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  • Louco por você - Capitulo 36 e 37


    Algumas semanas depois, estava no apartamento, agora mobiliado e pronto para que trouxesse definitivamente minhas coisas para ele. Antes disso, eu tinha planejado uma noite especial com Julienne.
    Conferi mais uma vez se pratos e talheres estavam no lugar e verifiquei a temperatura do vinho.
    Era o primeiro jantar que teríamos no apartamento desde que ele ficara pronto, mas não era por isso que eu estava nervoso. Eu tinha uma parte importante do meu passado para revelar a Julienne, e a forma que ela poderia reagir a isso me deixava apreensivo.
    Mas eu tinha que contar sobre Cecilia e sobre o meu filho. O bebê que, até o ano passado, eu cogitei ter sido do meu irmão e que por anos deixei que ele sofresse essa perda.
    Agora eu entendo que não foi apenas o medo de que Adam não me perdoasse que me fez ficar calado por tanto tempo, foi o pavor de sentir a mesma dor que ele sentira.
    Era como se eu tivesse criado um escudo impenetrável para bloquear a dor, que explodiu quando a verdade finalmente surgiu. Sentia por Cecilia e mais ainda pelo bebê que não conheci. Eu o guardaria em meu coração até o último dos meus dias,  com o carinho que nunca poderei dar a ele.
    Não é uma história que quero ficar revirando, mas Julienne merece e deve entrar nessa relação estando ciente das partes boas e ruins da minha vida. Sem mentiras ou segredos que pudessem algum dia nos separar.
     — Você está se superando cada vez mais — disse ela, ao reagir à mesa arrumada — Alguma ocasião especial?
    Peguei a mão dela e a conduzi até o sofá.
    — É, sim, uma ocasião especial.— murmurei ao sentarmos — Mas antes do jantar, preciso te contar uma coisa.
    Contei sobre minha infância com Adam, Katty e Cecilia. Meus reais sentimentos por ela. Das minhas escolhas erradas que afetaram Adam profundamente e da minha covardia ao ficar em silêncio por tanto tempo.
    — Esse é o meu lado mais desprezível — sussurrei, incapaz de encará-la, sentia vergonha do homem que tinha sido — Achei que tinha o direito de saber.
    Julienne segurou meu rosto e me fez olhar para ela. Havia um rastro de lágrimas em suas bochechas, e eu não via decepção ou aversão em seus olhos.
    — Você não é desprezível, Liam — a voz era tão carinhosa como as mãos em meu rosto, que não hesitei em beijar — Decisões erradas acontecem com todo mundo. Admitir e aprender com seus erros é que o faz esse homem incrível. Que eu amo.
    Havia uma distância razoável de idade entre nós, mas eu me sentia um menino ao lado dela. Apaixonado, assustado pela imensidão desse sentimento e feliz.
    — Tenho uma coisa para dar a você — murmurei, quando nos separamos.
    Tirei a caixinha vermelha do bolso da jaqueta e entreguei a ela, que olhava com olhar pasmo.
    — Oh, meu, Deus! — Repetia sem parar.
    — Abra, Julienne.
    — Eu... ah...
    — Abra ou eu mesmo faço isso.
    Observei sua mão trêmula abrir a tampa da caixinha e logo um sorriso enorme surgir em sua boca.
    — A chave do apartamento?
    — Uma bomba não caberia aí — gracejei.
    É claro que ela ficou em pânico ao imaginar que havia uma aliança de casamento, sabia que ela não estava ainda preparada para isso. Mas eu a queria junto a mim o mais próximo que conseguíssemos ficar.
    — Liam, tem certeza?
    — Você já tem a chave do meu coração — murmurei, ao puxá-la para o meu colo — Agora só precisa da chave da minha casa.
    — Como não me apaixonar por você, todos os dias? — Ela remexeu-se em meu colo e me beijou.
    — Só tenho uma imposição — falei, quando nos separamos para tomar fôlego — Que fique aqui pelo menos todos os sábados. Gosto de dormir abraçando você.
    Quando eu tinha deixado de ser o palhaço babaca para me tornar o tolo romântico?
    Quando Julienne caiu em meus braços, em uma despedida de solteiro. Eu sabia que essa garota significava problema. Um delicioso problema que não tinha pretensão alguma de me desfazer.
    — Acho justo — ela ronronou quando passei minhas mãos em suas costas, por dentro de sua blusa.
    Levantei, levando-a enroscada em minha cintura, para o único lugar do apartamento que não tínhamos batizado ainda.
    A suíte.



    Capítulo 37

    Estava colocando as minhas coisas no armário quando meu celular tocou. Conferi, apreensiva, que era Clyde. Ele sabia meu turno no Let’s, então não ligaria se não fosse importante. Joguei minha bolsa e roupa de qualquer jeito e me apressei a atender.
    — Penelope teve o bebê — ele disparou assim que atendi — Um menino lindo.
    Meu coração disparou de alegria, mas logo uma preocupação me incomodou.
    — Como assim, já nasceu? Ela ainda ia para o oitavo mês.
    — Foi prematuro — a voz dele vacilou um pouco — Nós quase a perdemos, Julienne. E o bebê... bom...
    — O menino — senti meus lábios tremerem — Ele está bem?
    — Vai ficar — ele respirou fundo — Eu espero que sim.
    Senti as lágrimas correrem pelo meu rosto e as sequei rapidamente com as costas da mão. Chorar e me desesperar não ajudava em nada, embora fosse exatamente aquilo que eu gostaria de fazer.
    — Eu estou indo para aí — disse a ele — Só vou conversar com a minha chefe. Chego em breve.
    — Depois me passe o horário do seu voo. Eu pego você no aeroporto.
     Procurei a Loretta e expliquei o que estava acontecendo. Por ser nova no trabalho, sabia que meu pedido de alguns dias de folga poderia ser recusado e seria obrigada a pedir demissão. No entanto, minha família sempre viria em primeiro lugar.
    Para minha surpresa, não apenas me deu os dias que pedi como afirmou que poderia ficar o tempo que precisasse. Ellen também se prontificou em me ajudar no que fosse preciso.
    Minha maior preocupação agora era pensar no que dizer a Liam. O meu grande plano era, após o nascimento do bebê, convencer Penelope a contar pelo menos para Liam. Mas como ele sempre dizia, nada do que planejamos seguia o curso.
    Como não tinha como protelar mais, assim que cheguei em casa liguei para ele.
    — Julienne? Aconteceu alguma coisa?
    Era para eu estar no trabalho, então a preocupação em sua voz tinha certa justificativa.
    — Eu tenho que voltar para casa —  respondi, sentindo meu coração diminuir em meu peito.
     — Algum problema?
    — Meu pai... — engoli em seco — Preciso vê-lo.
    A palavra “mentirosa” brilhava em minha testa como um pisca-pisca em uma árvore de natal. Odiava ter que mentir para ele, e aquilo parecia crescer como uma bola de neve.
    — Eu posso ir com você — ele se prontificou — Só preciso olhar minha agenda e...
    — Não, Liam! — Interrompi rapidamente — Não é preciso, pelo menos não agora. Eu vou e volto antes que você perceba. Caso precise que vá, eu te aviso.
    — Você tem certeza?
    — Sim — senti as lágrimas nublarem minha visão — Obrigada por se preocupar comigo.
    — Posso ao menos te levar ao aeroporto?
    — Eu já estou a caminho.
    Mentirosa!
    Eu não tinha nem feito as malas ainda, mas não tinha escolha. Não suportaria me despedir dele, sabendo o quanto estava sendo desonesta com ele.
    — Então me mantenha informado. Ligue quando estiver lá e quando estiver voltando.
    — Tudo bem.
    — E, Julienne?
    — Sim — minha garganta estava em brasa e a bola dentro dela parecia crescer.
    — Amo você.
    — Também te amo — respondi, antes de desligar.
    Eu era a pior namorada do mundo, conjecturei ao jogar a mala na cama. Desonesta e falsa. Liam merecia alguém muito melhor do que eu. Mas além dos terríveis defeitos anteriores, eu também era egoísta. Não suportava a ideia de perdê-lo, e isso só fazia com que me desprezasse mais.
    Teria que colocar um fim àquilo. Acho que minha visita à fazenda poderia ser uma ótima decisão, no fim das contas. Penelope teria que me ouvir.

    ***
    Como prometeu, Clyde me esperou no aeroporto. Ele me contou em detalhes sobre o parto de Penelope e o estado de Benjamin. O bebê estava na UTI Neonatal e o seu estado era extremamente delicado.
    Assim que entrei no quarto de Penelope, a emoção falou por nós duas. Consolei seu choro desesperado e presenciei seu maior temor, de que o bebê não fosse forte o suficiente para vencer aquela batalha.
    — Não quero perder meu bebê — repetia ela, em meio ao choro.
    Minha determinação foi minada diante da dor que ela carregava. Eu não podia simplesmente dizer: “Conte ao Liam e à família dele ou eu faço isso”.
    Não tive coragem de fazer isso. Não nesse momento tão delicado para ela. Sequer consegui falar sobre Liam.
    Além disso, era quase impossível levantar o assunto com Austin como um cão de guarda sobre ela. A primeira coisa que disse, ao chegar na fazenda, era que ficaria de olho em mim. Ele havia cumprido perfeitamente bem a tarefa.
    O melhor momento da minha estadia em Peachwood foi conhecer o pequeno Ben. Ele era tão frágil como bonito. Era impossível olhar para ele e não enxergar Adam. Ele tinha todos os genes dos Crighton. Eu me perguntei se Liam e eu, algum dia, tivermos filhos, eles serão também a cópia do pai.
    Era uma ironia eu sonhar com aquilo. Nem sabia se minha relação com Liam sobreviveria a tantas mentiras ou, como prefiro dizer, meias verdades.
    Em meio a tanta confusão e dilemas, procurei a única pessoa que achei que poderia me compreender. 
    — Puxa, a Michelle está enorme — sorri, ao ver a menina ensaiar alguns passos, apoiada no sofá.
    — O bebês crescem rápido — olhou com admiração para a filha — Mas não foi para falar sobre Michelle que veio até aqui, não é mesmo?
    Balancei a cabeça e comecei a chorar, ao invés de dar uma resposta. Paula trouxe um copo d’água e esperou que eu me acalmasse.
    Eu precisava contar a alguém ou sentiria que iria explodir. Paula, por muito tempo, soube manter segredos escondidos. Ninguém melhor do que ela para me entender.
    — Eu posso dizer, Julienne, que quanto mais permanecer calada, mais a culpa irá te consumir — ela esfregou minhas mãos geladas nas suas — Mas entendo que esteja dividida entre o homem que ama e Penelope, que é como uma irmã para você. Eu estive presente o máximo que pude e, posso garantir, Austin não estava exagerando. Não foi uma gestação fácil para ela. Fingíamos que sim, mas, na verdade, passamos o tempo todo preocupados.
    Eu sabia que havia riscos, porque Austin duramente me avisou, só não tive conhecimento que tivessem sido tão graves.
    — Ainda há um risco para o bebê, e não acho que ela aguente lidar com mais coisas.
    — Quer dizer que devo continuar mentindo para o Liam?
    — Não, que talvez devesse esperar um pouquinho mais. Eu sei, não sou a melhor pessoa para dar esse conselho, afinal, você descobriu de forma desastrosa nosso parentesco e acabou me odiando.
    — Paula, eu não odiava você, sentia ciúmes — confessei pela primeira vez — Devia ter me aproximado na festa de casamento, mas tudo ainda era novidade para mim. Acha que Liam vai me odiar?
    — Ficará desapontado. Talvez com muita raiva, inicialmente. Mas é melhor ele saber da notícia com Ben saudável e fora de risco, do que nesse momento tenso.
    Eu me sentia presa entre o certo e o errado. O que eu deveria e não poderia fazer.
    — A decisão ainda é da Penelope — disse ela.
    Daria mais alguns dias para que Benjamim e Penelope ficassem mais forte. Depois disso, eu mesma levaria Liam até Peachwood, e esperava que seu amor por mim fosse maior que a decepção, ao descobrir o que há tanto tempo escondi.



    Louco por você - Capitulo 35


    Quando acordei, a primeira coisa que vi foi a cama vazia e o bilhete em cima do travesseiro.

    “Meu amor, tive que resolver um problema de família. Não se preocupe comigo. Volto assim que puder”.
    Seu Liam.

    Durante os cinco meses que nos conhecemos, se for levar em consideração o casamento de Paige como ponto inicial, essa era a primeira vez que ele me chama assim — meu amor.
    Sorri, encanta, e reli a mensagem. Guardaria esse pequeno pedaço de papel para sempre. Talvez fosse algo infantil, como guardar o primeiro ingresso de cinema, embalagem de bombom, a primeira carta do primeiro namorico adolescente, mas eu não me importava. Era um pequeno pedaço de papel que significa muito para mim.
    Suspirei ruidosamente e olhei assustava para o relógio, quando verifiquei que passava das dez da manhã. Por causa do concurso, eu tinha conseguido o dia anterior e hoje de folga.  
     Eu tinha muitas coisas para fazer, para aproveitar o dia de folga. Ainda precisava colocar as roupas sujas na máquina, fazer faxina, ir ao mercado e pagar algumas contas online. Pelo menos eu teria muitas coisas para manter minha manhã e parte da tarde ocupadas.
    Eu só esperava que esse problema familiar não fosse nada realmente grave e que ele mandasse notícias logo. 
    Estava colocando a roupa na secadora, quando a campainha tocou. A primeira coisa que pensei, na verdade, terceira, porque a primeira era como ele era lindo, depois como seu beijo era maravilhoso e, por último, mas não menos importante, se deveria dar uma cópia do apartamento para ele.
    Cedo demais e estaria precipitando as coisas? Se fosse, qual o tempo natural para isso?
    Além disso, não era meu apartamento, era de Lola. Embora estivéssemos tão bem quanto poderíamos estar, a casa era dela.
    — Conseguiu resolver o problema?
    — O problema era Adam — ele respondeu ao me seguir para a cozinha.
    Por sorte, ainda não tinha pegado as xícaras no armário para fazer café.
    — Tudo bem com ele? — sondei, cautelosa.
    — Normal. Era Adam sendo idiota — ele fez uma pausa significativa antes de prosseguir: — Contei a ele sobre nós.
    Fechei o armário e me virei para ele.
    — E?

    Louco por você - Capitulo 34



    Enquanto Julienne dormia abraçada a mim, segui refletindo sobre o que aconteceu nas últimas horas. Ainda é quase irreal que seja prima de Penelope. Estive mais surpreso com a incrível coincidência do que preocupado com a revelação.
    Eu não temia que o fim doloroso entre Penelope e Adam pudesse nos afetar. Claro que por causa de nós, em algum momento, os dois poderiam se reencontrar e isso causaria um certo desconforto, mas meu irmão e a prima dela eram pessoas adultas. Saberiam lidar com qualquer situação quando e se acontecesse.
    Embora compreenda o desespero de Julienne, doeu-me ver como ficou abalada. Havia muito que ela teria que aprender no campo relacionamento. Eu queria protegê-la de todas as surpresas da vida, mas dias ruins também nos traziam crescimento e mais maturidade. O importante é que, como afirmei a ela, sempre estaria ao seu lado. Quando havia amor e sinceridade, nada poderia atrapalhar.
    Estava chateado que um momento tão especial para ela tivesse sido arranhado por aquela descoberta. Mas amanhã seria outro dia. Julienne enxergaria que seus receios não apresentavam perigo para nós.
    Meu celular tocou em cima da mesa, ao lado da bandeja intacta. Levantei sua cabeça com cuidado e puxei meu braço com suavidade para não a acordar.
    — Alô.
    — Alô. Você é parente do Sr. Crighton? — ouvi a voz masculina quase abafada pelo barulho de música e conversa.
    — Qual deles? — perguntei, alarmado.
    — Um minuto...
    Peguei minha calça e camisa no chão, saindo silenciosamente do quarto.
    — Adam Crighton — disse ele — Você o conhece?
    Fechei os meus olhos, perguntando que merda ele tinha feito dessa vez.
    — Bom, é que ele não está nada bem — o homem continuou — Não acho seguro que ele saia de carro e não está aceitando a opção de chamarmos um táxi. Então, se puder vir até aqui, creio que seja melhor.

    Louco por você - Capitulo 33



    Observei a porta fechar e foi como se meu coração estivesse sendo trancado em meu peito. Sabia que minha revelação o pegaria de surpresa, o que eu não esperava era sua rejeição.
    Doía tanto.
    Eu poderia ter esperado até o último minuto para confessar ou esperar que ele descobrisse sozinho, mas aquilo não parecia certo. Ainda não parecia certo. Era melhor lidar com a dor esmagadora triturando meu peito agora, do que quando estivéssemos um nos braços do outro.
    Por muito tempo, eu afirmei que estava interessada apenas na parte prazerosa do sexo  — um orgasmo de tremer as paredes. Sorri da ironia. Muitas coisas tinham mudado. Eu tinha me apaixonado loucamente.
    Escorreguei pela parede, abraçando minhas pernas. Estava entre confusa e abalada. Liam afirmara me amar, mas, no entanto, não me queria.
      Eu era um enredado de conflitos. E quanto mais eu pensava, em nenhuma conclusão conseguia chegar. Então, deixei apenas que a tristeza me embalasse. 
    Estava na penumbra, entre a sonolência e a realidade, quando a porta foi aberta. Somente quando a luz foi acesa, incomodando meus olhos, que percebi que tinha passado o tempo todo no escuro.
    — Julienne? — apreensivo, ele procurou pelo quarto, até me visualizar encolhida no chão — O que faz aí?
    Quando peguei suas mãos estendidas, senti toda minha vontade de chorar voltar com força total.
    — Sinto muito — solucei.
    Não podia realmente culpá-lo pelo fim desastroso da noite. Não são todos os homens que viam como um troféu a inexperiência de uma garota.
    — Eu sinto muito — Liam beijou meus olhos marejados — Mas eu tentei consertar as coisas.
    Só queria que ele me abraçasse como fazia agora. Quando estava em seus braços, sentia que mais nada no mundo poderia me magoar.
    — Vem comigo — guiou-me para fora do quarto — Quero te mostrar uma coisa.
    Voltamos para a sala, e não pude ficar menos estarrecida. A bagunça com a comida tinha sido eliminada. Mais velas, muitas delas tinham sido espalhadas por toda sala com dezenas de pétalas de flores, um arco-íris de cores e variedades.

    O Preço de um amor

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