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  • Por você eu faço tudo - Capitulo 4



    A fulga


                Tenho certeza de uma coisa na vida: Os homens não são criaturas confiáveis.
    Eles são como lobos, devoram garotas frágeis e inocentes e, por mais bonitos que sejam ou mais românticos que aparentam, só querem uma coisa: Foder você! Foder dentro e fora da cama. E depois de usá-la e ser cansarem de você nos descartam, como uma mobília velha ou nos trocam por qualquer loira peituda que apareça.
                Então meu lema é: Uso, abuso e caio fora!
    Nada de romantismo ou até que a morte nos separe. Sem casas com cerquinhas brancas e várias crianças gritando pelo jardim, cachorrinhos e todo esse conto de fadas que as pessoas tolas idealizam. Não que eu seja a rainha do sexo, uma devoradora de homens, pelo contrário. Após uma grande decepção, que eu não digo amorosa, pois agora vejo, jamais amei aquele traste estou vacinada contra todos os homens e sua conversa fiada. Que John esteja bem longe ao lado da dona morte. Não, ele não morreu, pelo menos que eu saiba. Dona morte é uma loira peituda chamada Mary Ane. Ambos haviam me enganado, esvaziado minha casa e levado todo meu dinheiro.
    A parte que mais me doía naquela dupla traição é que eles levaram meu dinheiro.
    Graças a esses dois e todo o ensinamento que eles me deram, por dois anos eu me mantive afastada de todos os homens: os bonitos, os safados, os casados, os solteiros e todos os tipos que possa imaginar. E olha que trabalhando em um clube como dançarina isso não havia sido uma coisa fácil.
    Então por que justamente agora, esse homem lindo e misterioso havia conseguido mexer comigo ao ponto de me fazer querer fugir de medo? Por que seus olhos azuis sedutores, sorriso torto e jeito de bad boy havia feito com que sentisse um imenso calor pelo corpo.
    Nada estava dando certo e para piorar o fim daquela noite, encontrei um homem estranho parado em frente o apartamento de minha melhor amiga. O mesmo não queria permitir minha entrada e só após gritos, protestos e ameaças da minha parte me encontro dentro do apartamento dela ouvindo a historia mais absurda do mundo.
    — Eu não sabia que esse homem estava ai fora. — Jenny interrompe meus pensamentos.

                — Então ele a salvou de Kevin, arrombou a porta e colocou um guarda costas em frente ai na frente? — Digo me esforçando para assimilar tudo o que Jenny está me contado. E eu que pensei que minha noite havia sido impressionante.
                — Basicamente isso. — ela cruza os braços.
                — Uau. — murmuro. — Acho que você realmente impressionou o homem. Parece história de folhetim. A jovem em perigo e príncipe em seu cavalo branco.
                — Paige o assunto é sério. — Jenny morde os lábios.
    — Tudo bem. — murmuro. — Só quis descontrair um pouco. Mas fique tranquila, vou passar a noite aqui com você. Se esse homem ai fora não for embora ou o outro aparecer por aqui nós ligamos para policia.
                — Não acho que seja preciso tanto. Afinal, esquisito ou não ele me ajudou. Duas vezes. Acho que uma conversa será suficiente.
                — Veremos isso amanhã. Estou cansada — digo bocejando. — É melhor dormimos um pouco. A noite foi longa e turbulenta para nós duas.
                Por incrível que pareça estou mais cansada do que consigo imaginar. Adormeço assim que desabo no sofá.

    No dia seguinte eu acordo nua como sempre e minhas roupas espalhadas pelo chão.  Visto minha camiseta e calça jeans da noite anterior. Não é porque Jenny é cega que vou sair andando nua por sua casa.
    Olho pela janela e vejo que já amanheceu. Jenny já está acordada, seus cabelos estão úmidos e presos em um rabo de cavalo, concluo que acordou há algum tempo. Está sentada próxima a janela e parece perdida em seus pensamentos. Levanto-me e sinto um aroma delicioso de café vindo da cozinha.
    — Bom dia Jenny. Que cheiro ótimo.
    — Bom dia Paige. — Jenny diz sorrindo. — O café está pronto.
    Antes de me deliciar com o café que ela havia preparado vou para o banheiro, lavo o rosto, pego uma escova que mantenho ali e escovo os dentes. Pode parecer estranho que eu tenha uma escova de dente em seu banheiro, mas passo mais tempo ali do que em minha própria casa.
                Somos como Jenny me diz: amigas almas gêmeas. Ambas sozinhas, sem família e desiludidas no amor. Exceto por nosso único e melhor amigo gay Paul que passa a maior parte do tempo viajando para participar de campeonatos de arte marciais, só temos uma a outra.
                Volto para cozinha e devoro os ovos com bacon que ela havia feito. Ainda fico impressionada com todas as habilidades de Jenny. Além de cuidar da casa com perfeição era ótima na cozinha. Bem diferente de mim. Sou péssima cozinheira e nada organizada.  Tudo bem, eu não vivo em um chiqueiro, mas tenho roupas e sapatos espalhados para todos os lados sempre com uma promessa de que vou organizar tudo.
                — Estava divino. — suspiro revirando os olhos.
                Antes que ela possa responder ouvimos batidas na porta. Um homem grita seu nome insistente. Pelo seu olhar consternado imagino que seja o homem que a ajudou na noite anterior.
                — Se quiser eu posso atender. — tento tranquiliza-la.
                — Não. — ela se levanta. — Eu faço isso.
                Observo-a caminhar até a porta. Sigo-a e sento-me no braço do sofá, mantendo uma distancia segura para caso precise de minha ajuda.
                — O que faz aqui? — Ouço-a dizer assim que abre a porta.
                — Deixe-me entrar. — a voz grave dele soa através da porta entreaberta.
                — Não! — Jenny diz tentando fechar a porta.
                Estou pronta para enfrenta-lo e coloca-lo em seu devido lugar quando ele a afasta e entra em seguida.
                — Não foi um pedido Jennifer. — ele diz contrariado. Pelo que noto não é um homem acostumado a ouvir não.
                — Mas o que está fazendo... — ouço Jenny gaguejar assim que ele passa por ela.
                Ele caminha como se fosse o dono do mundo. Agora posso observa-lo perfeitamente. Jesus! O homem é realmente lindo. Olhos e cabelos negros, queixo quadrado e andar sedutor. No entanto apesar de toda sua beleza máscula ele não mexe comigo como o bad boy da noite anterior. Por incrível que pareça acho isso péssimo. Significa que o bad boy havia me balançado mais do que gostaria. Isso não é uma coisa boa. Não mesmo.
                — Quem é você? — Ele pergunta rispidamente para mim.
                — Paige Fisher. — respondo um pouco intimidada.
                — Sr. Durant. — Jenny caminha até mim.
                — Neil. Chame-me de Neil, Jennifer. — ele desvia os olhos de mim e volta a encarar Jenny.
                — Não importa. — Jenny volta a enfrenta-lo. — Não pode invadir minha casa e interrogar meus amigos.
    Meus olhos vão de um para o outro. Enquanto encaro espantada a briga que desenrola na sala.  Estou realmente presenciando isso? A doce e controlada Jenny ardendo em fúria com esse deus grego?
    Claro que nós sabíamos nos defender muito bem e quando é preciso partíamos para o ataque, mas Jenny fazia isso apenas em último caso. Sempre tentava resolver as coisas através de uma boa conversa. Então, por que está agindo assim com o Sr. Durant. Em outra ocasião estaria imensamente agradecida.
    Aliás, só agora me dou conta de que esse nome me parece familiar. Já ouvi em algum lugar apenas preciso me lembrar de onde.
    — Amiga? Que tipo de amiga deixaria a outra amiga cega andar sozinha à noite, ser atacada e dormir na rua? — ele diz enfurecido.
    O quê? Pera ai... Quem ele pensa que é para vir aqui e dizer se sou ou não uma boa amiga. Havia insistido fervorosamente para que Jenny não fosse se encontrar com Kevin, e até mesmo insisti em ir com ela. Tudo bem que deveria ter insistido com mais ênfase ou tê-la seguido sem que me visse, mas isso não faz de mim uma péssima amiga. Faz?
    — Eu não dormi na rua. — Jenny sibila.
    Não graças a ela. — aponta para mim, a raiva saindo por todos os seus poros.
    — Neil... — começo a tentar esclarecer como as coisas realmente haviam acontecido.
    — Sr. Durant para você Srta. Fisher. — ele me encara duramente.
    — Sr. Durant eu estava trabalhando. — tento explicar novamente. Caramba eu já tinha recebido uma ultima advertência, se não aparecesse estaria na rua.
    — Vai me dizer que ela é sua tia? — Ele diz ironicamente.
    — Eu agradeço o que fez pela Jenny, mas eu avisei para ela não ir se encontrar com Kevin...
    — Fique quieta Paige.  Não é da conta dele. — Jenny diz rispidamente. 
    Calo-me diante de sua voz áspera. Alguma coisa realmente está acontecendo com ela. Jenny nunca havia me tratado assim antes.
    — Já que salvei sua vida, mais de uma vez, creio que seja da minha conta sim, Jennifer. — ele parece indignado.
    — Não, não é. Pegue seu leão de chácara e saia daqui. — ela ruge.
    — Inferno mulher! — Neil diz exasperado.
    — Eu agradeço o que fez, mas termina por aqui. — Jenny se coloca ao meu lado e segura minha mão como se precisasse de apoio, noto que sua mão está gelada e trêmula. 
    O celular dele toca e ele atende com irritação.
    — Agora não Penélope. — ele diz ríspido. — Mande-o aguardar. Estou indo.
    Quem será essa tal Penélope?
    — Não terminamos ainda. Estou de olho em você.  — ele me encara com olhar ameaçador.
    — Vou mandar algum segurança da empresa até aqui Jennifer.
    Eu não sei se dou risada ou se choro. Ele parece um homem das cavernas em volta da femêa para que ninguém a tocasse. O sentimento de posse que ele está demonstrando para com ela é impressionante e assustador ao mesmo tempo.
                — Mas Sr. Durant o que está pensando? — Jenny diz indignada.
                — Não vou aceitar sua recusa, independente de você querer ou não, enviarei alguém aqui. Quero que fique segura até pelo menos nos encontremos novamente. Entendeu?
    Seu olhar volta incisivamente para mim.  Encolho-me no sofá, por algum motivo esse é um homem a qual não desejo enfrentar no momento ou em qualquer outro.
                — Mas... — Jenny começa.
                — Sem mais, apenas aceite. Meu segurança estará aqui em breve. — ele diz e sai em seguida.
                Afundo-me no sofá e respiro fundo. Que merda é aquela que havia acontecido ali?
                — Estupido e idiota! — Jenny grita para porta fechada. — Imbecil!
                Tudo bem, eu não sei se estou mais confusa por tudo que aconteceu ali ou pela reação intempestiva dela. Jenny está totalmente nervosa e fora de controle.
                — Nossa! Nossa! — Encaro-a com curiosidade. — A senhorita Jenny está abalada?
                — Quem ele pensa que é? — ela senta no sofá ao meu lado. — Estupido! Arrogante! Imbecil!
                — Boa pergunta. Quem ele é? — Corro para o celular na mesinha. — Vamos descobrir agora.
                Pego celular e jogo o nome dele no Google. Milhares de fotos do Sr. Durante surgem. Em vários eventos e festas e com algumas mulheres, todas lindíssimas.
                — Neil Durant presidente de umas das maiores companhias de tecnologia e segurança do país, dono de alguns hotéis de luxo e recentemente se enveredou pelo campo da aviação, tornando-se sócio da mais nova companhia de aviação e ascensão do país. — leio as informações de um site de fofocas.
                — Casado Sophia Durant uma rica herdeira de uma das famílias mais ricas da cidade também conhecida por suas festas e escândalos. Dizem que atualmente está em uma clinica de reabilitação. O casal tem uma filha de oito anos com uma deficiência na perna. Fontes nos garante que o casamento anda de mal a pior e que ambos não se interessam mais em esconder relacionamentos extras conjugais.
                Há outras informações, mas resolvo parar por ali. Não sei o quanto aquilo tudo é verdade, sendo que mídias como essa costumam inventar mais do realmente falar a verdade.
                — Ele é casado? — Jenny pergunta torcendo os dedos.
                — Ele mexeu com você não é? — Pergunto pesarosa.
                — Não. — ela vira de costas para mim. — Apenas não imaginei que fosse casado, só isso. Agindo do modo que agiu.
                Mentira! Se há uma coisa que consigo farejar é quando ela está mentindo. Bem ela poderia tentar se enganar, mas a mim ela não conseguiria. Eu senti muito bem a eletricidade entre eles. E pelo jeito que o Sr. Durant agiu em torno dela vejo que o sentimento é reciproco.
                — Como ele é Paige? — Jenny vira em minha direção novamente. Seus olhos perdidos além de mim.
                — Alto, moreno, olhos negros, musculoso e muito bonito.
                Sua reação não passou despercebida a mim. Sinto vontade de interroga-la e saber o que realmente acontece em seu interior, no entanto decido dar o espaço que ela precisa. No momento precisamos resolver o que faríamos com “senhor faça tudo o que eu mando”.
                — Você acha que ele irá cumprir o que disse? — Pergunto ansiosa. — Mandar um segurança ate aqui. A bruxa do trinta e seis vai adorar isso.
                A bruxa que me refiro é uma velha fofoqueira chamada Veronica que mora sozinha no apartamento trinta e seis. Seu passa tempo favorito e falar da vida de todas as pessoas que moravam ali e brigar com o sindico a toda hora.  
                — Isso não me importa. — ela finge indiferença. — Com certeza ele acha que serei mais um dos seus casinhos ridículos.
                — Pelo menos tomará que ele envie um homem bonito. — dou risada. Talvez outro homem bonito me faça esquecer o irresistível bad boy.
                Olho para relógio e vejo que está na hora de buscar os cachorros para seu passeio no parque. Faço isso duas vezes por semana e me renda uma grana extra.
                Após uma hora caminhando, na verdade quase correr pelo parque com três cachorros eu retorno ao meu apartamento a fim de finalmente fazer uma faxina. Ligo o som do celular e começo a arrumar a casa ao som da playlist em meu celular.
    Três horas depois, com fome e cansada resolvo ir até o apartamento de Jenny. Para minha surpresa há um homem parado em frente à porta. Ele é mais jovem que o anterior, alto, careca e bonito. Não tão bonito como Neil e meu bad boy, mas fazia bem aos olhos. No entanto ele não mexeu em nada comigo.
    Inferno! É o segundo homem bonito que vejo no dia que não faz sentir as pernas bambas como meu lindo misterioso.
                — Olá. — cumprimento-o, ele balança a cabeça e se afasta para que eu entre.
                Conto a Jenny que há outro homem parado em sua porta e ela não parece surpresa ao saber que Neil havia cumprido a promessa e enviado um segurança.
                Almoçamos juntas, o dia passa rapidamente e apesar de minha curiosidade ela decide não falar sobre Sr. Durante ou tudo o que havia acontecido mais cedo.
                Por volta das sete horas preparo minha mochila com a roupa da apresentação de hoje e volto ao apartamento dela para que possamos ir juntas ao trabalho. 
                — Estou tão feliz por hoje ser sua última apresentação Jenny. Aquele lugar não é ambiente para você.
                — Apesar de tudo tive bons momentos ali. — ela sorri. — Mas essa oportunidade no restaurante é muito importante. Em breve poderemos sair daqui.
                Estamos guardando dinheiro a mais de seis meses. O prédio não é um lugar muito seguro, além de se localizar em uma das áreas mais perigosas do Bronx o selador não contribuí em nada para garantir a segurança dos moradores.
                — Estou pensando em me candidatar a uma vaga da lanchonete perto da faculdade. É na parte da tarde e ainda poderei fazer o bico com os cachorros.
                — Outro emprego Paige? — Jenny resmunga. — Por isso vive caindo pelos cantos. Não sei como ainda não ficou doente.
                — Quanto mais rápido conseguirmos o dinheiro, mais rápido sairemos.
                Seguimos para o ponto de ônibus. Estou nervosa, será que o homem que vem atormentando meus pensamentos durante todo o dia apareceria no clube novamente? E o pior, o que eu faria em relação a isso? Fugir novamente está fora de cogitação. Não posso desaparecer como na noite anterior, pois Jenny está comigo. Não posso deixa-la sozinha. De qualquer forma talvez esteja dando importância demais ao assunto. Nunca o vi por ali antes e não há motivos para que ele volte. 

    Uma hora depois chegamos ao clube, vamos direto para o camarim.
    — Ah Jenny vou sentir muito sua falta. — Mayume diz abraçando-a. — Que pena que está indo embora.
    Mayume é uma das poucas amigas que temos no Seduction e tenho certeza que suas palavras são sinceras.
    — E você Paige? Fugindo daquele Deus grego. Ai se ele olhasse para mim como olhou para você. — Mayume suspira.
    — Homem? — Jenny se desvencilha do abraço de Mayume e vira em minha direção. — Que homem?
    Lanço um olhar furioso em direção a Mayume. Ela e aquela boca grande.
    — Ninguém importante. — Digo remexendo na caixa de maquiagens.
    — Como ninguém importante? — Mayume continua sem perceber meu olhar mordaz. — O homem me deu cem dólares só para chama-la. Eu guardei para pagar você Paige. Consegui levantar um dinheiro extra.
    — Obrigada. — Digo pegando a nota. — Tem certeza que não vai precisar?
    — Sempre precisamos não é? Eu devo você há muito tempo. — ela diz constrangida. — Além do mais, não sei quando terei uma gorjeta tão alta assim novamente.
    Guardo o dinheiro entre os seios, deixar na minha mochila está fora de cogitação. Furtos ali eram algo constante.
    — Por que não me contou sobre esse homem Paige? — Jenny insiste.
    — Como já disse, não é ninguém importante. — encerro a conversa.
    Visto meu traje para aquela noite, um vestido preto de franjinhas, sandália de tiras e plataforma salto agulha. Faço uma maquiagem marcada ressaltando os meus olhos verdes. 
    — Está pronta? — Jenny está espetacular em seu vestido de couro vermelho e cabelo preso em um rabo de cavalo.
    — Sim.
    Saímos em direção ao palco. Ed o proprietário anuncia aos presentes que este será o show de despedida dela. Os homens vão à loucura. Observo os mais afoitos saírem de suas mesas e caminharem em direção ao palco.
    Ajudo a subir as escadas, sei que dali em diante ela pode se conduzir facilmente.
    — Sai dai agora! — Ouço um grito enlouquecido às nossas costas.
    — Sr. Durant. — encaro o homem furioso atrás de mim. O que esse maluco está fazendo aqui? E como ele sabia onde estávamos? Ah, claro o segurança que havia passado o dia todo plantado no corredor em frente ao apartamento dela. Com certeza havia nos seguido.
    — Como pôde arrastá-la para isso? — Ele me pergunta com olhar mortal.
    Antes eu que possa responder ele caminha até a beirada do palco e agarra os tornozelos de Jenny. Ela continua a caminhar ignorando-o. Estou entre confusa e completamente atônita.
    — Solte-me. — diz Jenny tentando se soltar sem sucesso. Vejo-a desiquilibrar e cair de bunda no chão.
    — Ai! — ela geme. Creio que mais de humilhação do que pela dor em si.
    — Chega disso! — Neil diz colocando-a em seu ombro.
    A cena a seguir me deixa petrificada. Neil coloca Jenny no chão e desfere um soco em um homem que tentou interpelar seu caminho. Depois disso é um mar de braços, pernas e socos para todos os lados.
    E em um caso como esse sempre há aqueles que querem tirar proveito, eu sinto uma mão asquerosa tocar meus seios.
    — Tire as mãos de mim! — Grito tentando empurra-lo.
    Um homem calvo, com uma barriga saliente me devora com olhar. O cheio forte de álcool vindo dele me deixa enjoada. Pior que um tarado é um tarado nojento e bêbado. E esse ser era as duas coisas.
    — Não seja tímida gatinha. Sei que vai adorar o que vou fazer com você.
    — Solte a moça!
    Uma voz baixa, mas não menos ameaçadora soa atrás de mim.
    — Caí fora idiota. — o homem balbucia me puxando contra ele. — Vá procurar outra garota.
    — Eu disse para você soltar!
    Viro em direção à voz e me deparo com aqueles olhos azuis impressionantes. E em poucos segundos vejo o homem voar até a mesa em frente a nós.
    Ao presenciar isso dois homens se aproximam de nós. Um é quase da minha altura, mas bastante musculoso o outro é alto e magro.  Acredito que sejam amigos do homem que havia me incomodado.  Vejo meu bad boy desferir um soco no homem alto que se desequilibra por alguns instantes. O mais baixo se aproxima dele e lhe dá um soco no olho. Ele revida acertando-lhe o queixo. Enquanto isso eu vejo o homem menor se levantar com uma garrava vazia na mão.
    — Cuidado! — Grito para meu bad boy desavisado.
    Ele vira-se em direção ao homem com a garrafa na mão e desvia de seu ataque.
    Incapaz de ser apenas uma telespectadora eu subo em cima do homem alto e magro e puxo-lhe os cabelos. Ele roda por alguns segundos tentando tira-me de suas costas. Agarro a sua cintura com minhas pernas e mordo sua orelha. O homem urra feroz e puxa meus cabelos soltos. Solto um gemido de dor e sinto meus olhos encherem de lagrimas devido à ardência em meu couro cabeludo.
    Nesse momento percebo que meu bad boy havia finalizado com o cara baixinho que geme caído no chão, provavelmente com um nariz quebrado. Ele desfere vários socos no homem até que ele solta meus cabelos. Seu alvo agora é a garganta de meu salvador.
    Descruzo minhas pernas em volta da cintura do agressor e desfiro alguns socos em suas costas enquanto ele continua a brigar com meu bad boy. Após socos de um lado e socos do outro vejo o homem cair no chão.
    Olho para meu anjo salvador preocupada com seu estado. Em seu olho esquerdo há um pequeno corte onde desce um filete de sangue. Seus lábios estão machucados e levemente inchados.
    No entanto, o que me desestruturou foi o sorriso travesso em seu rosto. Sim, aquele infeliz esta gostando de toda aquela situação. Como se tivesse sonhado por uma boa briga.
    Antes que eu possa falar sobre a imprudência da situação ele se aproxima de mim. Segura minha mão e me puxa para saída.
    — É melhor sairmos daqui. — ele diz com euforia. — Embora adore uma boa briga, prefiro gastar minhas energias com outras coisas.
    — Pera ai? — Tento me desvencilhar. — Estou trabalhando.
    Se bem que agora não tenho tanta certeza. A casa inteira estava de pernas por ar. Cadeiras e mesas quebradas. Copos e garrafas voando em todas as direções, garotas chorando pelos cantos enquanto homens desferem socos uns nos outros sem motivo algum.
    O salão está em um caos total. Estou impressionada, embora já tenha havido outras brigas ali, afinal estou falando de um clube com mulheres, homens e bebidas entre outras coisas. Então, é completamente previsível que essa combinação resulte em brigas e discussões algumas vezes, mas a confusão de hoje ultrapassaram todas as expectativas.
    — Querida ou aqueles caras fazem parte de um time de futebol, coisa que não creio. — Ele indica os homens que enfrentamos anteriormente. — Ou fazem parte de uma boa gangue. O que sei é que não tenho vontade alguma de enfrentar esses grandões ali. Prefiro ser um covarde vivo a um herói morto.
    Olho para o local que ele me disse e vejo quatro homens vindos em nossa direção.
    — Puta merda! — murmuro tentando acompanhar seus passos.
    Magistralmente vejo-o nos desviar das pessoas em volta e se encaminhar para saída. Vejo Mayume encostada contra a porta que dá acesso aos camarins pendurada em uns dos seguranças.
    — Paige! — Ouço a voz de Ed em minhas costas e gelo. — Eu avisei. Está despedida!
    Por todos os deuses do olimpo eu não tive culpa de nada. O único culpado era Sr. Durante, aquele troglodita. E falar no dito cujo onde ele havia levado Jenny? Faço uma oração interna para que ela esteja bem e amaldiçoou por não ter um bendito celular.
                Não tenho a chance de responder a Ed, tentaria falar com ele depois. Aqueles homens estão cada vez mais próximos se nos dois. Pelos seus olhares ameaçadores sei que se nos alçarem teremos sorte se nosso destino for apenas uma cama de hospital.
                Antes que eu perceba me vejo agarrada pela cintura e sentada em uma moto. Não uma moto qualquer, mas “A” moto. Coloco meus braços em volta da cintura dele e a última coisa que vejo são os homens urrando em nossa direção enquanto ele ganha a estra em alta velocidade.
                Sinto o vento em meus cabelos soltos e em minha pele quente. Após alguns minutos ele desacelera e estaciona.
    Meu coração acelera no peito. Nunca subi na garupa de um estranho e muito menos com um que mexe comigo de uma forma completamente absurda como ele faz e ainda nem mesmo sei seu nome.
    Não sei se é a adrenalina ou a noção de perigo, mas toda situação é extremamente excitante.            Vejo-o pegar um capacete com sorriso torto que eu já aprendi a admirar.
    — Por mais que esteja linda com esses cabelos ao vento. Eu não quero uma multa de transito.
    Vejo-o pegar um capacete pendurado na lateral da moto e coloca-lo em minha cabeça.
    — Sexy. — ele sussurra dando um passo para trás para que pudesse me observar melhor. — Incrivelmente sexy.
    Encaro-o através do visor do capacete. O homem é nada menos que perfeito em sua calça jeans, camiseta branca e jaqueta de couro negra.
    Merda, aquela sensação entre minhas pernas pulsa como uma britadeira. Remexo sobre a moto tentando aliviar a sensação que só se intensificou.
                Ele coloca seu próprio capacete e ganhamos a estrada novamente. Andamos por cerca de meia hora até chegarmos a um prédio alto com fachada elegante na região de Manhattan.
                Entramos em uma garagem privativa e antes que possa me dar conta do que está acontecendo me vejo em um hall de mármore bege.
    O concierge de plantão sorri para meu bad boy e me olha maliciosamente. Embora tenha vontade de manda-lo enfiar aquele sorriso debochado em um lugar bem oportuno, tenho ciência que minha roupa de show me faz parecer uma garota de programa.
                — O que estamos fazendo aqui? — Pergunto             asperamente ao meu bad boy.
                Aliás, eu preciso de um nome, não posso passar a vida inteira chamando-o de meu bad boy. E além de tudo ele não era meu. Controle-se Paige Fisher, digo a mim mesma.
                — Você precisa de alguns cuidados. — ele sorri sedutoramente.
                — Ah, claro e você vai cuidar direitinho de mim não é? — Falo com ironia e certa decepção. Ele só é apenas mais um babaca querendo tirar vantagem da situação. — Obrigada, mas prefiro ir para casa.
                Antes que eu possa me encaminhar para saída ele me puxa de encontro a ele outra vez.
                — Não farei nada que não queira. — sussurra com sua boca próxima a minha, nossos rostos praticamente colados e seu hálito adocicado me inebriando. Canela e café. — Seu braço está machucado, pensei apenas em fazer um curativo.
                Olho para meu braço esquerdo e vejo um arranhão que eu não havia percebido antes começar a latejar levemente.
                — Mas se quiser posso deixa-la em um hospital mais próximo.
                Bem se o concierge já havia me encarado de forma equivocada o que diria uma recepcionista de hospital. Com certeza concluiria que fui agredida por um cliente violento.
                — Posso fazer isso em casa. — murmuro indecisa.
                — Srta...?
                — Fisher. Paige Fisher. — respondo.
                — Se eu quisesse fazer algum mal a você não a traria para minha casa e além de tudo com testemunhas. — sua cabeça movimenta em direção ao homem parado na recepção.
                — Como se chama? Ainda não sei seu nome.
                — Richard Delaney.
                As portas do elevador se abrem e um casal elegante sai por ele. O homem ruivo com cerca de uns trinta anos e uma mulher loira, alta e magra.
    Percebo que homem me olha com olhar predador, seus olhos saltam para meu decote e fixa-se em meus seios. Richard coloca o braço em volta da minha cintura em um sentimento de posse. Encara o homem com olhar “olhe, mas não toque”.
    A mulher me encarar com olhar de ódio e desprezo. Agindo por impulso agarro-me mais a ele para dar uma boa lição naquela riquinha esnobe, enrosco-me no braço de Richard e deixo que ele me conduza para dentro do elevador. Antes que as portas se fecham vejo a jovem bufar de raiva e indignação.
    Sinto meu rosto esquentar e sei que estou ficando vermelha, tanto de raiva como de vergonha por minha reação intempestiva. Olho para Richard e noto seu olhar divertido e questionador em minha direção. Eu não sei se é o seu sorriso charmoso, olhos sedutores, o rosto de tirar o fôlego ou se estou ficando claustrofóbica, mas de repente as paredes do elevador parecem me sufocar. Sinto minhas pernas trêmulas e um calor incandescente irradia por todo meu corpo.
    — Apenas um curativo. — digo a ele.
    — Certo. — ele responde como se não acreditasse em uma única palavra minha.
    Chegamos ao sexagésimo oitavo andar, andamos por um corredor largo, passamos por duas portas e paramos na terceira. Observo enquanto ele digita um código de segurança e abre a porta.
     Fico de queixo caído literalmente com o que eu vejo. Apenas a sala de estar é quatro vezes maior que meu apartamento inteiro.
    — Entre. — ele me empurra para dentro. Confesso que se ele não houvesse feito isso eu teria ficado a noite toda parada na porta, completamente abismada com o ambiente.
    — Fique a vontade. — ele sussurra tirando a jaqueta, jogando no braço do sofá.
    Ele segue até um bar perto de uma imensa porta dupla de vidro. Admiro seus ombros largos e sinto minhas mãos formigarem. Vejo-a servir algo em dois copos de vidro e caminhar de volta em minha direção.
    — Acho que precisamos disso. — ele sorri de forma sensual entregando um dos copos a para mim.
    Puta que pariu o homem inventou e patenteou aquele sorriso sexy. Viro o conteúdo cor de mel em um só gole. Engasgo-me e tusso por alguns segundos. Uísque eu odeio uísque, mas realmente preciso de algo forte para aliviar a tensão. 
    — Vá com calma. — ele ri. O som rouco e sensual me faz sentir as pernas bambas.
                            — Vamos cuidar disso aqui. — ele continua.
                Não sei se é a bebida ou se estou inebriada por ele, mas sigo-o sem pestanejar.          Entramos em um banheiro totalmente branco, duas vezes maior que o meu. Vejo-a abrir uma porta de um gabinete e tirar uma caixa de primeiro socorros. Sinto o algodão umedecido deslizar pelo machucado em meu braço. Minha pele se arrepia quando ele finaliza com um band-aid e acaricia meu braço.
                Seus olhos fixos nos meus. Minha respiração está acelerada e meu coração se salta no peito. Sinto sua boca se aproximando da minha lentamente. Sei que ele vai me beijar eu sinto isso. Eu desejo. Venho desejando há muito tempo.
                — Acho que devo retribuir o favor. — como uma covarde eu fico de costas para ele e começo a mexer na caixa de primeiros socorros.
                Todo meu corpo está tenso devido ao desejo reprimido. Umedeço um pedaço de algodão em um anticéptico e me volto a ele. Seu olhar ainda é ardente e cheio de desejo. Com as mãos tremulas deslizo o algodão em seu supercílio macucado. Faço o mesmo procedimento nos lábios e ouço-o gemer.
    — Doí? — Minha voz soa enrouquecida.
    E o que acontece a seguir foge completamente do controle. Richard desliza as mãos até minha cintura e me prende contra ele e a parede.
    Sinto seu membro enrijecido entre minhas pernas.
    — Muito. — ele diz.
    Sei que está se referindo ao desejo e estado de excitação do que ao machucado. Ele esfrega seu membro rijo contra minha parte intima. Céus a sensação é muito boa. Um gemido escapa dos meus lábios. Ele me imprensa ainda mais contra parede, puxa meus cabelos fazendo com que eu olhe no de seus olhos.  
    — Eu quero você Paige! Porra como eu quero! — Com essas palavras ele toma meus lábios.


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