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  • Proibida para mim - Capítulo 5



    Já se passaram três dias desde nosso encontro. Fiquei horas no flat pensando nela. Falei com Calvin se ele a tinha deixado em casa e ele confirmou. Encontraram com Paige na chegada. Ele a ouviu dizer algo sobre uma falta de segurança no prédio devido à porta de entrada estar quebrada. Eu havia notado isso quando estive lá a primeira vez. Ele disse ainda que ela insistiu em devolver meu paletó, mas que ele disse que era pra ela ficar com ele, como cortesia. Tudo bem. Tenho muitos outros.
    Pedi a Calvin que cuidasse disso pessoalmente, do problema de segurança no portão no dia seguinte. Pelo que ele me disse o zelador é muito relapso e só se importa com os alugueis, não dando a mínima para a segurança e conforto dos inquilinos.
    No terceiro dia, no caso hoje, Calvin me informou que as duas haviam mudado de apartamento. Não que eu fosse um maldito controlador e estivesse vigiando seus passos, mas me sentia responsável por ela. Eu não sei exatamente de onde vem esse desejo de protegê-la.
    Conforta-me saber que ela está em lugar mais tranquilo e menos perigoso. Calvin me passou o endereço e lutei internamente entre ir até lá ou me manter à distância dela, que a cada dia penetra mais e mais em meus pensamentos. Para meu próprio bem resolvo manter a distância.
    Naquela noite depois do flat, cheguei tarde novamente e não encontrei Anne acordada. Como estava em férias de verão constantemente ficava irritada de ter que ficar apenas com a babá. Claro que ela estava furiosa de manhã cedo, mas fiz suas panquecas e tudo ficou bem. Vou levá-la amanhã ao zoológico, conforme prometi.
    Deixei Dylan de plantão no prédio de Jennifer, desde ontem à noite, mas não na porta do apartamento, e sim perto do prédio, onde ele pudesse observá-la ao sair de casa. Pelo menos por enquanto, apenas para ter certeza de que tudo ficará bem. Afinal agora ela e Paige estão em uma moradia um pouco mais segura e não posso usar isso como desculpa, como anteriormente. Apenas por mais alguns dias, apenas para saber como é sua rotina e que não colocará sua vida em risco novamente. Eu prefiro acreditar que é isso e não uma obsessão com essa mulher na qual não me deixa trabalhar ou me concentrar direito.

    Ela não voltou ao clube, graças a Deus. Hoje ela foi retirar seus documentos após a mudança, uma vez que foram roubados e esteve em um restaurante chique ontem à noite, Saveur Supreme, onde costumo ir de vez em quando. Mas segundo Dylan, ela não estava acompanhada e ficou pouco tempo. O que será que foi fazer lá? Infelizmente, Dylan teve que sair para atender a um chamado de sua esposa. Parece que a filha estava doente e ele não chegou a entrar no restaurante. Voltou pouco tempo depois e, segundo ele, ela estava de saída. Quase ele a perde de vista. Detesto incompetência, mas não pude fazer nada. Tinha que considerar que a filha encontrava-se doente e esperando por ele. Se fosse Anne e eu fosse um empregado, teria feito o mesmo. Apesar de ele ter me avisado, fiquei enfurecido e não tive tempo de mandar alguém em seu lugar. De qualquer maneira, ele voltou ao restaurante a tempo de vê-la sair sozinha.
    Decido dispensar Dylan ainda hoje de ter que ficar em vigília. Não há razão para manter meus empregados vigiando-a quando não pretendo vê-la mais. Não devo e não quero fazer disso uma obsessão. Apesar dos meus esforços, não consigo tirá-la da minha cabeça. Não consigo esquecer aquele perfume, aqueles lábios, aqueles cabelos macios. Além disso, a filha dele está doente. É sexta feira, três dias depois que ela foi embora do meu flat e da minha vida.
    Volto minha atenção ao contrato importante que tenho com um grupo japonês. Ouço uma batida na porta e respondo com impaciência, pedi para não ser incomodado. Penélope entra com uma embalagem de terno em sua mão.
    – Desculpe Sr. Durant, sei que pediu para não ser incomodado, mas uma jovem deixou isso na recepção. – ela diz se desculpando.
    – Uma jovem? – meu coração salta no peito. Ela está aqui? – Como ela é? – pergunto ansiosamente.
    – Eu não sei senhor, mas posso perguntar na recepção. – ela diz apreensiva.
    – Está lá embaixo? – pergunto bruscamente. – Porque não a mandaram subir?
    Vejo que Penélope fica apreensiva com meu tom de voz e tento me acalmar. Afinal meus empregados só estão fazendo seu trabalho. Se eu tivesse que atender todas as pessoas que me procuram sem hora marcada não faria mais nada na vida. Todos os dias aparecem jovens inventores, recém-formados, repórteres ou mesmo garotas atrás de uns dos CEOs mais importantes do país. Então é absolutamente normal que a segurança seja rigorosa.
    – Apenas deixou isso e foi embora, Sr. Durant. – ela explica. - Ela também pediu que entregasse isso ao senhor. – ela me entrega um papel dobrado.
    Intrigado eu peço que ela se aproxime para que eu possa analisar a embalagem. Era o que eu temia. Meu terno estava perfeitamente embalado.
    Agradeço Penélope e a dispenso. Olha para nota em minha mão como se fosse uma bomba prestes a explodir na minha cara. Pareço um adolescente cuja ex-namorada devolve os presentes.
    “Sr. Durant.
    Eu estou extremamente agradecida pela sua gentileza na outra noite. Manteve-me protegida e aquecida ao me emprestar seu terno. No entanto, não posso ficar com ele. Tive o cuidado de lavar e passar. Espero que tenha feito da forma correta”.
    Jennifer.
    Não posso negar que estou extremamente desapontado. Passei horas imaginando-a vestindo meu terno. Muitas vezes imaginei-a completamente nua dentro dele. Queria que tivesse algo para se lembrar de mim, que tivesse meu cheiro. Deixo a embalagem pendurada no meu cabide de ternos perto da minha mesa e saio da sala.
    – Penélope?
    – Sim, Sr. Durant. – ela levanta e me encara prestativa.
    – Ligue para a melhor floricultura da cidade. – ordeno enquanto pego um pedaço de papel para anotar o endereço. – Encomende uma dúzia de rosas amarelas.
    Poderia mandar rosas vermelhas, mas são muito comuns, as rosas amarelas têm outro significado para mim. Significam amor, respeito, alegria, amizade e desejo. Além disso, essa cor indica certa malícia. Se a pessoa a oferece a uma pessoa que não é muito próxima, indica que tem segundas intenções. Ademais, as rosas trarão perfume e luz.
    Entrego o endereço e ela parece surpresa. Nunca mandei rosas para ninguém antes, nem mesmo para minha teórica esposa. Nem mesmo em datas comemorativas como seu aniversário, aniversário de casamento ou dia dos namorados. Definitivamente são datas que não tenho a menor pretensão de comemorar. Bem, a não ser que seja com Jennifer. Viro-me para retornar a minha sala e antes que eu possa entrar Penélope me chama eufórica.
    – Sr. Durant! Algum cartão ou alguma nota? – ela questiona apreensiva.
    – Apenas as rosas. – digo e fecho a porta da sala.
                                                               

    Estou em frente ao prédio dela observando. Fico com carro estacionado olhando para ver se a sorte está comigo e eu possa vê-la entrar ou sair. Após quase uma hora vejo o quão ridículo estou sendo e resolvo ir embora. Não sem antes ter aquela sensação de que perdi algo.
    Como já havia decidido mais cedo, dispensei Dylan por hoje e também durante esse fim de semana, pois quero que ele fique perto da filha que se encontra doente.
    Parece que não é nada grave com a filha de dele, mas acho importante a presença paterna. Talvez porque meu pai tenha sido um pai “presente-ausente” ou por eu ser uma espécie de “pai solteiro”. Meu pai sempre estava em casa, viajava pouco, mas não quer dizer que ele estivesse disponível. Bem, não para mim, pelo menos. Ele tinha verdadeira adoração por Nathan, meu irmão gêmeo. Quem não tinha? Nathan sabia como ninguém tornar-se adorável quando pretendia. Manipulava as pessoas ao seu redor e eu o admirava por isso. Claro que na época eu era um adolescente imbecil e o via como um herói. Mas aos poucos fui descobrindo que ele era tudo, menos isso.
    Nathan era frio e sombrio. Fazia mal às pessoas pelo simples prazer de machucá-las. Se eu fosse pensar em todas as coisas terríveis que ele fez passaria dias lembrando. Como duas pessoas, nascidas praticamente na mesma hora, criadas pelos mesmos pais, podem ser completamente diferentes?
    Eu me sentia inferior e fazia de tudo para agradá-lo, para ter sua atenção. Eu queria também a atenção dos meus pais, mas a dele era mais importante. Eu queria ser como ele. Apesar de sermos gêmeos univitelinos e as pessoas nos confundirem frequentemente, Nathan tinha alguma coisa especial. Ele chamava a atenção das mulheres, coisa que eu não conseguia. Era galanteador e sensual. As mulheres caíam aos seus pés. Achavam-no o máximo dentre os meros mortais na Terra, inclusive eu. E eu ficava sempre de escanteio, com as migalhas. Isso fazia com que eu me sentisse péssimo, inferior, indigno. Mas eu não o odiava, pelo contrário. Queria cada vez mais me parecer com ele.
    Ele me levava aos seus encontros, às vezes, só para que eu o observasse, como um voyeur. Lembro-me dele dizendo: “Vamos lá, Neil! Deixa eu te mostrar como se faz! Veja se dessa vez você aprende!” E eu ia. Ficava horas vendo-o trepar com os piores tipos de mulheres. Digo trepar por que Nathan trepava, não fazia amor ou sexo normal. Ele era bruto e muitas vezes, cruel. Gostava de usar brinquedinhos como ele chamava as bizarrices que ele usava para o que fazia. A primeira vez que eu o vi fazendo esse tipo de coisa fiquei estarrecido. Ele punia as mulheres, causava dor nelas e batia ou espancava. Nessa primeira vez por pouco não saí do meu esconderijo e fui até ele para que parasse com aquilo. Mas o que me chocou ainda mais era que a mulher que estava no dia gostava da dor que ele infligia à ela.
    Depois de um tempo aquilo não me satisfazia mais, eu me sentia enojado. Claro que houve um motivo especial para aquilo, mas não quero pensar nisso agora. Não quero pensar em Nathan ou em suas crueldades.
    Ele era completamente maluco, hoje entendo isso. E essa consciência faz com que eu me sinta um merda. Como um dia eu pude querer ser parecido com ele? Mesmo diante de toda a merda que eu o vi fazer, como quando nós tínhamos apenas seis anos e ele decidiu afogar meu gato, pelo simples prazer de vê-lo morrer? Ele sempre foi mal, desde pequeno. E ninguém, incluindo eu próprio, conseguia ver isso. Quer dizer, quando caímos na real era tarde demais. Mas isso é passado. Não quero trazer à tona essas lembranças sombrias. Preciso de algum tipo de diversão hoje. Talvez telefone para Milla. Ela com certeza me trará algum tipo de diversão, nem que seja apenas para eu esquecer o merda que eu sou.

    Não foi uma boa ideia ligar para Milla. Ela falou por horas e eu não me lembro de nada do que ela disse. Na verdade achei sua presença irritante. Nem cheguei a tocá-la, sexo então, nem pensar. Inventei uma desculpa qualquer e fui pra casa.
    Mais uma vez chego tarde em casa. Anne vai ficar irritada mais uma vez. Com razão. Não costumo me ausentar com tanta frequência. Mas amanhã iremos ao zoológico. Pretendo dar um bom dia de diversão a ela e sinceramente, a mim também. Subo as escadas e vou direto ao seu quarto. Ela dorme tranquilamente agarrada em seu ursinho favorito. Cubro-a, ajeito seu bracinho que está para fora da cama e dou um beijo suave em sua testa.
    – Ninguém nunca vai te machucar, Anne. – sussurro. – Eu não vou permitir.
    Em vez de seguir para o meu quarto, como de costume, decido descer e me servir de um drinque. Tive um dia de merda, com lembranças que pretendo esquecer, sem contar inúmeros problemas na empresa. Ainda não descobri quem está por trás do roubo do meu principal projeto e isso está me deixando louco.
    Chego à sala e jogo meu terno no sofá e afrouxo a gravata. Sigo para o bar e me sirvo de duas doses de uísque. Ligo para Peter.
    – Peter, sou eu.
    – Hei cara! O que manda de bom? Espero que não tenha encontrado outra encrenca na noite!
    – Peter eu vou ignorar seu sarcasmo. Você deve estar muito seguro de si para me tratar de forma tão insolente! – digo irritado.
    – Er... Desculpe Neil. Não quis ofendê-lo. – diz resignado.
    – Escuta Peter, não tenho tempo pro seu papo furado agora. Quero saber se você tem notícias. Você esteve na minha empresa há três dias e até agora não se manifestou novamente. Quero saber se você encontrou o que eu te pedi.
    – Bem, Neil, você sabe que não é muito fácil, considerando...
    – Chega de papo furado, Peter. – digo cortando-o. Inspiro profundamente. – Olha, sei que você é meu amigo, mas eu te pago uma pequena fortuna para você resolver esse meu problema. Sei que não é fácil, mas te pedi isso por que você é o melhor. Você é a única pessoa que eu posso confiar esse problema e espero sinceramente que você me ajude. Mas não estou gostando do rumo que as coisas estão tomando. Não gosto de ficar no escuro, Peter.
    – Eu sei Neil, peço desculpas por isso. Mas ainda não consegui descobrir muita coisa e não quero trazer informações fragmentadas e desconectadas.
    – Ok. Vou deixar passar dessa vez. Mas façamos o seguinte. Quero relatórios semanais de seus avanços. Tudo que você puder me passar. Fotos, vídeos e tudo o mais que você conseguir. Quero os fios de cabelo se for possível. Entendeu, Peter? – digo firmemente.
    – Sim, Neil. Claro.
    – Ótimo. Ligo para você depois. – desligo.
    Peter é meu amigo há muitos anos. Eu o conheci na escola, quando tinha uns dez anos, mais ou menos. Fomos grandes amigos por muito tempo, somos ainda. Depois nos separamos na época da faculdade. Ele foi para Oxford, na Inglaterra, cursar Direito e eu fiquei nos Estados Unidos. Estudei Ciência da Computação na Universidade de Columbia em NY e fiz uma especialização em Gestão na mesma Universidade. Há alguns anos atrás ele retornou e entrou para o FBI. Não durou muito tempo por lá. Peter é astuto e curioso, gosta de aprender coisas novas e de aventuras. Quando percebeu que o FBI não daria o que ele queria, decidiu exercer a advocacia. Claro, isso dá mais dinheiro, mas tem muito menos emoção. Não durou nem um ano. Então decidiu abrir um escritório de investigação particular e é isso que ele tem feito por enquanto. Rende um bom dinheiro, ainda mais considerando que eu sou um dos seus principais clientes e traz a emoção que ele deseja para si. Foi ele também que arrumou Calvin, que é um excelente segurança.
    Mas mesmo assim ainda não estou totalmente satisfeito. Não posso negar que já estou muito perto do meu intento e claro que se não fosse por ele estaria muito longe, mas preciso de resultados. E preciso o quanto antes. E do jeito que as coisas estão andando a passos de tartaruga vai demorar mais um tempo. “Inferno!” Simplesmente odeio quando as coisas não podem ser resolvidas por mim. Depender dos outros é um verdadeiro martírio. Mas por ora não há nada que eu possa fazer, exceto exercitar a pouca paciência que ainda me resta.
    Sirvo-me de mais duas doses de uísque e me jogo no sofá. O dia de hoje foi um tormento sem fim. Reuniões, problemas, pensamentos sombrios e a maldita Jennifer que não sai da minha cabeça, além de ter devolvido meu terno. Não consigo tirá-la dos meus pensamentos por mais de cinco minutos e isso nunca me aconteceu. Estou em um verdadeiro impasse, pois não sei se vou atrás dela ou se a esqueço de vez. Como vou esquecê-la? Meus lábios ainda formigam com aquele último beijo. Tenho certeza que ela sentiu a mesma coisa que eu, mas ao mesmo tempo não posso afirmar isso. Não consegui fazer nenhuma leitura a respeito dos seus sentimentos e também não descobri nada sobre ela. Simplesmente fiquei tão enfeitiçado que meu maldito cérebro apagou. “Merda”! Perdi uma boa oportunidade e agi como um verdadeiro pateta adolescente, mal conseguia falar qualquer coisa. É isso que ela faz comigo, me deixa enfeitiçado, abobalhado e eu simplesmente não consigo raciocinar perto dela.

    Ela ficou decepcionada por eu ser casado. Eu vi sua tristeza. Reflete a minha. Eu também estou triste por ser casado, ainda mais com a víbora com quem me casei e nem sequer é um casamento de verdade. Mas como eu posso explicar isso à Jennifer? Nem saberia por onde começar a explicar tanta merda junta. Também não sei se devo contar qualquer coisa. “Merda!” Estou agindo como se ela fosse minha namorada e como se eu estivesse prestes a me casar com ela. E ainda mandei rosas. “Céus!” O que ela vai achar disso?
    Independente de tudo eu estou amarrado teoricamente a minha falsa esposa e não posso ter Jennifer por causa disso. “Porra!” Preciso acabar com essa merda toda e já demorei muito para fazer isso. Mas por enquanto tenho que esperar, pra variar. Não tenho como fazer isso agora.
    Estou exausto. Preciso de um bom e longo banho e dormir. O uísque do dia começou a fazer efeito e já me sinto meio tonto. Amanhã pretendo levar Anne para se divertir e não quero estar de ressaca. Levanto e vou até a cozinha para tomar um copo d’água. Deixo o copo vazio na pia e sigo para o meu quarto. Subo as escadas como se estivesse levando o mundo nos ombros.
    Entro no meu quarto e acendo a luz e é quando ouço aquela maldita voz.
    – Olá! – ela ronrona.

    – Sophia?

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