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  • Seduzida por ele - Capítulo 2




    Acompanho Liam até seu consultório. Ele me explica todos os cuidados que preciso ter ao receber alta do hospital e me receita um colírio para os olhos que precisarei usar por algum tempo. 
                – Siga tudo o que disse passo a passo e não terá com que se preocupar. Amanhã já estará de alta.
                A notícia seria maravilhosa se nas últimas 48 horas meu mundo não tivesse virado desabado em minha cabeça. Por que sempre que eu conquistava alguma coisa tinha que abrir mão de outra? Se para enxergar eu tivesse que perdê-lo seria um custo alto demais.
                – Quando eu vou poder vê-lo de novo?
                – Eu vou verificar com o médico e informarei a você.
                – Você me disse à tarde. – me queixo. – Quando ele irá acordar?
                – Foi uma cirurgia complicada Jenny. Neil ainda está sob o feito pós-anestésico. Além disso, é seu corpo que vai determinar a hora certa para isso.
                – Gostaria de ficar com ele. – murmuro.
                – Você tem que ter paciência Jenny. Temos que aguardar. – ele suspira. – Não há mais nada a fazer no momento.
                – Irá me avisar assim que ele acordar?
                – Sim.  – ele assentiu.
                Tento me convencer a manter a calma.
                – Como está a Anne? –     A essa altura a criança já deve estar sabendo o que aconteceu. Fico imaginando como estará lidando com tudo isso.
                – Ainda não a vi, mas creio que deve estar abalada.
                – Gostaria de vê-la. Ela ama muito o pai.
    Meus olhos se enchem de lágrimas ao imaginar o quanto a garotinha deve estar sofrendo.
    – Lilian está na casa do Neil com ela. Assim que puder Anne terá autorização para vê-lo. Talvez amanhã quando você sair do hospital possa ir até lá visita-la. Sei que ela gosta muito de você.
    – Sim. Eu farei isso.
    Lembro-me da última vez que estive naquela casa. A mãe de Neil não tinha sido muito amistosa. Sem a presença dele nem posso imaginar como reagirá a minha presença.
    Embora tenha receio de como vou ser tratada e recebida preciso ver a Anne, ficamos muito próximas uma da outra e imagino o quanto sofre nesse momento. Pelo menos eu ainda posso vê-lo mesmo que por alguns minutos. Não deve ser fácil para ela saber que pai está doente e que não pode visita-lo ainda.
                Quanto à Lilian? Será que Liam sabe alguma coisa sobre a visita em meu quarto?
                – Lilian esteve em meu quarto ontem? Você sabe algo sobre isso?
                Pela surpresa em seu rosto vejo que ele não sabe o que a Sra. Durant tinha ido fazer lá.
                – Sinto muito, mas eu não faço ideia.
                – O que ela sabe sobre o acidente? Sabe que a culpa foi minha?
                – A culpa não foi sua Jenny. – murmura. – Aceite isso e pare de se torturar. Quanto à Lilian, nós não conversamos muito sobre o assunto. Ela falou com o médico responsável, mas eu acho que ele entrou em detalhes pessoais, apenas nós sabemos as circunstancias em torno disso.
                Fico um pouco aliviada. Não que eu goste de mentir sobre o acidente, mas ter a mãe de Neil contra mim nesse momento ou fazendo acusações não é algo que quero lidar agora. Além disso, temos que proporcionar um ambiente tranquilo para quando ele estiver consciente. Neil precisará de todo apoio e paz ao redor dele.
                Volto para quarto sem animo algum. De alguma forma ficar no hospital me dá a sensação de que estou próxima a Neil. Sair no dia seguinte me dá a sensação de abandono.
                – Más notícias? – Paige pergunta ao ver a tristeza em meu rosto.  .
    – Terei alta amanhã.
                – Isso não é uma coisa boa?
                – Gostaria de fica aqui. – murmuro. – Perto dele.
                – Mas poderá visita-lo não é?
                – Não é a mesma coisa. – sinto uma dor aguda no peito.
    – E como está o Neil?
    – Ainda está inconsciente. Teremos que esperar que ele acorde por si mesmo. Vou visita-lo à tarde.
     Passamos o restante da manhã conversando.
    À tarde volto para o quarto de Neil para outra visita. É uma alegria e tortura para mim ao mesmo tempo. Alegria que por pelo menos por alguns minutos posso ficar perto dele, segurar suas mãos, sentir seu calor e conversar com ele mesmo que pareça não me ouvir. Até mesmo cantei suas músicas preferidas.
    Sinto uma imensa tortura por ter que partir e ter que esperar horas para poder vê-lo novamente quando meu desejo é ficar ao lado dele sempre.  
    Estou saindo do quarto quando vejo uma mulher parada a minha frente.
    – O que faz aqui? Como tem coragem de aparecer aqui?
    Reconheço sua voz. Quando eu era cega meus outros sentidos como tato e audição eram mais aguçados que o normal e quase nunca me esqueço de uma voz.
    – Vim visitar o Neil. – respondo a mãe dele.
    – Que eu saiba só é permitido à visita de familiares. – me diz acidamente. – Você não é da família.
    Encaro a mulher loira, elegante e bonita a minha frente. Sua hostilidade é visível.
    – Sra. Durant eu...
    – Lilian você sabe que Jenny é noiva de Neil e tem o direito de estar aqui. – diz Liam ao se aproximar de nós.
    – Noiva? – Ela torce o nariz. – Não estava sabendo disso. Onde está o anel de noivado?
    Seus olhos vão direto para minha mão vazia como se para comprovar o que dizia.
    – Neil pretendia entregar assim que Jenny saísse do hospital. – Liam responde por mim. – Mas as circunstancias não permitiram.
    – Mas ele não deu. Talvez tenha caído em si e mudado de ideia. – ela diz secamente. – Nada me tira da cabeça que isso é culpa dela.
    – Eu sinto muito Sra. Durante. – sussurro. – Eu não queria...
    – Não seja absurda Lilian. – Liam diz com raiva. – Foi um acidente.
     – Sophia me disse... – ela titubeia nas palavras. – Alguma coisa ela fez e eu vou descobrir. Enquanto isso eu quero que você fique longe de meu filho.
    Sophia novamente? Quando essa mulher iria entender que Neil não a ama e não a quer. Quantas vezes ela se colocará em nosso caminho?
    – Sinto muito por tudo que aconteceu. – respiro fundo. – Eu não sei o que Sophia disse, mas não vou sair de perto dele. A menos que ele acorde e me peça isso.
    Seus olhos me encaram com desprezo e frieza.
    – Você não era cega? – Olha-me com desconfiança.
    – Sim. Mas graças ao Neil fui operada e voltei a enxergar há pouco tempo. – respondo emocionada. Nunca poderei me esquecer disso e agradecer. Se não fosse o amor dele e a fé que depositou em mim ainda estaria vivendo na escuridão. 
    – Não pensa que me engana. Sei muito bem o que sua irmã fez ao meu filho Nathan. Não pense que fará o mesmo com Neil. Não vou permitir.
    Observo-a entrar no quarto como um furacão, mas suas últimas palavras que me deixam atordoada. O que Samantha tinha a ver com isso? O que ela quis dizer?
    Tenho vontade de entrar e dizer umas boas verdades. Fora Nathan que abusou e prejudicou minha irmã ao ponto de dar cabo a sua própria vida. Ele era o vilão não Samantha.
    Por causa dele eu desprezei a pessoa mais importante da minha vida e por causa dele quase o perdi. Então se há algum culpado é o Nathan, que mesmo morto me atinge com suas crueldades.  
    – Não ligue para Lilian. – Liam tenta me tranquilizar. – Embora não pareça também está muito abalada.
    – Ela não pode me impedir de vê-lo não é?
    – Jenny por vários dias todos nesse hospital viram como Neil é apaixonado por você. Além disso, você é noiva dele tem o direito de estar aqui. Não vou permitir isso.
    – Obrigada. – murmuro angustiada.
    – Vamos. – ele sorri.
    Não gosto de mentir, mas se para ficar ao lado de Neil tivesse que fazer isso é o que farei. Cada um luta com as armas que tem. E nada vai me afastar dele. Eu já tinha feito isso uma vez e as consequências foram trágicas.
    Volto para quarto e conto a Paige tudo o que aconteceu. Como esperado ela fica furiosa com Lilian e Sophia.
    – Deve ser por isso que veio aqui ontem. Provavelmente queria tirar satisfação. Agora, o que aquela bruxa da Sophia pode ter falado?
    – Eu não faço a mínima ideia. Mas uma coisa me deixou intrigada. Lilian me disse algo sobre Samantha e Nathan.
    – O quê?
    – Algo sobre ela ter feito mal a ele.
    – Isso é ridículo sabemos que foi o contrario.
    – Não sei Paige. – respondo confusa. – Ela parecia realmente acreditar no que dizia. Além disso, Kevin e eu nunca dissemos nada. Eu tinha coisas piores para me preocupar naquela época, talvez ela não saiba.
    – De qualquer forma o filho dela não era um santo. – Paige resmunga.
    – Agora tudo faz sentindo. – falo comigo mesma. – Quando estive em sua casa ela me disse que eu causaria sofrimento. O mesmo disse a Sophia naquele dia no restaurante.
    Corro até o espelho no banheiro. Não havia notado, mas Samantha eu sempre fomos muito parecidas. Se não fosse a diferença de idade poderíamos nos passar como gêmeas.
    – Elas me reconheceram. – encaro Paige através do espelho. – Conheciam Samantha.
    Tudo parece muito confuso. O que eu não sabia? De uma coisa tenho certeza, Samantha tinha sido uma vitima e irei provar isso custe o que custar.
    Um pouco mais tarde Paige recebe um telefonema e sai apressada, mas promete voltar assim que puder e passar a última noite no hospital comigo. 
    Ando de um lado a outro pelo quarto enquanto aguardo Kevin voltar. Com certeza ele terá as respostas para tudo isso. Não posso deixar que a imagem de Samantha fosse maculada pelas mentiras de Nathan e Sophia. Isso eu não permito.
    – Que bom que chegou. – digo a Kevin assim que ele entra.
    – O que aconteceu?
    – O que houve entre Nathan e Samantha?
    – Jenny não vamos falar sobre isso. – ele parece angustiado. – Você sabe o que houve.
    – Sim, mas a mãe do Neil parece ter uma ideia diferente. Eu sei o que eu vi naquele dia. Vi o desespero dela e como ficou depois.
    – Papai às vezes nos levava para a mansão para ajudar no jardim. Foi assim nós o conhecemos. Na verdade ele virou meu amigo por causa de Sam. No inicio eu não percebi isso. Só queria andar com a turma dele. Ir a festas. Embora algumas ele não me deixasse participar. Eu achava que se Samantha o namorasse me deixaria entrar definitivamente para seu circulo de amigos.
    – Sam tinha medo do Nathan. Ela me disse. – digo com raiva.
    Lembro de uma vez quando voltei da escola e a encontrei chorando no quarto que dividíamos. Após muita insistência me contou que ele a tinha beijado a força e nunca mais voltaria aquela casa.
    – Eu pensei que ela estava fazendo charme. Então eu não liguei. Já que tinha visto uma foto dele nas coisas dela só depois descobri que era o Neil.
    – Neil... – eu sussurro confusa.
    – Quando Samantha morreu Nathan parecia bem deprimido. – ele continua. – Quase sombrio, então, mostrei a foto que tinha encontrado nas coisas dela. Eu disse que o amava apesar de tudo. Ele ficou furioso e disse que não era ele, mas sim Neil na foto. – Creio que Samantha era apaixonada por ele. Talvez seja isso o que a mãe dele quis dizer.
    Isso é novidade para mim. Por que Neil não havia me contado isso? Quantos segredos ainda há entre nós dois? Será que ele também a amava? Será que o tempo todo ele a via em mim? Eu sou apenas uma substituta de alguém que ele amou?
    – Não sei o que Nathan pode ter inventado sobre Sam. – Kevin interrompe meus pensamentos. – Você não perguntou a ela?
    – Não tive oportunidade, ela saiu antes disso.
    – Esse é um assunto delicado. Pelo que Neil me disse os pais dele não sabem o que aconteceu ou como aconteceu e se Sophia está metida nisso...
    – As coisas ficam cada vez mais confusas para mim. Temos que esperar que Neil acorde e possamos esclarecer as coisas. – murmuro.  – Estou cansada.
    – Por que não se deita um pouco? – Sugeriu Kevin.
    Deito na cama com as pernas trêmulas. Nada faz sentido para mim. Dúvida e insegurança se instalando em meu peito. Embora tente relaxar eu não consigo. O medo e desconfiança me sufocam. Por que Neil havia escondido aquilo sobre Samantha? 
                Volto a seu quarto para visita noturna e as perguntas sem resposta queimam em minha garganta.
                Neil e Samantha. Respiro fundo para conter a dor quase física ao tentar imaginar isso. Por seu amor eu poderia lidar com todos os meus traumas do passado, apesar de ainda me machucarem muito, mas eu não conseguirei lidar em ser apenas uma substituta de um fantasma. Pior do que isso da minha própria irmã.
                – Neil acorde e me diga que é apenas um engano estupido. – sussurro com lagrimas nos olhos enquanto seguro sua mão. – Por favor.
                Observo seu rosto perfeito e tranquilo. Não tenho dúvidas do por que Sam havia se apaixonado por ele. E conhecendo Samantha como conhecia não ficaria surpresa por Neil a amá-la também. Ondas de dor invadem meu peito com força total. Rezo silenciosamente para que seja apenas um engano.
               
                Na tarde seguinte recebo alta e antes de sair faço todos me prometerem que irão me avisar se Neil acordar antes que eu volte.
    Antes de irmos para casa peço que Paige me leve para visitar Anne. Como imaginava Lilian não permitiu que entrasse, embora quisesse fazer o mesmo no hospital sempre o via quando ela não estava presente.
                Os seguranças parecem confusos por não terem permissão para me deixar entrar, mas como são ordens não há o que possam fazer.
                – Velha nojenta! – Paige grita no interfone. – Quando Neil souber disso você vai ver.
                – Vamos embora Paige. – olho para casa através do imenso portão. – Não há o que fazer aqui.
                – Tenho vontade de matar essa mulher e todas essas senhoras nojentas que acham que dinheiro é tudo na vida. – diz irritada. – Preferem viver de aparecias e fazem com que seus próprios filhos sejam infelizes à custa disso.
                Sei que ela não está se referindo apenas a Lilian, mas também a mãe de Richard. Pelo que Paige me disse aquela mulher era pessoa mais esnobe e egoísta do mundo. Chegou até a sugerir que o filho perdoasse a noiva que o havia traído apenas por que era rica e de família importante. 
                – Eu sinto pela Anne. – eu choro. – Sei que está sofrendo muito.
                Estamos a caminho da rua quando ouço uma voz atrás de mim.
                – Espere senhorita Connor!
    – Dylan? – encaro o homem moreno e musculoso atrás do portão.
    – Sim. A senhorita já está enxergando?
    Vejo que parece indeciso. Estou usando os óculos escuros que Liam ordenou que usasse por alguns dias para evitar a claridade excessiva. Então não pode ter certeza se enxergo ou não.
    – Sim. Os óculos são apenas uma proteção.
    – Que bom. Tenho certeza que o senhor Durant ficou muito feliz. É uma pena o que aconteceu com ele não é? – ele murmura com pesar. – Mas ele é um homem forte e logo sairá disso.
    – Eu tenho certeza que sim.
    Vejo-o olhar para casa atrás dele. Seu olhar é de desgosto.
    – Sabe, pego a garotinha na escola todos os dias as três. Embora ela chore muito. Sente falta do Sr. Durant.
    – Por que a avó não deixa que fique em casa? – Paige pergunta irritada.
    – Eu não sei. Ela diz que não pode lidar com uma criança, o marido doente e ainda visitar o filho. De qualquer forma se quiser posso busca-la antes de pegar Anne na escola. Assim poderá vê-la.
    – Eu não sei. – murmuro. – Não quero causar problemas a você.
    – O máximo que ela pode fazer é me substituir. Sou um funcionário da empresa de segurança e não dela.
    – Se você acha que não há problema. – digo sorrindo.
    – Sei que Anne ficará feliz. Tem me perguntado sobre a senhorita.
    Combinamos sobre o encontro no dia seguinte e nos despedimos. Não quero ficar por mais tempo e correr o risco de que Lilian o mande embora por desobedecer a suas ordens ao vir falar comigo.
                Vamos para nosso apartamento em seguida. Ainda parece irreal poder enxergar. Então todas as coisas e pessoas ao meu redor parecem novidades para mim. O apartamento é bem aconchegante, bonito e acolhedor. É fantástico ver todas as coisas e lugares que só imaginava e sentia com os dedos. As lembranças de todos os momentos que passei com Neil ali me fazem chorar. Posso sentir a presença dele em cada canto.

                Volto para hospital à noite e me dizem que ele abriu os olhos por poucos minutos ficando inconsciente em seguida.
                – Isso é normal. – diz o médico responsável pela recuperação de Neil, um senhor de cabelo branco e muito simpático.
                – Eu poderia passar a noite aqui com ele doutor Barkley?
                – Infelizmente não. Pode ficar na sala de espera, mas aconselho que vá para casa e descanse. – seu sorriso é amigável. – O pior já passou senhorita. Tranquilize-se.
                 No dia seguinte chego ao hospital em torno das sete horas. Encontro Liam me esperando na porta da UTI para me informar que Neil está acordado e que foi removido para outro quarto. Meu coração está em extasse e apavorado ao mesmo tempo.
    – Como ele está?
    – Um pouco desorientado. Na verdade... – Liam faz uma pausa como se buscasse as palavras.
    – O que foi Liam? O que há de errado com ele?
    – Aparentemente nada. Olha, acho que se ele a vir por alguns minutos tudo ficará bem.
    O que Liam quer dizer com isso? O que está acontecendo com Neil? Por que ele precisa me ver para ficar bem? Será que ainda imagina que eu o odeio?
    Tenho ânsia de sair correndo pelo hospital até o quarto dele. De abraçá-lo e dizer o quanto o amo. Que tudo havia ficado no passado e que é lá que tudo deve permanecer. Preciso afastar toda a tristeza que vi em seu olhar quando o mandei embora.
    – Jenny? – Liam segura meu braço assim que ficamos em frente à porta. – Tenha paciência, ok?
    – Liam você está me assustando. – murmuro angustiada. – O que está acontecendo?
    – Você o ama?
    – Claro que sim?
    Que tipo de pergunta absurda é essa? Será que ele havia ficado com alguma sequela irreversível? Por isso a pergunta dele? Se Liam achava que iria abandoná-lo por isso está muito enganado. Cuidarei de Neil com todo amor e carinho a que recebi dele durante todo esse tempo. Nada mudará meus sentimentos por ele. Se Nathan e tudo que havia feito não fez isso nada mais faria. Afinal por anos fui portadora de uma deficiência física, ninguém mais do que eu compreende isso. Não vou amá-lo menos.
    – Era o que eu precisava ouvir.
    Respiro fundo e entro no quarto. Ele está recostado na cama o olhar compenetrado através da janela. Presumo que esteja perdido em pensamentos, pois estamos no nono andar e única vista é um amontoado de prédios e um céu nublado.
    Há um bipe ecoando no quarto, percebo que é do equipamento que monitora seus batimentos cardíacos. Em sua mão esquerda há um tubo intravenoso para soro e medicação. Sua perna esquerda engessada está apoiada em um travesseiro fofo.
    – Neil?
    Seus olhos vêm de encontro a mim. Meu coração para por alguns segundos. O munda para por alguns segundos. Ele me olhava, mas parece não me ver.
    – Neil? – gemi tentando controlar o desespero. – Querido.
    Seus olhos me encaram fixamente, sua expressão é tão ou mais angustiada que a minha. Seus olhos escuros me estudam com cuidado.
    – Conheço você? – Pergunta-me fechando os olhos em seguida. – Desculpe-me, mas eu não me lembro. Não me lembro de nada.
    A compreensão queima em meu rosto como uma doce chama do inferno. De todas as coisas que poderia acontecer essa é mais terrível.
    Ele não se lembra de mim!
    É como se tudo que nós vivemos e tudo o que sentimos deixasse de existir. Sinto-me tonta, as palavras dele girando na minha cabeça. Tento respirar normalmente de alguma maneira, preciso encontrar uma forma de sair desse pesadelo em que me encontro.
    – Jennifer! – Insisto. – Não se lembra de mim?
    – Não...
    Neil balança a cabeça na tentativa frustrada de encontrar algum sentido em sua confusão de memoria. Vejo raiva, medo e frustração em seu rosto.
    – Tudo bem Neil. – Liam aproxima-se dele. – É melhor não forçar nada. Eu só pensei que quando visse a Jenny...
    – Eu não consigo lembrar! – Neil geme e leva a mão a cabeça como se tentasse aplacar a dor. – Minha cabeça doí.
    – É natural que isso aconteça. Você teve um traumatismo craniano. Com o tempo tudo voltará ao normal, fique calmo. Descanse um pouco.
    Eu posso lidar com sua raiva, magoa ou indiferença, mas o vazio que vejo em seu olhar? Não consigo pensar em algo mais doloroso que isso. A dor e pânico me sufocam.
    – Vamos deixa-lo descansar um pouco Jenny. – Liam disse segurando meus braços. – Vamos.
    – Tudo bem. – eu sussurro. Pareço mais tranquila do que realmente estou. – Eu volto depois.
    Nenhuma resposta.
    Saímos do quarto e deixo que toda emoção que sufoca meu peito venha à tona. Liam me segura em seus braços me consolando.
    – Não se lembra de mim. – as palavras saem em uma explosão de lágrimas sofridas. – Não lembra...
    – Shiii... – ele me embala. – Tudo vai ficar bem. Apenas dê um tempo a ele.
    – Mas se ele nunca se lembrar? – digo imensamente apavorada. – Se o perdi para sempre?
    – Então o faça se apaixonar novamente. Ele pode ter esquecido aqui. – ele leva uma mão a minha cabeça e outra a meu coração. – Mas não aqui.
                Esse é o pior de todos os castigos. Neil não se lembra de mim por causa do acidente ou realmente eu nunca existi para ele? Minha presença nunca foi forte o bastante para fazê-lo esquecer de Samantha.
                Sinto o chão liso desaparecer sob meus pés, algo me puxa para baixo e não sinto mais a superfície.
                – Jenny! – ouço uma voz ao fundo.
    Em seguida tudo é escuridão. 

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