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  • Por você eu faço tudo - Capitulo 2

    A primeira Vista



    O relógio toca insistentemente e a única coisa que quero fazer é dormir por horas e horas sem fim. Para um dia de semana o trabalho no clube tinha sido bem cansativo. O barulho estridente continua a irritar meus ouvidos e sem pensar duas vezes estico o braço e jogo o insuportável despertador contra a parede. Cubro a cabeça com travesseiro e tento voltar para o adorável reino dos sonhos.
    “Na na na na
    Come on
    Na na na na
    Come on”
    Com um gemido de protesto ouço a musica S&M da Rihanna soar do meu celular em alguma parte da minha cama.  Certo eu não posso me dar o luxo de jogar o celular pela parede e o pobre coitado já sofre muito por todas as vezes que o deixo cair. Não sei como ainda não explodiu na minha cara. Lentando com todo meu corpo gritando em protesto.
    Reviro toda a cama a procura do pequeno torturador. Sou uma daquelas pessoas que não acordam com bom humor e o barulho está me irritado profundamente. Encontro o maldito celular enrolado em minha camiseta da Minnie. Eu tenho o estranho hábito de tirar a roupa durante a noite enquanto estou dormindo. Uma das minhas incontáveis esquisitices.
    Desligo o celular e olho em volta do minúsculo quarto. Roupas e roupas por todos os lados. Céus até parece que passou um furacão pelo quarto.
    – Amanhã eu arrumo. – digo em voz como se isso pudesse garantir que arrumaria essa bagunça de três dias.
    – O que posso fazer eu tenho dois empregos. – resmungo.
    Trabalho a noite no clube e duas vezes por semana sou babá de cachorros. Saio para passear com eles no Centro Parque, um exercício que me ajuda a manter a boa forma. O dinheiro desse trabalho não é muito, mas completava os gatos. Viver em Nova York não é fácil. É uma cidade muito cara mesmo para quem vive em uma espelunca como a que vivo.
    Ah, eu me esqueci de dizer, também tenho péssimo habito de falar sozinha. Eu avisei, minhas esquisitices são infinitas.
    Vou para a sala e me sinto um pouco mais aliviada, pelo menos ali não há tanta bagunça. A quem estou querendo enganar a maioria das coisas estão guardadas, na verdade amontoadas no pequeno armário ao lado do banheiro. Definitivamente preciso dar um jeito nisso.

    Sigo para pequena cozinha adjacente à sala, o único lugar imaculadamente limpo e organizado. Não que eu seja desleixada, mas venho trabalhando muito e estou cada dia mais cansada. Jennifer e eu pretendemos mudar de apartamento e estamos guardando o máximo que pudermos.
    O prédio não é muito seguro. Não há porteiro e a porta de segurança vive quebrada. Eu não ligo muito sobre isso sei cuidar de mim, afinal depois de um ano trabalhando em clube aprendi muito bem a me defender, mas minha grande preocupação é com a Jennifer. Ela é cega e já havia passado uns bons bocados nesse prédio. Se não é Paul cuidando dela nem sei as coisas horríveis que poderiam acontecer. Além disso, tem o irmão maluco que não a deixa em paz, sempre lhe pedindo dinheiro para seus vícios. E isso é dos principais motivos para sairmos daqui.
    Abro a geladeira e fico desapontada com o que vejo. Uma caixa de leite, um pedaço de queijo e meia garrafa de água.
    – Acho que hora de ver como minha amiga está. – sorrio internamente das minhas segundas intenções.
    Somos amigas há quase dois anos. Conheci Jenny logo que cheguei aqui, com os poucos centavos que havia no bolso. Depois de descobrir tudo o que John e Mary Ane haviam feito comigo procurei Harry em Dakota do Norte, mas para o meu desespero ele e a família estavam viajando para resolver um problema familiar do marido da filha dele. Sem rumo andei de um lugar a outra até parar em Nova York. Nosso primeiro encontro foi meio conturbado. Jenny estava brigando com o Brian no corredor e descobri horas depois que ele foi um caso passageiro e fracassado. Ele queria entrar e ela não queria permitir. Cansada das pessoas que se aproveitavam da fragilidade alheia coloquei-o para correr e conquistei um novo inimigo.  Afasto essas lembranças amargas e vou para seu apartamento. Uso a cópia da chave que ela me deu e entro sem receio ou vergonha na cara. Ambas não temos namorado, portanto não corro o risco de um constrangimento. Nós duas queremos os homens a metros de distancia.
    – Já está acordada? – Me surpreendo vendo-a ocupada com a limpeza.
    – Paige já é mais de dez horas. – Jenny sorri.
    – Sou uma garota da noite esqueceu? Então é como se fosse cinco da manhã. Tem alguma coisa para comer?
    – Não vou contrariar seus argumentos eu sempre perco. Tem suco na geladeira, pão e frios.
    Olho em volta do apartamento dela. Nossa, é tudo tão limpo e organizado que sinto vergonha.
    – Você é cega e sua casa é impecável. – Abro a geladeira e pegos os ingredientes para um sanduiche. – Seu quarto é tão organizado.
    – Preciso de praticidade Paige, não posso me dar o luxo de sair tropeçando nas coisas. E você me ajuda com as roupas.
    – Em troca de comida. – respondo enquanto começo a preparar um sanduiche.
    Conversamos sobre as coisas bizarras no clube e os sonhos que temos na vida. Jennifer que estudar musica e eu ainda acalento o sonho de ser arquiteta.
    O resto da manhã passou rapidamente ajudo-a a terminar de arrumar as coisas apesar dos seus protestos. É incrível como nossa amizade se fortalece a cada dia. Podemos confiar uma na outra embora nosso passado nos tenha ensinado que o melhor era não fazer isso. Somos como duas almas gêmeas embora muito diferentes. Jennifer toda certinha, doce e educada. Eu desorganizada, temperamental e sem papas na língua. Meu telefone toca vejo que o número é desconhecido, só poderia ser uma pessoa.
    – Kevin?
    Vejo Jenny se contorcer no canto do sofá. A última discussão entre eles não havia sido muito amigável.
    – Quero falar com a Jenny. – ele murmura do outro lado da linha.
    – A pergunta é se ela quer falar com você?
    – Paige eu juro que é importante.
    Eu percebo pelo seu tom de voz que parece angustiado. Provavelmente está atrás de dinheiro. Como podia ser tão cara pau e desumano. Abusar de uma irmã como Jenny é imperdoável.
    Ainda estou em dúvida se entrego o celular ou não. Quando a vejo esticar as mãos.
    – Deixa. O problema é meu. Eu resolvo. – ela diz.
    – Não precisa se não quiser.
    Entrego o telefone ao notar a determinação em seu rosto.
    – O que quer? – ouço-a dizer. – Não eu não vou. Não insista.
    Levanto-me e vou até a cozinha. Dou um pouco da privacidade de que ela precisa, mas fico por perto caso necessite de ajuda.
    – Tudo bem? – pergunto quando ela se une a mim.
    – Preciso encontra-lo daqui a duas horas.
    – Acho que não deveria Jenny.
    – Ele me disse que era importante. – ela murmura.
    – Ainda acho que não deve. – insisto. – Eu vou com você.
    – Não! Você não vai. – me diz determinada. – Você tem trabalho hoje. Tem que descansar. Eu marquei em um lugar publico perto daqui. Não se preocupe.
    Eu sei que quando ela coloca uma coisa na cabeça não há nada quem a faça mudar de ideia. Desejo que nós duas não cheguemos a lamentar isso.  Isso não me soa bem.
    – Está bem. Tenha cuidado.
    – Kevin é meu irmão Paige o que poderia fazer contra mim?
    Eu não respondo. Em seu estado normal acho que ele não faria nada, mas são raras às vezes em que está em seu estado normal.
    Conversamos pela hora seguinte. Vejo-a se arrumar e meu coração aperta no peito. Eu não gosto nada disso.
    – Jenny não vá! Eu sinto que não deve ir.
    – Agora você é vidente? – ela brinca, mas isso não me tranquiliza.
    – Por favor, não vá. – murmuro. – Deixei-me ir com você.
    – Paige nada vai acontecer. Kelvin deve estar atrás de dinheiro. – Hoje vou falar claramente que isso não é mais possível. Veja estou levando meu spray de pimenta.
    Ela tira um frasco da gaveta e coloca na bolsa.
    – Está se preocupando a toa.
    – Se algo acontecer a você eu nunca vou poder me perdoar. É uma droga Paul não estar aqui.
    – Não se preocupe. Tranque a porta quando sair.
    Vejo-a pegar a bengala e sair apressada. Tenho um pressentimento ruim. Devia ter insistido em ir com ela, ou melhor, devia ter ido escondido para observar de longe. É exatamente isso que vou fazer. E que se dane o clube, e que se dane se for despedida como Ed disse que faria caso houvesse outra queixa sobre mim. Há muitos clubes pela cidade. 
    Há quem estou querendo enganar. Esse é um dos poucos clubes seguro da cidade. Embora os clientes sejam pessoas de todos os tipos, não me obrigavam a me prostituir e nem ficar totalmente nua. O Seduction é clube um pouco mais exclusivo, com shows de música, strip-tease e apresentações no pole dance. Os gatos com bebidas também é relativamente alto. Afastando esses pensamentos saio com pressa se for rápida ainda consigo encontrar com Jenny na portaria. – Está fugindo de quem?
    Um homem moreno e alto bloqueia meu caminho no corredor. A última coisa que preciso é lidar com um idiota como Brian.
    – Sai da minha frente!
    Empurro-o sem conseguir movê-lo de lugar um centímetro sequer.
    – Ainda a mesma mal educada de sempre. ­– ele revida me provocando.
    – Vai pastar seu asno!
    Dou a volto por ele e corro para as escadas. A rua está bem movimentada. Olho em todas as direções para ver se a encontro e gemo frustrada. Deveria ter anotado o endereço. Agora não faço a mínima ideia para aonde ela tinha ido.
    Volto para meu apartamento me sentindo frustrada. Não há nada que posso fazer agora e como sei que não vou conseguir ficar parada esperando começo a organizar meu quarto.
    Por volta das seis tomo banho e arrumo minha mochila com minhas coisas. Jenny ainda não voltou e continuo preocupada.
    Saio de casa e vou para o ponto de ônibus próximo ao nosso prédio. Ainda terei que pegar outro ônibus para chegar ao meu destino.
    Uma hora depois chego ao clube, algumas garotas estão se arrumando e enquanto outras ensaiam seus shows. Eu não preciso fazer isso, apresento o mesmo show por cerca de quatro meses. Sigo direto para um camarim onde todas dividem o espaço. Cumprimento algumas garotas e ignoro outras. Nem todas são simpáticas, mas essas eu já coloquei em seus devidos lugares assim que comecei a trabalhar no clube.
    No começo causei um pouco de ciúmes em algumas delas. Sou morena, alta e corpo curvilíneo. O meus olhos verdes escuros e longos cabelos negros e cacheados chamam muita atenção, mas o que atrai mesmo o olhar masculino, como disse o dono do lugar é meu rosto inocente e jeito de menina. Mas para por ai. Não sou nada inocente, não que seja devassa ou queira me tornar uma, mas os quase dois anos em que trabalho ali me ensinou muito. Da menina pura que chegou, havia sobrado muito pouco.
    – Olá Paige.
    – Oi Mayume. – cumprimento a japonesa que senta ao meu lado em frente ao espelho.
    – Será que teremos casa cheia hoje?
    – Acho que sim. – sorrio. – Sempre está.
    – Espero encontrar um bom pretende dessa vez. – diz ela.
    Concentro-me em terminar a maquiagem e evito respondê-la. Mayume acredita fielmente que encontrará sua tampa da panela no clube. Mas toda às vezes acaba chorando pelos corredores. Homens que frequentam esse lugar querem apenas uma coisa. Sexo!
    Passo rímel nos cílios para realçar os olhos e acrescento uma sombra escura. Finalizo com um batom vermelho. Prendo os cabelos em um rabo de cavalo para que não me atrapalhe na dança.
    – Sabe se soubesse que Charles era casado eu não teria dado uma chance a ele. Você sabe eu tenho meus princípios.
    Mayume continua seu discurso a minha volta. Minha mente está em outro lugar. Espero que Jenny esteja bem e que Kevin não tenha feito nada a ela. Meu show é um dos primeiros então assim que terminar vou direto para casa. Geralmente faço trabalho como garçonete, às gorjetas são boas, mas estou sem cabeça para isso.
    Pego minha roupa na mochila e começo a me vestir. Coloco o top de couro brilhante estilo garota de torcida e um minúsculo short também de couro preso por cordões nas laterais do corpo, calço as botas e espero.
    Escuto o som do lado de fora. Uma loira a qual detesto abrirá a noite com seu show, em seguida Mayume depois eu no pole dance.
                Reviso meus passos mentalmente enquanto tento manter a calma, passaria anos e eu não me acostumaria aquilo.
                – Tudo bem se concentre. –falo comigo mesma.
                – Acho que é minha vez. – Mayume sorri para mim e caminha até a saída. – Vai fazer extra hoje?
                – Não.
                – Vejo você no sábado então.
                Despeço-me dela com gesto de cabeça e me concentro na garota parada em frente o espelho. Como cheguei até aqui? Uma pergunta que faço todas as noites. Nem em minhas mais loucas fantasias me imaginei trabalhando em um lugar como esse.  Como gostaria de ser como Jenny e não precisar ver os olhares de cobiça e desprezo das pessoas que frequentam o ambiente. Primeiro os homens te olham como se fosse a sétima maravilha do mundo depois como se não valesse nada. Odeio essa parte do trabalho, principalmente quando eles tentam avançar o sinal mesmo com todos os protestos e avisos. Para os homens todas somos prostitutas. E foram inúmeras às vezes em que saí aos tapas com algum bêbado mais insistente. Ed não estava mais tolerando esse tipo de comportamento e já alertou que mais um escanda-lo e estou na rua.
                A música termina e vou em direção ao palco. Mayume sorri para mim ao descer as escadas. Tomo o lugar no palco e espero a iluminação ascender. Olho ao redor e procuro algum homem que ache interessante. É um jogo que faço sempre que me apresento. Finjo que ele meu príncipe e que executo a dança apenas para ele e que no final vamos fugir dali para nossa vida perfeita.
    Meu olhar vagueia pelo salão e então eu o vejo. Sentado em uma das mesas próxima ao palco um dos homens mais lindo que já vi. Cabelo claro, olhos acinzentados e penetrantes, o maxilar parecia talhado em mármore e um sorriso. Ah, o sorriso. Um sorriso torto de deboche enquanto a loira ao lado dele falava algo em seu ouvido. Seu olhar cruzou com meu e minhas pernas ficam bambas. Seus olhos percorrem meu corpo de cima a baixo como se estivesse devorando cada parte de meu corpo. Sinto um calor me percorrer de cima a baixo e uma latejar em certa parte específica de meu corpo.  Não sei por que estou agindo assim, já fiz esse jogo antes com outros homens tão bonitos quanto ela, mas algo nele, talvez seu jeito de cafajeste me atraia inegavelmente.
    A música começa. O acorde de Jimi Hendrix começa soar. Ele levanta o copo em direção a mim e me lança outro de seus sorrisos irresistíveis. Sorriso de “Eu vou foder você e você vai gostar”.
                Começo meu número, os acordes e a voz melodiosa me guiam na dança sensual. Pela primeira vez desejo realmente sair do palco acompanhada pelo meu príncipe misterioso. Não. Ele parece um motoqueiro pronto para me jogar na garupa de sua Harley e me guiar para um mundo desconhecido, mas repleto de prazer.
                Nunca dancei tão sensualmente como hoje e sinto cada parte de meu corpo excitado e queimando como brasa. Seu olhar sobre mim é dominador. Vejo seus olhos arderem de desejo como os meus. Meus olhos fixam em sua boca e quase caio do mastro ou vê-lo passar a língua sobre eles, mordendo em seguida.
                “Cacete”. Estou dançando que nem uma louca para parecer sensual como a Beyonce e cara só precisar morder os lábios para ser a criatura mais sexy do planeta. A vida é realmente injusta.
                A música termina e as luzes se apagam. É o momento que tenho para sair do palco para que outra se prepare. Deixo o palco com sentimento de que estou perdendo algo. Afasto esse sentimento rapidamente. É só mais um cara bonito.
                Mas a quem estou tentando enganar. É o homem mais bonito e sexy que já conheci. Por ele eu faria qualquer coisa. Até mesmo ignorar minhas regras de nunca sair com um dos clientes do clube. Na realidade não saio com ninguém desde John. Esse é o problema, abstinência sexual. Estou em um local onde se respira sexo, então é completamente natural que uma hora ou outra minha libido aparecesse.
                – Nossa hoje você foi de cair o queixo. – Mayume vem de encontro a mim nas escadas com um drinque tropical. – Aquele homem lindo mandou que entregasse a você.
    Ela me aponta o meu deus grego. Ele me encara com olhar penetrante e sorriso cafajeste nos lábios. Viro drinque num gole só e me dirijo a saída.
    – Espere! Não vai agradecer a ele?
    –Não! – grito para garota atrás de mim. – Me ensinaram a não brincar com fogo.
    Saio correndo em direção ao camarim, troco de roupa com uma velocidade espantosa. Não me preocupo em tirar a maquiagem. Pego a mochila e vou para o ponto de ônibus. Meu corpo ainda está trêmulo e quente.
    Cinco minutos depois estou parada no ponto próximo ao clube. Observo o entra e sai enquanto espero meu ônibus chegar. O drinque anterior começa fazer efeito, não que vá ficar bêbada com um drinque, mas como não tenho costume de beber sinto-me um pouco leve.
                Meus olhos se arregalam quando o vejo saindo acompanhado da mulher loira. Imediatamente ele me vê e apesar da minha calça jeans e camiseta sei que me reconhece. Vejo-o dizer alguma coisa a loira e vir em direção a mim.  Meu coração acelera e começo a entrar em pânico. O que vou fazer ou dizer? Pela primeira vez na vida me vejo sem palavras. Olho para a rua a minha frente e vejo um ônibus se aproximando percebo que não é o que vai para meu bairro.
    Então faço a primeira coisa que me vem à cabeça salto em frente ao ônibus como uma louca. Entro apressadamente sem prestar atenção nos protestos do motorista, alguma coisa sobre querer me matar.
                Pago a passagem enquanto o ônibus entra em movimento. Sento-me no primeiro banco que vejo e olho para o homem com olhar abismado do lado de fora. Levo minha mão aos lábios e solto um beijo para ele. Começo a rir incontrolavelmente da sua cara de surpresa.
    Ponto para mim!
                Mas estranhamente me sinto como se tivesse perdido.
    Desço no ponto seguinte ainda com esse sentimento de vazio. O dia foi completamente agitado e a noite terminou de forma surpreendente.
    Chego ao prédio e vejo que já passa das três da manhã. Estou muito cansada e quase caindo pelos cantos. Subo as escadas com lentidão enquanto a imagem daquele homem me assombra a cada minuto. Definitivamente preciso de uma boa noite de sono.
                Assim que atravesso a porta que dá para o corredor eu paraliso com o que vejo. Há um homem parado na frente ao apartamento de Jenny. Sinto meu coração apertar no peito. O que aquele gorila faz parado em frente ao apartamento dela?
                – Quem é você?
                – Está falando comigo?
                – Não. Estou falando com Gasparzinho do seu lado. – retruco. – Quem é você e o que faz aqui?
                – Acho que não é da sua conta?
                O que? Não é da minha conta. Que tipo de maníaco ele é?
    Imediatamente imagem de Jenny jogada no chão ensanguentada me vem à mente.
    – O que fez a Jenny?  Saia da minha frente!
    Tento remover a massa de músculos na minha frente sem sucesso.
    – Saia ou juro que vou chamar a policia.
    – Tenho ordens para não sair. A moça pode fazer o que quiser.
    – Seu maníaco desgraçado. – bato em seu peito enquanto lágrimas vêm aos meus olhos. – Jenny! Jenny!
    – Fica quieta sua maluca. – ele começa a resmungar e segura meus pulsos. – Pare com isso!
    Para o bem da minha sanidade mental a porta se abre e Jenny aparece com olhar confuso.
    – Graças a Deus Jenny. ­– aproveito da surpresa dele e me solto. Passo por debaixo dos braços do homem e me jogo de encontro a ela. Nos duas caímos ao chão devido à força em que me lanço. – Como você está? Esse louco não quis me deixar entrar. 
    – Que louco? O que está acontecendo Paige? – Suas mãos vagueiam pelo meu corpo. – Alguém a machucou?
    – Ninguém me machucou, mas há um homem parado na sua porta.
    – O que? – Seu grito é estridente.
    – Desculpe senhorita, mas o senhor Durant pediu que ficasse aqui e fizesse a guarda. – ele responde.
    – Maldito homem! – Jenny protesta.
    O que está acontecendo e quem é esse tal Durant?
    – Jenny eu acho que tem algumas coisas para me contar não é?
    Levanto-me e fecho a porta na cara do grandalhão. E ele que se atreva a entrar.




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