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  • Por você eu faço tudo - Capítulo 6


    Iinesperado


    Abro os meus olhos com uma estranha sensação de paz e aconchego. Estou completamente nua em uma cama e quarto a qual desconheço.  Olho para uma mão enorme com dedos longos e perfeitos em minha cintura e há uma perna enroscada na minha. Aos poucos as lembranças de tudo o que aconteceu na noite anterior me vem à mente. O clube, Jenny, a briga, os homens atrás de nós dois e esse apartamento incrível. 
    Levo à mão a boca para impedir que um gemido de desesperado escape de meus lábios.
    Inferno!
    Eu tinha feito sexo com um completo desconhecido. E por mais que tenha sido o sexo mais louco, quente e maravilhoso da minha vida ele ainda é um desconhecido.
    Lindo, charmoso, sedutor e com uma boca que...
    “Não viaje Paige!". Digo a mim mesma em pensamento. Não é a toa que o homem pense que sou uma prostituta. Não só havia ido até sua casa como fiz sexo com ele no primeiro encontro. E nem ao menos posso chamar isso de encontro. 
    "Cem dólares? Você merece mais que isso". Lembro-me de suas palavras ao encontrar o dinheiro escondido no meu vestido.
    Droga! Droga! Droga! Mil vezes droga! Richard acredita que sou uma prostituta sem classe alguma.
    Com máximo cuidado possível para não acordá-lo tento tirar suas mãos de mim. O contato com mão forte e masculina, mão que deslizou pelo meu corpo e me fez ter sensações incríveis faz minha pele se arrepiar.
    Richard murmura algo e vira para o outro lado afastando-se de mim. Livre de seus tentáculos que prendia um corpo eu procuro minhas roupas pelo quarto. 
    — Patrice... — Richard murmura inquieto.  

    Quem é Patrice? 
    Sem tempo ou vontade para meditar sobre isso e ainda nua eu saio do quarto em direção as escadas. Minhas roupas estão no banheiro de baixo, agora me recordo de como onde foram jogadas.
    Ao entrar encaro a jovem nua e descabelada em frente o espelho. Arrumo-os da melhor forma possível. Lavo o rosto, pego uma pequena quantidade de pasta em cima do balcão e esfrego os dentes com um dedo. Não é o que gostaria, mas deixa minha boca com um hálito refrescante.
    Eu me visto com pressa, não quero me deparar com ele em plena luz do dia. Sei que estou sendo covarde, mas encará-lo sem a aura de mistério e sedução da noite anterior não é uma coisa que eu possa lidar no momento. Alias, não posso lidar com ele de forma alguma.
    Sento- me no vaso para calçar as sandálias. A nota de cem dólares esquecida no chão me chama atenção. Uma ideia um tanto absurda e irresistível me vem à cabeça. Richard até pode pensar que eu sou uma prostituta, mas não me tratará tal. Pego o par de sandálias e vou para sala.
    O bonito apartamento sempre será capaz de me tirar o fôlego não importa quantas vezes eu venha aqui. Como se eu fosse voltar aqui outra vez.  Olho em volta e encontro o que preciso ao lado do telefone em cima de uma mesinha de canto. Pego a caneta e bloco de notas com as mãos tremulas. Escrevo rapidamente, jogo as sandálias no sofá e subo a escadas em silêncio. 
    Encontro-o ainda dormindo tranquilamente. Sinto o ar me faltar e releio o que escrevi mais uma vez: “Obrigada pela noite maravilhosa, fique com o troco”.
    Coloco o papel e nota em cima do travesseiro. Agindo por impulso ajoelho-me em frente a ele na cama. Depósito um último beijo em seus lábios, suave como um toque de borboleta. Vejo um sorriso torto desenhar seu rosto, eu passo a mão suavemente em seus cabelos macios. Errado ou não eu guardarei essa noite na minha memória para sempre.
    Saio nas pontas dos pés e desço as escadas correndo. Pego as sandálias e praticamente voo até a porta. Com a respiração acelerada encosto-me a porta fechada. Calço as sandálias e chamo o elevador que para o meu desespero para em vários andares antes de chegar até onde estou.
    — Fugindo? — A voz enrouquecida de Richard ecoa atrás de mim.
    — Apenas poupando-o do constrangimento do dia seguinte. — digo balançando os ombros em uma fingida indiferença.
    Estou de costas para ele, mas sinto seus olhos fixos em mim. Olhando-me, apreciando e me deixando mole.
    — Cem dólares? — Ele pergunta parecendo estar muito zangado. — É o que valho?
    Viro-me para encará-lo e amaldiçoo a mim mesma. O homem é extremamente sexy em sua calça jeans e jaqueta de couro, mas parado ali usando apenas um roupão negro ele é a perfeita personificação do pecado. Os cabelos em desalinhos, descalço e perigosamente sedutor. Sem dúvida alguma eu voltaria para os braços dele a qualquer hora do dia e da noite sem qualquer sentimento de culpa.
                — Eu pagaria duzentos. Mas você sabe como anda a crise. — sinto uma necessidade inexplicável de provoca-lo. — E agora que estou sem emprego, não posso gastar tanto dinheiro à toa.
                Antes que eu possa reagir ele me puxa para seus braços. Desejo e surpresa brilham nos meus. Por que esse homem é capaz de mexer comigo como nenhum outro? Nem mesmo com John que eu namorei por mais de um ano foi assim. Nunca houve tanto desejo e paixão entre nos dois.
                — Isso não vai ficar assim. — Richard murmura antes de me beijar.
                Ainda bem que seus braços me sustentam contra seu corpo, porque no memento que nossas bocas colam uma na outra minhas pernas viram gelatinas. Agarro seus braços com força como se fosse meu porto seguro. Nossas línguas brigam entre si, uma invadindo o território da outra em um beijo profundo. Ouço gemidos enrouquecidos e percebo que alguns deles saem de minha garganta. Richard encosta-se a parede levando-me com ele. Nossas mãos fazendo uma verdadeira turnê por nossos corpos de forma desesperada.
                Estou apenas com vestido já que ele havia destruído minha calcinha na noite anterior. Richard puxa-me contra ele e se esfrega contra mim, agarra minha bunda com força e prende-me mais forte contra ele. O atrito de seu membro rijo contra minha pélvis me deixa completamente amolecida. Ele me sustenta pelas nádegas e eu agarro-me a seus cabelos. Seus gemidos, meus gemidos soam dolorosos. Ambos necessitamos aplacar essa chama de desejo que inflamam por nossa pele.
                — Richard! — Escuto uma voz feminina estridente às minhas costas.
                Ele me aperta ainda mais forte contra seu peito forte. Escondo meu contra ele e tento normalizar a respiração. Seu cheiro inebriante torna isso quase impossível.
                — Patrice? O que faz aqui?
                Então essa é a mulher que ele citou em seu sonho? Curiosidade e vergonha duelam dentro de mim. E com certeza a primeira falou mais alto.
    Viro-me e me deparo com uma loira platina que me encara com olhar feroz. Meu sexto sentido me diz que aquela é a tal noiva sem vergonha e imoral a qual ele havia me falado.
    Instantaneamente me lembrei de John e Mary Anne. Não importa o que Richard tenha feito ou não, se merecia ou não aquela atitude da parte dela, ninguém deve ser desleal com quem que se ama ou confia. Muito menos com alguém que se divide a vida ou planeja um futuro juntos.
                — Quem é essa mulher? — A loira me encara com ódio.
                Quem era ela? Como pode ser tão cínica e cara de pau? Pelo menos John tivera a decência de desaparecer da minha vida.
                — Essa mulher... — digo sorrindo diabolicamente. — É a noiva dele. Não é querido?
                Viro-me toda dengosa para ele. Richard olha-me completamente atónito. Com certeza não esperava essa reação de minha parte, nem mesmo eu entendo por que estou fazendo isso. A única coisa que quero é dar uma boa lição naquela ordinária.
    Sem dar oportunidade para que ele me desminta na frente da bruxa loira colo meus lábios aos dele. O mesmo ardor anterior volta ao meu corpo como uma corrente elétrica, então antes que eu me esqueça de que há pessoas desagradáveis na plateia e faça amor com ele ali mesmo no corredor eu me afasto.
                — No vemos a noite meu bem. — encaro a loira com desdém. — E livre-se dela. Passo pela loira furiosa e entro no elevador ainda com as portas abertas. Olho para Richard pela última vez.
    Sinto que estou perdendo alguma coisa realmente importante. Ainda consigo detectar a chama de desejo em seu rosto surpreso. As portas se fecham e dou adeus ao homem que me atormentará para sempre.
                Há muito tempo não tenho essa sensação de vazio e de abando. A última vez foi quando me despedi de Harry. Depois esse sentimento de solidão e vazio no peito havia sido preenchido por Jenny e Paul.
                Jenny principalmente, ela é a irmã que nunca tive. A pessoa que mais confio no mundo, embora só nos conhecêssemos a pouco mais de dois anos. Preciso dela tanto quando ela precisa de mim. E não por ela ser cega e eu uma solitária, mas porque ambas sabemos a importância da confiança e amor verdadeiro. Jenny jamais me trairia assim como eu nunca a abandonaria. Como tenho certeza disso? Não tenho como explicar, coisas como essa se sabe a gente sente.
                Agora um novo vazio encontra espaço em meu peito e tenho certeza que essa sensação nunca saíra de meu peito.
                As portas se abrem e noto outro recepcionista encarando-me com curiosidade. Se noite eu pareceria uma prostituta de cabaré com aquela roupa, nem quero imaginar o que devo parecer à luz do dia. Olho para o relógio na recepção e vejo que já passa das nove horas. Não esperava dormir tanto, na realidade planejava ir embora clarear do dia, mas é uma fonte inesgotável de prazer. Fui acordada várias vezes durante a noite por seus toques e beijos irresistíveis.
                Saio do prédio e paro na calçada por alguns minutos. Tento me orientar para analisar onde estou. Sei que é algum lugar de Manhattan. Os prédios chiques em volta de mim me indicam que estou em uma das partes mais nobres do bairro.
                — Ei gatinha? — Um homem grisalho em uma BMW me olha de cima a baixo. — Que tal fazer um showzinho lá em casa?
                Era o que me faltava um babaca nojento que acha que estou à venda.
    — Foda-se!  — Mostro o dedo do meio para ele. — Babaca.
    Começo a caminhar em busca de um ponto de ônibus e lembro que não tenho um centavo. Minha mochila havia ficado no camarim do clube e o único dinheiro que eu tinha eu havia deixado com Richard.
    — Parabéns Paige! — Eu grito ignorando as pessoas na rua. — Você é mesmo muito inteligente.
    O que vou fazer agora? Sem dinheiro e vestida daquele jeito? Pior ainda, sem calcinha. Não posso andar sem calcinhas pelas ruas. Só de pensar nisso tenho vontade de voltar a aquele apartamento e atirar um vaso na cabeça de Richard.
    — Vamos lá? — O mesmo homem volta a me incomodar enquanto me segue com o carro. — Qual o seu preço?
    — Olha. — encaro-o com ar de pouco caso. — Eu até preciso de dinheiro nesse momento. Mas pintinho deve ser tão pequenininho que nem vai valer a pena.
    Algumas jovens que passavam no momento começam a rir incontrolavelmente. Observo o homem ficar vermelho de ódio e arrancar o carro com fúria. Vou para o outro lado da estrada para prevenir que ele me incomode outra vez. Um dia minha boca grande me colocará em sérios problemas. Alguns metros acima há um ponto de taxi. Sem alternativa e sabendo que irá me custar os olhos da cara eu peço a um motorista de aparência indiana que me leve até o Bronx. Assim que chegamos meia hora depois digo ao desconfiado motorista que me espere, pois subirei para pegar o dinheiro.
                Ao chegar ao meu apartamento eu me lembro de que estou sem a droga da chave. Minha única esperança de não ser pressa por não pagar o motorista de taxi é que Jenny esteja em casa para que eu pegue minha chave reserva.
                O que será que havia acontecido entre ela e Sr. Durant? Não creio que ele tenha feito mal a ela, mas pela irá que vi em seus olhos tenho certeza que a conversa não deve ser nada fácil.
    Mais do que nunca a desejo esganá-la por não ter um maldito celular. Paro em frente à porta dela. Não há nenhum sinal do segurança. Bato na porta e aguardo alguns minutos com o coração na boca.
                — Quem é? — Ouço sua voz através da porta fechada.
                — Sou eu.
                — Paige? — Escuto o ferrolho sendo puxado. — Onde está sua chave?
                — É uma longa história. — murmuro. — Me empresta noventa dólares?
                — Claro. — ela responde com semblante confuso. — Sabe onde fica.
                Vou até seu quarto e pego uma caixa escondida no fundo do guarda roupa, conto o dinheiro e volto para sala.
                — Eu já volto.
                Desço as escadas correndo e encontro o motorista de taxi pronto para entrar no prédio.
                — Pensei que estava sendo enganado. — ele me encara com raiva. — Moça eu não tenho o dia todo.
                — Desculpe-me. — entrego o dinheiro a ele que sai pisando duro.
    Volto para o apartamento de Jenny e encontro-a preparando o café.  O cheiro é divino e preciso de algo forte.
    — Então? — Ela vira em minha direção assim que entro e fecho a porta. — Onde esteve?
    — Você saberia se tivesse um celular. — resmungo. — E você para onde foi com aquele maluco?
    Escuto seu relato com atenção. De acordo com ela eles foram para um flat que ele tem na cidade. A atração que sentem um pelo outro é evidente o que só complica mais as coisas. Neil é um homem comprometido e Jenny não é o tipo que faz papel de amante.
    — Ele achou que eu era garota de programa. — Jenny murmura desolada.
    Também? O que há de errado com esses homens? Que tipo de educação ou orientação eles receberam para julgar todas as mulheres apenas pelas aparências? Todas nós somos prostitutas e desprovidas de caráter?
    — Além disso, ele é casado e tem uma filha. Isso não é certo. — Jenny continua. — Não vou voltar a vê-lo. Nós nos beijamos e isso foi fodidamente errado.
    — Errado? — Eu digo angustiada. — Eu transei com um desconhecido. E foi a melhor experiência da minha vida. Isso é fodidamente errado!
    — Paige! — Jenny me encara completamente surpresa.
    Ela me conhece muito bem. Jenny sabe que não sou de casinhos de uma noite. Alias, ultimamente não sou casinho de noite alguma. Até houve alguns garçons e seguranças entre outros caras interessantes em mim e desejando um relacionamento sério, mas nenhum deles conseguiu me atrair tanto, nenhum me levou a cometer a loucura da noite anterior como Richard.
     Talvez se tivesse saído mais ou dado chance a algum rapaz eu não estivesse tão carente de sexo como ontem. É a única explicação plausível que encontro no memento. É isso, estava precisando liberar a tensão sexual.
    — Eu não sei o que dizer. — Jenny ainda parece chocada.
    — Não diga nada. Apenas vamos esquecer esses dois e voltarmos para nossas vidas tranquilas.
    Ambas sabemos que isso é muito mais complicado do que gostaríamos. São dois homens com personalidades marcantes e que haviam alterado as nossas vidas de um jeito inexplicável, talvez para sempre.
    No meu caso ainda tenho sorte por Richard não saber onde moro e agora sem emprego as chances de encontra-lo novamente é praticamente nula. Jenny, no entanto está vulnerável a palavra de Neil para deixa-la em paz. E sem o emprego e dinheiro do clube e até que eu encontre outro emprego a possibilidade de que nos mudemos para um lugar melhor diminuem radicalmente. E mesmo que com as minhas economias e as dela possamos alugar um apartamento melhor o que faríamos nos próximos meses? Eu não quero me arriscar a isso.
    — Jenny eu estou sem emprego. — murmuro jogando-me no sofá.
    — Por quê? O que aconteceu?
    — A briga de ontem foi à gota d’água. Ed me despediu.
    — Ah. Sinto muito Paige. — Jenny lamenta. — Talvez eu possa falar com ele.
    — Acho que não irá adiantar. De qualquer forma, mais tarde vou até lá pegar nossas coisas e pegar o dinheiro da semana.
    — Tem certeza Paige? Essa confusão foi causada por mim.
    — Isso aconteceria cedo ou tarde. Agora vou para casa, vou me livrar dessa roupa e pensar no que fazer.
                De volta a meu apartamento eu me pego pensando nos últimos acontecimentos. Minha vida tinha virado de cabeça para baixo. Eu posso dizer que ela se dividiu em duas, antes e depois de Richard Delaney.
                À tarde eu volto ao clube e encontro alguns homens trocando vidros, lâmpadas e algumas das meninas ocupadas com a limpeza.
                Vou para o camarim e pego minha mochila, guardo todas as minhas maquiagens e pego as coisas de Jenny. Estou receosa se devo ou não falar com Ed. Acredito que ainda deva estar furioso comigo. Para minha sanidade e paz de espiro resolvo procura-lo no dia seguinte, ou melhor, semana seguinte.
                — Então a encrenqueira apareceu?
                — O que você quer Amanda? — Nem me digno a encará-la concentrando-me em fechar a mochila.
    Amanda é uma das dançarinas mais antigas da casa. Sua animosidade comigo é reciproca. Ela me odeia e eu a detesto. Muitas vezes quase saímos no tapa e agora se me encher a paciência vou fazer o que tenho vontade a muito tempo. Irei partir a cara dela em duas.
     — Soube que vai embora. — ela anda ao redor de mim. — Já deveria ter feito isso muito tempo.
    — Eu deveria ter partido sua cara. — viro-me para ela decidida. — Se você não sair daqui é isso que vou fazer.
    O que há nessas loiras platinadas? Não que eu seja adepta a essa idiotice de loiras contra morenas, mas essa é a segunda bruxa loira que eu enfrento hoje.
    — Pois tente e verá o que a espera. — ela me diz apontando um canivete. — De onde você veio eu fiz pós-graduação querida.
    Apesar de surpresa eu não irei me acovardar com sua ameaça. Se Amanda quer briga é isso que ela vai ter.
    — Parem já as duas. — Ed entra no camarim e arranca o canivete das mãos dela. — Se eu pegar você com isso novamente juro que vou despedi-la Amanda.
    — Só estava me defendendo dela. — ela diz com falsa inocência.
    — Não interessa quem começou. Agora saia. — ele ordena. — Eu quero falar com a Paige.
    Agora estou realmente encrencada. Além de perder o emprego só me resta que ele me denuncie como baderneira.
    — Bem Paige... — Ed parece nervoso. — Conversei com alguma das garotas e elas me disseram que não teve nada a ver com aquilo. Além disso, seu show é um dos melhores da casa. Por isso refleti muito e você pode ter o seu emprego de volta.
    O que? Estou mesmo ouvindo isso? Ed está oferecendo meu emprego de volta? Ou que ouve com o nunca mais apareça aqui?
    De todas as coisas que poderiam me surpreender naquele dia essa ganha a quilômetros de distância. E mesmo tendo muitas garotas legais por ali, mas jamais imaginei que alguma delas sairia em minha defesa, isso me deixa comovida.
    Quanto a sua proposta eu preciso do emprego, o salário e as gorjetas são bons, além de que Ed não nos obriga a sair ou entreter os clientes. As meninas que fazem isso é por livre e espontânea vontade ou necessidade. No entanto, eu tenho preocupações maiores agora. Como o dono de incríveis olhos azuis e um sorriso devastador.
    — Eu agradeço Ed. — respondo. — Mas eu acho que não posso continuar aqui.
    — Se é por causa de Amanda eu darei um jeito nela. — Ed me tranquiliza.
    — Amanda não me assusta. Meu problema é outro. De qualquer forma obrigada. — coloco a mochila nas costas e me encaminho para saída.
    — Por que não tira uma semana de folga. — Ed sorri para mim. — Depois você me dá uma resposta definitiva.
    Eu balanço a cabeça em afirmativa. Se em uma semana Richard não me procurasse ele não procuraria mais. Portanto poderia voltar sem o receio de encontra-lo.
    A quem estou querendo enganar? Estou dando importância de mais a mim mesma.  O cara é muito rico e noiva ou ex-noiva é uma garota linda e pelas roupas que usava tão rica quanto ele. Sim, uma cadela rica. Bem diferente de mim e minha vida no Bronx.
    Além disso, não estou disposta a ser mais um casinho divertido para ele. Até porque, ele havia deixado bem claro na noite anterior, era apenas sexo, nada mais. Então definitivamente custe o que custar eu preciso tirá-lo da minha cabeça.
    E talvez voltar ao clube não seja uma boa opção. Não porque eu acredite que Richard voltará a me procurar, mas pelo pouco tempo que esteve ali ele deixou lembranças demais para mim.

    Dois dias depois estou jogada no sofá de meu apartamento, completamente suada e cansada após caminhar com alguns cachorros no parque. Consegui mais dois clientes, não é grande coisa, mas é melhor do que nada.  
    Ainda estou me decidindo se passo a tarde me lamentando da vida ou levanto para tomar uma ducha rápida quando ouço uma batida na porta.
    Provavelmente é minha vizinha fofoqueira que quer desperdiçar meu tempo falando mal do sindico. Por alguns segundos tenho uma leve pretensão de ignorá-la e fingir que não estou em casa, mas as batidas insistentes na porta me deixam irritada, então é melhor ir despacha-la de uma vez por todas. Levanto-me sentindo cada fibra do meu corpo gritar em protesto.
    — Você não tem coisa melhor para fazer? — Escancaro a porta com raiva.
    — Na realidade eu tenho. Só preciso de companhia. 
    Para minha surpresa, alegria e pavor, os olhos azuis sedutores e aquele sorriso arrebatador que vem me assombrando sem piedade nos dois últimos dias estão bem ali na minha frente, como uma miragem no deserto. Sem conseguir raciocinar com clareza eu faço a primeira coisa que me vem à mente.

    Eu fecho a porta.

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