lábios aos dele. Beijo-o de leve, mas com toda emoção que consigo transmitir. Sinto sua mão em meu pescoço aprofundando o beijo. Por um momento nos dois permanecemos assim saboreando esse desejo pulsante. Nossos corpos tem fome. Solto um gemido desesperado. Como é possível querer tanto alguém ao ponto de chegar a doer?
    Então, me lembro de onde estamos de tudo o que ele havia passado e o quanto ainda está frágil. Afasto-me e vejo a paixão desenfreada refletida em seus olhos negros como uma noite sem estrelas. Sou capaz de reconhecer o desejo, é o mesmo que arde em meus olhos.
                – Você pode acreditar no que Sophia disse ou pode confiar no que sente por mim. – tomo seu rosto viril entre as minhas mãos novamente e obrigo-o a fitar-me. – Apenas ouça o que diz seu coração.
                Selo essas palavras com um beijo casto e parto. Ele precisa de tempo para refletir entre o que sente e o que quer acreditar. Desejo ardentemente que ele escolha confiar em seus sentimentos. Em nós.
                Volto para casa, livro-me do casaco pesado e esfrego minhas mãos uma contra outra em busca de calor. A chuva fina de fim de tarde típica de Nova York deixou meus cabelos húmidos e emaranhados.
                – Eu tenho algo para dizer. – encontro Paige eufórica esperando por mim.
                – O que? – Sorrio diante de sua empolgação.
                – Estou noiva!
                – De novo? – provoco-a.
    Paige me mostra a língua e estende a mão para que eu veja um lindo anel de brilhantes cravejado de esmeraldas.
    – Dessa vez é de verdade. Isso parece estranho?
    – Sempre soube que acabariam juntos. Não acho que seja estranho. ­– abraço-a forte.
    – Estou em pânico.
    – O quê? Paige Fisher está em pânico?
    – Jenny eu estou apavorada. Ele é tudo o que eu não sou. – ela começa a pontuar com os dedos. – Lindo. Elegante. E rico. O que pode ter visto em mim?
    – Talvez uma mulher linda, carinhosa, corajosa e sincera. – eu pontuo. – E eu a proíbo de falar mal da minha melhor amiga.
    – Eu o amo tanto. – se joga em meus braços e rodopiamos juntas. – Eu vou me casar!
    Estou muito feliz por Paige. Depois de todas as decepções que teve na vida merece toda felicidade do mundo. Além de ser uma amiga extraordinária é pessoa mais corajosa e doce que já conheci.
    Após o jantar e toda euforia em torno do casamento, relato tudo o que havia acontecido no hospital para Paige. Sobre a visita de Sophia e suas intrigas contra mim.
    – Não acredito que aquela cadela fez isso?
    – Acho que conta com sua amnesia para reconquistá-lo. – murmuro.
    – Mas você não vai deixar não é? Alias deve ir imediatamente para o hospital e colocar juízo na cabeça daquele homem.
    – O que ele precisa é de espaço.
    – Então vai desistir e deixar o caminho livre para aquela vadia? – me encara abismada.  – Jenny é a coisa mais absurda que já ouvi.
    – Eu não disse isso Paige. ­– rebato. – Apenas não vou usar as mesmas armas que Sophia.
    Sinto meu rosto corar ao lembrar-me do que aconteceu no hospital.
    – Eu o beijei hoje. – confesso envergonhada. – E ele correspondeu.
    – Uau. – murmura. – Vocês não perdem tempo.
    – Pode ser que sua mente não se lembre, mas o seu corpo diz outra coisa. ­– digo confiante. – Sei que vai fazer a coisa certa.

    Vou para o hospital no dia seguinte completamente nervosa e ansiosa. Para o meu desapontamento a mãe dele está no quarto. Como sempre resolve me ignorar. Sento-me em uma cadeira perto da cama e observo-os enquanto conversam. Embora ele ouça o que sua mãe diz os olhos está fixo em mim o tempo todo. Como se me examinasse profundamente. Sinto minhas mãos formigarem e meu corpo queimar ante seu olhar penetrante.
    – O médico me disse que posso trazer Anne hoje a tarde se estiver tudo bem para você. – Lilian continua indiferente ao clima eletrizante entre nós.
    – Quem é Anne? – Seus olhos se desviam de mim e encaram-na com confusão.
    – Sua filha Neil. – ela responde irritada. – Não é possível que não se lembre dela.
    Noto-o ficar pálido instantaneamente. Vejo sua dor. Como ela pode ser tão insensível?
    – Lilian, ele ainda está se recuperando. Só precisa de um pouco mais tempo.
    – Não acho que pedi sua opinião. – ela sibila.
    Fecho os olhos e respiro fundo. Conto até três, minha vontade é dizer o que penso sobre ela. Que é uma pessoa fria e egoísta, uma pessoa sem coração. Que como uma boa mãe deveria estar dando apoio a ele e não causando mais tensão. O que há com essas duas mulheres? Por um lado Sophia que usa Anne como moeda de troca, por outro está Lilian que não é capaz de um único gesto de carinho e amor.
    – Tudo bem. ­ – ele protesta chateado. – Lilian tem razão, tenho que me esforçar mais. Pode trazê-la. Só espero que ela não se decepcione.
    – Anne ama você. – aproximo-me dele e seguro sua mão. Noto a insegurança estampada em seu rosto.  – Nada disso vai importar para ela. Deseja apenas que você fique bem e volte logo para casa.
    Seus dedos apertam os meus com firmeza. Permanecemos assim presos um ao outro e todo o mundo exterior desapareceu diante de nós.
    Vejo o calor em seu olhar, o mesmo calor do dia anterior. Nossos corpos queimam. Seus dedos acariciam a palma a minha mão delicadamente. O calor gerado pelo seu toque espalha-se pelo meu corpo em uma rapidez assustadora. Temos fome um do outro. Fome de nos entregar ao desejo que arde em nossa pele. Aqui e agora. Não importa onde estamos, sempre que nossas peles se tocam a paixão nasce entre nos como uma necessidade física.
    Escuto ao longe um pigarrear insistente e me dou conta de que estivemos perdidos no tempo. Não sei exatamente quanto tempo permanecemos em nosso próprio mundo particular e não sei quando Lilian havia saído do quarto. Tudo o que me importa é está ligação que existe entre nós.
    – Está na hora da medicação. – uma enfermeira informa com sorriso bobo nos lábios. – Acho que a hora da visita terminou.
    Tento me afastar, mas seus dedos ainda seguram os meus.
    – Você voltará?
    Sinto meu coração saltar de alegria. Fico tocada que meu sempre orgulhoso e vibrante anjo vingador pareça tão perdido, tão vulnerável e que deseja minha presença mais do que gostaria de demonstrar.
    – Eu volto mais tarde. – respondo carinhosamente. Ele sorri para mim e seu olhar de menino perdido havia desaparecido. Seu olhar sedutor está de volta.
    Saio flutuando pelos corredores como uma pré-adolescente em seu primeiro encontro para o baile e eu apenas voltaria para outra visita. É impressionante o que o amor faz às pessoas. Deixa-as com um sorriso abobalhado no rosto e faz com que vejamos o mundo em cor de rosa? Ou é apenas comigo que isso acontece?
    Vou para um shopping próximo dali para passar o tempo. Não quero enfrentar o transito para ir e voltar para casa novamente. Além disso, Paige não está lá e eu não quero passar as próximas horas em casa sozinha.  Ando de uma loja a outra admirando as lojas de roupas e tecnologia. Há tantas coisas novas e interessantes que as horas passam sem que eu perceba.
    Para um uma rede de fast-food e faço um lanche rápido. Vejo mais a frente uma grande livraria e sinto um desejo absurdo de conhecê-la. Apesar de ter aprendido libras nunca tive muito tempo ou vontade de ler. Mesmo existindo aplicativos para livros em áudio sempre achei um gasto desnecessário. Talvez na realidade estivesse amarga demais para isso.
    Hoje, no entanto sinto-me imensamente feliz. Observo alguns títulos através da vitrine. Um em particular me chama atenção. Retiro meus os óculos de proteção para observar melhor. Caminho distraidamente ao lado da vitrine quando me esbarro em uma parede de músculos em frente a mim.
    – Droga! – ouço uma voz grave.
    Um homem está ajoelhado recolhendo uma pilha de livros que eu havia derrubado com nossa batida.
    – Desculpe senhor. – digo com vergonha e atrapalhada em tentar ajuda-lo. – Eu estava distraída.
     Seu rosto é angelical em contraste com o corpo musculoso. Os olhos são azuis e perspicazes. O sorriso simpático fez com que fique mais calma.
    – Não se preocupe senhorita. – ele sorri. – Também estava distraído com essa pilha de livros. Acho que deveria ter aceitado as sacolas que a vendedora me ofereceu.
    – Creio que sim. Se quiser posso buscar para você. É o mínimo que posso fazer.
    – Não tem porque se incomodar. – ele parece receoso. – Além disso, deve querer fazer suas compras.
    – Não é incomodo e afinal eu quase destruí seus livros. – respondo. – E estava apenas olhando. Nem sei se irei comprar algo. Há tantas opções que fico perdida. Não sei se vou pelo se escolho um clássico que já conheço ou me arrisco uma nova história.
    – Eu amo ler. – ele sorri constrangido. – Eu posso ajuda-la se quiser.
    Eu gostaria mesmo de um bom livro. Principalmente agora que Neil está hospitalizado. As noites têm sido longas demais longe dele. E como ainda não posso me distrair com a televisão um bom livro viria a calhar nessas noites frias.
    – Que horas são? – Percebo que ele fica confuso com minha pergunta.
    – Duas horas.
    – Bem eu tenho que voltar para o hospital em quarenta minutos.
    – Algum parente hospitalizado?
    – Meu noivo.
    Noivo? Bem tecnicamente sim. Afinal Neil iria me fazer o pedido se eu não tivesse sido tão idiota.
    – Claro. Uma jovem tão linda não estaria sozinha. – ele sorri e me estende a mão por entre os livros. – A proposito meu nome é Konrad Bauer.
    – Jennifer Connor. – respondo segurando sua mão. Noto que é um pouco fria. Um pequeno arrepio passa pelo meu corpo.
    Ficamos por cerca de vinte minutos conversando sobre vários temas. Por fim, saio com dois romances clássicos, mas que ainda não conhecia. Ele insistiu muito para que fosse tomar um café com ele o que recusei claro. Apesar de ter sido muito atencioso eu não sei por que há algo nele que me intriga. Como se seu sorriso não chegasse aos olhos. Mas como não sou do tipo que julga as pessoas, acredito que seja uma impressão errada. Despeço-me dele e volto para hospital.
    Encontro Anne sentada na sala de espera e a me ver corre para os meus braços. Lilian como sempre me direciona um olhar ácido. Contudo faço o que tenho feito durante todos esses dias, ignoro-a.
     – Eu vou poder ver o meu pai Jenny. – Anne diz em sua típica alegria infantil. – Pena que ele está mal da cabeça.
    Posso imaginar que o mal da cabeça tenha vindo de Lilian. Isso me enfurece completamente. Será que não poderia falar do acontecido com um pouco mais de delicadeza e tato?
    – Ele está apenas um pouco confuso e cansado. – aliso seus cabelos com cainho. – Em breve ele estará melhor e se lembrará da gente.
    – Não minta para criança. – Lilian me encara com olhar mordaz. – Sabe muito bem que isso não irá acontecer.
    Anne se agarra a minha cintura e me aperta forte mediante as palavras duras de Lilian.
    – O médico disse que há grandes chances de recuperar a memória e é nisso que eu acredito. ­ – sibilo.
    Antes que possamos nos atirar em uma discussão acalorada uma enfermeira sai e nos avisa que podemos entrar. Seguro a mão de Anne e entramos no quarto. Neil está sentado em uma cadeira de rodas perto de uma janela. Seu sorriso é doce e acolhedor.
    – Papai. – ela sussurra soltando minha mãe e correndo para seus braços.
    – Oi Terremoto. – ele sorri largamente para ela.
    Tanto eu como Lilian o encaramos estupefatas. Ainda sem conseguirmos acreditar no que ouvimos.
    – Neil você se lembrou dela? – Pergunto emocionada.
    Seu rosto antes sorridente agora se fecha em uma expressão angustiada.
    – Não. – olha para Anne com tristeza. – Sinto muito.  Anne se afasta dele e senta em uma cadeira próxima a nós.
    – Mas você a chamou de Terremoto. – murmuro.
    – Foi apenas um apelido carinhoso.
    – Não! – vou até ele ajoelho-me de frente a ele, jogo minha sacola no chão e olho dentro de seus olhos. – Você chamava Anne assim. Não vê? Isso é um sinal. Tudo vai ficar bem. Eu juro.
    Para minha surpresa e deleite Neil faz uma coisa inexplicável. Puxa-me para junto dele e me beija. Une seus lábios aos meus com exigência e com a mesma necessidade eu o devoro. Ele me toma e eu me entrego com total facilidade. Apesar da ferocidade do beijo suas mãos são gentis em meus cabelos, numa caricia quase imperceptível.
    – Acho que aqui não é local para isso. – A voz de Lilian soa atrás de nós.
    Neil separa nossos lábios com um gemido de pesar e eu encosto minha cabeça em seu peito. Inspiro fundo e saboreio seu cheiro inebriante. Nós dois estamos à beira de perder o controle. Como um simples beijo é capaz de fazer com que me renda completamente. E pelas batidas aceleradas em seu peito sei que o desejo corre acelerado em suas veias com uma urgência incontrolável.
    – Sinto muito. – ouço-o sussurrar. Seus dedos acariciam o meu braço e sei que as palavras foram dirigidas a mim e não a sua mãe.
    Afasto-me da cadeira não porque tenha vergonha ou algo parecido, mas pelo fato de que se continuar tão próximo a ele não poderei responder por meus atos.
    Estamos em um grande problema o desejo que temos um pelo outro está cada vez mais palpável. Jesus esse homem é pura dinamite! Está hospitalizando, com a cabeça e perna enfaixada e mesmo assim consegue fazer com que me derreta toda.
    Ainda trêmula encaro Lilian que me lança olhares acusadores e uma Anne sorrindo com o dedo na boca.
    – Francamente isso é lamentável Neil. – Lilian resmunga. – Estamos em um hospital e há uma criança aqui.
    – Eu não ligo vovó. – Anne nos denuncia. – Eles faziam isso o tempo todo.
    A garotinha sorri inocente sem se dar conta de que suas palavras descrevem mais do que realmente acontecia. Sim, trocamos muitos beijos perto dela, mas sempre eram mais contidos. Hoje foi como fogos de artificio.
    – Aposto que sim. ­ – Ouço Neil dizer com um sorriso torto no rosto.

    A tarde passou tranquilo e às duas horas de visita seguinte foram maravilhosas. Anne fez questão de contar tudo o que havia acontecido a ela durante esses dias em que ele ficou ausente. Neil pacientemente ouvia tudo e se mostrava interessado em cada detalhe.
    Anne e Lilian foram embora há alguns minutos atrás com a promessa de a menina voltará no dia seguinte.
    Estamos sozinhos no quarto e um silêncio atordoante domina o ambiente.  Meu desejo de ir até ele e me entregar de corpo e alma é insuportável. Eu o amo, desejo e preciso dele mais do que o ar que eu respiro.
    – Eu tenho que ir. – minha voz soa rouca.
    – Fique um pouco mais. – ele sussurra.
    – Não acho que permitirão.
    Covarde! Digo a mim mesma. Eu realmente preciso fugir dali ou faria papel de tola diante de todo o hospital. Por que não há maneira de refrear o desejo de ser possuída por ele. Apesar de odiar admitir isso Lilian está certa, este não é o local e nem momento propicio para isso.
    – Eu volto à noite. – prometo. É o máximo que poso fazer no momento.
    – Fique! Não vou ataca-la novamente. – ele sorri encabulado.
    – Você não. – eu lanço um sorriso sedutor. – Mas não respondo por mim.
    Com rosto em chamas e seu olhar abismado guardado na memória saio do quarto em direção aos corredores como diabo foge da cruz.
    À noite estamos um pouco mais calmos. Embora o desejo ainda esteja presente nos concentramos em conversar. Eu relato como foi nosso primeiro encontro e de como o achei arrogante e autoritário.

    O dia seguinte foi tranquilo e divertido. Lilian havia deixado Anne conosco e voltado para casa. A afinidade entre Anne e Neil é tocante. Para ela é como se nada tivesse mudado e Neil faz com que se sinta feliz e amada.
    Na segunda feira o médico aparece no quarto e diz que no dia seguinte irão retirar os pontos e realizar os últimos exames e se tudo estiver bem ele poderá ir para casa. 

    Terça feira, estou sentada aguardando ansiosamente pelo retorno de Neil e do médico. Minhas mãos estão frias devido à tensão embora o quarto esteja quente e confortável, destoando com o clima absurdamente frio lá fora.
    Apesar da minha apreensão sinto-me feliz. Em breve Neil estará em casa e acredito que conseguirá recuperar a memória em breve. Voltaremos a viver e nos amar como antes. A cada dia estamos mais próximos e mais ansiosos um do outro. Minhas noites não tem sido fáceis e creio que as dele não tem sido diferentes.
    A porta se abre tirando-me dos meus devaneios. O médico entra seguido por Neil em sua cadeira de rodas, conduzido por uma enfermeira. Sua cabeça completamente raspada e sem a faixa com o curativo anterior. Mesmo assim ele está mais lindo que nunca.
    – Como vai querida? – Liam aparece atrás dele e me cumprimenta com um beijo no rosto.
    – Estou bem. – respondo sorrindo.
    Eu olho para Neil ainda com sorriso em meu rosto e noto sua expressão emburrada. Fico apreensiva com o que vejo. Será que o médico havia descoberto algo que o deixou nesse estado? Antes que eu possa perguntar Lilian entra no quarto como um furacão.
    – Desculpem a demora, mas o transito nessa cidade está péssimo como sempre. – Ignora-me e cumprimenta Liam. Em seguida dirige-se ao médico. – Então doutor? O senhor dará alta ao meu filho?
    – Sim. – ele sorri gentil. Alheio a tensão que domina o quarto. – Como disse antes não encontramos nenhum dano neurológico que possa explicar essa perda de memória. Exceto pela perna quebrada e alguns cuidados que ainda deve ter Neil, está ótimo.
    Essa resposta me deixa extremamente aliviada. Mas, se não há nada em sua saúde além da perna quebra e a amnesia por que ele está tão irritado? Na verdade sua expressão só havia mudado depois que Liam entrou no quarto? Estaria com ciúmes do amigo? Essa ideia me parece tão absurda que imediatamente a coloco de lado. Afinal Liam não havia feito nada, apenas me cumprimentado com um beijo no rosto. Com certeza seu mau humor deve-se a amnesia.
    – Poderá voltar para casa e continuar a vida normalmente, mas precisará de alguém que o auxilie. Não pode perder os horários da medicação e evitar movimentar a perna.
    – Então terei que leva-lo para minha casa. – Lilian sorri. – Já tenho uma enfermeira que cuida do meu marido, tenho certeza que não se incomodará em me auxiliar. 
    – Em Atlantic City? – Pergunto estridente. É longe demais de mim.
    Pelo sorriso vitorioso no rosto de Lilian percebo que é exatamente isso que ela quer. Afastá-lo de mim de uma vez por todas.
    Sinto meu coração se apertar com a ideia de que não vou poder vê-lo e por tempo indeterminado. Estou a ponto de cair em lágrimas quando o médico se pronuncia.
    – Sra. Durant acho que o melhor é que ele volte para casa. Em seu ambiente natural. Com suas coisas e pessoas familiares a ele. Isso ajudará para exercitar a memória. Cada detalhe é importante.
    Ponto para o médico! Se eu já não tivesse encontrado o homem da minha vida esse seria o momento em que o convidaria para jantar a luz de velas.
    – Doutor eu não posso cuidar do meu marido doente e de meu filho, além da minha casa.
    – Bem nesse caso...
    – Doutor qualquer pessoa pode cuidar dele? – Pergunto ansiosa. – Ou tem que ser alguém especializado.
    – Senhorita qualquer pessoa responsável que cuide de sua alimentação e medicação está apto a isso. Não daria alta se precisasse de tratamento intensificado.
    – Então eu posso fazer isso? – Pergunto esperançosa.
    – Claro que sim. – ele sorri. – Se estiver disposta.
    – Não acho que ela seja qualificada para isso. – Lilian retruca. – Em minha casa além de mim terá uma enfermeira a sua disposição.
    – O médico disse que ele deve ficar na casa dele Lilian. – digo irritada. Não há maneira de essa mulher leva-lo para longe de mim. Não vou permitir. Não vou mesmo.
    – Por que não param de falam como se eu não estivesse aqui? – Neil murmura com raiva. – Acho que eu devo decidir o que quero.
    – E o que você quer? – Lilian encara-o com desdém irritante.
    – Vou para minha casa e Jennifer pode tomar conta de mim. – responde entre dentes.
    Oh oh! Jennifer e não Jenny como todos me chamam. Só agora percebo que assim como me chama por Jennifer ele não trata Lilian como mamãe. Agradeço aos céus mentalmente. Sem que ele perceba pouco a pouco dá sinais de que sua amnesia não é permanente.
    – Você não tem condições de decidir isso. – Lilian diz furiosa.
    – Eu tenho e já decidi. – Neil rebate.
    – Está bem. Faça como quiser!
    Lilian sai do quarto pisando firme. Com certeza esperava que Neil cedesse as suas vontades. Graças a Deus ele não fez.
    – Deveríamos comemorar essa notícia. Um jantar e uma balada. – Liam balança o corpo para amenizar a tensão. – Dançar.
    – Acho que não notou que ainda não posso fazer isso. – Neil diz carrancudo.
    – Desculpe cara, mas eu não convidei você. – ele continua sorrindo. – Certo princesa?
    Não há como não se contagiar com sua alegria espontânea então eu sorrio. Agora noto que Liam é um homem muito bonito. Não tanto quanto Neil, mas bonito e cheio de charme. Sua noiva é uma mulher de muita sorte.
    – Jennifer tem coisas mais importantes do que entreter você. – Neil diz ríspido.
    Ciúmes! Puta merda! Ele realmente está com ciúmes de Liam. É só o que me faltava.

    O resto da manhã foi marcado pela tensão. Mas se Liam percebeu a irritabilidade de Neil disfarçou muito bem. Eu por outro lado, me sinto pisando em cacos de vidro. Não quero levantar a questão com ele e provocar uma briga. Neil poderia se irritar e decidir ir para casa da mãe e isso para mim está fora de cogitação. Então passo a manhã toda enfrentando seus olhares acusadores.
    Volto para casa para fazer as malas e visar a Paige que vou para casa dele no dia seguinte. Estou eufórica e com medo ao mesmo tempo. Embora tenha dormido em seu flat várias noites e ela em nosso apartamento nunca passei a noite em sua casa. Agora, no entanto estou indo morar com ele, isso me assusta. Como seria vivermos diariamente sob o mesmo teto?
                – Então ele desafiou a mãe dele na frente de todo mundo? – Paige pergunta deliciada. – Mesmo sem memória ele é um homem de fibra.
                – Quase morri quando ela disse que o levaria para Atlantic City. – murmuro. – Aquela mulher é terrível. A única coisa que lhe importava era afastá-lo de mim.
                – Nós duas temos muita sorte mesmo não é? – ela revira os olhos. – Os melhores homens do mundo e as piores sogras.
                – Nada é perfeito. – suspiro colocando a última peça de roupa na mala.
                Paige me ajuda a fechar a mala e me abraça em seguida.
                – Vou sentir sua falta. – suspira fundo. – Esse apartamento irá ficar tão vazio.
                – Não seja falsa Paige. – eu provoco-a. – Você já nem fica mais aqui.
                – Tudo culpa do Richard. – ela se abana. – Aquele homem é insaciável.
                Meu rosto fica corado devido a suas palavras. Paige é despojada para tudo inclusive para falar de sexo. Não que eu seja pudica, pelo contrario, mas falar sobre isso não é algo que me deixa confortável. Prefiro viver as emoções entre quatro paredes.
                Fizemos um jantar especial para nos despedir e conversamos sobre como nossas vidas haviam mudado radicalmente. Eu uma garota cega, solitária que cantava em um clube. Paige dançarina de pole dance também marcada por magoas. Encontramos ao mesmo tempo os homens de nossas vidas e para nosso espanto e coincidência eles ainda eram amigos. A probidade de isso acontecer novamente é zero.
                           
                No dia seguinte Neil e eu estamos a caminho de sua casa totalmente em silêncio. Aparentemente ele ainda está irritado comigo e Liam. Não abriu a boca desde a saída do hospital ate entrarmos no carro.
                – O que Liam é seu? – me pergunta inesperadamente.
                – Pergunta errada. – respondo zangada. – O que ele é seu?
                Ambos ficamos olhando para frente sem querer encarar o outro. Ele porque está fodidamente enciumado e eu porque estou ficando irritada pela injustiça disso.
                – Ele gosta de você?
                – Neil... – começo tentando manter a calma. – Liam é dos seus melhores amigos e meu médico! Além disso, está noivo de uma mulher lindíssima.
                – Pois ele não deveria dar em cima da mulher dos outros. – sibila encarando o movimento na rua enquanto o carro desliza pelo transito lento.
                Mulher dos outros? Então ele me considera sua mulher? Se não estivesse tão irritada com esse cabeça dura eu daria piruetas na rua de tanta felicidade.
                – Não creio que estava fazendo isso. – respondo calmamente.
                – Eu sei o que eu vi!
    – Ah é? E o que você viu?
                – Ele beijando você. – ele me diz como se tivesse nos flagrado sem roupa.
                – Ele me beijou no rosto Neil. – dou risada da sua acusação absurda. Sempre ouvi dizer que o ciúme faz as pessoas verem o que não existe, mas ele tinha elevado isso à estratosfera.
                Sinto sua mão em meu pescoço. Seus olhos estão colados aos meus e vejo a chama do desejo estampados nele.
                – Aprenda uma coisa sobre mim Jennifer. – ele sussurra entre meus lábios. – Eu não divido o que é meu!
                Nossos lábios se unem em uma fúria alucinante. Nossas línguas duelam uma contra a outra enquanto suas mãos passeiam pelo meu corpo sob o vestido de algodão que estou usando.
                Sua boca suga meus lábios até me deixar embriagada de prazer. Tudo perde a importância, somente seus lábios e seu corpo colado ao meu me interessam. Gemo baixinho, incapaz de falar ou fazer qualquer outra coisa. Beijo-o com sofreguidão. Nós dois estamos perdidos um no outro sorvendo nossos sabores. Um sugando o prazer do outro com ansiedade.
    Neil puxa-me para mais próximo dele, alisa minhas coxas desnudas pelo vestido levantado e conduz minha perna até as dele. Um gemido rouco e frustrado ecoa de seus lábios. Abro os olhos e noto sua testa franzida.
    Sua perna!
    Havia me esquecido completamente da perna machucada. Afasto-me com cuidado para que não machuca-lo ainda mais.
    – Desculpe. – digo numa voz enrouquecida.
    Não foi culpa sua. – ele suspira frustrado. – Temos que fazer algo sobre isso.
    Tenho completa ciência de que o “isso” que ele se refere não diz respeito a sua perna, mas a esse desejo incontrolável que cresce incontrolavelmente entre nós dois. Agora morando na mesma casa será impossível resistir.
    – E onde vou ficar? – Pergunto só me dando conta agora de que não conversamos sobre isso. É obvio que ele sabe que tínhamos um relacionamento, mas devido às circunstancias não sei exatamente como ele deseja seguir.
    – No meu quarto. – ele sorri maliciosamente. – Na minha cama.
    Suas palavras me deixam em estado de êxtase. Meu corpo arde diante de seu olhar. Estou completamente, ensandecida e viciada nesse homem.













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