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  • Seduzida por ele - Capítulo 1




                – Jenny!
    Viro-me para porta, Paige está parada entre o vão e a entrada. Sua mão apoiada no peito enquanto em seu rosto há uma expressão angustiada.
    – Neil sofreu um acidente.
    Quatro palavras e uma frase. O suficiente para mudar minha vida completamente. O mundo parou de existir e nada mais importa.
    – Acho que ele morreu!
    Eu olho para a mulher a minha frente, mulher que por muito tempo eu só conhecia a voz. Sua expressão angustiada me dizendo que as coisas não vão nada bem. Meu coração salta no peito mediante a suas palavras. Seguro firme a borda da cama e sinto meu corpo tremer. Estou caindo, meu mundo está se partindo e não consigo ver o chão diante de mim.
                – O que você disse? – sussurro quase inaudível. – O que disse Paige?
                – O carro dele bateu em outro carro em um cruzamento perto daqui. – seu choro é contido. – Oh... Jenny ele está horrível.
                Vejo suas mãos irem até seu rosto enquanto grossas lágrimas dessem por ele. Sinto um gosto salgado nos lábios e me percebo que são minhas próprias lágrimas silenciosas.
                – Não! – meus joelhos cedem e caio ao chão. – A dor em meu peito agora é mais intensa e dolorosa que anteriormente. – Não!
                Todas as outras coisas perderam o significado como mágica. Todos os traumas, as feridas até mesmo o ódio que guardei em meu peito por tanto tempo, já não importa mais. Há apenas um imenso vazio, um vazio que cresce em meu coração como um grande buraco negro. Um vazio onde ecoa seu nome e cada batida ele doí mais.
    As nuvens já não vão a lugar algum, o sol não voltará a aparecer. Deixei que ele partisse com a esperança de que ele fosse voltar, mas não irá.
    Odeio-me por deixa-lo partir daquela maneira, sem que eu pudesse dizer o quanto ainda o amo. Que todas as coisas agora são insignificantes. Agora como todas as pessoas tolas eu tive que perder para aprender a amar. Agora E tudo o que me resta é um coração partido.
    A dor em minha alma é tão grande que sinto como se ela fosse arrancada do meu corpo. Saber que nunca vou sentir seu toque, seu cheiro, seus lábios, o som da sua voz e que nunca mais serei motivo de seus sorrisos me apunhalam o peito e é devastador.
                – Você o viu? – Meu choro é compulsivo agora. – Você o viu morto?
                Quantas vezes eu tenho que andar por essa estrada? Haverá algum dia em tudo não seja apenas magoa e dor? Chegará o dia em que eu não terei mais lágrimas?
                – Eu o vi chegar agora a pouco. – ela disse secando os olhos. – Não tenho certeza se está morto. Acho que me expressei mal. Mas ele parecia morto, está horrível e...
                Enquanto Paige se atropela em suas palavras uma chama de esperança começa nascer dentro de mim. Uma pequena chama, mas que tento me agarrar a ela com todas as forças. Neil não está morto, não pode estar. Escuto essa voz em minha cabeça que me ordena para a ter fé. Eu preciso acreditar nisso e eu quero acreditar.
                – Oh Jenny desculpe. –    Paige se une a mim no chão enquanto choro e rio ao mesmo tempo. – Eu e minha boca grande.
                – Neil não está morto. Sei que não está.
                Essa certeza dentro de mim é cada vez mais forte. Sinto uma vontade louca de sair gritando pelos corredores do hospital. Como se a vida tivesse me dado uma nova chance de recomeçar e vou lutar com todas as forças para merecê-la. Levanto-me o mais rápido que minhas pernas trêmulas permitem e trago Paige comigo.
                – Vamos!
                – Espere. – ela puxou-me de volta. – Já pode sair do quarto?
                Umedeço os lábios enquanto pondero. Ninguém havia me prevenido para que não saísse e mesmo que houvesse essa restrição eu não seguiria. Estou cansada de ficar parada e deixar que as coisas simplesmente aconteçam. Tenho que ter alguma informação, se não eu enlouqueceria.
                – Creio que sim. – respondo.  – Vamos procurar o Liam.
                – E vai sair assim? – ela me encarou atônita. – De camisola?
                – Que importância isso tem agora Paige. – nunca me importei com roupas não é agora que vou começar. – Estamos em um hospital e não em uma festa. Eu poderia estar nua que isso não iria me importar.
                Lembro-me quando Neil saiu apressado pelos corredores em seu aniversário. Foram tantas as vezes que me demonstrou seu amor e eu apenas joguei tudo isso fora, sem olhar para trás.
                – Mas...
                Deixo-a falando sozinha e saio apressada. A claridade e muito forte e sinto-me tonta por alguns segundos. As paredes parecem girar a minha volta. Sinto-me perdida e deslocada em meio essa imensidão branca e entre as pessoas que vem e vão pelo imenso corredor, tudo é muito novo e confuso para mim.
    Apoio-me contra a parede fria enquanto espero minha vista se normalizar. Enquanto estou ali congelada minha única vontade é encontra-lo.
                – Jenny você está bem?
                – Ajude-me Paige. – digo angustiada.
                – Venha. – ela segura minhas mãos geladas. – Acho que sei onde podemos encontra-lo.
                Enquanto andamos observo os olhares curiosos em nossa direção. Com certeza devem considerar-me uma louca. Passamos por uma porta de vidro e vejo minha imagem refletida nela.  Gemo ao olhar meus cabelos emaranhados e a camisola hospitalar dá-me um aspecto de uma garota saída de um filme de horror. Então acho que são completamente naturais os olhares especulativos.
                – A emergência fica do outro lado. Acho que devem ter alguma informação. – ela me conduz como fazia quando eu ainda era cega. Alguns hábitos eram difíceis de mudar e ainda não nos adaptamos a isso.
                Paramos no balcão de recepção enquanto eu aguardo enquanto Paige solicitar informações de forma insistente. Nesse momento vejo Liam saindo de uma sala e corro até ele. Vejo que fica surpreso e irritado com minha aparição.
                – O que faz aqui Jenny?
                – Eu sei que tudo isso é culpa é minha. – sussurro com uma imensa vontade de chorar. – Mas eu preciso saber como o Neil está.
                – Não me refiro a isso. – ele parece frustrado. – Estamos em um hospital Jenny. Há vários riscos de contaminação e você tirou os curativos essa manhã.
                Eu não havia pensado nisso. Na verdade não pensei em nada a não ser encontrar Neil e ter a certeza de que ele ficará bem.
                – Isso não importa. Você o viu? Como está?
    Seus olhos fixam-se em mim. Parece incerto no que vai dizer como se procurasse as palavras certas, mas não encontrasse. Apesar de ter o peito cheio de espera vejo que as coisas não parecem muito otimistas. Isso faz meu coração apertar no peito.
    – Pode me dizer a verdade Liam. – murmuro.
    – Ainda não sei Jenny. Neil foi enviado para o centro cirúrgico. O acidente foi grave. Ele estava sem sinto de segurança e foi lançado contra a porta. Há um grande corte na cabeça e quebrou uma perna.
    Minha mão salta a garganta ao imaginar a cena. Lembranças terríveis vêm em minha cabeça de forma esmagadora. Um acidente de carro havia mudado a minha vida e outro acidente poderia alterá-la terrivelmente. A vida não poderia ser tão cruel duas vezes da mesma maneira. Não posso e não quero aceitar isso.
    – Mas ele está vivo não é? – pergunto angustiada. – Vai ficar tudo bem?
    – Ainda não sei até que o médico saia. – disse. – Vou ser sincero. A situação não era boa. Parece que houve traumatismo craneano, não se sabe ainda qual a gravidade.
    – A culpa é minha. – eu choro desolada. – Se não o tivesse mandado embora...
    – Não tem que se sentir culpada Jenny. – Liam suspira resignado. – Vocês realmente precisam fazer algo com relação a isso. Talvez procurar a ajuda de um médico e verificarem esses traumas. Ficarem se culpando por tudo não leva a nada, apenas para mais mágoas.
    Sei que ele está certo sobre isso. Deveria ter procurado um médico há muito tempo. Neil já havia comentado que tinha feito terapia para lidar com Sophia e todo seu passado. Isso explica o fato de ser mais equilibrado do que eu. Pelo menos até ter me conhecido. Eu tinha feito o que nem Sophia e Nathan fizeram juntos. Baguncei a sua mente e destruí seu coração. Foram inúmeras as vezes que pediu que não esquecesse o quanto me amava e quando mais precisou de mim havia lhe virado as costas. Se ele estivesse sentindo metade da minha dor quando entrou naquele carro tem muita sorte de ainda estar vivo.
    – Por favor, Liam diga que ele vai ficar bem! – eu imploro. – Farei qualquer coisa.
    – Ajudaria muito se voltasse para quarto.
    – Eu prefiro ficar aqui.
    – Ele tem razão Jenny. – Paige se aproxima de mim e segura meu braço. – Lembra quando você foi operada. Neil parecia um leão enjaulado, isso não ajudou muito. Não há nada que possa fazer agora.
    – Mas eu não estava morrendo Paige! – insisto.
    – Nem o Neil. – Liam responde. – Se quer ajuda-lo volte para o quarto. Eu não posso lidar com vocês dois ao mesmo tempo. Prometo que vou mantê-la informada. Agora preciso avisar os pais de Liam e ver como vamos contar a Anne.
    Anne? Havia me esquecido completamente dela. Como posso ser tão egoísta. Havia uma garotinha inocente que poderia perder o pai. O que seria de Anne sem o pai que venerava?
    – Está bem. – murmuro. – Não deixe de me avisar.

    As horas se arrastam amargamente enquanto aguardo em desespero. O quarto parece me sufocar a cada minuto que passa. Há mais de uma hora não tenho noticia alguma. Liam apareceu apenas uma vez na última hora para avisar que os pais de Neil estão a caminho do hospital e que ele ainda se encontra na sala de cirurgia.
    Neil sofreu um trauma grave e estão operando-o para reduzir a pressão intracraniana. De acordo com ele eram feitos pequenos orifícios no cérebro para liberar uma hemorragia interna. Ainda não se sabe se terá algum dano permanente ou irreparável, mas que é comum nesses casos. Os danos mais comuns são convulsões, paralisias e alterações de personalidade. Também há riscos de outros distúrbios como problemas de concentração, dores de cabeça ou tontura, mas que podem durar por anos, no entanto. Esse tipo de lesão pode ou não ter consequências graves, mas não há como avaliar até que ele acorde.
    Rezo fervorosamente que nada parecido com o que aconteceu comigo aconteça com ele. Que nada grave esteja acontecendo e somente ao acordar que os médicos descubram alguma coisa.
    Uma enfermeira entra no quarto com o almoço, sopa de legumes, um suco de maça e salada de frutas. Não tenho fome e nem animo para comer. No entanto, Kevin que já havia voltado, Paige e a enfermeira insistem que coma algo. Como sei que preciso estar forte para quando Neil acordar como um pouco de cada coisa.
    Tento manter a fé a cada segundo de espera, mas confesso que está cada vez mais difícil. Saber que tudo isso é culpa minha por não ter lidado com meus traumas e inseguranças me enlouquecem mais. Por minha culpa ele poderá ter alguma lesão irreversível, isso se sobreviver. E se não andasse ou falasse, se ficar preso a uma cama para sempre? Se nunca mais acordar? São tantas as possibilidades que me levam as vias do desespero. Nunca poderei me perdoar por qualquer coisa que acontecer a ele.
    – Agora sei como se sentia Kevin. – digo com a voz trêmula. – É terrível saber que destruímos alguém que amamos.
    – Não diga isso Jenny. – ele me abraça e choro em seus braços. – Nada disso foi culpa sua. Vamos manter a fé.
    – Desculpe ter sido tão dura com você!
    – Nunca foi dura comigo. Foram minhas escolhas e com elas vieram as consequências.
    – Não posso perdê-lo. – choro intensamente.
    – Você não vai. Eu prometo.
    Sinto suas mãos massageando minhas costas tentando me tranquilizar. Aos poucos meu choro desesperado viram suspiros e não sei quantos minutos depois eu adormeço.
    Eu sonho. Sei rosto não é o que idealizei quando estava cega, mas o que eu vi essa manhã. Sonho que estamos sentados em um banco em um belo jardim repleto de rosas. Ele me sorri com carinho e coloca uma flor em meu cabelo. Seus olhos me encaram novamente e eu vejo tristeza em seu olhar. Ele se levanta e caminha para longe de mim. Quero gritar para que volte. Ele para e me olha com tristeza.
    “Eu te amo”. – ele sussurra e parte.
    Quero me levantar e correr até ele. Não consigo me movimentar parece que estou grudada ao banco. Levo as mãos aos lábios e eles parecem colados também.
    – Não! Não vá!
    Algo sacode meus ombros, sinto que estou sendo puxada. Eu não quero sair, preciso encontra-lo. Há muitas rosas, não consigo vê-lo.
    – Jenny acorde! – ouço uma voz ao fundo. – Acorde querida!
    Abro os olhos novamente e por alguns segundos me sinto desorientada. Onde estão as rosas? Onde estou?
    – Teve outro daqueles pesadelos? – Paige alisa meus cabelos.
    Balanço a cabeça em negativa. Agora já consciente de onde estou e de tudo o que aconteceu.
    – Sonhei com ele. – encaro-a. – Mas eu não tive medo Paige. Não era o Nathan era o Neil. Eu queria ficar com ele, mas ele partiu.
    Estranhamente era o mesmo rosto que por anos me aterrorizou, mas eu não tive medo. Eu não vi o mesmo olhar cruel que via nos olhos de Nathan. Os olhos pareciam os mesmos, mas eu via amor e uma grande tristeza neles.
    – Claro que era o Neil. – ela sorri. – Liam esteve aqui há alguns minutos.
    – Por que não me acordou? Quanto tempo eu dormi?
    – Apenas por duas horas. – ela sorri. – Liam pediu que a deixasse dormir. Disse-me para avisar que a cirurgia já terminou.
    – Como Neil está? – levanto-me da cama com pressa. – Preciso vê-lo.
    – Calma Jenny! Neil está na UTI e ainda não pode receber visitas. Aparentemente tudo ocorreu bem, ainda temos que esperar que acorde, mas não há risco de morte.
    Respiro aliviada, ainda terei que esperar algum tempo para poder ficar perto dele novamente, mas só fato de saber que está fora de perigo é um sentimento inexplicável.
    – Eu quero falar com Liam. – meu pedido soa como uma suplica.
    – Ele já foi embora. – disse Paige. – Pretende voltar à noite. A mãe de Neil também esteve aqui no quarto, mas já foi. Foi contar a Anne o que aconteceu. Ela pareceu muito angustiada.
    A mãe de Neil esteve em meu quarto. Se antes não gostava de mim agora com certeza me odeia. Por minha causa quase perdeu único filho. E Anne? Também me odiará se algo acontecer a Neil. Agora vejo que não prejudiquei apenas o homem que amo, mas todas as pessoas a sua volta. Saber que sou a causa dessa dor me entristece amargamente.
    – Ela disse alguma coisa? – eu pergunto numa voz angustiada.
    – Não. – Paige balança os ombros. – Apenas perguntou como você estava. Foi embora em seguida.
    Isso me soa estranho. O que a mãe de Neil queria comigo? Por que veio me ver? Terei que esperar para ter todas as perguntas respondidas e espero que eu esteja prepara para o que vier.
    – Onde está o Kevin?
    – Saiu para comer alguma coisa.
    – Aposto que ainda não comeu nada, não é?
    – Comi alguma coisa.
    Sei que está mentido. Aposto que ficou ao meu lado o tempo todo. Não sei o que fiz para ter uma amiga tão dedicada como ela e ter um homem que me ama como Neil, mas eu juro que daqui para frente eu vou merecer toda confiança e amor que eles me dedicam.
    – Vá para casa Paige, descanse um pouco.
    – Eu...                               
    Antes que ela possa continuar eu protesto.
    – Prometo que farei bem. – eu insisto. – Kevin pode tomar conta de mim.
    Embora ela esteja muito receosa em me deixar acabou concordando. Prometeu que estará aqui amanhã bem cedo. Eu não tenho duvidas disso, tenho sorte de estar rodeada de pessoas que me amam e apoiam em momentos tão difíceis como esse.

    Não há muito que fazer em um quarto de hospital. Então procuro olhar em volta e observar cada detalhe. Estive tão perdida em todas as emoções das últimas horas que só agora me dou conta do milagre que estou vivendo.
    Eu posso ver! Cada objeto, cada cor, cada forma. Não preciso lembrar ou tentar imaginar como são. Eu as vejo. Fecho os olhos por um segundo e abro-os rapidamente. Nunca mais estarei condenada a escuridão.  
    Há uma TV fixada na parede em frente à cama. Quantas vezes ouvi seu som e desejei ver as cenas que passavam nela. Como uma criança em frente a pulo da cama e vou até a mesinha, pego o controle remoto e ligo a tv. Está em um canal de culinária, o canal seguinte é um canal infantil.
    Fico deliciada com as cenas que vejo. Talvez por alguns segundos eu possa me distrair e aplacar a angustia em meu peito.
    – Já acordou? – Kevin entra no quarto alguns minutos depois. – Como está?
    – Ainda passa o Pica pau. – eu suspiro ignorando sua pergunta. Se tiver que responder eu direi voltarei a chorar desenfreadamente. – Lembra como eu adorava o Pica Pau.
    – Não tem como esquecer. – ele resmunga. – Não me deixava assistir mais nada. Parece que eu não havia mudado muito.
    Sorrio com melancolia. Sempre fui uma criança terrível e cheia de vontades.
    – Obrigada. – estico minha mão para ele. – Você tem seus próprios dilemas para resolver e eu trago mais alguns.
    – Eu que agradeço. Vou agradecer todos os dias por ter me aceitado novamente em sua vida. Sabe, há algo que preciso lhe contar.
    Faço uma oração interna para que não seja outra tragédia. Eu já tive noticias ruins o suficiente para um só dia.
    – Você não foi o único motivo para eu querer me curar.
    – Não?
    – Não. – Kevin senta ao meu lado na cama. – Eu conheci uma garota. Nós nos apaixonamos e ela ficou grávida.
    – Meu Deus! Eu tenho um sobrinho?
    – Eu não sei. Ela também era dependente em drogas. Disse-me que ia parar e queria que eu fizesse o mesmo. Eu não acreditei nisso, achei que estava querendo me forçar a ficar com ela.
    – Kevin... – comecei a protestar. – Era seu filho. Onde eles estão agora?
    – Eu não sei. Nem sei seu se ela está viva ou se cumpriu o que falou. Já presenciei tantas mulheres gravidas manterem o vício até o fim da gestação.
    E prejudicam o feto terrivelmente. Desejo que a jovem tenha tido forças e cumprido a promessa pelo bem de seu bebê e que essa criança tenha tido mais sorte que Anne.
    – Eu vou encontra-los Jenny. Nem que passe a vida procurando-os.
    – Faça isso. Quero ter meu sobrinho em meus braços.
    – Pode ser uma menina. – ele sorri encabulado.
    – O que você prefere.
    – Que esteja bem e feliz. O sexo não importa.
    Abraço-o com carinho e ficamos ali vendo TV sem realmente prestar atenção em alguma coisa. Cada um preso em seus pensamentos. Com esperanças de que possamos corrigir nossos erros e que a vida nos dê outra chance para isso.
    Jantamos juntos e conversamos sobre nossa infância. Noto que o tempo todo ele tenta me distrair de alguma forma. No entanto, várias vezes me pego olhando para porta a espera de notícias.
    À noite chega e nos distraímos com um seriado na televisão. É uma serie policial que por alguns minutos nos deixam entretidos. Após terminar Kevin navega pelos canais em busca de algo que o agrade. Ele ainda está concentrado nisso quando Liam aparece no quarto.
    Pulo da cama completamente angustiada. Eu olho para ele ansiosa. Uma inquietude perfurando meu estômago como ferro quente.
    – Como ele está? Posso vê-lo agora?
    – Seu estado é seguro. Pode vê-lo amanhã e apenas por alguns minutos.
    Balanço a cabeça concordando e respiro aliviada. Venho esperando por essa noticia o dia todo.
    – Obrigada Liam.
    – Como você está? – Ele examina meus olhos. – Algum desconforto. Não deveria ficar vendo TV Jenny.
    – Se eu não posso ver por que há uma TV aqui?
    – Para seu acompanhante. – ele suspira frustrado. – Alguma enfermeira deveria ter avisado. Vou conversar com elas sobre isso.
    – Não elas não viram, na verdade nem prestei muita atenção eu juro.
    – Tem que ser mais cuidadosa. O que aconteceu a você foi um milagre. Valorize isso.
    – Farei isso. Eu prometo.
    – Passe o colírio sempre que sentir alguma ardência. E descanse a vista o máximo que puder. Não queremos mais complicações aqui. Certo?
    – Certo doutor. – disse.
    – Até amanhã.
    Despeço-me dele tento dormir como ele me aconselhou. Algo que se tornou difícil por causa da imensa ansiedade que tenho. Sento a cama vazia e fria ao mesmo tempo. Olho para cama ao lado onde Neil passou os últimos dias. Kevin dorme tranquilamente.
    Na última noite Neil estivera na minha cama comigo, beijando-me, abraçando e me levando as alturas. Antes que possa me conter, lágrimas inundam meus olhos e deslizam pelo meu rosto. Aperto a mão contra o peito na tentativa de conter a dor aguda que sinto ali.
                Entre um cochilo e outro me pego pensando em Neil e em como será encontra-lo tão novamente?
                Por volta das seis da manhã desisto de ficar na cama e vou para o banheiro. Tomo banho, lavo os cabelos e visto um vestido bege de algodão que havia em minha pequena mala. Já estou cansada da roupa hospitalar. Além disso, Liam disse que em dois dias me dará alta.
                – Bom dia Jenny. – Paige me cumprimenta.
                – Você madrugou.
                – Eu disse que viria cedo. Como está?
                – Bem na medida do possível.
                – Já teve alta? – Ela pergunta indicando o vestido.
                – Não, mas já estava cansada daquela roupa.
                – Alguma novidade?
                Sei que ela está se referindo ao Neil.
                – Liam disse que posso vê-lo por alguns minutos.
                – Isso é ótimo.
                Tomamos café enquanto esperamos Liam chegar. Kevin acorda em seguida e insisto para que vá para casa. Neil havia instalando-o em um flat no centro da cidade. Emociono-me ao lembrar como ele sempre pensa em tudo e como é generoso comigo.
                – Como andam as coisas com Richard? – Pergunto assim que Kevin saiu.
                Paige desvia os olhos dos meus e fixa-a na janela a sua frente.
                – Não andam. – suspira.
                – Você gosta dele não é? Por que não o diz?
                – As coisas são mais complicadas do que pensa. – ela murmura.
                – Não faça como eu Paige. Não espere perder para perceber o quanto o ama.
    – Não se perde aquilo que nunca teve. – sussurra. – Não quero falar sobre isso.
    Eu não insisto, não tenho esse direito. Estarei pronta para ouvir quando ela quiser se abrir. Mudamos de assunto e conversarmos coisas triviais enquanto espero impacientemente que Liam apareça. Tenho vontade de sair do quarto e ir sozinha até a UTI, mas ao mesmo tempo tenho medo. Resolvo agir de forma coerente e madura, minhas ações intempestivas já causaram muitos danos até aqui, talvez alguns irreparáveis.
    Por volta das oito horas e eu já ao ponto de enlouquecer Liam aparece.
    – Vamos?
    – Sim.
    Seguimos pelos corredores praticamente vazios, exceto por algumas enfermeiras e médicos que passavam por nos eventualmente. Passamos por uma porta de vidro e percebo que estamos em uma área diferenciada. Paramos em frente uma porta. Uma placa indica que estamos na UTI. Liam me entrega um avental e uma máscara. 
    – Tem que usar isso. – ele me orienta.
    Ajuda-me a vestir e entramos no quarto em seguida.
    Meus olhos vagueiam por suas feições pálidas: o queixo quadrado marcado por algumas escoriações, a curva dos lábios cheios com um pequeno corte, a linha reta do nariz aparentemente intacta, as maças do rosto roxeadas. Mas o que mais me chocou foi ver sua cabeça em volta em uma enorme faixa. Seus lindos cabelos haviam desaparecido em um lado da cabeça.
    – Neil! – Choro silenciosamente para não perturbá-lo mais.
    Ver o homem que amo sempre cheio de vida e mandão em um estado tão frágil me destrói completamente.
    – Volte para mim. – sussurro através da máscara. – Por favor, volte.
    Seguro sua mãe entre as minhas. Olho para o pé erguido e engessado erguido. Eu rezo para que seja o único dano.
    – Eu te amo.
    Sinto uma mão apertar meu ombro.
    – Temos que ir. Consegui apenas cinco minutos.
    – Só mais um pouquinho Liam. – imploro.
    Ele olha para porta como se esperasse que a qualquer momento alguém aparecesse e nos arraste dali.
    – Dois minutos.
    Pouco tempo para quem anseia pela eternidade. Lembro-me das palavras de Neil na manhã anterior. A eternidade seria tempo muito curto agora entendo a veracidade de suas palavras. Curvo-me e beijo sua mãe macia. As lagrimas descem abundantes pelo meu rosto.
    – Eu voltarei. – sussurro. – Prometo.
    Saímos do quarto e minha vontade é voltar e ficar perto dele até que abra os olhos.
    – Ele vai ficar bem não é?
    – Neil é um homem forte. Ama muito você e Anne. – noto a tristeza em seu olhar. – Se tivesse visto como ficou?
    – Oh Liam... – levo minhas mãos ao rosto tentando aplacar o choro. – O que eu fiz?
    – Desculpe Jenny, não deveria ter falado sobre isso. Vamos. Você ainda tem que fazer alguns exames antes que possa lhe dar alta.
    – Eu não posso ficar aqui?
    – Eu sei quais são as suas intenções. – Liam sorri. ­– Mas precisa sair um pouco daqui. Isso lhe fará bem.
    A única coisa que me fará bem e ver o Neil acordado e dizer que me perdoa.
    – Nunca vi pessoas tão parecidas. – Liam continua enquanto me guia de volta ao quarto.
    Eu não concordo. Há uma grande contradição nisso. Neil é carinhoso, bondoso e protetor. Tudo o que eu não sou. Ou era.
    – Vou ser o padrinho desse casamento. Ou quem sabe de um dos milhares de filhos.
    Emociono-me com sua tentativa de me animar. Suas palavras renovam as minhas esperanças e me dão forças. 

    6 comentários :

    1. linda historia, cada dia mais eu gosto desses dois :)

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      Respostas
      1. Oi minha flor. Obrigada por ler. Fico muito feliz que esteja gostando.

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    2. ola,meu nome e karen ja adquiri o livro pela amazon e amei o livro e tambem irei comprar o livro impresso e claro,mas gostaria de saber quando vai ser lançado a continuaçao em impresso ou pela amazon por favor e obrigada ate mais.

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      Respostas
      1. Oi Karen,
        Obrigada por ler e comprar o livro. O segundo sai na Amazon dia 21 de julho quanto ao impresso ainda não sei, pois estamos com a pré venda do 1º em andamento.
        Beijos

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    3. Aonde vende o livro impresso?

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      Respostas
      1. Na Amazon, submarino, na loja bezz
        ou comigo :D

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