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  • Por você eu faço tudo - Capitulo 1




    Pensilvânia dois anos antes...

    Odeio despedidas!
    Passei a vida inteira me despedindo das pessoas que amo. Aos cinco anos senti pela primeira vez a dor separação quando minha mãe me deixou aos berros num orfanato aqui mesmo no estado da Pensilvânia, onde cresci e vivo até os dias de hoje. Com quatorze anos vi minha melhor amiga Nicole ser adotada por um casal sem filhos e logo depois se mudar para Carolina do Norte. Aos dezoito fui obrigada a deixar o orfanato e dar adeus às boas pessoas que havia conhecido ali e única família que tive.
    Hoje terei que dizer adeus novamente. Dessa vez para meu querido e rabugento chefe Harry. Ainda me lembro do primeiro dia que o conheci. Uma semana após sair do orfanato ainda me sentindo sem rumo ou direção, sem saber o que fazer da vida e com o que restava dos dólares de auxilio fornecido pelo governo para que me mantivesse no primeiro mês.
    Naquele dia já havia andado por toda cidade procurando um pensionato que estivesse dentro do meu pequeno orçamento. Dormir para sempre em um misero quarto de motel estava fora de cogitação. Encontrar um emprego também não estava sendo nada fácil. Mas para minha sorte naquele fim de tarde vi a placa em que Harry oferecia um emprego de garçonete e hospedagem em um quartinho em cima da lanchonete.
    E foi aqui que passei os meus últimos quatro anos antes da lanchonete falir e ser tomada pelo banco. Hoje é o último dia de trabalho da equipe que consiste no rabugento Harry dono e cozinheiro, pelo menos pelas últimas vinte quatro horas e eu sua garçonete desajeitada e boca dura.
    Ninguém quer admitir o quanto isso é triste e embora Harry fosse um rabugento que reclama da vida vinte e quatro horas por dia também é a pessoa com coração mais doce que já conheci. Na verdade desconfio que seu jeito rabugento seja uma forma de camuflar seu coração de manteiga.
    – Paige! – seu grito ecoa do pequeno escritório atrás da cozinha. – Anda logo garota eu não tenho o dia todo.
    Dou risada, tiro o avental pela última vez e me encaminho para o escritório. Tenho ouvido essa frase nos últimos quatro anos.
    – O que você quer? – respondo tentando conter o riso, nosso tratamento parece agressivo para outras pessoas, mas para nós é como se fosse um jogo.  Após muitas e muitas brigas nós dois aprendemos a nos dar bem. Confesso que foi difícil dosar seu jeito ranzinza com minha boca impertinente. Eu sou daquelas que não leva desaforo para casa. Não mesmo!
    – Pegue esse maldito envelope em cima da mesa. – ele aponta para o envelope em cima da sua desorganizada mesa enquanto finge olhar algumas correspondências. – Vai ficar parada ai o dia todo?
    – O que é isso? – Estou surpresa com as notas que vejo lá dentro.
    – Depois de ganhar tantas gorjetas nos últimos anos, pensei que soubesse o que é dinheiro? ­– ele resmunga.
    Na verdade ele está sendo irônico. As poucas pessoas que passam por ali são pão duras demais para deixar alguma gorjeta. Alias estamos surpresos pela lanchonete não ter falido antes. Harry é péssimo com números e eu também não pude ajudar muito. O que eu gostava era decoração. Foi dai que surgira meu sonho em ser arquiteta. John acha que sonho demais e que devo me contentar apenas em ter um teto. Às vezes acho que ele tem razão, mas o que é a vida sem sonhar?
    – Mas você me pagou ontem. – afasto esse último pensamento e devolvo o envelope a ele.
    – Considere isso como um bônus. – Harry sacode as mãos como se me dispensasse. – Agora saia.
    – Tem certeza? – Pergunto emocionada. – Não vai fazer falta?
    – Eu não abri vaga para contadora, garota. – ele pigarra limpando a garganta. – Agora saia!
    Balanço a cabeça e me viro para porta. Nós combinamos sem lágrimas e sem despedidas. Mas a verdade é que estou arrasada. Outra vez alguém que eu amo está indo embora. Sem me importar com o que me dirá corro até ele abraçando-o com força.
    – Vou sentir sua falta, Harry.
    – Por que você não vem comigo criança? Dakota do Norte é um bom lugar.
    – E viver com sua filha, marido e os dois filhos? – Pergunto enrugando a testa. – Não acho que sua filha ficaria feliz com a situação. Além disso, tenho o John.
    – Não sei o que viu nesse sem vergonha. E já não bastasse isso há aquela garota.
    O sem vergonha é meu namorado John, conheci-o aqui mesmo na lanchonete pouco mais de um ano. Loiro, musculoso, olhos azuis e jeito de bad boy. Aquela garota é Mary Ane uma antiga colega de quarto do orfanato. Apareceu há um pouco mais de um mês. Harry não gosta da jovem loira com suas roupas curtas e insinuantes.
    Desempregada em sem para onde ir havia me procurado. Não pude recusar a ajuda-la. Sei muito bem como é estar sozinha no mundo.
    – Não entendo por que não gosta dele e por que tanta implicância com Mary Ane?
    – Esse rapaz não serve para você, criança. E essa garota... Hum, não gosto nada dela.
    – John só precisa de uma chance na vida e Mary Ane de uma mão. Eu me lembro de que se não tivesse me ajudo nem sei o que teria feito.
     – Você é uma boa moça Paige. – Harry alisa meu cabelo. – Espero que não se decepcione. Se precisar de mim sabe onde me encontrar.
    – Obrigada Harry. – Sinto as lágrimas voltarem ao meu rosto.
    – Agora vá. Preciso fechar tudo.
    Saio dessa vez sem olhar para trás. Sei que um dia voltaremos a nos ver. Talvez no próximo verão. Sim, até lá já terei um novo emprego. Irei guardar esse dinheiro para viagem, se John souber desse dinheiro irá querer gastá-lo com besteiras.
    Deixei parte do pagamento que Harry havia feito no dia anterior com John para que pagasse hoje o aluguel. O restante havia ficado na gaveta da comada irei depoistar no banco no dia seguinte.
    Seremos três desempregados em uma casa. Isso me deixa nervosa, teríamos que viver modestamente até que um de nos arrumássemos um emprego. Apesar de ter sido generoso o dinheiro que Harry havia me dado não duraria para sempre.
    Subo os dois lanços da escada com desanimo, tentando não sentir pena de mim mesmo. Abro a porta, fico surpresa em encontrar a casa em silêncio. Aparentemente não há ninguém em casa. Talvez tenham ido procurar emprego.
    Acendo a luz e fico totalmente abismada com o que vejo.
    Vazio!
    O apartamento está completamente vazio. Corro para o quarto e tenho a mesma surpresa. Não há nada, absolutamente nada. Minha cabeça dá voltas e mais voltas. Sento-me no chão e tento controlar a vertigem que me domina.
    O que está acontecendo? Onde está o John e Mary Ane? Onde estão todas as coisas? Não que houvesse muito, quando vim para cá havia apenas uma cama e TV, eu trouxe todos os outros moveis. Todos os móveis que comprei nos últimos quatro anos.
    Corro até o apartamento do sindico no andar superior. Com certeza ele sabe de alguma coisa. Bato na porta com força, minhas pernas estão tremulas e minha respiração é irregular.
    – Ah, tomou vergonha na cara e apareceu? – Perguntou Evan assim que abriu a porta.
    – Minha casa está vazia. – respondi ainda tremendo. – Onde está o John e o que você fez com nossas coisas?
    – Eu? – Ele abre a boca parecendo abismado. – Não fiz nada. Seu namorado e a loira saíram em um caminhão há meia hora e levaram tudo. Alias espero que tenha vindo pagar o aluguel como eles disseram que você faria.
    Eles haviam partido? Levaram minhas coisas? O dinheiro do aluguel?
    Todas essas informações giram em minha cabeça. A náusea volta a tomar conta de mim com força total e antes que possa me conter tudo que estava em meu estômago sai pela minha boca. Em poucos segundos tudo vai parar nos sapatos de Evan.
    – Que droga! – Ele grita com cara de nojo. – Que merda!
    – Foram embora? – Pergunto ainda incrédula. – Juntos?
    – Foi o que eu vi. – ele deu de ombros. – Agora vai me pagar o aluguel?
    Limpo os lábios com as costas da mão enquanto lágrimas inundam meus olhos. Aquilo não está acontecendo. Não poderiam fazer isso comigo.
    O dinheiro? Além de todas as minhas coisas levaram o dinheiro do aluguel e pouco que havia sobrado. Levaram tudo.
    Ira e dor toma conta de mim. As pessoas sempre iam embora, mas nunca de forma tão leviana e cruel. Minha a mãe havia desistido de mim, mas pelas poucas lembranças que tenho do passado foi para meu bem. Nicole havia partido, porém foi para o bem dela. Harry também foi embora, mas ele não teve outra escolha.
    John e Mary Ane me enganaram da pior e mais cruel forma possível. Não haviam levado apenas o dinheiro. Haviam  roubado toda minha fé no amor e nas pessoas.
    – Então vai me pagar ou não? – Evan encarava-me com raiva. – Acho bom fazer isso ou chamarei a policia.
    – Desculpe Evan. – murmuro consternada.
    Aperto minha bolsa com força. Não tenho nada, apenas os dois mil dólares de bônus. Daria para pagar o aluguel, mas o que faria depois? Sem casa e sem emprego.
    Então, faço a única coisa que me vem à cabeça. Eu corro. Ouço os gritos furiosos de Evan atrás de mim. Eu não ligo tudo que quero é sair dali e esquecer tudo. Prometo a mim mesmo que um dia eu pagaria a minha divida com ele.
     Ainda desnorteada faço sinal para primeiro ônibus que vejo. Entro e sento-me no ultimo banco, deixo que as emoções tomem conta de mim. Sinto-me traída e enganada juro nunca mais confiar em ninguém novamente. 

    5 comentários :

    1. que horror espero que sofram muito q nojo

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    2. Esses dois merecem sofrer bastante, espero que mais pra frente eles apareçam e vc de um belo castigo a eles...

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    3. Que horrou se preparem pq vai ter volta a vai

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