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  • Proibida Para Mim - Capitulo 3


    – Papai acorda, acorda! – ela diz com sua vozinha esganiçada.
    Resmungo e esfrego meu rosto. Pisco para a luz tentando acostumar meus olhos, enquanto mãozinhas insistentes me sacodem.
    – Acorde papai! – ela grita mais uma vez.
    – Hei, Terremoto, deixe-me dormir. – resmungo sonolento.
    – Já é tarde! - ela sorri após ouvir o apelido carinhoso. – Estou com fome. – ela diz enquanto passa a pequena mão pela barriga.
    – Por que não foi tomar café? – sento-me com dificuldade na cama.
    – Não sem você. – ela resmunga.
    Olho para o relógio na cabeceira da cama que marca 8:30hs.
    “Puta merda!” Pulo da cama. Sempre acordo antes das sete para preparar o café e tomá-lo com Anne. Dormi muito, na realidade desabei. Os acontecimentos do dia anterior vêm como uma avalanche em meus pensamentos.
    – Papai! – ela diz insistentemente.
    – Já escutei Anne. – sorrio para ela. – Deixe apenas o papai tomar um banho e já desço para tomar o café com você!
    – Mas não demora. – diz ela fazendo um biquinho.
    – Onde está Claire? – pergunto.
    Claire é a babá de Anne desde que eu a trouxe para minha casa, algumas semanas após seu nascimento. Isso foi há sete anos.
    – Na cozinha preparando o café, mas prefiro suas panquecas, são melhores e mais gostosas – Anne sorri revelando uma janela entre os dentes superiores.
    – Prometo ser mais rápido que o The Flash. – digo bagunçando seu cabelo.
    – Tá bom! – ela sorri em resposta.
    Observo minha filha sair saltitando em sua perna mecânica. Por causa da vida irresponsável, regada a bebidas, cigarros e drogas, a menina havia nascido com uma deformidade em uma de suas pernas. Apesar disso, Anne era uma menina alegre e doce.
    Se pelo menos sua mãe a tratasse melhor. Apesar de todos os meus esforços para proteger Anne, nem sempre consigo deixar que ela seja afetada pelo veneno e palavras amargas de Sophia. Aquilo vai ter um fim. Não vou deixar mais Sophia atormentar nossas vidas. Não mais.
    Tomo um banho rápido, visto meu terno Armani cinza grafite e coloco uma camisa branca e uma gravata vermelha e desço para a cozinha, onde Anne me espera.
    – Por que você chegou tão tarde, papai? – Anne exige assim que entro na cozinha.
    Tiro meu paletó e coloco no encosto de uma das cadeiras. Anne é uma criança extremante possessiva e ciumenta comigo. Nenhuma mulher pode chegar perto o suficiente, exceto Claire, isso porque ela a conhece desde bebê.
    – Bom dia, Claire. – cumprimento a babá. – Aconteceu um imprevisto e você não deveria ficar acordada até tarde, não é? – digo sorrindo para Anne.
    Anne cobre o rosto e murmura algo incompreensível. Respiro fundo antes de chamar a atenção dela. Quase nunca brigo com ela, mas se há uma coisa que eu exijo é que tenha uma vida normal para uma garota da sua idade e dormir cedo é uma exigência.
    – Anne? – chamo-a com as sobrancelhas erguidas.
    – Eu estava esperando você chegar... – ela choraminga.
    – Não vai me conquistar com lamúrias, mocinha! – digo docemente.
    – Mas papai... – ela choraminga novamente.
    Sinto meu celular vibrar e antes que eu possa responder, faço um gesto para que ela espere e atendo.
    – Calvin. – digo.
    – Acho que temos problemas, senhor. – ele responde afobado e ouço gritos ao fundo.
    – Que tipo de problemas? Não me diga que deixou alguém entrar. – digo rispidamente, a raiva tomando conta de mim.
    – Não, senhor. Quer dizer, ainda não. – ele responde.
    – Como assim, ainda não? – pergunto ainda mais irritado.
    – Senhor, é uma moça. Parece que é uma amiga. Acho que não oferece realmente perigo. – ele diz baixinho.
    – Ok. Deixe-a entrar, mas fique aí. Estou indo imediatamente. – ele consente e eu desligo.
    Antes que Anne possa protestar, dou um beijo em sua testa e digo.
    – Prometo levá-la ao zoológico no fim de semana. – os olhos dela brilham sapecas. – Claire pode cuidar do café para mim? Prometo Anne que faço as panquecas amanhã ou mais tarde, se preferir.
    – Claro senhor. – diz Claire. Na verdade já estava pronto, mas Anne insistiu em comer suas panquecas. – ela diz em reprovação.
    – Fica para amanhã, Terremoto. – despeço-me dela e saio apressadamente.

    Dirijo com relativa tranquilidade, apesar de um pouco rápido demais. É a segunda vez que dirijo assim em menos de 24 horas. E tudo por causa de uma certa ruiva, linda e estonteante. O trânsito pesado já se foi considerando que já passou a hora do rush. Quem será essa amiga? Bom, saberei quando chegar lá. Também preciso dispensar Calvin. Ele passou a noite em vigília e deve estar cansado. Sei que ele aguenta horas acordado, já pude comprovar isso, mas mesmo assim, merece descansar. Posso tomar as rédeas a partir de agora. Estaciono em frente ao prédio velho.
    Encontro Calvin em frente à porta.
    – Bom dia, Calvin. O que aconteceu? – questiono tão logo o encontro.


    – Bom dia, senhor. Estava aqui, conforme suas orientações e já estava prestes a chamar um táxi para retornar para casa, considerando que já eram quase nove da manhã, quando a tal amiga chegou. Primeiro ela me olhou assustada, pois acredito que não esperava ver um homem parado, em frente a um apartamento. Depois perguntou quem eu era e o que eu estava fazendo ali. Expliquei minimamente e ela bateu na porta para chamar a amiga. Quando eu disse à ela que não poderia entrar, ela ficou louca. Começou a berrar, dizendo que chamaria a polícia e quem eu achava que era para impedi-la. Enquanto eu tentava justificar, uma moça ruiva abriu a porta e perguntou o que eu fazia ali. Expliquei novamente, que estava ali para sua segurança e ela disse que a moça era sua amiga e que eu deveria deixá-la entrar se eu não quisesse arrumar confusão. Foi aí que telefonei para o senhor. – ele explica.
    – Certo. Depois que ela entrou você ouviu ou viu mais alguma coisa? – pergunto.
    – Bom, depois que a moça ruiva abriu a porta e ambas caíram no chão...
    – O quê? Caíram no chão? – digo, cortando- o.
    – Acho que a amiga estava tão enlouquecida que quando a moça ruiva abriu a porta, ela se jogou em cima dela, derrubando-a. Mas não ficaram machucadas. Eu verifiquei. – ele responde apressadamente.
    – Continue. – digo impaciente.
    – Bem, depois que elas entraram eu pude ouvir um pouco da conversa delas. Falaram sobre alguém chamado Brian e sobre o senhor.
    – O que disseram sobre mim? – pergunto realmente interessado.
    – A moça ruiva disse que o senhor a salvou ontem duas vezes, primeiro livrando-a de um assalto e depois quando veio e abriu a porta do apartamento dela para que pudesse entrar. – ele diz resumidamente.
    – E o que mais? – pergunto agoniado.
    – Bom, não pude ouvir muito mais coisa, pois elas estavam praticamente cochichando. – ele diz como se pedisse desculpas.
    Quem seria essa amiga? E porque a deixou sozinha? Será que morava com ela? E quem era esse Brian? Seria seu tio? Não, ela mentiu sobre isso, tenho certeza. Aquilo não estava cheirando nada bem. Aliás, estava cheirando a encrenca e das boas. Espero estar enganado.
    – Tudo bem, Calvin. Peça um táxi e volte pra casa. Assumo a partir daqui. Precisarei de você apenas à noite. Anne está com Claire em casa e acredito que não vão sair durante o dia. – digo dispensando-o.
    – Senhor, mais uma coisa. – Calvin diz antes de se retirar.
    – O que? – pergunto interessado.
    – Devo informá-lo que a senhorita ruiva não ficou muito contente em saber que o senhor me pediu para que ficasse aqui para mantê-la segura. – ele diz ressabiado.
    – Eu resolvo isso, Calvin. Pode ir. Ah! Calvin! Essa amiga era uma loira peituda? – digo lembrando-me da desagradável prostituta da noite anterior.
    – Não, senhor. Ela é alta e morena. – ele responde.
    – Ok. Bom descanso. – digo e ele se retira.

    As coisas saíram um pouco do controle. Tudo porque dormi demais. Pretendia render Calvin mais cedo e verificar o tal tio de Jennifer, apesar de apostar minhas bolas que era mentira. Mas apaguei e agora teria que mudar um pouco minha abordagem. Essa garota está me cheirando à encrenca, mas não posso simplesmente virar as costas. Não enquanto estiver em dívida com a vida.
    Não que eu seja um bom samaritano, em busca de perdão ou com o propósito de salvar o mundo. Faço doações à caridade e participo de eventos filantrópicos, e nada mais, além disso. Mas Jennifer faz ressaltar cada instinto meu, como se me pedisse proteção.
    “Quem eu quero enganar?” O que venho sentindo não tem nada a ver com proteção. Não sei exatamente o que é, mas não consigo ficar longe dela, nem que seja por uma maldita noite. Lembro-me vagamente do meu último pensamento. Pensei como seria beijá-la. Balanço a cabeça para afastar o rumo dos meus pensamentos e bato na porta. Ninguém atende. Bato de novo um pouco mais forte. Nada. Resolvo chamá-la.
    – Jennifer! Jennifer, abra a porta. – digo praticamente berrando.
    Fecho os olhos tentando me acalmar. Sei que ela está aí dentro. Vou contar até cinco e se ela não abrir a porta...
    – O que faz aqui? – ela abre a porta abruptamente.
    Parada cardíaca!
    Abro os olhos e me arrependo no exato instante em que o faço. Se a achei linda na noite anterior, agora não existem palavras no mundo para descrever tanta beleza. Seu olhar estático, sempre focado no horizonte, cílios naturalmente longos, nariz arrebitado, lábios carnudos e maçãs do rosto levemente coradas dão o toque final à obra prima. Uma verdadeira Afrodite, ruiva e linda de morrer.
    Seus cabelos estão úmidos e presos a um rabo de cavalo improvisado. Ela está usando um vestido branco de algodão e renda. Parece um anjo. Só de imaginá-la no banho, o sabonete escorrendo em sua pele aveludada, deslizando pelos seios e descendo entre as pernas, já me faz endurecer.
    “Merda”. Tento frear meus pensamentos eróticos.
    – Deixe-me entrar. – digo soltando a respiração que eu nem sabia que estava prendendo.
    – Não! – ela tenta fechar a porta.
    – Não foi um pedido, Jennifer. – empurro-a gentilmente e entro.
    – Mas o que você está fazendo... – ela tenta elaborar alguma frase.
    Ignoro seu quase protesto e vou em direção à moça sentada no sofá.
    – Quem é você? – pergunto desafiadoramente.
    – Paige Fischer. – ela responde com os olhos arregalados.
    – Sr. Durant! – Jenny grita cruzando os braços.
    – Neil. Chame-me de Neil, Jennifer! – digo sem desviar o olhar da morena que me encara visivelmente nervosa.
    – Não importa! – ela caminha até mim. – Não pode invadir minha casa e interrogar meus amigos. – ela diz indignada.
    – Amiga? Que tipo de amiga deixa a outra amiga cega andar sozinha à noite, ser atacada e dormir na rua? – digo enfurecido.
    – Eu não dormi na rua. – ela sibila.
    – Não graças a ela. – aponto para a jovem que apesar do medo, começa a me encarar com petulância.
    – Neil... – Paige interrompe.
    – Sr. Durant para você, srta. Fischer. – encaro Paige duramente.
    – Sr. Durant eu estava trabalhando. – ela se justifica.
    – Vai me dizer que ela é sua tia? – digo virando-me para Jennifer.
    – Não, eu... – Jenny balbucia, esfregando o pulso.
    – Eu agradeço o que fez pela Jenny, mas eu avisei para ela não ir se encontrar com o Kevin... – Paige murmura.
    – Fica quieta, Paige. Não é da conta dele. – diz Jennifer rispidamente.
    – Já que eu salvei sua vida, mais de uma vez, creio que seja da minha conta sim, Jennifer. – eu sei que ela tem razão, não é da minha conta. “Droga!”. O sensato seria ir embora agora que vi que ela está sã e salva.
    Vou apenas me assegurar que ela está segura e vou embora. Digo a mim mesmo. Mas não consigo tirar os olhos dela, enquanto ela caminha em direção à amiga no sofá. Não consigo parar de pensar nela, em sua pele suave, seus cabelos macios como seda e nesses lábios sedutores. Sem contar esses olhos, que mais se parecem com as profundezas de um oceano. Intensos, quentes e cálidos. “Porra!” Eu só penso em beijá-la.
    – Não, não é... – Jennifer diz de uma forma tão intensa, me encarando, que se eu não tivesse certeza de que ela é cega poderia jurar que ela vê minha alma. – Pegue seu leão de chácara e saia daqui! – ela ruge.
    – Inferno, mulher! – digo exasperado.
    – Eu agradeço pelo que fez, mas termina por aqui. – ela insiste segurando a mão de Paige, como se fosse um escudo. “Contra mim?”
    O maldito celular resolve tocar naquele momento.
    – Agora não, Penélope. – digo atendendo após identificar o número de meu escritório.
    – Desculpe-me, Sr. Durant, mas Peter está aqui e diz que é urgente. – ela explica.
    – Mande-o aguardar. Estou indo. – digo e desligo.
    Encaro Jennifer por alguns segundos e vejo que ela está ofegante. Ela é linda. Poderia olhá-la por horas. Mas tenho que me encontrar com Peter e já é quase hora do almoço. Perdi toda a manhã e ainda não resolvi nada aqui. “Inferno!” Preciso ir, não tenho como ficar mais.
    – Não terminamos ainda. – digo virando-me para Paige com olhar duro. - Estou de olho em você. Vou mandar um dos seguranças da minha empresa para cá, Jennifer e não admitirei nenhum argumento quanto a isso. – digo incisivamente.
    – Mas Sr. Durant, o que está pensando? – ela diz indignada.
    – Não vou aceitar suas recusas e independentemente de você querer ou não, enviarei alguém aqui. Quero que fique segura até pelo menos nos encontrarmos novamente. Entendeu? – digo e olho incisivamente para Paige que se encolhe no sofá.
    – Mas... – começa Jennifer e eu a interrompo.
    – Sem, mas apenas aceite. Meu segurança estará aqui em breve. - digo e me viro para sair.
    Dou mais uma longa olhada nela e encaro Paige que me olha estupefata e com um ponto de interrogação no meio da testa e me encaminho até a porta.          Quero que a Paige saiba quem agora está no comando. Assim ela não vai querer interferir junto à Jennifer ou colocá-la em perigo.
    Saio do apartamento e faço uma discagem rápida para Dylan. Ele atende em seguida, explico a ele o que quero, passo o endereço e desço as escadas. Entro no meu carro e aguardo a chegada dele. Dylan é um dos meus melhores seguranças. Não é como Calvin, porque Calvin é um verdadeiro achado, mas é muito bom também. Não sairei daqui enquanto ele não chegar. Vejo um homem sujo, aparentemente bêbado, saindo do prédio. “Deus!” Como alguém pode viver em um local como esse? Finalmente Dylan chega. Converso com ele brevemente, orientando-o a me avisar caso ela saia de casa e sigo para minha empresa.

    Entro apressadamente no meu escritório. Se Peter está aqui, com certeza é algo urgente. Espero que dessa vez ele tenha alguma notícia. Ligo para Penélope e peço um café e digo que ela peça que Paul entre após cinco minutos. Enquanto isso volto àquela manhã. Ela estava linda. Não permitirei que ninguém toque em um só fio de seus cabelos. E aquela amiga? Apesar de ser uma babaca acho que com o tempo aprenderei a gostar dela. “Com o tempo?” O que estou pensando? Em ter alguma coisa a mais com Jennifer e virar amigo da babaca da Paige? Devo estar completamente fora do prumo. A voz de Penélope ecoa pelo interfone tirando-me dos meus pensamentos.
    – Sr. Durant, posso permitir a entrada de Peter? – ela diz pelo autofalante do meu interfone.
    – Sim, Penélope, por favor. – digo e me levanto para recebê-lo.
    – Peter, como vai? – cumprimento meu amigo que entra em minha sala.
    Peter traz consigo uma pasta e parece arrumar uns papeis dentro dela, como se estivesse conferindo-os anteriormente.
    – Como vai, Neil? Tenho boas notícias. – ele diz e abre um sorriso.
    – Você os encontrou? – pergunto indicando uma cadeira para que ele se sente.
    – Somente o garoto. Sinto muito. – ele diz com pesar.
    – Eles foram separados ou coisa parecida? Talvez ela tenha sido adotada. – começo minha inquisição espanhola.
    Esfrego os olhos antes de me sentar, com as lembranças daquele dia que marcaram minha vida para sempre.
    – Neil, não gostaria que tivesse muitas expectativas. – ele parece nervoso.
    – Solta logo. – digo impaciente.
    – O garoto teve alguns problemas com a justiça e leva uma vida barra pesada. – ele desvia o olhar.
    – Eu vou ajudá-lo. Onde ele está? – continuo.
    – Nesse momento em um quarto sujo. – ele diz calmamente.
    – Por que ele não apareceu ao encontro? – pergunto intrigado.
    – Ele foi encontrar com uma pessoa antes e acabou não conseguindo chegar a tempo. – Peter balança sua cabeça contrariado. – Provavelmente algum traficante.
    – É tão ruim assim? – pergunto arqueando as sobrancelhas.
    – Pelo que já vi por aí. – ele balança os ombros. – Diria que é um caso perdido.
    Sinto como se o mundo estivesse sendo jogado em cima dos meus ombros.
    – Consiga um pedido de intervenção, Peter. – eu tenho que fazer isso, eu penso comigo mesmo. Devo isso a ela. – E, além disso, nada é irreversível. – digo encarando-o.
    – A culpa não é sua Neil, tem que aceitar isso. – ele diz firmemente.
    – Você não estava lá! – rujo e bato na mesa. – Ache a garota! É para isso que eu lhe pago!
    Levanto-me e me viro para olhar a cidade através da imensa janela do meu escritório, no último andar do edifício. Nuvens escuras encobrem o céu. O dia reflete meus pensamentos: frio, sombrio e cinzento.
    – Quero que me faça mais um favor. – escrevo na agenda negra em cima da mesa e entregou a ele. – Descubra tudo o que puder.
    – Há algo que não me contou? – ele olha inquisitivamente.
    – Isso vai depender do que descobrir. – digo bruscamente.
    – Neil, você é um poço sem fundos de confusão. – Peter ri tentando descontrair o ambiente. – Enviarei notícias em breve. – ele diz antes de se levantar para sair.
    O telefone toca.
    – Desculpe Senhor... – Penélope interrompe. – Reunião com a diretoria em vinte minutos.
    – Certo. Traga-me alguma coisa para comer antes que eu vá para a reunião. Não tomei café e a hora do almoço praticamente já acabou. Não terei tempo de sair para almoçar. – respondo.
    Sigo para o toalete da minha sala. Antes de entrar viro para Paul.
    – Assim que ele estiver limpo quero falar com ele pessoalmente. – viro e entro no banheiro sem aguardar a resposta.

    Entro na sala de reuniões e tudo mais é esquecido. Alguém está enviando informações sobre minha empresa e possivelmente vendendo-as a alguém e eu pretendo descobrir. As pessoas geralmente pensam que ser CEO de uma grande corporação é apenas glamour, jatinhos, carros de luxo, festas e mulheres.
    Sim, há tudo isso, mas nenhum CEO consegue sobreviver apenas vivendo assim. São muitas horas de trabalho, abdicando às vezes da própria família, além dos riscos envolvidos. Claro que eu tenho uma grande equipe de gestores e especialistas, mas se eu não estiver aqui para guiá-los, nada acontece.
    Uma decisão pode gerar bilhões de dólares ou falência iminente e no mundo da tecnologia, onde as coisas mudam rapidamente, cada decisão é uma roleta russa. As empresas Durant lideram o ramo, mas nem sempre foi assim. Quando meu pai assumiu o controle ficamos muito perto da falência. Mas não quero pensar agora sobre isso. É passado.
    O resto do dia correu sem maiores problemas. Pulei de uma reunião à outra, com diretores, empresários e engenheiros. Estava me sentindo cansado. Apenas uma coisa me torturava e insistia em invadir meus pensamentos, aqueles olhos azuis. Várias vezes tive que pedir para que as pessoas repetissem o que estavam dizendo. Talvez um pouco de exercício ou algumas horas de musculação me ajudassem a esvaziar a mente. Poderia fazer uma sessão de massagem e ter uma noite com aquela mulher quente, com cabelos vermelhos espalhados sobre os lençóis. ”Inferno!” Meu corpo já estava reagindo àqueles pensamentos.
    Aquela maldita mulher me assombrou durante todo o resto do dia. Fui um dos últimos a sair da sala de reuniões e não porque desejava dar a última palavra, mas por que diante do atual estado físico seria, no mínimo, embaraçoso.
    Tenho que dar um jeito nisso. Talvez algumas de minhas “amigas” pudessem aliviar o desejo que havia dentro mim. Jennifer está fora de cogitação. Ela não se enquadra no quesito amante. Por outro lado, sinto como se estivesse a traindo. “Porra!” Que maldito romântico é esse que estou me transformando? Não tenho nada com ela, ainda. E nem vou ter. “Sim!” Farei isso. Vou me acabar com alguma outra mulher e esquecer Jennifer. Pego meu celular, mas antes que eu possa verificar a agenda e escolher alguma na longa lista, ele toca.
    – Chefe? – Dylan pigarreia. – Temos problemas.


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