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  • Seduzida por ele - Capítulo 3





    Abro meus os olhos ainda sensíveis e tento enxergar através da claridade do quarto. Sinto-me desorientada, as lembranças disparam na minha mente. Uma dor quase violenta dilacera meu peito quase me sufocando. Sinto um frio gélido na pele e um gosto metálico na boca. Olho em volto e vejo que estou em um quarto similar onde estive nos últimos dias.
    – Jenny? – Paige segura minha mão. – Como se sente?
    As palavras não saem da minha boca, estão presas ao nó em minha garganta.  
    – Neil ele... – começo com voz entrecortada. Meus olhos se enchem de lágrimas contidas. – Ele não me ama mais.
    – Jennifer Linton Connor! – Paige me encara com raiva. – Saia dessa cama imediatamente e pare de agir como vitima. Você pode ficar ai e se lamentar para sempre ou pode lutar pelo homem que você ama. Escolha logo, pois há uma fila de mulheres lá fora dispostas a fazer isso!
    Suas palavras expulsam minha agonia, despertou-me do torpor a qual me encontro e me dou conta que tem razão.  Posso ficar a vida inteira me lamentado ou lutar pelo amor do homem que amo. Em algum lugar do seu coração ele irá se lembrar de mim. Tenho certeza.
    – Você tem razão. – seco uma lágrima furtiva.
    Todas as pessoas deveriam ter uma amiga como Paige que te apoie, mas que a trás para realidade quando precisa. Então tenho duas escolhas, luto ou choro. Eu escolho lutar.
    – Graças a Deus! – ela sorri. – Garota você me assustou e muito.
    – Não sei o que seria de mim sem você Paige.
    – E eu não sei? – ela ri. – Você é a pessoa não cega mais cega que já vi no mundo.
    Apesar da ironia de suas palavras sei o quanto ela tem razão. O pior cego é o que não quer ver. Não é o que dizem? Neil sempre me mostrou seu amor e agora está na hora de fazer o mesmo.
    – Sinto em dizer Jenny, mas este hospital não é um SPA. – Liam entra no quarto sorrindo. – Nem bem saiu e já voltou.
    – O que aconteceu? – pergunto ansiosa. – Vou ter que ficar aqui?
    Vejo-o colocar uma luz em meus olhos enquanto me examina. São raras as vezes que eu fico doente e nunca havia desmaiado na vida. Raramente fico doente.
    – Não é nada grave. Apenas está sobre uma forte tensão. – Liam me recrimina. – Seu corpo não aguentou e você apagou. Mas se estiver se sentindo bem, poderá ir para casa se me prometer que irá descasar.
    – Eu prometo. – afirmo. – Posso falar com Neil?
    – Ele foi sedado e agora está dormindo. – disse Liam cautelosamente. – Não está nada feliz por não recuperar a memória. Vá para casa e volte amanhã, está bem?
    Eu tenho vontade de gritar com ele. Eu não quero ir para casa e fingir que descanso quando o que mais quero é ficar aqui com Neil.

    – Mas Liam...
    – Isso é uma ordem Jenny! Além do mais só serão permitidas visitas amanha de manhã.
    Meia hora depois eu saio do hospital ainda contrariada. Paige me obriga a ir para cama assim que entramos em casa. Queria voltar ao hospital, mas Paige não permitiu, passou o resto do dia sendo meu cão de guarda. Para minha surpresa estou tão exausta que algumas horas depois eu desabo na cama e só acordo no dia seguinte.
    – Nossa você está de arrasar. – Paige assovia quando entro na cozinha. – Se o Neil já não estivesse apaixonado ficaria agora.
    – Levando em conta que ele não se lembra, dá no mesmo. Estou bem? – pergunto dando um rodopio. – Estou usando um vestido verde tubinho sem mangas. Escolhi a cor por representar sorte e esperança. Nesse momento preciso de toda a sorte do mundo.
    – Espere! – Paige sai correndo da cozinha em direção ao quarto. ­– Falta um detalhe.
    Minutos depois ela volta com um estojo preto.
    – Feche os olhos. – ela pede.
    Fico parada enquanto ela passa sombra e rímel em meus olhos, minutos depois finaliza com um batom.
    – Agora está perfeita.
    – Tem certeza Paige? – eu resmungo. – Vou para um hospital e não para uma festa.
    Com uma cara de ofendida ela me entrega um espelho. Estou pronta para ir para o banheiro e lavar o rosto quando a imagem refletida nele me surpreende. A maquiagem está linda e discreta, nas pálpebras há uma sombra rosa clara e meus cílios parecem mais longos e volumosos e um batom cor da boca complementa a obra prima.
    – Está perfeito. – sorrio. ­– Obrigada Paige. Você tem talento com isso. Confesso que antes quando me maquiava eu sentia muito medo.
    – Julgando livro pela capa amiga? – ela resmunga. – Puxa vida é reconfortante saber que confiava em mim.
    – Desculpe. – abraço-a com carinho. ­ – Agora se quer ir ao hospital comigo sugiro que se apresse.
    – Hum... – ela entorna um copo de suco que havia deixado em cima do balcão da cozinha. – Estou pronta.
    Pegamos nossos casacos no suporte e saímos. Parece que o inverno será rigoroso e sinto-me ansiosa com a possibilidade de voltar a ver a neve. Quando criança adora fazer bonecos de neve.
    O horário de vista é a partir das oito horas então ainda teremos que esperar alguns minutos. Desejava encontrar Liam aqui, mas de acordo com uma enfermeira hoje não é seu dia de plantão. 
    Vinte minutos depois uma enfermeira nos diz que podemos entrar, mas que evitássemos cansar o paciente. Sinto minhas pernas tremerem ao parar em frente à porta.
    – Relaxe. – diz Paige atrás de mim. – Talvez ele já tenha se lembrado.
    – Talvez. – respiro fundo e entro.
    Olho para o homem a minha frente e meu coração salta diante de sua beleza. Rosto marcante, olhos escuros penetrantes e misteriosos. Uma boca bem desenhada. Lembro-me de como é sentir esses lábios contras os meus ou pelo meu corpo. Um rubor queima minha pele mediante a tal pensamento. 
    Impressionante como já não me lembra o homem de meus sonhos. É como se aquele tivesse um aspecto diabólico e o que está em frente a mim se parece mais como um anjo. Não que seja delicado pelo contrário, a definição correta é um anjo vingador.
    – Oi. – sussurro.
    Oi? É tudo o que tenho para falar é oi? Encaro Paige e a vejo revirar os olhos do meu jeito patético.
    – Olá. – disse ele sem desviar os olhos de mim. – Você é?
    – Jenny. – murmuro. – Estive aqui ontem.
    – Eu me lembro, mas ainda não sei quem é? – enruga a testa como se buscasse algo do fundo de sua mente. – Quero dizer o que significa para mim. Uma amiga?
    – Sua namorada. – Paige responde por mim. – Eu sou a amiga.
    Sinto os olhos questionadores dele sobre mim. Seu olhar desliza pelo meu corpo novamente. Um formigamento toma conta de mim. Mordo os lábios para abafar um gemido e noto quando ele fecha as mãos em punho. Sinto uma alegria invadir meu peito, com ou sem memória seu corpo reage ao meu tanto quanto eu a ele.
    – Você é minha namorada? – ele pergunta numa voz rouca.
    – Sim.
    Aproximo de sua cama determinada. Talvez não fosse tão difícil fazê-lo lembrar. Só precisaríamos de um pouco de paciência, amor e tempo. Seu corpo não consegue negar o que a mente bloqueia. Seguro suas mãos entre as minhas, uma eletricidade passa por elas. Levo sua mão até meus lábios e beijo seus dedos com carinho.
    – Tente se lembrar. – sussurro.
    Vejo seus olhos faiscarem e se fecharem por alguns segundos.
    – Sinto muito. – ele puxa as mãos com um gemido frustrado. – Não consigo.
    O a dor do desapontamento queima em meu peito. Tento me recompor para que ele não veja.
    – Não se preocupe. Haverá tempo para isso. Tenho certeza que em breve tudo voltará ao normal.
    O olhar dele se estreitou ao ouvir o que digo. Noto em seu olhar como está frustrado e confuso. Ele parece muito sozinho e perdido naquele momento.
    – Sei que deve estar sendo difícil para você...
    – Você não sabe. – ele sussurra entre dentes. – Quero ficar sozinho.
    Inclino-me para frente ao ouvir suas palavras frias.  Enquanto estou ali, congelada, sento que todos os meus sonhos e esperanças se esvaindo. Se ele não me quer aqui não há nada que possa fazer.
    – Quer que eu vá embora? – pergunto sentido aquele conhecido nó sufocando minha garganta.
    – Eu... – ele hesita por alguns segundos. – Sim. Preciso pensar sobre tudo isso.
    – Se é... – tropeço em minhas palavras enquanto lagrimas ameaçam saltar de meus olhos. – Se é o que quer.
    Caminho em direção à porta com passos lentos e vacilantes.
    – Espere!
    Ouço sua voz angustiada atrás de mim. Viro-me e me deparo com seu olhar angustiado. Sua expressão é desoladora, então diz algo que me deixa atônita.
    – Você vai voltar não é?
    O nó em minha garganta se desfaz diante de suas palavras.
    – Claro. – sorrio. – Posso voltar a tarde se quiser.
    Ele assente.
                Saio apressadamente antes que faça uma loucura como me ajoelhar de frente a ele e implorar para que se lembre. Tenho que ser paciente e galgar cada passo.            Deve ser apavorante acordar sem saber quem é ou quem são as pessoas que ao seu redor. De certa forma ele deve se sentir como um cego sem direção e entendo mais do que ninguém.
                – Caramba a coisa está feia mesmo.
                – Não vou desistir Paige. Só precisamos de tempo.
                – Assim que se fala. – ela sorri para mim. – Estou gostando dessa Jenny corajosa e determinada.
               
    Às duas e meia Dylan para em frente ao meu apartamento e vamos em direção à escola de Anne. Estou feliz em reencontrá-la embora ainda não saiba o que dizer a ela.
    – É melhor esperar aqui senhorita. ­– Dylan me orienta.
    – Está bem.
    Permaneço sentada observando a escola elegante. Dylan cumprimenta a professora e pega uma mochila. Em seguida uma menina dos cabelos negros caminha cabisbaixa ao lado dele. Embora seja primeira vez que a vejo ela não se parece em nada com a menina alegre que me visitou há alguns dias.
    Dylan coloca sua mochila no banco da frente e abre a porta para que entre. Sempre de cabeça baixa ainda não me viu sentada no banco de trás.
                – Oi Anne. – cumprimento-a com alegria.
                – Jenny? – seus olhos se arregalam a me ver dentro do carro. – Jenny!
                Sinto seus braços em volta de meu pescoço em apenas alguns segundos.
                – Papai... – seu choro corta meu coração. Não consigo segurar as emoções e choramos juntas.
                – Calma querida. – sussurro em seus cabelos. – Vai ficar tudo bem.
                – Meu pai vai morrer? – ela pergunta ainda soluçando.
                – Não! Quem disse isso Anne?
                Não acredito que Lilian pudesse ter feito isso. Apesar de todo relacionamento complicado com Neil ela ama a Anne.
                – Meu amigo Thomas disse que o tio dele sofreu um acidente o ano passado e que depois ele morreu.
                Sinto-me aliviada com o que diz e com vontade dar uns puxões de orelha nesse garoto.
                – Isso não vai acontecer querida. – enxugo as lágrimas em seu rosto. – Seu pai não vai morrer.
                – Você jura?
                Cruzo os dedos e levo aos lábios.
                – Eu juro.
                – Por que eu não posso vê-lo? – Anne choraminga.
                – Por que está se recuperando no hospital e lá não é lugar para crianças.
                – Mas eu fui ao hospital ver você.
                Bem como eu poderia me sair dessa. Sinto-me frustrada. Neil com certeza teria uma resposta apropriada para o momento.
                – No meu caso foi diferente Anne.
                – Eu sinto falta dele. – seus olhos voltam ficar marejados.
                 – Prometo que em breve você poderá vê-lo.
                – Eu queria visitar você, mas vovó não deixou. – se queixa. ­– Disse que não a veria de novo. Não gosta mais de mim Jenny?
                Não sou uma pessoa violenta, mas tenho ímpetos de estapear Lilian nesse momento.
                – Sua avó está enganada. ­
     Ao contrario de Lilian não pretendo levantar a bandeira da discórdia. Sei que Anne adora os avós e não vou me colocar entre eles.
    – Lembra que estava no hospital. – sorrio.
    – Ohh – seus lábios se abrem num O perfeito enquanto seus olhos se arregalam. – Você já pode ver.
    – Sim.
    Vejo seu rosto ficar triste novamente.
    – Gostaria de poder ser normal também.
    – Desculpe! – Levo à mão a boca e arregalo os olhos em sinal de espanto. – Não tinha notado esses seus olhos grandes e essas suas antenas de extraterrestre.
    Por um momento ela ri mostrando a janelinha entre os dentes.
    – Minha mãe disse que nunca terei um namorado quando crescer. – ela suspira. ­– Eu não me importo os meninos são idiotas mesmo.
    Como Sophia podia ser tão cruel com Anne? Sua própria filha? Que tipo de mãe é essa? Até mesmo animais cuidam e protegem seus filhotes.
    – Sophia não sabe o que diz. – tento controlar a ira dentro de mim. – Eu era cega e seu pai se apaixonou por mim.
    – Mas agora você não é.
    – Anne... – começo procurando as palavras certas. – Quando for maior e os garotos não parecerem tão idiotas. Encontrará alguém que ame pelo que você é. E pelo que tem aqui dentro.
    Coloco a mão em seu coração.
    – Isso será a única coisa que vai importar.
    Após isso conversamos animadamente durante todo o caminho. As maldades de Sophia esquecidas.
    Dylan decide me deixar em frente hospital primeiro para que não tenha que inventar uma desculpa. Até tentei que deixasse em algum ponto próximo, mas ele se recusou alegando que se Neil souber disso ele ficará encrencado. Não o corrigi falando sobre o fato de que ele está sem memoria. Anne ainda não sabe e sei que Lilian ficará furiosa se contar a ela. Também não tenho certeza se é o momento certo para isso. Pode ser que sua memoria volte a qualquer momento, pelo menos tenho esperança que sim.
    Prometo a Anne que a verei no dia na segunda feira, mas que deve manter segredo sobre isso e apesar de um pouco confusa também ficou eufórica com nosso segredo.
    Antes de ir visita-lo pergunto pelo medico na recepção. Uma enfermeira me indica onde é seu consultório. Bato na porta e aguardo que me dê autorização para entrar. Ele me recebe com sorriso e me indica uma cadeira a sua frente.
    – Em que posso ajuda-la?
    – Doutor a falta de memória de Neil é permanente? – resolvo ir direto ao assunto.
    – Infelizmente não tenho uma resposta para isso. – me diz com pesar. ­– O cérebro humano é muito complexo. Fizemos alguns exames essa manhã e não encontramos nenhuma razão neurológica para a perda de memória.
    – Então há chances de que se lembre?
    – Também há possibilidade que não. Pode ficar assim por dias ou anos. Como pode se recuperar em algumas horas. O que devem fazer é manter a calma. Estar em casa e entre as pessoas que ama o ajudará para que se recupere.
    – Quando ele terá alta?
    – Creio que em uma semana se tudo estiver bem.
     Agradeço por suas explicações e sigo para o quarto dele. Está quase no fim do horário de visita e quero aproveitar o máximo que puder.
    – Jenny! – Ouço uma voz atrás de mim.
    – Liam. Não sabia que estava aqui. Está de plantão?
    – Não. Vim para ver o Neil. – diz ele. – Está indo embora?
    – Não. Estive conversando com o médico.
    – Ainda está sem memória?
    – Sim. – respondo com nó na garganta.
    Não vou chorar ordeno a mim mesma. Jurei que serei forte.
    Entramos no elevador e Liam seleciona o nono andar. Ficamos em silêncio enquanto ele sobe.
    – Sabe isso às vezes acontece. – me diz assim que saímos em direção ao quarto. – Logo ele se lembrará.
    – Eu rezo para que sim.
    Uma enfermeira nos alerta que já havia terminado o horário, mas por Liam ser um dos médicos do hospital abriria uma exceção desde que ficássemos apenas por alguns minutos.
    Encontro-o um pouco sonolento e desorientado. Liam explica que está sobe os efeitos dos remédios.
    Seguro sua mão entre as minhas.
    – Você veio. – ele murmura quase inaudível. – Ela me disse que não viria.
    – Estou aqui. – sussurro. – Como prometi.
    – Tinha certeza que viria. – Vejo um pequeno sorriso curvar seus lábios antes que se entregue ao sono.
    Velo seu sono tranquilo por alguns minutos até que Liam me informa que temos que sair.
    – Ele se referia a Lilian não é? – Pergunto com raiva.
    – Creio que sim.
    – Também disse a Anne que não a veria mais. – digo contrariada. – Por que ela faz isso Liam? Por que me odeia tanto?
    – Gostaria de ter as respostas. – ele suspira. – Infelizmente não tenho Jenny.
    – Lilian não vai me afastar dos dois. – digo determinada.
    – Ninguém vai permitir isso. Quer é uma carona para casa?
    – Sim. Obrigada.
    Liam é um dos amigos mais divertido de Neil, passou o caminho todo me contados coisas engraçadas sobre eles.
    Chego em casa e encontro o apartamento vazio. Concluo que Paige deve ter ido se encontrar com Richard. Não sei o que acontece, mas posso sentir a tensão entre eles. Sempre que ela atende ao telefone eles acabam brigando. Não entendo por que não assumem estão envolvidos mais profundamente do que fingem acreditar.
    Ligo para Kevin e convido-o para jantar comigo já que parece que Paige passará a noite fora.
    Conversamos sobre a jovem que ele ama e seu filho.
    – Por que não pede ao Peter que o ajude com isso? – sugiro enquanto cuidamos da louça após o jantar.
    – Eu não sei. – ele balança os ombros. – Acho que os serviços dele são muito caros.
    Eu gostaria de poder ajuda-lo quanto a isso. No entanto estou sem emprego e praticamente vivo à custa de Paige. Agora que já não estou cega perderei a auxilio que recebo. Isso me lembra de que preciso de um emprego urgente. Mas o que eu faria? A única coisa que sei é cantar. Depois do que Sophia fez no restaurante não posso voltar lá.
    – Eu posso conversar com ele. – murmuro. – Talvez ele possa ajudar.
    – Jane eu não tenho um emprego e não posso pagar ainda. E com minha ficha não será fácil encontrar um emprego. Minha sorte é que o flat em que estou morando foi pago por seis meses. Tenho que pensar no que farei.
    – Pode ficar aqui se quiser. Tenho certeza que Paige não se importará.
    – E dormir no sofá além de tirar a privacidade de vocês. – me diz contrariado. – Não. Está na hora de caminhar com minhas próprias pernas.
    – Somos irmãos. – insisto. – Estou aqui para ajuda-lo.
    – Eu agradeço.
    Ficamos em silencio por alguns minutos. Falarei com Peter assim que possível mesmo contra a vontade dele. Há outras vidas em jogo.
    – Eu ia visitar o Neil, mas como ele está sem memória acho que não devo.
    – O medico disse que o quanto mais normal for à vida dele seguir melhor será a recuperação.
    – Tem certeza? Não quero causar mais problemas.
    – Será bom ver novos amigos.

    No dia seguinte visito-o pela manhã. Encontro me com Lilian que não disfarça o desgosto de me ver ali. No entanto em vez de fazer algum escândalo apenas ignorou minha presença falando com ele e fingido que eu não estava no quarto. Sei que ele percebeu a tensão entre nós duas.
    Uma enfermeira retorna para realizar a medicação e nos avisa que o horário de visita havia terminado. Despeço-me dele com beijo no rosto e saio.
    – Pensei que havia deixado claro que não a quero aqui. – Lilian segura meu braço assim que saímos.
    – E eu pensei que havia deixado claro que não me afastaria. –puxo o braço e encaro-a.
    – Não pense que me engana com essa cara de anjo. Você quer dinheiro?
    – Claro que não!
    – Pois tire essa ideia de se casar com meu filho.
    Observo-a sair rígida como uma rainha. Uma raiva enorme ferve dentro de mim. Quem essa mulher pensa que é?
    Volto para casa muito irritada em com ímpetos de esganá-la. Cuido do apartamento para me distrair ou acabaria ficando louca.
    À tarde para meu desgosto chego atrasada para a visita novamente. Apesar de ser sábado um acidente na rodovia havia provocado transito. 
    Caminho rapidamente pelo corredor e antes que posso entrar no quarto vejo uma mulher loira e muito bonita sair. Seus cabelos são longos e usa um vestido preto curto e sexy demais para um ambiente hospitalar.
    – Olha se não é a ceguinha? – Noto seu olhar de desprezo em direção a mim.
    Passariam mil anos e jamais me esqueceria dessa voz. 
    – O que faz aqui Sophia?
    – Isso não é da sua conta. – ela dá as costas para mim.
    O que ela faz aqui? Terá feito algum mal a ele? O pânico me domina.
    – Se você fez mal a ele de alguma forma. – torço seu braço com força, para que me encare. Apesar de ser mais alta que eu minha raiva supera seu tamanho. – Eu juro que acabo com você!
    – Solte-me. – me diz puxando o braço. – Não ouse me tocar novamente. Noto que não é mais cega ou era tudo fingimento?
    – Não é dá sua conta! – sibilo. – Não se atreva a voltar aqui. Não vou permitir que o magoe novamente.
    – Quem irá me impedir? – Responde um sorriso de escarnio. – Você?
    – Se for preciso, sim.
    – Isso eu quero ver. – Afasta-se de mim com seus passos ecoando pelo corredor.
    Se ela quer guerra é o que vai ter. Respiro fundo e tento acalmar meu coração acelerado. Minhas pernas estão bambas e minhas mãos estão trêmulas. Abro a porta e me deparo com seu olhar acusador.
    – Então sou casado e tenho uma filha?
    Puta merda! O que essa louca havia inventado dessa vez? 


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